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Eliseu F. Mota Jr
No roteiro que estamos seguindo nesta coluna mensal,
a palingênese ou palingenesia, que significa nascer
de novo (do grego: palin = de
novo + genesia = geração) e que é
mais conhecida como doutrina da reencarnação,
é o terceiro princípio básico da Doutrina Espírita.
De acordo com essa doutrina, Deus cria os Espíritos
simples e ignorantes mas perfectíveis, ou seja, destinados a um dia alcançarem,
através da reencarnação e sob o império das leis morais (sobretudo da lei do
progresso), a perfeição relativa que
está destinada às criaturas, porque a perfeição
absoluta é um atributo inerente apenas ao Criador.
Os Espíritos também progridem no espaço, nos
intervalos entre as reencarnações, adquirindo conhecimentos específicos que não
lograriam obter no mundo corpóreo, modificando inclusive algumas de suas idéias
inadequadas, que poderiam entravar-lhes a evolução.
No princípio da reencarnação a Justiça Divina se
revela na sua plenitude, em oposição frontal à teoria materialista, que prega o fim de tudo com a morte, e à hipótese da vida única, segundo a qual
Deus cria a alma e o corpo do homem ao mesmo tempo, para viver apenas uma vez.
A propósito, usando a técnica de perguntas e respostas, vejamos algumas
considerações feitas por Allan Kardec em sua nota à questão 171 de O Livro dos Espíritos:
P. Quais seriam os fundamentos da reencarnação?
R. “Todos os
Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la,
proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça, porém, lhes
concede realizar, em novas existências, o
que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.
“Não obraria Deus com eqüidade, nem de acordo com a
sua bondade, se condenasse para sempre os que talvez hajam encontrado, oriundos
do próprio meio onde foram colocados e alheios à vontade que os animava,
obstáculos ao seu melhoramento. Se a sorte do homem se fixasse irrevogavelmente
depois da morte, não seria uma única a balança em que Deus pesa as ações de
todas as criaturas e não haveria imparcialidade no tratamento que a todas
dispensa.”
P. Como se evidencia a justiça de Deus na doutrina da
reencarnação?
R. “A doutrina da reencarnação, isto é, a que
consiste em admitir para o Espírito muitas existências sucessivas, é a única
que corresponde à idéia que formamos da justiça de Deus para com os homens que
se acham em condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar
as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos
erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam.
“O homem, que tem consciência da sua inferioridade,
haure consoladora esperança na doutrina da reencarnação. Se crê na justiça de
Deus, não pode contar que venha a achar-se, para sempre, em pé de igualdade com
os que mais fizeram do que ele. Sustém-no, porém, e lhe reanima a coragem a
idéia de que aquela inferioridade não o deserda eternamente no supremo bem e
que, mediante novos esforços, dado lhe será conquistá-lo. Quem é que, ao cabo
da sua carreira, não deplora haver tão tarde ganho uma experiência de que já
não mais pode tirar proveito? Entretanto, essa experiência tardia não fica
perdida; o Espírito a utilizará em nova existência.”
Fonte: O Clarim – outubro/1997
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