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A Benção da maternidade e o 'Sagrado Feminino'

 

Criança impulsiva e agressiva – Três comentários significativos

Dr. Iso Jorge Teixeira*

Isojorge@globo.com

  

Giovanni Bellini - Madonna con il Bambino e le Sante Caterina e  Maddalena (1500) - Venezia, Gallerie dell'Accademia ou A Virgem com o Menino e Duas Santas (1490) – Museu do Prado

TICIANO Vacellio.

Santa Maria Madalena  (1530-1535)

No dia 13 de abril/2005 o Coordenador e Webmaster do Portal PANORAMA ESPÍRITA escreveu-nos:

“Dr. Iso,

Fique à vontade para responder diretamente ao internauta. Segue e-mail recebido abaixo. Um abraço, JÚNIO ALVES.” :

“- Caro amigo e confrade Iso Jorge, leio com freqüência seus artigos e suas explicações sobre os mais variados assuntos à luz de nossa magnífica Doutrina, e creio que o Sr. é dotado de um grande conhecimento dentro da mesma, por isso gostaria de poder contar com seus conhecimentos  sobre um assunto que venho lendo, e que tem me despertado imenso interesse, a título de pesquisas, e que de certa forma, acredito que possa me ajudar com meu trabalho. O fato é que estou lendo o famoso livro de Dan Brown (O CÓDIGO DA VINCI), por sinal muito bom mesmo, e não sei se o Sr. já teve a oportunidade de ler, mas trata de um assunto que sempre esteve em pauta, porém, com outros focos, que é o famoso Priorado de Sião e o Santo Graal, sei que se trata de uma obra de ficção, porém, como o próprio autor  faz questão de deixar claro no prefácio (TODAS AS DESCRIÇÕES DE OBRA DE ARTE, ARQUITETURA, DOCUMENTOS E RITUAIS SECRETOS NESSE ROMANCE CORRESPONDEM RIGOROSAMENTE À REALIDADE).  Fiquei um tanto quanto curioso e gostaria de saber um pouco mais sobre o assunto, sobre uma ótica mais voltada para minhas convicções, ou seja, dentro da Doutrina Espírita. Certo de poder contar com suas maravilhosas explanações, desde já lhe sou muito grato e aproveito a oportunidade para lhe parabenizar pelo belo trabalho que vem realizando. Perdão pelo extenso texto, mas procurei ser o mais breve possível para me fazer entender. Abraços fraternos e que Jesus nos ilumine hoje e sempre.”      

CRISTIANO F. CAIXETA - Patos de Minas – MG

            Imediatamente, respondemos preliminarmente ao confrade CRISTIANO, nos seguintes termos:

            “Infelizmente, AINDA não li o livro O CÓDIGO DA VINCI, um bestseller mundial; digo "ainda",  porque  fatalmente  terei  de  lê-lo, e o seu e-mail apressará esta leitura, não há a menor dúvida. Por isso não posso lhe dar uma resposta circunstanciada sobre ele. Mas prometo que escreverei um artigo sobre o assunto e enviá-lo-ei ao PANORAMA ESPÍRITA para publicação, por isso aguarde...

Pelo que sei, navegando na Internet, o livro é muito bom, mistura ficção com realidade; mas parece-me que a proposta seria a mesma de dois outros livros publicados sobre o assunto: “O SANTO GRAAL E A LINHAGEM SAGRADA” e “A HERANÇA MESSIÂNICA”, ambos dos autores MICHEL BAIGENT, RICHARD LEIGH e HENRY LINCOLN; mais tais livros não são de "ficção” não, são de pesquisa, mesmo! Li ambos os livros e me pareceram convincentes e O CÓDIGO DA VINCI parece ser um arremedo destes dois livros, e escrito de maneira muito melhor, misturando ficção com realidade.

Parece-me que também o Espiritismo está precisando de menos ficção em relação à figura de JESUS, que é um Espírito Superior, mas não é DEUS.

Como o  confrade já percebeu, irá me levar a ser veementemente criticado pelos “espíritas” fanáticos, quando escrevermos  esse artigo, he he he.

Bem, amanhã mesmo comprarei O CÓDIGO DA VINCI. Seja o que DEUS quiser... Um grande abraço e muita PAZ!”

No dia seguinte compramos o livro, mas, apesar de tê-lo comprado e o termos lido, ainda não escrevemos o artigo prometido ao confrade, mas, promessa é dívida e o faremos, oportunamente...

Bem, estamos citando essa mensagem do confrade CRISTIANO, porque o livro de DAN BROWN pode ser analisado sob várias vertentes e, uma delas, é o elogio à figura da mulher; neste sentido é que o citamos aqui, para prestar a nossa homenagem ao “sagrado feminino”, ao “Santo Graal”, pois, no dizer de uma personagem do livro – MARIE CHAUVEL – : “ESTAMOS COMEÇANDO A SENTIR A NECESSIDADE DE RESTAURAR O SAGRADO FEMININO”... Leiamos um  trecho do diálogo de ROBERT LANGDON, personagem principal do livro, com MARIE CHAUVEL:

¾ Mas, se os documentos Sangreal continuarem escondidos, a história de Maria Madalena estará perdida para sempre – disse Langdon.

 ¾ Será? Olhe ao seu redor. A história dela está sendo contada na arte, na música e nos livros. Cada vez mais a cada dia. O pêndulo está oscilando. Estamos começando a perceber os perigos de nossa história... e de nossos caminhos destrutivos. ESTAMOS COMEÇANDO A SENTIR A NECESSIDADE DE RESTAURAR O SAGRADO FEMININO. – Ela fez uma pausa. ¾  Mencionou que está escrevendo um livro sobre os símbolos do sagrado feminino, não é?” – o grifo é nosso - (op. cit., Edit. Sextante, Rio de Janeiro, 2004, p. 414).

Vamos, então, à nossa homenagem às Mães, àquelas que desempenham bem a bênção da Maternidade:

No dia 25 de abril/2005, escreve-nos uma de nossas leitoras que nos indagara sobre a problemática de seu filho, que propiciou o nosso artigo neste Portal, intitulado CRIANÇA IMPULSIVA E AGRESSIVA:

“Sr Iso, Mais uma vez o seu artigo se destaca pela solidez científica e coerência com a doutrina espírita.

Confesso que fiquei emocionada e isto me motivou a procurar um neurologista para discutirmos o assunto.

Estou pensando em levá-lo primeiramente em um médico homeopata, pois tenho feito um tratamento para labirintite e tenho tido bons resultados que até então não vinha conseguindo na medicina tradicional.

Se não for um médico homeopata certamente será um neurologista espírita. Não conheço nenhum profissional aqui em Belo Horizonte, se o Sr. conhecer algum colega e puder me indicar será de grande ajuda.

Há algum tempo procuro ser atendida por médicos que sejam espíritas, pois acredito   que   quando  se  absorve   a   doutrina  na  sua  essência  fica  difícil  seguir parâmetros que não sejam coerentes com o que se estuda, principalmente se o Espiritismo torna-se seu caminho, sua base de vida.

Assim que tiver um andamento do caso do meu filho entro em contato.

Obrigada pelo carinho e atenção! Muita paz!!”

CRISTINA – Contagem – MG

No mesmo dia 25 de abril, escreveu-nos a outra mãe, que propiciara nosso artigo no JE, também referida em “CRIANÇA IMPULSIVA E AGRESSIVA”:

“Sou uma carioca de 50 anos que vive há 20 em Lorena SP.  Estou de Presidente de uma Casa Espírita há 6 anos e sempre preciso de estudos e orientações tão boas quanto as suas e do Sr. Imbassahy. Até me desinteressei do JE depois que vcs. saíram.

Quanto ao meu filho de 28 anos, que tem uma esquizoidia leve, já se tratou c/ um psiquiatra daqui, tomou antidepressivos e há alguns anos está bem, sem medicação.  O Sr. se lembra de ter enviado pra mim artigos de déficit de atenção? 

Realmente, se a Medicina tivesse tão adiantada há 28 anos atrás eu teria beneficiado mais meu filho com a medicação específica.  Mas nós  impedimos que ele evoluísse para uma esquizofrenia.  Depois do tratamento ele prestou um concurso e passou para trabalhar no PSF de uma cidadezinha próxima de nós e já vai fazer 3 anos lá.  Ele sempre exige uma atenção mais especial nossa, pois é meio desenturmado socialmente, e agora está com uns sintomas leves de pânico, nada que não se possa controlar. 

Mas eu fico sempre muito agradecida pelo seu interesse na ocasião e vamos continuar sempre lutando para sermos instrumentos de Deus neste nosso orbe tão necessitado de tudo. 

Abraços,

ZILÁ ABREU – Lorena - SP

            E ainda no dia 25 de abril escreve-nos uma fiel leitora:

“Meu caríssimo amigo Iso Jorge !

Eu já disse, e torno a dizer, quanto mais leio os seus artigos, mais eu quero ler.

Qual não foi a minha surpresa, ao ler o artigo: “Criança impulsiva e agressiva”, e constatei que o meu filho  que hoje não é mais uma criança , e sim um adulto de 21 anos com os mesmos problemas.

Quando pequeno tinha as mesmas características citadas no artigo, fui chamada na escola várias vezes, levei-o para tratamento com psicóloga, ao neurologista , mas nunca me deram diagnóstico, ele nunca tomou nenhum remédio, sempre me diziam que ele era ‘normal’, que era comum as crianças serem dispersivas, não se concentrando em nada, foi uma época muito difícil para mim , e para ele também.

Hoje ele tem 21 anos, não terminou o colegial (de nossa época) hoje é chamado de fundamental, nunca gostou de estudar, pagamos um curso de computação onde conseguiu terminar com muito custo, mas também não gosta da área de computação.

É extremamente impulsivo, mas não é agressivo, fala muito rápido, às  vezes gagueja, é ansioso, rói as unhas , e quando é colocado limites , ele não gosta, não gosta de ser direcionado em nada, não tem muita responsabilidade. Já teve 3 empregos e não consegue assumir as responsabilidades, nem regras que são impostas pelas firmas. Chegava atrasado, não podia sair de casa com uniforme da empresa, mas ele saía, foi advertido várias vezes, até que foi despedido, trabalhou na área de telemarketing, mas não conseguiu ir em frente , porque não gostava de ficar sentado o tempo todo, ele não consegue ficar parado muito tempo, já tentei várias vezes levá-lo ao Centro para tratamento de passes , mas ele não vai, tem períodos de insônia.

Hoje ele se encontra desempregado, auto-estima baixa, não quer saber de terminar os estudos, e eu me encontro extremamente preocupada com o seu futuro, sofro demais de ver meu filho , um menino bonito, alto, de olhos verdes, corpo de atleta, assim desse jeito, sem nenhuma perspectiva de vida. O que me fortalece é a Doutrina Espírita, pois eu digo uma coisa para o senhor, se não fosse a Doutrina , com certeza  eu  não  sei  onde  eu  estaria  nesse momento, e também por ele ser um filho extremamente amoroso, ele me beija o tempo todo, é muito brincalhão, tem um coração de ouro é muito sensível , mas quando é contrariado fica agressivo no tom de voz, fala alto, grita. Outro  dia  eu  disse a ele, porque você faz assim comigo ? E ele me respondeu: ¾  É porque em outra vida você falhou comigo. Então pedi que ele me perdoasse, mas que agora eu estava tentando acertar, e para que ele também tentasse acertar nesta vida.

Sabe, Iso, eu tenho uma filha de 18 anos que não me dá um pingo de trabalho, é amorosa, carinhosa, responsável, oposto dele, amo os dois de maneira diferente , sendo que ele é muito mais ligado a mim, e eu a ele, sinto que ele me ama muito, a sua afinidade maior é comigo.

Bem acho que já falei demais, acho que dividi o meu problema com você, desabafei um pouco... Mais uma vez quero agradecer pela sua atenção!

Receba minhas vibrações de muita paz

MARTA – São Paulo – SP

Aí estão três comentários significativos sobre nosso texto publicado, recentemente, neste Portal. Três mães dedicadas aos seus filhos, que procuram incessantemente a felicidade deles; mães que, muitas vezes, não receberam a orientação adequada, como parece ter sido o caso da Sra. MARTA, porque, como disséramos, em nosso artigo - o THDA (Transtorno Hiperativo e de Déficit da Atenção) é um problema eminentemente FÍSICO; infelizmente, o neurologista deixou passar uma oportunidade de ajuda efetiva... Talvez, o uso de medicação, MESMO AGORA, estando ele com 21 anos, parece-me que será útil, obviamente, falamos em tese.

Quanto ao caso do filho da Sra. CRISTINA, de Contagem, creio ser mais acertada a última decisão dela, não obstante um psiquiatra espírita fosse a melhor opção, porém, infelizmente, não conhecemos nenhum neurologista ou psiquiatra espírita em CONTAGEM para indicação a ela...

Finalmente, o caso do filho da Sra. ZILÁ ABREU, de Lorena, demonstra o quanto é importante, não só o tratamento medicamentoso quanto o apoio sempre presente da mãe ZILÁ, acrescido de ser uma estudiosa do Espiritismo e até é, atualmente, Presidente de um Centro Espírita, como ela informou-nos agora... Lembro-me bem da troca de mails que fizemos há 5 anos atrás, só não me lembrava do seu nome real, que ela já nos reenviou, recentemente. Lembro-me bem da sua assiduidade na leitura de nossos textos na Coluna SAÚDE MENTAL e do prof. IMBASSAHY na Coluna QUAL É A DÚVIDA, do jornal espírita – JE - (órgão da FEESP)... A politicagem feespeana “assassinou” o JE e os responsáveis por este “crime” doloso já foram parcialmente punidos, graças à coragem e à determinação de duas mulheres: SÍLVIA PUGLIA e SOLANGE KORBAGE, atualmente, Presidente e Vice-Presidente da FEESP, respectivamente...

A MÃE ESPÍRITA

            A bênção da Maternidade é uma tarefa que exige dedicação contínua, pois a CRIANÇA é um Espírito que vem à Terra, muitas vezes para resgaste e provas e a Maternidade foi a maneira que a Providência Divina encontrou, digamos assim, para ajudar no desenvolvimento de outro(s) Espírito(s).

Hoje, tal tarefa modificou-se muito, pois a mulher vem, progressivamente, adquirindo direitos que lhe eram negados no passado... Por que eram negados tais direitos? Por vários motivos, que tentaremos expor, resumidamente, a seguir...

O “PECADO ORIGINAL” E A “ALMA DA MULHER”. A GÊNESIS bíblica instituiu a inferioridade da mulher em relação ao homem. A mulher, simbolicamente, proveio da costela de um homem e por tê-lo  instigado e participado do primeiro pecado, ao comerem o “fruto proibido”, ela foi estigmatizada como inferior e, ainda como agravante, devia “parir com dor” (cf. já discorremos em nosso artigo sobre “parto sem dor”) - estes foram os seus “castigos”... Principalmente no Oriente, a mulher ficou na condição de inferioridade e com o Cristianismo tal situação continuou, embora, paulatinamente, essa condição vem mudando drasticamente.

A MULHER NA IGREJA PRIMITIVA

“A mulher, como um todo, e o homem, da cintura para baixo, eram criações do demônio” – Ricardo Cavalcanti

Como disse RICARDO CAVALCANTI: “A mulher, como um todo, e o homem, da cintura para baixo, eram criações do demônio. A mulher quase não teve lugar na Igreja primitiva. São Jerônimo chamou-as de "cataplasmas da luxúria" e no Concílio de Mâcon, no ano 585, a proposição de que a mulher não possuía alma foi levantada. É claro que esta proposta perdeu, mas a vitória não foi das mais convincentes: ganhou apenas por um voto...” (cf. “A História Natural do Amor”. Ricardo Cavalcanti. Internet).

Por que esta proposta de supor que a mulher não tivesse alma? Por que a condição de aviltamento da mulher chegou a esse ponto?

            Supunha-se que a humanidade sendo criada por DEUS, homens e mulheres, haveria uma “alma masculina” e a mulher sendo uma espécie de apêndice do homem (criada da costela deste) não teria alma. A situação chegou a tal ponto que várias frases preconceituosas foram ditas em relação à mulher, inclusive por homens célebres. Assim, segundo o eminente causídico de Direito de Família e professor da matéria, SEGISMUNDO GONTIJO:

“Aristóteles considerou que quando a natureza erra na fabricação de um homem sai uma mulher; Petrônio ironizou, insinuando que aquele para quem uma mulher não é castigo suficiente, merece várias; Weininger duvidou que a mulher tivesse alma, o que foi objeto de controvérsia no Concílio de Mâcon. Não sem razão, Maurice Donnay alertou que todos os homens batem nas mulheres: os do povo, com os punhos; os burgueses com as leis. Uma coisa e outra fazem com que esta monografia previna, adiante, quanto à realidade de uma nova mulher que carrega no seu inconsciente individual o coletivo de mágoa e de revolta contra sua discriminação e subordinação milenares. Uma nova mulher que vem ocupando, velozmente, todos os espaços sem mais precisar dos homens sequer para a procriação, agora possível pela inseminação artificial.” ( A NOVA MULHER – Monografia sobre FAMÍLIA E ENTIDADE FAMILIAR, aos 13/04/95, na 5ª  Semana de Altos Estudos Jurídicos, em Manaus, promovida pela Associação dos Magistrados Brasileiros, através da sua Escola Superior da Magistratura).

Enfim, a mulher seria meramente “instrumento de prazer” - não o sabemos quem foi o autor desta expressão em relação à mulher, mas sabemos que ela não é nova. A esse respeito KARDEC escreveu um interessante artigo intitulado “AS MULHERES TÊM ALMA?” (REVISTA ESPÍRITA – Jornal de estudos psicológicos, janeiro/1866). Leiamos alguns fragmentos e a visão kardequiana da questão. Disse ele, logo no início:

“As mulheres têm alma. Sabe-se que a coisa nem sempre foi tida como certa, pois, ao que se diz, foi posta em deliberação num Concílio. A negação ainda é um princípio de fé em certos povos. Sabe-se a que grau de aviltamento essa crença as reduziu na maior parte das regiões do Oriente.” (op. cit., EDICEL, p. 1).

Mais adiante, disse KARDEC:

“(...) Estava reservado ao Espiritismo resolver a questão, não mais pelos raciocínios, mas pelos fatos, quer pelas revelações de além-túmulo, quer pelo estudo que diariamente deve fazer sobre o estado das almas após a morte.”

“(...) As almas ou espíritos não têm sexo. As afeições que os unem nada têm de carnal e, por isto mesmo, são mais duráveis, porque fundadas numa simpatia real e não são subordinadas às  vicissitudes da matéria.” (op. cit., p. 1). Como podemos inferir,  dessas  e  de  outras  palavras  do  Codificador e da Espiritualidade Superior, o Espiritismo prova por FATOS, que a sexualidade é dada ao CORPO,  para  o  Espírito  estagiar  em ambos os sexos nas suas várias encarnações e, conseqüentemente,  isto nos parece um golpe fatal no DOGMA DO PECADO ORIGINAL, da SALVAÇÃO PELA FÉ E PELA GRAÇA, etc.

Talvez, tenha sido pelo fato de considerar-se a “alma feminina” inexistente ou inferior, que a origem de JESUS tenha sido envolta por tanto misticismo e por aspectos anticientíficos (como por exemplo, a concepção virginal de MARIA, mãe de JESUS) e talvez, a Bíblia coloque o rabino da Galiléia como um homem solteiro, isto é, a presença feminina na vida íntima de JESUS seria considerada uma indignidade. Esta última é a tese básica do livro O CÓDIGO DA VINCI, de DAN BROWN, que desenvolveremos oportunamente, num outro texto. Mas, voltemos às palavras do Codificador:

“(...) A natureza fez o sexo feminino mais fraco que o outro, porque os deveres que lhe incumbem não exigem uma tal força muscular e seriam até incompatíveis com a rudeza masculina, nela a delicadeza das formas e a finura das sensações são admiravelmente apropriadas aos cuidados da maternidade.” (op. cit., p. 3).

Aí está: muitos confrades, hoje, alegam que a mulher, no mundo contemporâneo, com direitos adquiridos, não poderia ser reduzida ao mero papel de “maternidade”, alguns enfatizam: ¾  E o prazer? Ora, o que diz KARDEC em relação à bênção da MATERNIDADE refere-se ao que o ESPÍRITO deve desempenhar e não às sensações da carne. É isso, exatamente, que gostaríamos de destacar na figura dessas três Sras.: a “finura das sensações” ao lidarem com seus filhos problemáticos, a perseveração ao enfrentar suas provas e expiações - isto é espiritual; e o “prazer”, pura e simplesmente, é sensual, terreno...

EXPIAÇÃO X  PROVA

Toda expiação é prova, mas nem toda prova possui caráter expiatório

A propósito, quando a Sra. MARTA perguntou ao seu filho porque ele “fazia assim”, ele respondeu: ¾  É porque em outra vida, você falhou comigo... Seriam palavras autênticas dele? Seria isso verdadeiro? É possível, mas nada prova que foi assim! Toda expiação é prova, mas nem toda prova possui o caráter expiatório. As nossas PROVAS não são “castigos divinos”, e sim, oportunidades de reajuste e evolução do nosso Espírito.

KARDEC

O Espiritismo abre a era da emancipação legal da mulher, como abre a da igualdade e da fraternidade

Assim foi concluído o artigo “AS MULHERES TÊM ALMA?” de KARDEC:

“Com a doutrina espírita, a igualdade da mulher não é mais uma simples teoria especulativa, não é mais uma concessão de força à fraqueza, é um direito fundado nas mesmas leis da natureza. Dando a conhecer estas leis, o espiritismo abre a era da emancipação legal da mulher, como abre a da igualdade e da fraternidade.”  (op. cit. p. 5).

KARDEC concluía isso no século 19 e foi também seis anos antes, que numa sessão  da  Sociedade Parisiense  de  Estudos Espíritas (SPEE), do dia 23 de Novembro/1860, que o Espírito ALFRED DE MUSSET manifestou-se, espontaneamente, através da médium EUGÉNIE e propôs-se a discorrer sobre qualquer assunto que lhe fosse sugerido.

INFLUÊNCIA DA MULHER NOS ÚLTIMOS SÉCULOS

Aproveitando a boa vontade do Espírito ALFRED DE MUSSET foram dirigidas a ele algumas perguntas, inclusive um jovem, estranho à SPEE, fez esta pergunta:

¾ QUAL A INFLUÊNCIA DA MULHER NO SÉCULO DEZENOVE? 

E a resposta foi:

¾ Ah! É o progresso. E é um jovem que fez a pergunta. Bonito! Eu mesmo as apreciava demasiado para deixar de responder. E estou certo de que todos também querem ouvir.

A influência da mulher no século dezenove! Acreditais que ela tenha esperado esta época para vos trazer à trela, pobres e fracos homens que sois? Se tentastes rebaixá-la, foi porque a temíeis; se tentastes abafar a sua inteligência, foi porque temestes a sua influência. Só ao seu coração não pudestes opor barreiras. E como o coração é o presente que Deus lhe deu em particular, continuou senhor e soberano.”  (REVISTA ESPÍRITA    Jornal de estudos psicológicos,  de  ALLAN KARDEC, dezembro/1860. Trad. Júlio Abreu Filho. EDICEL, São Paulo, p. 405-406).

Como podemos observar, no século 19, o Espírito MUSSET afirma que tentaram “rebaixar” a mulher por temor e “abafar a sua inteligência” , também por temor; mas, o seu “coração” de mulher saiu vitorioso, mesmo naquela época, isto é a sensibilidade AFETIVA da mulher sempre foi respeitada, porque está nas Leis Divinas.

Mas, prossigamos no instrutivo discurso do Espírito MUSSET:

“(...) Mas eis que a mulher se fez também borboleta; ela quer sair de seu casulo; quer reconquistar seus direitos, que são divinos; como aquela, lança-se na atmosfera e dir-se-ia que reencontra o clima de seu justo valor. Não penseis que eu as queira transformar em eruditas, letradas, poetisas. Não. Mas eu quero, aqui se quer, no mundo em que habito, que aquela que deve elevar a Humanidade seja digna de seu papel; que aquela que deve formar os homens comece a se conhecer a si própria e, para lhes dar desde tenra idade o amor do belo, do grande, do justo, é necessário que ela possua esse amor num grau superior, é preciso que o compreenda. Se o agente educador por excelência for reduzido ao estado de nulidade, a sociedade vacilará. É o que deveis compreender no século dezenove.” (op. cit., p. 406).

Mas eis que a mulher se fez também borboleta...

Hoje, as mulheres estão bem mais libertas em todo o mundo e, no Brasil, vejamos o que nos diz o advogado de família SEGISMUNDO GONTIJO naquela monografia citada:

“Até meados do século passado nem sequer freqüentar escolas a brasileira podia. Foi somente em 1871 que ela pôde começar a estudar para se tornar professora.   Mesmo assim tinha de cumprir um currículo especial  que incluía “prendas domésticas como corte e costura, bordado e aplicação de flores nas contas", apurou o sociólogo Paul Singer, (Veja, ed. especial Mulher, agosto/94). De lá para cá, do universo de brasileiros com o curso colegial completo, 57% são mulheres e apenas 43% homens, conforme Anuário Estatístico de 1992, do IBGE e (apud mesma Veja, pág. 36). Elas, que também em muito maior número que os homens,  voltam a estudar  depois  dos  40 anos, já compõem 52% do contingente universitário nacional, assim distribuídas quanto aos cursos mais conhecidos: 42% do total dos diplomados em Direito, 62% em Ciências Médicas e 19% em Engenharia. A mulher não precisa mais casar-se com doutor, ela mesma pode ser médica...”

Essas informações do Dr. Advogado GONTIJO são verdadeiras. Em nossa experiência como Prof. no Curso de graduação em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em quase 30 anos, observamos essa clara mudança de perfil, em relação ao sexo, dos estudantes de Medicina.

EPÍLOGO

            A mulher é o “agente educador por excelência”, disse o Espírito ALFRED MUSSET em 1860, e as palavras de KARDEC, mais acima, foram escritas em 1866... A maior liberdade das mulheres de hoje são um resultado da conscientização cada vez maior da Sociedade, e obras como O CÓDIGO DA VINCI, de DAN BROWN, em que se ressalta o “sagrado feminino”, ajudam a mulher a se mostrar cada vez mais admiravelmente.

SANDRO BOTTICELLI  (1445-1510) La Pietá
(aproximadamente em 1495)  Velha Pinacoteca – Munique

À  direita, DETALHE
____________

Este quadro , segundo vários autores, é característico da inquietude  e do drama religioso vivido por BOTTICELLI nos anos que se seguiram a SAVONAROLA

Curiosamente, a cruz não aparece e três mulheres piedosas sofrem com a situação, e em todas há uma demonstração de AMOR, diferenciado em cada uma delas...

(Iso Jorge Teixeira)

As três Sras. leitoras que comentaram o nosso artigo sobre CRIANÇAS IMPULSIVAS E AGRESSIVAS têm se conduzido maravilhosamente na tarefa que a Providência lhes confiou. A elas o nosso agradecimento pelas palavras carinhosas em relação aos nossos textos e a elas os meus parabéns  não    pelo  DIA COMEMORATIVO DAS MÃES, mas pelo que se dedicaram até hoje pelo futuro de seus filhos, cada uma no seu estilo, mas todas com muito AMOR...

A todas as Mães espíritas e não-espíritas a nossa admiração pela sua tarefa abençoada de “educar” e de “elevar a humanidade”. Continuem na luta e combatendo o Bom Combate.

Que se resgaste a figura verdadeira de MARIA MADALENA... Bem, este é outro assunto, que prometemos ao Sr. leitor CRISTIANO CAIXETA numa próxima oportunidade...

 

* Médico. Psiquiatra. Professor Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da  Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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