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Daniel Dunglas Home: Um Ocioso Explorador?

 

Dai de graça o que de graça recebestes

Divaldo: - Sim ; Kardec: - Não

Dr. Iso Jorge Teixeira*

isojorge@Globo.com.br

  

 

As levitações de D.D. HOME
foram fartamente pesquisadas e documentadas


As levitações do SR. D.D. HOME foram fartamente documentadas e o seu caráter foi elogiado várias vezes por ALLAN KARDEC

No dia 15 de março/2005 a fiel leitora da nossa Coluna em PANORAMA ESPÍRITA escreve-nos mail com o assunto DANIEL DUNGLAS HOME:

          “Prezado amigo Iso Jorge! Lendo seu artigo : MEDIUNIDADE, MEDIUNATO E   EVOLUÇÃO  ESPIRITUAL   onde  você   cita   como   exemplo   pessoas   com mediunato, Joana D'Arc, o escocês Daniel  Dunglas Home, cujo caráter Kardec sempre elogiou, e também Chico Xavier.

A minha dúvida é sobre o caráter de Daniel Dunglas Home. Tenho um CD de Divaldo Franco com tema  : Qualidade na Pratica Mediúnica , onde ele fala sobre o caráter deste médium , como eu nada sabia sobre o caráter deste médium, deixei passar. Mas, após algum tempo estava na internet, e li um artigo  : NARRAÇÃO DE ALLAN KARDEC- REVISTA ESPÍRITA 1858 - O MAIOR MÉDIUM DE EFEITOS FÍSICOS DO SÉCULO XIX , DANIEL DUNGLAS HOME , onde Kardec também cita o caráter deste médium , e percebi que algo estava errado, pois Divaldo no Cd fala que ele era um ocioso e explorador e Kardec diz em sua narração tudo ao contrário do que Divaldo diz.

Mais uma vez fiquei atônita, quem está com a verdade? Então resolvi mandar um email para a Mansão do Caminho. Este email enviei no dia 30/01/2005, eles receberam, pois acusaram o recebimento , mas até o dia de hoje 15 de março não recebi nenhuma resposta.

Segue anexo do email enviado para a Mansão do Caminho.

Gostaria muito ,mais uma vez,  que você pudesse esclarecer-me sobre este fato tão contraditório.

Receba minhas vibrações de muita paz”

MARTA BELUCO – SP – capital

O ANEXO DA LEITORA ENVIADO À “MANSÃO DO CAMINHO”

Do ANEXO enviado à Mansão do Caminho, bem circunstanciado, da Sra. MARTA BELUCO, resumiremos aqui os principais pontos:

Olá queridos Irmãos!! Tenho quase toda a coleção de CDS E VIDEOS do Divaldo e querendo ser bastante breve, tenho o CD Qualidade na prática mediúnica onde no 1º CD na pergunta nº 12 psicofonia-animismo-personismo-mediunismo. Ele explica o animismo onde cita o médium e paranormal Daniel Dunglas Home , dizendo que Daniel combate Kardec , pois Kardec propunha mediunidade moralizada e Daniel era um ocioso e explorador, dizendo que ele nunca aceitava dinheiro, só aceitava joias, casacos de pele, hospedagem em hotéis de luxo e convívio com a nobreza, foi médium dos reis, sendo que estes recebiam-no com uma grande igualdade nos palácios. Hoje, lendo em um site a NARRAÇÃO DE ALLAN KARDEC- REVISTA ESPÍRITA 1858 - O MAIOR MÉDIUM DE EFEITOS FÍSICOS DO SÉCULO XIX , DANIEL DUNGLAS HOME , ONDE KARDEC CITA , AO MEU VER, FATOS CONTRADITÓRIOS COM A POSTURA DESTE MÉDIUM , gostaria muito que os senhores me esclarecessem sobre este fato , tão contraditório.” Vou tentar colar a narração de Kardec aqui, se não conseguir , acima está citado a fonte. Recebam minhas vibrações de muita paz”. Marta Beluco.

A seguir, a nossa leitora cita, “ipsis litteris”, palavras de KARDEC na REVUE SPIRITE, de fevereiro de 1858, que começa assim: “O Senhor Daniel Dunglas Home nasceu em 15 de março de 1833, perto de Edimbourg (Escócia). Tem, pois, hoje, 24 anos. Descende da ANTIGA E NOBRE  FAMÍLIA dos Douglas da Escócia, OUTRORA SOBERANA.(...) – [os destaques são nossos]. É um jovem de talhe mediano, louro, cuja fisionomia melancólica nada tem de excêntrico; é de compleição muito delicada, de costumes simples e suaves, de um caráter  afável  e  benevolente  sobre  o  qual  o contato das grandezas não lançou nem arrogância e nem ostentação. Dotado de uma excessiva modéstia, jamais exibiu a sua maravilhosa faculdade, jamais falou de si mesmo, e se, na expansão da intimidade, conta coisas que lhe são pessoais, é com simplicidade, e jamais com a ênfase própria das pessoas com as quais a malevolência procura compará-lo”.

E mais adiante, disse KARDEC:

“(...) JAMAIS ESSE EXCEPCIONAL MÉDIUM MERCADEJOU SEUS PRECIOSOS DONS MEDIÚNICOS [o grifo é nosso]. Teve inúmeras oportunidades, mas sempre se recusou. Dizia ele: “Fui mandado em missão. Essa missão é demonstrar a imortalidade. Nunca recebi dinheiro por isso e jamais receberei.” Como todo o médium, o senhor Home foi caluniado e ferido em sua dignidade, mas nunca lhe faltou, nas horas mais difíceis, o amparo de seus mentores espirituais. Narração de Allan Kardec - Revista Espírita de 1858, mês de fevereiro. Narração de Allan Kardec – Revista Espírita de 1863, mês de setembro.”

RESPOSTA À NOSSA FIEL LEITORA

Respondi à Sra. BELUCO, nestes termos: Infelizmente não conheço os CDs do DIVALDO, mas custa-me muito acreditar que ele fosse tão incoerente assim, até porque encontrei na Internet a admissão tácita dele em relação à mediunidade de D.D. HOME.

Posteriormente, a Sra. MARTA presenteou-me com  dois CDs (Parte I e II) intitulados QUALIDADE NA PRÁTICA MEDIÚNICA, um Workshop que se realizou no dia 20/09/2003,  em  Tubarão    SC,  salvo  engano.    Eu agradeci  e  agradeço  muito  o presente e até trocamos algumas palavras bem-humoradas relativas à chamada , pelo Sr. DIVALDO FRANCO, “Indústria do Presente”.

DIVALDO ACUSA D.D. HOME DE “OCIOSO EXPLORADOR”

Bem, vamos tentar esclarecer esse “fato contraditório” à Sra. leitora e aos Srs. leitores em geral... Para que não paire qualquer dúvida no Espírito dos Srs. leitores, vamos transcrever as palavras do Sr. DIVALDO FRANCO na Faixa 12 da Parte I do CD “QUALIDADE NA PRÁTICA MEDIÚNICA”... Fazendo um comentário sobre o russo ALEXANDER AKSAKOF, “médico do czar”, que estudou a mediunidade de D.D. HOME, DIVALDO passa a descrever e exemplificar os fenômenos “paranormais” e “mediúnicos” ocorridos com o Sr. HOME e prossegue:

            “(...) médium de peregrinas faculdades, não era espírita... Por incrível que pareça combateu ALLAN KARDEC, como era natural, porque Allan Kardec propunha mediunidade moralizada e DANIEL DUNGLAS HOME era um OCIOSO EXPLORADOR... ELE NUNCA ACEITAVA DINHEIRO, SÓ ACEITAVA JÓIAS, CASACOS DE PELE, HOSPEDAGEM EM HOTÉIS DE LUXO E CONVÍVIO COM A NOBREZA. Era assim que ele dizia: ¾  ‘Dinheiro, nunca, nem me fale nisto!’ Mas, era tratado igual, foi o médium dos reis, o próprio czar Nicolau II, quando ele (DANIEL) se casou com uma afilhada do czar de todas as russas, mandou-lhe um anel-de-brilhantes fabuloso. Esta jovem morreu – SASHA – e ele se apaixonou por outra jovem, também russa, que era prima de ALEXANDER AKSAKOF e casou-se com toda pompa...”

 

E prossegue o aplaudido tribuno espírita:

“O rei, os reis em geral, recebiam-no com uma grande igualdade em palácio, então, DANIEL se achava no direito de censurar Kardec ao pregar a MEDIUNIDADE GRATUITA: dar de graça o que de graça se recebe. Até hoje isto é um cravo no sapato de muita gente, porque há muito médium que não recebe dinheiro, só presente... Então, nós criamos a palavra: A INDÚSTRIA DO PRESENTE e devemos ter muito cuidado... Eu criei como ética, quando a pessoa me dá uma coisa além do normal, eu recuso. Eu digo: ¾  Olhe, muito obrigado, eu não vou usar nunca! Muito obrig....  ¾ Não, aceite....!  ¾  Não, não, não aceito, os Guias não ficam contentes!(...)”.

Aí está, meridianamente, a acusação feita pelo Sr. DIVALDO, ou teria sido feita por JOANA DE ANGELIS?... Na capa do CD está a figura de JOANA DE ANGELIS, seriam palavras dela? Provavelmente não, pois em todo o conteúdo deste CD não há nenhuma “revelação”, tudo é muito bem estudado e excelentemente exposto pelo Sr. DIVALDO, aliás, um tribuno de peregrinas qualidades mnêmicas... A propósito, os versículos 12 e 13 do capítulo 2 da 1ª Epístola de PAULO aos Coríntios podem, perfeitamente, ser entendidos como o verdadeiro caráter de uma REVELAÇÃO mediúnica, disse o Apóstolo dos gentios:

“Quanto a nós, não recebemos o espírito do mundo, mas o espírito que vem de Deus, a fim de que conheçamos os dons da graça de Deus. Desses dons não falamos segundo  a  linguagem  ensinada  pela  sabedoria  humana, mas segundo aquele que o espírito ensina, EXPRIMINDO REALIDADES ESPIRITUAIS EM TERMOS ESPIRITUAIS.- o destaque é nosso” (1 Cor 2,12-13).

            O Sr. DIVALDO (ou JOANA DE ÂNGELIS) pretende “revelar” REALIDADES ESPIRITUAIS com termos demasiado humanos, hauridos de livros TERRENOS, contrariando noções primaríssimas do “caráter da revelação espírita”, noções essas muito bem explicadas por KARDEC no Cap. I do livro A GÊNESE, OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO, como,  por exemplo, a que diz: “Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma Ciência.   COM RELAÇÃO  AO  QUE O HOMEM PODE ACHAR POR SI MESMO, ELES O DEIXAM ENTREGUE ÀS SUAS PRÓPRIAS FORÇAS. Isso sabem-nos hoje perfeitamente os espíritas.” – o destaque é nosso (op. cit., item 60, “ab initio”).

A POSSÍVEL “INSPIRAÇÃO” DO SR. DIVALDO – LIVROS SOBRE A BIOGRAFIA DO SR. HOME

Quando a Sra. leitora MARTA BELUCO afirmara que o Sr. DIVALDO teria dito o que disse, a frase não me soou estranha, pois a conhecíamos e não me lembrava de onde!... Até que me lembrei de um artigo na Internet de HERMÍNIO C. MIRANDA intitulado “Daniel Dunglas Home Um Precursor Esquecido”, de 1.º/09/2000, extraído do livro “Sobrevivência e Comunicabilidade dos Espíritos”, Edit. FEB. Deste artigo destacamos os seguintes trechos:

“Jean Burton, na excelente biografia de Home – “Heyday of a Wizard”, publicada por George G. Harrap em 1948 -, comenta a dificuldade que enfrentaram os contemporâneos do médium para entendê-lo e classificá-lo. Não era um artista de palco nem um religioso. Gostava de ser recebido como igual e que jamais alguém se lembrasse de oferecer-lhe dinheiro pelas suas sessões. Aceitava, porém, jóias – de que muito gostou, até o fim da vida -, roupas, casacos de pele, temporadas em elegantes estações de águas e coisas desse teor; dinheiro, não.”

Teria o Sr. DIVALDO (ou JOANA) se “inspirado” no artigo da Internet, no livro de HERMÍNIO MIRANDA ou na leitura de JEAN BURTON?!... É importante que se tenha em mente que a publicação do livro de JEAN BURTON é de 1948 e nesta época o Sr. HOME já havia desencarnado há mais de meio século... No entanto, KARDEC foi contemporâneo do Sr. HOME e sobre este escreveu várias páginas na REVUE SPIRITE (1858, 1862,1863 e 1864) e em todas elas defendeu a honestidade dele, que, então, já sofria insinuações maldosas e ataques, como as do Sr. DIVALDO, hoje...

A análise de HERMÍNIO C. MIRANDA assim  termina:

“Daniel Dunglas Home, que a Enciclopédia Britânica considerou ‘um enigma não solucionado’, jamais foi apanhado fraudando. Desempenhou sua missão com dignidade e autenticidade, num ambiente fútil e que facilmente poderia fascinar e corromper um jovem de modestas origens sociais. Creio poder afirmar que seus amigos espirituais ficaram satisfeitos com os seus trabalhos. Sua mediunidade tinha mesmo que ser de forma espetacular, de efeitos físicos, para que pudesse sacudir a incredulidade de uns, a má vontade de muitos, a hostilidade de tantos. Viram-na todos aqueles que tiveram olhos para ver. Sem dúvida, Howitt estava certo: Home ajudou a lançar os alicerces do edifício  que    agora  começamos a vislumbrar em todo o seu esplendor e em toda a grandeza do seu futuro. Espírito profundamente afetuoso e sereno, merece as vibrações mais puras do nosso afeto.”

Bem, a citação de Howitt, por HERMÍNIO MIRANDA pareceu-nos enfática, pois KARDEC já dizia o mesmo em 1863: “Dissemos e repetimos: ele apressou a eclosão do Espiritismo na França pelo brilho de seus fenômenos, mesmo entre os incrédulos,   provando   que   não  são  cercados  de  mistérios,  nem  de  fórmulas ridículas de magia e que se pode ser médium sem o ar de feiticeiro.” (Revue Spirite, setembro/1863, trad. JÚLIO ABREU FILHO, p.  283).

            Enfim, o Sr. HERMÍNIO MIRANDA não encampou todas as palavras de JEAN BURTON, embora elogie o livro do biógrafo de HOME...

ANÁLISE CRITERIOSA SOBRE O CARÁTER DO SR. D. D. HOME

            O Sr. DIVALDO acusou o maior médium de efeitos físicos de todos os tempos, de OCIOSO EXPLORADOR e imediatamente afirmou que não aceitava presentes?! Em contrapartida, na REVISTA ESPÍRITA-fevereiro/1858, lemos as palavras de KARDEC sobre o sr. HOME:

“Confirmamos prazerosamente a notícia dada por alguns jornais, de um legado de  6.000  francos  de  renda,  que  lhe  fez  uma senhora inglesa, por ele convertida à Doutrina Espírita e em reconhecimento pela satisfação que ela experimentou. Por todos os títulos o Sr. Home merecia esta prova de consideração.” (p. 94).

            Portanto, Sr. DIVALDO, esta seria a atitude de um “explorador?... Bem, mas o Sr. DIVALDO está preocupado é com os “presentes” que o Sr. HOME recebia, da realeza... Preocupações iguais tinham os CONTRADITORES da DOUTRINA ESPÍRITA, e KARDEC saiu em defesa dele, dizendo assim:

“(...) Desde que nada pede, ninguém tem o direito de perguntar como vive, sem cometer uma indiscrição. É mantido por gente poderosa? Isto não nos interessa; tudo quanto podemos dizer é que nesta sociedade de escol ele conquistou simpatias reais e fez amigos dedicados, ao passo que, com um pelotiqueiro, a gente paga, diverte-se e acabou-se.” (op. cit., fevereiro, p. 61).

DOIS PERIGOS: “INDÚSTRIA DOS PRESENTES” E “INDÚSTRIA” DA FILANTROPIA

Enfim, está certo o Sr. DIVALDO ao criticar a “INDÚSTRIA DOS PRESENTES”, porém, acreditamos também que, tão perigosa quanto a “indústria dos presentes” é a “INDÚSTRIA DA FILANTROPIA”, pois, muitos médiuns e até muitas seitas religiosas não recebem presentes ostensivamente, mas aceitam dinheiro, valores e vendem livros supostamente  para obras meritórias, como já aconteceu e acontece com vários médiuns brasileiros e Instituições...

TALENTO NATURAL PARA A ESCULTURA

Finalmente, para que não paire dúvida sobre o caráter do Sr. HOME e demonstrando que ele não era um “ocioso”, leiamos as palavras de KARDEC, quando o Sr. HOME foi expulso de Roma, instado a abandonar a “cidade pontificial” em 3 dias:

            “O Sr. Home não é rico e não teme dizer que procurava no trabalho suplementar os recursos para enfrentar os encargos que deve cumprir. Pensou em o encontrar no talento natural para a ESCULTURA            e foi para se aperfeiçoar nesta arte que foi a Roma. Com a notável faculdade mediúnica que possui, poderia ser rico, se tivesse querido explorá-la.”  (op. cit., 1864, fevereiro, p. 33–34). Ou seja, o mesmo mérito que todos nós destacávamos na tarefa mediúnica de CHICO XAVIER, o Codificador destacava na do Sr. HOME...

Agora, leiamos Sir ARTHUR CONAN DOYLE (mais conhecido pela sua genial criação do personagem SHERLOCK HOLMES), grande espiritualista, no seu livro THE HISTORY OF SPIRITUALISM (1926),  em  2 volumes,  traduzido por JÚLIO DE ABREU FILHO e publicado em 1 volume pela editora PENSAMENTO, opina ele:

“Um homem inferior teria usado os seus poderes extraordinários para fundar uma seita especial, da qual teria sido o sumo sacerdote inconteste, ou para se rodear de uma auréola de poder e de mistério. Certamente muita gente na sua posição teria sido tentada a usar aqueles dons para fazer dinheiro. Em relação a este ponto seja dito, antes de qualquer coisa, que no curso dos seus trinta anos de estranho ministério, jamais ele tocou num tostão como paga de seus dons.” (op. cit., p. 171). E CONAN DOYLE acrescenta um dado importantíssimo:

“É absolutamente certo que lhe foram oferecidas DUAS MIL LIBRAS  pelo Clube União, em Paris, no ano de 1857, POR UMA ÚNICA SESSÃO, e que ele, POBRE E INVÁLIDO, os recusou terminantemente. “FUI MANDADO EM MISSÃO”, disse ele. “ESSA MISSÃO É DEMONSTRA A IMORTALIDADE. NUNCA RECEBI DINHEIRO POR ISSO E JAMAIS O RECEBEREI.” (op. cit., p. 172).

O Sr. DIVALDO poderia argumentar: ¾  E os presentes?!…

Vejamos o que informa, a seguir, CONAN DOYLE:

“(...) Houve certos presentes da Realeza, que não podiam ser recusados sem grosseria: anéis, alfinetes de gravatas e outros, que mais eram sinais de amizade do que recompensa (...)”...

Quem desejar conhecer mais detalhes sobre isso, seria interessante consultar o referido livro de ARTHUR CONAN DOYLE – há um capítulo inteiro dedicado ao sr. HOME, o Cap. IX.

SERIA O SR. HOME UM CONTRADITOR DE KARDEC?

            Não me consta que o Sr. HOME “combateu KARDEC”, até porque ele não se posicionava filosoficamente, e é esta a única crítica que KARDEC fazia ao livro do Sr. HOME, isto é, a falta de uma “conseqüência filosófico-moral”, pois KARDEC não dava grande importância à mediunidade em si de efeitos físicos para o convencimento das pessoas, por isso dissera ele:

“Esta obra é um relato puro e simples, SEM COMENTÁRIOS NEM EXPLICAÇÕES, dos fenônemos mediúnicos produzidos pelo Sr. HOME. Esses fenômenos são muito interessantes para quem quer que conheça o Espiritismo e os possa explicar; MAS, SÓS, SÃO POUCO CONVINCENTES PARA OS INCRÉDULOS que não aceitando nem mesmo o que vêem, ainda menos acreditam no que lhes conta. “ – grifos nossos (op. cit., p. 280). (...) Que falta, pois, a tais manifestações para convencer? A chave para serem compreendidas. Hoje não há um espírita que tenha estudado seriamente a ciência, que não admita os fatos citados no livro do Sr. Home, sem os ter visto, ao passo que, entre os que os viram há incrédulos, tanto é certo que o que fala ao Espírito e se apóia no raciocínio tem uma força de convicção não possuída pelo que só fala de vista.” (REVISTA ESPÍRITA  - 1863 – SETEMBRO, “Revelações sobre minha vida sobrenatural por Daniel Dunglas Home”, p. 283).

DAR DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA SE RECEBE

Em síntese, gostaríamos de ressaltar que a amizade do Sr. HOME à realeza não foi somente por ele ter várias faculdades mediúnicas e, sim, porque ele possuía uma “antiga família,...OUTRORA SOBERANA”. É perfeitamente compreensível    que    uma    pessoa    de    descendência    nobre,   tenha     bom  relacionamento com os nobres; além disso era um “Espírito profundamente afetuoso e sereno”, no dizer de HERMÍNIO C. MIRANDA... Não obstante, poderiam argumentar que não está provada a ascendência nobre do Sr. D.D. HOME – é verdade -, porém, vejamos o que nos diz a respeito o sério espiritualista CONAN DOYLE:

“Havia um mistério relativamente à sua ascendência: tanto se afirmava, quanto se negava que fosse, de certo modo, da família do Conde de HOME. Na verdade foi um homem que herdou um tipo elegante, maneiras delicadas, disposição sensível e um gosto para o luxo, fosse de que fonte fosse.” (op. cit., p. 170).

Bem, o fato é que com 17 anos de idade, D.D. HOME foi abandonado pela tia que o adotara, em função de suas manifestações mediúnicas, dissera ela que “ele havia trazido o Diabo para casa”, e jogou-o na rua... A partir de então, perambulou de casa em casa de amigos e, inclusive, sua saúde delicada (uma grave doença pulmonar) fê-lo interromper os estudos de Medicina (cf. CONAN DOYLE, op. cit., p. 170), mas “sua capacidade para a ESCULTURA era considerável” (op. cit., p. 171).

Diferentemente do que acontece com alguns médiuns e não-médiuns em nosso País, na “Indústria” da filantropia, o homem D.D. HOME praticava a caridade, sem ser ESPÍRITA, eis a informação preciosa de CONAN DOYLE:

“A caridade era uma das mais belas características de HOME. Como toda verdadeira caridade, era secreta e só se tornava conhecida indiretamente, e por acaso.” (op. cit. p. 180). E CONAN DOYLE cita vários exemplos dessa caridade secreta do Sr. HOME...

Assim, a vida do Sr. HOME foi exemplar em termos de CARIDADE verdadeira e sem ser espírita ele seguiu o princípio maior da Doutrina dos Espíritos:  FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.

Por tudo isso, Sra. BELUCO e Srs. leitores, não deu para entender a crítica do Sr. DIVALDO, a não ser que ele tenha querido demonstrar (para si mesmo) que conhecia a História do Sr. HOME e, para outrem, que possuía uma excelente memória... De fato ele conhecia a História contada por JEAN BURTON e repetida por HERMÍNIO MIRANDA, mas deve ter se esquecido, ou não deve ter lido os relatos de KARDEC na REVUE SPIRITE e do conhecido livro de Sir ARTHUR CONAN DOYLE. Ou seria esquecimento de JOANA?!...Neste caso seria um esquecimento nada “evangélico” e pouco caridoso com o maior médium precursor do Espiritismo contemporâneo – DANIEL DUNGLAS HOME-, comportamento este que  um Espírito supostamente Superior não exibiria para o povo catarinense, nem para o Brasil.

Segundo o Sr. DIVALDO, D. D. HOME censurava KARDEC, porque este enaltecia a mediunidade gratuita... Não me parece que o Sr. HOME fizesse tal censura, como já afirmamos! Tem razão o Sr. DIVALDO ao afirmar que KARDEC pregava   a   mediunidade  desinteressada.   Aliás,  as palavras de KARDEC e dos Espíritos Superiores servem para TODOS aqueles possuidores de MEDIUNATO. Disse KARDEC em O LIVRO DOS MÉDIUNS, 2.ª parte, Cap. 28, item 308:

            “A faculdade mediúnica, mesmo restrita às manifestações físicas, NÃO FOI DADA AO HOMEM  PARA  OSTENTAR CENA CÔMICA  NOS  TEATROS  DE  FEIRA [“n’a point été donné pour en faire parade sur les tréteaux”] e  quem quer que pretenda ter às suas ordens os Espíritos, para exibir em público, está no  caso de ser, COM JUSTIÇA, SUSPEITADO DE CHARLATANISMO, OU DE MAIS OU MENOS HÁBIL PRESTIDIGITADOR.” – destaques nossos.

Certamente, está escrito no Evangelho (Mt 10,8): “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça daí”. E o Mestre JESUS acrescentava um conselho em seu Discurso Apostólico:

“Eis que eu vos envio como ovelhas entre lobos. Por isso sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas”.

Estariam os médiuns brasileiros seguindo este conselho do Mestre JESUS, ou fazendo exatamente o oposto?!   Não foi à toa que JESUS criticou escribas e fariseus, chamando-os de RAÇA DE VÍBORAS. Como já dissemos, alhures, ainda hoje temos os fariseus contemporâneos, os “falsos-profetas” da modernidade.

Sra. MARTA BELUCO, o Sr. D. D. HOME nunca ostentou suas raras faculdades mediúnicas e, muito menos, nunca cobrou por cabeça nas suas sessões – que não eram em cinemas, nem em teatros -, eram  ÍNTIMAS,  aliás, pelo  que  estudamos,  as  suas manifestações ocorriam, em geral, ESPONTANEAMENTE, isto é, independentemente de sua vontade, exceto   quando   foi submetido   a   estudos  por inúmeros cientistas, dentre eles ALEXANDER AKSAKOF e W. CROOKES, por exemplo, e este confirmou a autenticidade da mediunidade do Sr. HOME!...

Quanto a se hospedar em hotéis de luxo, com todas as despesas pagas, é possível que tenha acontecido, pois o Sr. HOME não possuía bens e foi extremamente solicitado por vários pesquisadores, em várias partes do mundo. Mas, será que determinados médiuns pagaram ou vêm pagando, do próprio bolso, as hospedagens em hotéis de alta categoria, no Brasil e em suas centenas de peregrinações espíritas em vários países?!... Certamente, isto não é da minha conta, como diria KARDEC, contudo, vale aqui o dito do Mestre JESUS em relação à mulher adúltera:

QUEM ESTIVER SEM PECADO, QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA...

Aqueles que, supostamente estão sem pecados, e atiram pedras, amparados provavelmente por uma peregrina memória brilhante, deveriam refletir bem; pois, freqüentemente, o brilho desta é ofuscado pela resplandecência – perdoe-me a expressão popular – dos eventuais vidros dos seus telhados.

EPÍLOGO

Enfim, Sra. BELUCO, para KARDEC, o médium DANIEL DUNGLAS HOME era um homem de caráter ilibado, NÃO era um ocioso explorador e fundamentou sua opinião; para DIVALDO, SIM, ele era um “ocioso explorador”, porém, não fundamentou a sua opinião naquele Workshop sobre Mediunidade; simplesmente, EX-CATHEDRA, fez um plagiato (pois não citou as fontes), possivelmente, dos textos   de   JEAN BURTON   e   HERMÍNIO  C.  MIRANDA   (embora   este  tenha reconhecido as qualidades mediúnicas e morais do Sr. HOME); mas as contradições do Sr. DIVALDO P. FRANCO são óbvias, públicas e notórias, não percebidas somente pelos fanáticos ou distorcidas por seus falsos amigos, fascinados, desencarnados e encarnados; dizemos “falsos amigos”, porque estes não  desejam  o  bem  do Sr. DIVALDO, simplesmente vampirizam  a popularidade do famoso médium, idolatrando-o,hipocritamente, com interesses inconfessáveis...

Depois de mostrar as várias religiões pelas quais o Sr. HOME perpassou, disse CONAN DOYLE (op. cit., p. 184):

“(...) foi ele fortemente atraído para a Igreja Grega e foi no seu ritual que o seu corpo foi encomendado, em St. Germain, em 1886. “A OUTRO O DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS” (1 Cor 123,10) é a curta inscrição sobre aquele túmulo, do qual o mundo ainda não ouviu a última palavra”.

Faltou ao sr. DIVALDO o “discernimento” dos vários dons mediúnicos (“carismas”, na linguagem de PAULO DE TARSO) exibidos por D. D. HOME e a inscrição no seu túmulo parece-nos mais uma prova cabal de que o sr. HOME não “combateu” KARDEC, faltava-lhe base filosófica para “discernir” os estranhos fenômenos que ocorriam com ele e, por isso, ele os deixou para a posteridade explicar...

Com quem ficamos, Srs. leitores? Por tudo que foi dito, ficamos com KARDEC. Espero que o Sr. DIVALDO, se tiver acesso a este nosso artigo, após uma detida reflexão, reconheça a sua indelicada injustiça para o Sr. HOME e também fique com KARDEC. Amém.

 

* Médico. Psiquiatra. Professor Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da  Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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