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Ricardo Di Bernardi
No livro “Reencarnação”, de
autoria do Prof. Geraldo E. Dallegrave (1), sob a orientação do denominado
Centro Latino-Americano de Parapsicologia - CLAP, encontramos um raciocínio
surpreendente que chega a nos chocar pela amplitude limitada do mesmo. Eis o
texto transcrito, na íntegra, da página 9 da mencionada obra.
“Por que uns nascem com
saúde e outros extremamente doentes e até aleijados?”
“Pai sifilítico gera filho
sifilítico”.
Um pai que levou toda uma
vida desregrada, pegando uma série de doenças, vai gerar, com efeito, filhos
doentes e aleijados. De quem é o pecado? Do filho, na vida passada, ou do pai
na presente vida?
É claro, e muito claro, que
o pecado é do pai na presente vida, e não do filho na passado. Reencarnação?
Pura fantasia.
A TV, há poucos meses,
apresentou uma reportagem a respeito de 8000 crianças aleijadas e defeituosas,
porque suas mães em estado de gravidez tomaram a famoso psicotrópico Talidomida
(2).
Este é um fato inconcusso,
absoluto. O resto não passa de pura fantasia dos adeptos da Palingenesia.
Notas:
* (1) Ed.
Loyola, 4 ed.
* (2)
Conforme considera o referido autor
Mais adiante ressalta o
autor:
...”Encontramos uma série de
exemplos, que comprovam cientificamente como fato que todos os defeitos e
doenças humanas tem explicação natural. Nada, portanto, de pecado na vida
passada.”
Embora as colocações do autor, acima
mencionado, possam parecer extremamente simplórias para os estudiosos da
Reencarnação, cumpre-nos a obrigação de atender àqueles que porventura possam
se afinizar com este nível de abordagem, no tocante a esta questão.
Segundo o que pudemos
observar, o prof Dallegrave considera serem os espíritas portadores de uma
moléstia que denominaríamos “ingenuidadis totalis”.
Admitir que nós, os
reencarnacionistas, não apreciamos os mecanismos mais simples das leis
biológicas chega a ser, no mínimo, surpreendente. Desconhece, o referido autor,
que na concepção espírita as leis da natureza são secundárias e dependentes de
uma lei universal transcendente.
As leis biológicas, também
Leis de Deus, são expressões mais periféricas, ou materiais, das leis físicas,
químicas e biológicas.
Obviamente, a sífilis
congênita foi adquirida em função dos pais; no entanto, por quê justamente este
espírito deverá amargar uma cegueira ou um conjunto de anomalias físicas?
Simplesmente por mera casualidade? Qual
o critério de escolha para determinar seja alguém aquinhoado com tão grave
anomalia para toda sua vida? Ou, não haverá critério? Onde está a sabedoria da
Lei Universal? Onde está a suprema bondade e justiça de um criador onipotente?
Uma única vida em condições tão difíceis, seria compatível com uma Lei
Universal sábia e profundamente amorosa?
Evidentemente, há aqueles
que são proibidos de pensar, bloqueados que estão seus neurônios em função dos
condicionamentos impostos por dogmas de fé e mistérios diversos; portanto,
indiscutíveis e não racionais.
Façamos, antes de estudar a
visão reencarnacionista correta do tema proposto, algumas referências à
patologia sífilis.
Sífilis é uma infecção
específica produzida por um parasita microscópio denominado Treponema pallidum.
Este agente microbiano é um ser unicelular e biologicamente
classificado como protozoário.
Lues, ou Sífilis, é uma
doença venérea, isto é, sexualmente transmissível. Apresenta um período inicial
de invasão, onde o Treponema penetra por via genital determinando a chamada
sífilis primária. Nesta fase surge o chamado cancro duro que é um endurecimento
tecidual, indolor e que normalmente não se ulcera no início. Freqüentemente o
cancro duro é acompanhado de gânglio (íngua) próximo ao local.
O período de incubação, do
contacto sexual até a manifestação da sífilis primária, é, em torno, de 2
semanas. Alguns meses após (geralmente 2 meses), surge a sífilis secundária,
que se caracteriza pela disseminação no organismo, via circulação, do Treponema
pallidum. Surgem, então, lesões de pele (sifílides), em geral, avermelhadas.
Após a disseminação da
sífilis, há uma fase seguinte, anos mais tarde, denominada sífilis terciária.
Ocorre, nesta fase, a localização do agente infeccioso que pode se fixar nos seguintes
locais:
1) Na pele, com formação de
pequenas massas tumorais denominadas de gomas ou sifilomas;
2) No coração, que, aliás, é
uma localização freqüente. Neste caso, há lesões de válvulas cardíacas com
possibilidade de importantes complicações na artéria aorta com dilatação da
mesma (aneurisma de aorta), podendo romper, levando a óbito por hemorragia
súbita e fulminante.
3) No sistema nervoso
central, determinando importantes paralisias, meningite aguda sifilítica,
atrofia ótica e outras manifestações.
Sífilis Congênita
Com relação à cegueira de
nascimento motivada por sífilis, o Treponema pallidum invade o organismo fetal
atravessando a barreira placentária, provindo da circulação sanguínea materna.
Este processo recebe a denominação de transmissão congênita.
Não há herança genética,
portanto. A contaminação do feto é freqüentemente do 5º mês de gravidez em
diante. O pai não infecta o filho diretamente, e, sim contaminando a mãe.
O bebê sifilítico pode apresentar
inúmeros graus de lesões e ter diversos órgãos afetados, mas, resumindo-nos a
problemática da cegueira congênita, a lesão dos órgãos visuais do feto segue a
sistemática acima comentada.
Analisemos a questão da
cegueira congênita de origem sifilítica, comparativamente do ponto de vista
reencarnacionista e hipótese contrária da unicidade das existências (vida
única).
Se existisse uma só vida, a
alma que, por obra do divino Criador, fosse destinada a um organismo sifilítico
por “culpa” de seus pais teria razões para conceber essa determinação, no
mínimo, injusta! Há, naturalmente, quem considere uma fatalidade casual...
Não seria pequenez humana
atribuir a organização cósmica universal esse verdadeiro caos? Ou, estaria Deus
ausente neste processo? As almas estariam sujeitas a sua própria sorte, ou
azar, de um corpo perfeito, ou defeituoso? A sífilis adquirida pelos pais e
congenitamente transmitida ao filho não estaria integrada a Lei do Amor que a
tudo preside? Então, o “pecado” do pai poderia levar o filho inocente a sofrer
intensamente uma cegueira? Realmente, preferiríamos não aceitar a existência de
Deus ao ter que admitir tamanha incompetência ou indiferença divina...
Antes de estabelecermos a
explicação reencarnacionista a respeito da questão em foco, chamamos a atenção
para o termo “pecado”, o qual se afigura revestido de uma tradição plena de
resquícios filosóficos medievais.
Embora alguns
espiritualistas ainda utilizem esta palavra desgastada e cada vez mais imprópria
aos tempos atuais, preferimos o termo erro, que nos dá uma dimensão mais de acordo
com uma filosofia progressista. Erros podem ser corrigidos e apagados.
Errar é humano e típico de
um ser em vias de aprimoramento progressivo. Se alguém errar ou cometer um
equívoco de conduta, passa a estar, transitoriamente, em desacordo com a Lei
Cósmica Universal. Em função deste equívoco poderá adquirir um problema
pela resposta natural da Lei; sífilis congênita, por exemplo.
Não há, na realidade, castigo ou punição; existe, sim, conseqüência lógica
e automática. Quanto mais desarmonizado o indivíduo, em relação à Lei Universal,
ou Cosmoética, mais intensa será a repercussão deletéria de seus atos sobre si
próprio (e não sobre seu filho!).
Para melhor compreensão dos
fenômenos da Lei, necessitamos também acrescentar algumas informações.
Cada vez que uma pessoa pensa, ou sente, ela expressa
o seu sentimento ou pensamento sob a forma de energias que irradiam. Assim,
nossos atos, inclusive mentais, são registrados em nós mesmos através de
vórtices energéticos os quais permanecem incrustados na nossa estrutura
espiritual.
As energias que provocamos
em nosso semelhante também retornam a nós mesmos como respostas. Cada espírito
traz na sua essência toda carga energética positiva e negativa decorrente da
sua natureza ou seja do que ele realmente é, pelos seus valores e defeitos.
O espírito que renasce em um
organismo portador de sífilis congênita, somente o faz, por haver semelhança
deste organismo com sua situação evolutiva espiritual. Há uma perfeita sintonia
energética entre o seu corpo astral e o organismo físico enfermo.
Alguém que vivenciou,
freqüentemente em diversas vidas, situações desastrosas em termos de convívio
afetivo ou sexual, ocasionando, pelo seu livre arbítrio, circunstâncias profundamente
dolorosas e outros seres, traz indelevelmente marcado em seu inconsciente
(espírito), os atos do seu passado.
Não se trata, em hipótese
alguma, de punição ou simples pagamento de dívidas do passado. Aliás, “pagar”
dívidas é também um termo errôneo e inadequado à visão espírita de reencarnação.
Se fosse uma concepção aceita por nós, significaria, no caso, que ao
provocarmos a cegueira ou outrem, bastaria reencarnarmos cegos para estarmos
quites com a dívida perante a Lei Divina.
Sabemos, por informações
superiores, que este não é o mecanismo da Lei Universal. Só ocorre ajuste, ou
reharmonização do indivíduo, quando o mesmo se modifica intimamente, quando passa a não mais agir da mesma
forma como vinha procedendo anteriormente, ou seja, quando seu espírito vibra
em uma energia mais pura, mas luminosa e mais próxima do amor.
A fixação, ou reencarnação,
em um organismo defeituoso se faz porque o indivíduo ainda (neste caso) não se
modificou. (3) Ocorre, então, uma natural exteriorização física do seu verdadeiro
estado íntimo. As chamadas expiações visam eliminar defeitos ou lesões já existentes
no corpo espiritual (oriundas de atitudes pretéritas), drenando-as para o corpo
físico.
Assim, após o reingresso no
plano espiritual, pela morte biológica, poderá haver a normalização destes
defeitos. Evidentemente que se faz necessária uma mudança interior, de profundidade,
isto é, reforma íntima da criatura.
Nota do autor:
3) Não pretendemos
generalizar este raciocínio pois a espiritualidade maior pode utilizar outros,
caminhos para a busca da harmonização.
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