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Ismael Ramos das Neves
Muitas vezes, quando nos sentimos identificados por
algumas pessoas, como suscetíveis de receber críticas e censuras por algum ato
impensado, que tenhamos praticado – ou mesmo quando alguém opina sobre nós, nos
colocando na condição de ineficiente, ou quando discordam de nossos pontos de
vista pessoais –, nos inquietamos, nos acabrunhamos e, às vezes, chegamos ao
ponto de desanimar na execução de tarefas importantes, que pedem o nosso
empenho decidido para que as referidas tarefas sejam executadas, como penhor da
nossa fidelidade ao glorioso ideal da divulgação do Espiritismo.
Ninguém está livre de receber reprovações e até mesmo
de ser alvo de observações descabidas. Cada criatura vive no círculo de sua
própria capacidade espiritual, sem compreender, numerosas vezes, as
necessidades e os problemas do seu semelhante; e por isso mesmo, cada espírito
só pode alcançar a visão daquilo que o seu entendimento determina, em razão do
que se estabelecem na convivência social, manifestações variadas acerca de um
mesmo episódio ou de um mesmo fenômeno.
Dessa forma, quando críticas e comentários desairosos
venham a focalizar o nosso nome e algumas vezes surjam como motivo para alterar
a nossa condição de tranqüilidade pessoal, é importante que, além de buscar o
recurso providencial da prece em favor daqueles que nos criticam, acendamos a
luz do perdão no nosso íntimo e reconheçamos que aqueles que discordam de nós
podem ser instrumentos da nossa própria
evolução, levando-nos a reconhecer nossas possíveis omissões e deficiências.
O espinho que nos fere pode representar um grito de
advertência para que não venhamos a resvalar na inconseqüência e no erro ante o
precipício que se nos depara à frente. Saibamos, pois, receber a discordância
que alguém venha a endereçar-nos, mesmo quando isso represente para nós
obstáculo à realização dos nossos mais iluminados anelos.
Todos os mártires e heróis, ao longo de sua
caminhada, contaram com a presença de adversários, os quais, algumas vezes,
mesmo sem se constituírem detratores de suas personalidades, discordaram de
suas idéias, no elevado tentame de contribuírem para que eles corrigissem suas
possíveis faltas, que eram imperceptíveis aos seus olhos, mas perfeitamente
visualizadas pelos opositores. É preciso considerar, nesse caso, que aqueles
que nos criticam não são nossos adversários, mas, sim, colaboradores que nos
vigiam os passos, para que não venhamos a cair ou tropeçar ante as pedras que
se interpõem em nossa marcha, ou os espinhos que nos ameaçam ferir.
Jesus nos deu exemplo da paciência e da resignação
quando, diante daqueles que O escarneciam e Lhe dirigiam palavras agressivas,
soube manter a serenidade e a paz, aproveitando os momentos mais difíceis para
legar à Humanidade lições de profunda sabedoria, insculpindo nas páginas da
História Humana o hinário de eternal beleza do Seu alcandorado amor. Quando
Pedro decepou a orelha do soldado Malcus, o Celeste Amigo teve a frase lapidar:
“Pedro, embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada
perecerão.”
E, perante o momento culminante do sacrifício, na
cruz, exclamou:
“Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que
fazem.”
Se alguém nos crítica ou discorda de nós, tenhamos,
pois, coragem de continuar praticando o bem, como o agricultor previdente e
laborioso que não se cansa de plantar árvores benfeitoras ao longo do caminho;
guardemos a certeza de que, prosseguindo em nossa faina luminosa, anos depois,
aqueles que hoje se nos erigem na condição de nossos opositores, amanhã se
curvarão, em silêncio, ante a visão do plantio abençoado que houvermos
realizado mesmo com suor e lágrimas!
Fonte:
Revista Reformador – fev/2003
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