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Dai de graça o que de
graça recebestes
Divaldo: - Sim ;
Kardec: -
Não
Dr. Iso Jorge Teixeira*
isojorge@Globo.com.br


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As
levitações de D.D. HOME foram
fartamente pesquisadas e documentadas
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As levitações do SR. D.D.
HOME foram fartamente documentadas e o seu caráter foi
elogiado várias vezes por ALLAN KARDEC
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No dia 15 de março/2005 a fiel
leitora da nossa Coluna em PANORAMA ESPÍRITA escreve-nos mail com o
assunto DANIEL DUNGLAS HOME:
“Prezado amigo Iso Jorge! Lendo
seu artigo : MEDIUNIDADE, MEDIUNATO E
EVOLUÇÃO ESPIRITUAL onde
você cita como
exemplo pessoas com mediunato, Joana D'Arc, o escocês
Daniel Dunglas Home, cujo caráter Kardec sempre elogiou, e também Chico
Xavier.
A minha
dúvida é sobre o caráter de Daniel Dunglas Home. Tenho um CD de Divaldo Franco
com tema : Qualidade na Pratica Mediúnica , onde ele fala sobre o caráter
deste médium , como eu nada sabia sobre o caráter deste médium, deixei passar.
Mas, após algum tempo estava na internet, e li um artigo : NARRAÇÃO DE ALLAN KARDEC- REVISTA ESPÍRITA
1858 - O MAIOR MÉDIUM DE EFEITOS FÍSICOS DO SÉCULO XIX , DANIEL DUNGLAS HOME , onde
Kardec também cita o caráter deste médium , e percebi que algo estava errado,
pois Divaldo no Cd fala que ele era um ocioso e explorador e Kardec diz em
sua narração tudo ao contrário do que Divaldo diz.
Mais uma
vez fiquei atônita, quem está com a verdade? Então resolvi mandar um email
para a Mansão do Caminho. Este email enviei no dia 30/01/2005, eles receberam,
pois acusaram o recebimento , mas até o dia de hoje 15 de março não recebi
nenhuma resposta.
Segue
anexo do email enviado para a Mansão do Caminho.
Gostaria
muito ,mais uma vez, que você pudesse esclarecer-me sobre este fato tão
contraditório.
Receba
minhas vibrações de muita paz”
MARTA BELUCO – SP – capital
O ANEXO DA LEITORA ENVIADO À “MANSÃO DO CAMINHO”
Do
ANEXO enviado à Mansão do Caminho, bem circunstanciado, da Sra. MARTA BELUCO,
resumiremos aqui os principais pontos:
“Olá queridos Irmãos!! Tenho
quase toda a coleção de CDS E VIDEOS do Divaldo e querendo ser bastante breve,
tenho o CD Qualidade na prática mediúnica onde no 1º CD na pergunta nº 12
psicofonia-animismo-personismo-mediunismo. Ele explica o animismo onde cita o
médium e paranormal Daniel Dunglas Home , dizendo que Daniel combate Kardec ,
pois Kardec propunha mediunidade moralizada e Daniel era um ocioso e
explorador, dizendo que ele nunca aceitava dinheiro, só aceitava joias, casacos
de pele, hospedagem em hotéis de luxo e convívio com a nobreza, foi médium dos
reis, sendo que estes recebiam-no com uma grande igualdade nos palácios. Hoje,
lendo em um site a NARRAÇÃO DE ALLAN KARDEC- REVISTA ESPÍRITA 1858 - O MAIOR
MÉDIUM DE EFEITOS FÍSICOS DO SÉCULO XIX , DANIEL DUNGLAS HOME , ONDE KARDEC
CITA , AO MEU VER, FATOS CONTRADITÓRIOS COM A POSTURA DESTE MÉDIUM , gostaria
muito que os senhores me esclarecessem sobre este fato , tão contraditório.”
Vou tentar colar a narração de Kardec aqui, se não conseguir , acima está
citado a fonte. Recebam minhas vibrações de muita paz”. Marta Beluco.
A seguir, a nossa leitora cita, “ipsis litteris”,
palavras de KARDEC na REVUE SPIRITE, de fevereiro de 1858, que começa assim: “O
Senhor Daniel Dunglas Home nasceu em 15 de março de 1833, perto de Edimbourg
(Escócia). Tem, pois, hoje, 24 anos. Descende da ANTIGA E NOBRE FAMÍLIA dos Douglas da
Escócia, OUTRORA SOBERANA.(...) – [os destaques são nossos]. É um jovem de
talhe mediano, louro, cuja fisionomia melancólica nada tem de excêntrico; é de
compleição muito delicada, de costumes simples e suaves, de um caráter afável
e benevolente sobre
o qual o contato das grandezas não lançou nem
arrogância e nem ostentação. Dotado de uma excessiva modéstia, jamais exibiu a
sua maravilhosa faculdade, jamais falou de si mesmo, e se, na expansão da
intimidade, conta coisas que lhe são pessoais, é com simplicidade, e jamais com
a ênfase própria das pessoas com as quais a malevolência procura compará-lo”.
E mais adiante, disse KARDEC:
“(...)
JAMAIS ESSE EXCEPCIONAL MÉDIUM MERCADEJOU SEUS PRECIOSOS DONS MEDIÚNICOS [o
grifo é nosso]. Teve inúmeras oportunidades, mas sempre se recusou. Dizia ele:
“Fui mandado em missão. Essa missão é demonstrar a imortalidade. Nunca recebi
dinheiro por isso e jamais receberei.” Como todo o médium, o senhor Home foi
caluniado e ferido em sua dignidade, mas nunca lhe faltou, nas horas mais
difíceis, o amparo de seus mentores espirituais. Narração de Allan Kardec -
Revista Espírita de 1858, mês de fevereiro. Narração de Allan Kardec – Revista
Espírita de 1863, mês de setembro.”
RESPOSTA
À NOSSA FIEL LEITORA
Respondi à
Sra. BELUCO, nestes termos: Infelizmente não conheço os CDs do DIVALDO, mas custa-me muito acreditar
que ele fosse tão incoerente assim, até porque encontrei na Internet a admissão
tácita dele em relação à mediunidade de D.D. HOME.
Posteriormente, a Sra. MARTA
presenteou-me com dois CDs (Parte I e
II) intitulados QUALIDADE NA PRÁTICA MEDIÚNICA, um Workshop que se realizou no
dia 20/09/2003, em Tubarão
– SC, salvo
engano. Eu agradeci e
agradeço muito o presente e até trocamos algumas palavras
bem-humoradas relativas à chamada , pelo Sr. DIVALDO FRANCO, “Indústria do
Presente”.
DIVALDO ACUSA D.D. HOME DE “OCIOSO
EXPLORADOR”
Bem, vamos tentar esclarecer esse “fato
contraditório” à Sra. leitora e aos Srs. leitores em geral... Para que não
paire qualquer dúvida no Espírito dos Srs. leitores, vamos transcrever as
palavras do Sr. DIVALDO FRANCO na Faixa 12 da Parte I do CD “QUALIDADE NA
PRÁTICA MEDIÚNICA”... Fazendo um comentário sobre o russo ALEXANDER AKSAKOF,
“médico do czar”, que estudou a mediunidade de D.D. HOME, DIVALDO passa a
descrever e exemplificar os fenômenos “paranormais” e “mediúnicos” ocorridos
com o Sr. HOME e prossegue:
“(...)
médium de peregrinas faculdades, não era espírita... Por incrível que pareça
combateu ALLAN KARDEC, como era natural, porque Allan Kardec propunha
mediunidade moralizada e DANIEL DUNGLAS HOME era um OCIOSO EXPLORADOR... ELE
NUNCA ACEITAVA DINHEIRO, SÓ ACEITAVA JÓIAS, CASACOS DE PELE, HOSPEDAGEM EM
HOTÉIS DE LUXO E CONVÍVIO COM A NOBREZA. Era assim que ele dizia: ¾ ‘Dinheiro, nunca, nem me fale nisto!’ Mas, era
tratado igual, foi o médium dos reis, o próprio czar Nicolau II, quando ele
(DANIEL) se casou com uma afilhada do czar de todas as russas, mandou-lhe um anel-de-brilhantes fabuloso. Esta jovem morreu – SASHA
– e ele se apaixonou por outra jovem, também russa, que era prima de
ALEXANDER AKSAKOF e casou-se com toda pompa...”

E prossegue o aplaudido tribuno
espírita:
“O rei, os reis em geral,
recebiam-no com uma grande igualdade em palácio, então, DANIEL se achava no
direito de censurar Kardec ao pregar a MEDIUNIDADE GRATUITA: dar de graça o que
de graça se recebe. Até hoje isto é um cravo no sapato de muita gente, porque
há muito médium que não recebe dinheiro, só presente... Então, nós criamos a
palavra: A INDÚSTRIA DO PRESENTE e devemos ter muito cuidado... Eu criei como
ética, quando a pessoa me dá uma coisa além do normal, eu recuso. Eu digo: ¾
Olhe, muito obrigado, eu não vou usar
nunca! Muito obrig.... ¾
Não, aceite....! ¾ Não, não, não aceito, os Guias não ficam
contentes!(...)”.
Aí está, meridianamente, a acusação
feita pelo Sr. DIVALDO, ou teria sido feita por JOANA DE ANGELIS?... Na capa do
CD está a figura de JOANA DE ANGELIS, seriam palavras dela? Provavelmente não,
pois em todo o conteúdo deste CD não há nenhuma “revelação”, tudo é muito bem
estudado e excelentemente exposto pelo Sr. DIVALDO, aliás, um tribuno de
peregrinas qualidades mnêmicas... A propósito, os versículos 12 e 13 do
capítulo 2 da 1ª Epístola de PAULO aos Coríntios podem, perfeitamente, ser
entendidos como o verdadeiro caráter de uma REVELAÇÃO mediúnica, disse o
Apóstolo dos gentios:
“Quanto a nós, não recebemos o
espírito do mundo, mas o espírito que vem de Deus, a fim de que conheçamos os
dons da graça de Deus. Desses dons não falamos segundo a
linguagem ensinada pela
sabedoria humana, mas segundo
aquele que o espírito ensina, EXPRIMINDO REALIDADES ESPIRITUAIS EM TERMOS
ESPIRITUAIS.- o destaque é nosso” (1 Cor 2,12-13).
O
Sr. DIVALDO (ou JOANA DE ÂNGELIS) pretende “revelar” REALIDADES ESPIRITUAIS com
termos demasiado humanos, hauridos de livros TERRENOS, contrariando noções
primaríssimas do “caráter da revelação espírita”, noções essas muito bem
explicadas por KARDEC no Cap. I do livro A GÊNESE, OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES
SEGUNDO O ESPIRITISMO, como, por
exemplo, a que diz: “Os Espíritos não se manifestam para
libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem,
inteiramente pronta, nenhuma Ciência.
COM RELAÇÃO AO QUE O HOMEM PODE ACHAR POR SI MESMO, ELES O
DEIXAM ENTREGUE ÀS SUAS PRÓPRIAS FORÇAS. Isso sabem-nos hoje perfeitamente os
espíritas.” – o destaque é nosso (op. cit., item 60, “ab initio”).
A POSSÍVEL “INSPIRAÇÃO” DO SR.
DIVALDO – LIVROS SOBRE A BIOGRAFIA DO SR. HOME
Quando a Sra. leitora MARTA BELUCO
afirmara que o Sr. DIVALDO teria dito o que disse, a frase não me soou
estranha, pois a conhecíamos e não me lembrava de onde!... Até que me lembrei
de um artigo na Internet de HERMÍNIO C. MIRANDA intitulado “Daniel Dunglas Home
Um Precursor Esquecido”, de 1.º/09/2000, extraído do livro “Sobrevivência e
Comunicabilidade dos Espíritos”, Edit. FEB. Deste artigo destacamos os
seguintes trechos:
“Jean
Burton, na excelente biografia de Home – “Heyday of a Wizard”, publicada por
George G. Harrap em 1948 -, comenta a dificuldade que enfrentaram os
contemporâneos do médium para entendê-lo e classificá-lo. Não era um artista de
palco nem um religioso. Gostava de ser recebido como igual e que jamais alguém
se lembrasse de oferecer-lhe dinheiro pelas suas sessões. Aceitava, porém,
jóias – de que muito gostou, até o fim da vida -, roupas, casacos de pele,
temporadas em elegantes estações de águas e coisas desse teor; dinheiro, não.”
Teria o Sr. DIVALDO (ou JOANA) se
“inspirado” no artigo da Internet, no livro de HERMÍNIO MIRANDA ou na leitura
de JEAN BURTON?!... É importante que se tenha em mente que a publicação do
livro de JEAN BURTON é de 1948 e nesta época o Sr. HOME já havia desencarnado
há mais de meio século... No entanto, KARDEC foi contemporâneo do Sr. HOME e
sobre este escreveu várias páginas na REVUE SPIRITE (1858, 1862,1863 e 1864) e
em todas elas defendeu a honestidade dele, que, então, já sofria insinuações
maldosas e ataques, como as do Sr. DIVALDO, hoje...
A
análise de HERMÍNIO C. MIRANDA assim
termina:
“Daniel Dunglas Home, que a
Enciclopédia Britânica considerou ‘um enigma não solucionado’, jamais foi
apanhado fraudando. Desempenhou sua missão com dignidade e autenticidade, num
ambiente fútil e que facilmente poderia fascinar e corromper um jovem de
modestas origens sociais. Creio poder afirmar que seus amigos espirituais
ficaram satisfeitos com os seus trabalhos. Sua mediunidade tinha mesmo que ser
de forma espetacular, de efeitos físicos, para que pudesse sacudir a
incredulidade de uns, a má vontade de muitos, a hostilidade de tantos. Viram-na
todos aqueles que tiveram olhos para ver. Sem dúvida, Howitt estava certo: Home
ajudou a lançar os alicerces do edifício
que só agora
começamos a vislumbrar em todo o seu esplendor e em toda a grandeza do
seu futuro. Espírito profundamente afetuoso e sereno, merece as vibrações mais
puras do nosso afeto.”
Bem,
a citação de Howitt, por HERMÍNIO MIRANDA pareceu-nos enfática, pois KARDEC já
dizia o mesmo em 1863: “Dissemos e repetimos: ele apressou a eclosão do
Espiritismo na França pelo brilho de seus fenômenos, mesmo entre os
incrédulos, provando que
não são cercados
de mistérios, nem
de fórmulas ridículas de magia e que
se pode ser médium sem o ar de feiticeiro.” (Revue Spirite, setembro/1863, trad. JÚLIO ABREU FILHO, p. 283).
Enfim, o Sr. HERMÍNIO MIRANDA não encampou todas as
palavras de JEAN BURTON, embora elogie o livro do biógrafo de HOME...
ANÁLISE CRITERIOSA SOBRE O CARÁTER DO SR. D. D. HOME
O Sr. DIVALDO acusou o maior médium de efeitos físicos de
todos os tempos, de OCIOSO EXPLORADOR e imediatamente afirmou que não aceitava
presentes?! Em contrapartida, na REVISTA ESPÍRITA-fevereiro/1858, lemos as
palavras de KARDEC sobre o sr. HOME:
“Confirmamos
prazerosamente a notícia dada por alguns jornais, de um legado de 6.000
francos de renda,
que lhe fez
uma senhora inglesa, por ele convertida à Doutrina Espírita e em
reconhecimento pela satisfação que ela experimentou. Por todos os títulos o Sr.
Home merecia esta prova de consideração.” (p. 94).
Portanto, Sr. DIVALDO, esta seria a atitude de um
“explorador?... Bem, mas o Sr. DIVALDO está preocupado é com os “presentes” que
o Sr. HOME recebia, da realeza... Preocupações iguais tinham os CONTRADITORES
da DOUTRINA ESPÍRITA, e KARDEC saiu em defesa dele, dizendo assim:
“(...)
Desde que nada pede, ninguém tem o direito de perguntar como vive, sem cometer
uma indiscrição. É mantido por gente poderosa? Isto não nos interessa; tudo
quanto podemos dizer é que nesta sociedade de escol ele conquistou simpatias
reais e fez amigos dedicados, ao passo que, com um pelotiqueiro, a gente paga,
diverte-se e acabou-se.” (op. cit.,
fevereiro, p. 61).
DOIS PERIGOS: “INDÚSTRIA DOS PRESENTES” E
“INDÚSTRIA” DA FILANTROPIA
Enfim,
está certo o Sr. DIVALDO ao criticar a “INDÚSTRIA DOS PRESENTES”, porém,
acreditamos também que, tão perigosa quanto a “indústria dos presentes” é a
“INDÚSTRIA DA FILANTROPIA”, pois, muitos médiuns e até muitas seitas religiosas
não recebem presentes ostensivamente, mas aceitam dinheiro, valores e vendem
livros supostamente para obras
meritórias, como já aconteceu e acontece com vários médiuns brasileiros e
Instituições...
TALENTO NATURAL PARA A ESCULTURA
Finalmente, para que não paire
dúvida sobre o caráter do Sr. HOME e demonstrando que ele não era um “ocioso”,
leiamos as palavras de KARDEC, quando o Sr. HOME foi expulso de Roma, instado a
abandonar a “cidade pontificial” em 3 dias:
“O Sr. Home não é rico e não teme dizer que procurava
no trabalho suplementar os recursos para enfrentar os encargos que deve
cumprir. Pensou em o encontrar no talento natural para a ESCULTURA e foi para se aperfeiçoar nesta
arte que foi a Roma. Com a notável faculdade mediúnica que possui, poderia ser
rico, se tivesse querido explorá-la.”
(op. cit., 1864, fevereiro, p. 33–34). Ou seja, o mesmo
mérito que todos nós destacávamos na tarefa mediúnica de CHICO XAVIER, o Codificador
destacava na do Sr. HOME...
Agora,
leiamos Sir ARTHUR CONAN DOYLE (mais conhecido pela sua genial criação do
personagem SHERLOCK HOLMES), grande espiritualista, no seu livro THE HISTORY OF
SPIRITUALISM (1926), em 2 volumes,
traduzido por JÚLIO DE ABREU FILHO e publicado em 1 volume pela editora
PENSAMENTO, opina ele:
“Um
homem inferior teria usado os seus poderes extraordinários para fundar uma
seita especial, da qual teria sido o sumo sacerdote inconteste, ou para se
rodear de uma auréola de poder e de mistério. Certamente muita gente na sua
posição teria sido tentada a usar aqueles dons para fazer dinheiro. Em relação
a este ponto seja dito, antes de qualquer coisa, que no curso dos seus trinta
anos de estranho ministério, jamais ele tocou num tostão como paga de seus
dons.” (op. cit., p. 171). E CONAN DOYLE acrescenta um dado importantíssimo:
“É
absolutamente certo que lhe foram oferecidas DUAS MIL LIBRAS pelo Clube União, em Paris, no ano de 1857,
POR UMA ÚNICA SESSÃO, e que ele, POBRE E INVÁLIDO, os recusou terminantemente.
“FUI MANDADO EM MISSÃO”, disse ele. “ESSA MISSÃO É DEMONSTRA A IMORTALIDADE.
NUNCA RECEBI DINHEIRO POR ISSO E JAMAIS O RECEBEREI.” (op. cit., p. 172).
O
Sr. DIVALDO poderia argumentar: ¾ E os presentes?!…
Vejamos
o que informa, a seguir, CONAN DOYLE:
“(...) Houve certos presentes da
Realeza, que não podiam ser recusados sem grosseria: anéis, alfinetes de
gravatas e outros, que mais eram sinais de amizade do que recompensa (...)”...
Quem
desejar conhecer mais detalhes sobre isso, seria interessante consultar o
referido livro de ARTHUR CONAN DOYLE – há um capítulo inteiro dedicado ao sr. HOME, o Cap. IX.
SERIA O SR. HOME UM CONTRADITOR DE KARDEC?
Não me consta que o Sr. HOME “combateu KARDEC”, até
porque ele não se posicionava filosoficamente, e é esta a única crítica que
KARDEC fazia ao livro do Sr. HOME, isto é, a falta de uma “conseqüência
filosófico-moral”, pois KARDEC não dava grande importância à mediunidade em si
de efeitos físicos para o convencimento das pessoas, por isso dissera ele:
“Esta
obra é um relato puro e simples, SEM COMENTÁRIOS NEM EXPLICAÇÕES, dos fenônemos
mediúnicos produzidos pelo Sr. HOME. Esses fenômenos são muito interessantes
para quem quer que conheça o Espiritismo e os possa explicar; MAS, SÓS, SÃO
POUCO CONVINCENTES PARA OS INCRÉDULOS que não aceitando nem mesmo o que vêem,
ainda menos acreditam no que lhes conta. “ – grifos nossos (op. cit., p. 280). (...) Que falta, pois, a tais
manifestações para convencer? A chave para serem compreendidas. Hoje não há um
espírita que tenha estudado seriamente a ciência, que não admita os fatos
citados no livro do Sr. Home, sem os ter visto, ao passo que, entre os que os
viram há incrédulos, tanto é certo que o que fala ao Espírito e se apóia no
raciocínio tem uma força de convicção não possuída pelo que só fala de vista.”
(REVISTA ESPÍRITA - 1863 – SETEMBRO, “Revelações
sobre minha vida sobrenatural por Daniel Dunglas Home”, p. 283).
DAR DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA SE RECEBE
Em
síntese, gostaríamos de ressaltar que a amizade do Sr. HOME à realeza não foi
somente por ele ter várias faculdades mediúnicas e, sim, porque ele possuía uma
“antiga família,...OUTRORA SOBERANA”. É perfeitamente compreensível que
uma pessoa de
descendência nobre, tenha
bom relacionamento com os
nobres; além disso era um “Espírito profundamente afetuoso e sereno”, no dizer
de HERMÍNIO C. MIRANDA... Não obstante, poderiam argumentar que não está
provada a ascendência nobre do Sr. D.D. HOME – é verdade -, porém, vejamos o
que nos diz a respeito o sério espiritualista CONAN DOYLE:
“Havia
um mistério relativamente à sua ascendência: tanto se afirmava, quanto se
negava que fosse, de certo modo, da família do Conde de HOME. Na verdade foi um homem que herdou um tipo elegante, maneiras
delicadas, disposição sensível e um gosto para o luxo, fosse de que fonte
fosse.” (op. cit., p. 170).
Bem, o fato é que com 17 anos de
idade, D.D. HOME foi abandonado pela tia que o adotara, em função de suas
manifestações mediúnicas, dissera ela que “ele havia trazido o Diabo para
casa”, e jogou-o na rua... A partir de então, perambulou de casa em casa de
amigos e, inclusive, sua saúde delicada (uma grave doença pulmonar) fê-lo
interromper os estudos de Medicina (cf. CONAN DOYLE, op. cit., p. 170), mas
“sua capacidade para a ESCULTURA era considerável” (op. cit., p. 171).
Diferentemente
do que acontece com alguns médiuns e não-médiuns em nosso País, na “Indústria”
da filantropia, o homem D.D. HOME praticava a caridade, sem ser ESPÍRITA, eis a
informação preciosa de CONAN DOYLE:
“A
caridade era uma das mais belas características de HOME. Como toda verdadeira
caridade, era secreta e só se tornava conhecida indiretamente, e por acaso.” (op. cit. p. 180). E CONAN DOYLE cita vários exemplos dessa caridade secreta do Sr. HOME...
Assim, a vida do Sr. HOME foi exemplar em
termos de CARIDADE verdadeira e sem ser espírita ele seguiu o princípio maior
da Doutrina dos Espíritos: FORA DA
CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
Por tudo isso, Sra. BELUCO e Srs. leitores,
não deu para entender a crítica do Sr. DIVALDO, a não ser que ele tenha querido
demonstrar (para si mesmo) que conhecia a História do Sr. HOME e, para outrem,
que possuía uma excelente memória... De fato ele conhecia a História contada
por JEAN BURTON e repetida por HERMÍNIO MIRANDA, mas deve ter se esquecido, ou
não deve ter lido os relatos de KARDEC na REVUE SPIRITE e do conhecido livro de
Sir ARTHUR CONAN DOYLE. Ou seria esquecimento de JOANA?!...Neste caso seria um
esquecimento nada “evangélico” e pouco caridoso com o maior médium precursor do
Espiritismo contemporâneo – DANIEL DUNGLAS HOME-, comportamento este que um Espírito supostamente Superior não
exibiria para o povo catarinense, nem para o Brasil.
Segundo
o Sr. DIVALDO, D. D. HOME censurava KARDEC, porque este enaltecia a mediunidade
gratuita... Não me parece que o Sr. HOME fizesse tal censura, como já
afirmamos! Tem razão o Sr. DIVALDO ao afirmar que KARDEC pregava a
mediunidade desinteressada. Aliás,
as palavras de KARDEC e dos Espíritos Superiores servem para TODOS
aqueles possuidores de MEDIUNATO. Disse KARDEC em O LIVRO DOS MÉDIUNS, 2.ª
parte, Cap. 28, item 308:
“A faculdade mediúnica, mesmo restrita às
manifestações físicas, NÃO FOI DADA AO HOMEM
PARA OSTENTAR CENA CÔMICA NOS
TEATROS DE FEIRA [“n’a point été donné pour en faire
parade sur les tréteaux”] e quem quer
que pretenda ter às suas ordens os Espíritos, para exibir em público, está
no caso de ser, COM JUSTIÇA, SUSPEITADO
DE CHARLATANISMO, OU DE MAIS OU MENOS HÁBIL PRESTIDIGITADOR.” – destaques
nossos.
Certamente, está escrito no
Evangelho (Mt 10,8): “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os
leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça daí”. E o
Mestre JESUS acrescentava um conselho em seu Discurso Apostólico:
“Eis que eu vos envio como ovelhas
entre lobos. Por isso sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as
pombas”.
Estariam os médiuns brasileiros
seguindo este conselho do Mestre
JESUS, ou fazendo exatamente o oposto?!
Não foi à toa que JESUS criticou escribas e fariseus, chamando-os de
RAÇA DE VÍBORAS. Como já dissemos, alhures, ainda hoje temos os fariseus
contemporâneos, os “falsos-profetas” da modernidade.
Sra.
MARTA BELUCO, o Sr. D. D. HOME nunca ostentou suas raras faculdades mediúnicas
e, muito menos, nunca cobrou por cabeça nas suas sessões – que não eram em
cinemas, nem em teatros -, eram
ÍNTIMAS, aliás, pelo que
estudamos, as suas manifestações ocorriam, em geral,
ESPONTANEAMENTE, isto é, independentemente de sua vontade, exceto quando
foi submetido a estudos
por inúmeros cientistas, dentre eles ALEXANDER AKSAKOF e W. CROOKES, por
exemplo, e este confirmou a autenticidade da mediunidade do Sr. HOME!...
Quanto
a se hospedar em hotéis de luxo, com todas as despesas pagas, é possível que
tenha acontecido, pois o Sr. HOME não possuía bens e foi extremamente
solicitado por vários pesquisadores, em várias partes do mundo. Mas, será que
determinados médiuns pagaram ou vêm pagando, do próprio bolso, as hospedagens
em hotéis de alta categoria, no Brasil e em suas centenas de peregrinações
espíritas em vários países?!... Certamente, isto não é da minha conta, como
diria KARDEC, contudo, vale aqui o dito do Mestre JESUS em relação à mulher
adúltera:
QUEM
ESTIVER SEM PECADO, QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA...
Aqueles
que, supostamente estão sem pecados, e atiram pedras, amparados provavelmente
por uma peregrina memória brilhante, deveriam refletir bem; pois,
freqüentemente, o brilho desta é ofuscado pela resplandecência – perdoe-me a
expressão popular – dos eventuais vidros dos seus telhados.
EPÍLOGO
Enfim,
Sra. BELUCO, para KARDEC, o médium DANIEL DUNGLAS HOME era um homem de caráter
ilibado, NÃO era um ocioso explorador e fundamentou sua opinião; para DIVALDO,
SIM, ele era um “ocioso explorador”, porém, não fundamentou a sua opinião
naquele Workshop sobre Mediunidade; simplesmente, EX-CATHEDRA, fez um plagiato
(pois não citou as fontes), possivelmente, dos textos de
JEAN BURTON e HERMÍNIO
C. MIRANDA (embora
este tenha reconhecido as qualidades
mediúnicas e morais do Sr. HOME); mas as contradições do Sr. DIVALDO P. FRANCO
são óbvias, públicas e notórias, não percebidas somente pelos fanáticos ou
distorcidas por seus falsos amigos, fascinados, desencarnados e encarnados;
dizemos “falsos amigos”, porque estes não
desejam o bem do
Sr. DIVALDO, simplesmente vampirizam a
popularidade do famoso médium, idolatrando-o,hipocritamente, com interesses
inconfessáveis...
Depois
de mostrar as várias religiões pelas quais o Sr. HOME perpassou, disse CONAN
DOYLE (op. cit., p. 184):
“(...) foi ele fortemente atraído
para a Igreja Grega e foi no seu ritual que o seu corpo foi encomendado, em St.
Germain, em 1886. “A OUTRO O DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS” (1 Cor 123,10) é a
curta inscrição sobre aquele túmulo, do qual o mundo ainda não ouviu a última
palavra”.
Faltou ao sr.
DIVALDO o “discernimento” dos vários dons mediúnicos (“carismas”, na linguagem
de PAULO DE TARSO) exibidos por D. D. HOME e a inscrição no seu túmulo
parece-nos mais uma prova cabal de que o sr. HOME não “combateu” KARDEC,
faltava-lhe base filosófica para “discernir” os estranhos fenômenos que
ocorriam com ele e, por isso, ele os deixou para a posteridade explicar...
Com
quem ficamos, Srs. leitores? Por tudo que foi dito, ficamos com KARDEC. Espero
que o Sr. DIVALDO, se tiver acesso a este nosso artigo, após uma detida
reflexão, reconheça a sua indelicada injustiça para o Sr. HOME e também fique
com KARDEC. Amém.
* Médico. Psiquiatra. Professor Livre-Docente de
Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
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