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Márcio da Cruz Santos
"...Esses espíritos sofrem pelo
constrangimento que experimentam e pela impossibilidade em que se encontram de
se manifestarem por meio de órgãos não desenvolvidos ou desarranjados." (L.E.
- q. 372)
"...Essa a razão pela qual as grandes
obras de engenharia, em sua feição beneficiária, apesar de materiais, possuem elevada
significação pela extensão de sua utilidade ao espírito coletivo." (O
Consolador. - q. 93)
Consultando as páginas de qualquer Dicionário de Língua Portuguesa, vamos
encontrar o conceito de deficiência como sendo: falta, insuficiência,
imperfeição.
Ao ouvirmos tal palavra, somos, invariavelmente, levados a pensar sobre
aqueles que trazem restrições de natureza física, oriundas, naturalmente, dos
compromissos assumidos em sua programação existencial ou reencarnatória e,
automaticamente, nos vêm sentimentos os mais diversos quanto contraditórios,
desde a piedade pela situação até a mais completa indignação com o descaso das
"autoridades" políticas da nossa cidade ou País.
Em momento algum _ com raras exceções - ocorre-nos que nós, cidadãos comuns,
espíritas, poderíamos dar a nossa parcela de contribuição, no sentido de
minimizar ou aliviar a provação desses, propondo ou criando meios para
reduzir-lhes os empecilhos da marcha.
De uma maneira geral, quais seriam os desejos daqueles que se vêem na
situação da limitação física, perguntamos ? Responderão muitos: seguramente,
o respeito da sociedade e das Instituições; a liberdade para poderem
deslocar-se e integrar-se com facilidade; a autonomia, sobretudo, para
escolherem aonde ir e chegar até lá, sem constrangimento, além dos que possuem
consigo.
Argumentaremos, ainda, outros, que nada
podemos fazer, além de cobrar medidas urgentes dos nossos administradores.
Ora, amigos ! Basta lancemos um olhar sobre as nossas Instituições,
notadamente, aquelas das quais participamos e nas quais investimos os nossos
melhores esforços, no sentido de dar todas as condições de conforto espiritual
e material para os que das suas instalações usufruem.
O detalhe, entretanto, é que, pouquíssimas vezes imaginamos que uma
pessoa com deficiência física possa procurar por uma Casa Espírita, a fim de
ali, também, encontrar aquilo que já encontramos.
Quantos são os que nessa situação participam de nosso Grupo ? Será que
não há nenhum espírita ou pretendente que esteja nesta posição ? Será que o
Espiritismo e o Centro Espírita são para eles, igualmente ?
A população de indivíduos com deficiências
(sem contar gestante e idosos, que igualmente têm as suas limitações) é
significativa . E se pararmos para pensar, além disso, que a Doutrina Espírita,
por seu caráter consolador é, por si só, um "atrativo" para essas
almas, vamos ter entre nós muitos desses companheiros buscando as nossas Casas.
Se a isso somarmos gestantes, idosos, crianças até, este volume vai aumentar
mais ainda.
Mas, alegremo-nos, as soluções não são, de uma maneira geral, difíceis e estão
ao alcance de freqüentadores, trabalhadores e diretoria dos Núcleos
Espiritistas.
Verifiquemos, reflitamos sobre quantos são os obstáculos físicos que uma
pessoa nestas circunstâncias deverá enfrentar, até que chegue ao local desejado
na nossa Casa. Vejamos, à guisa de ilustração, como poderíamos começar a
colaborar, efetivamente, e a dar a nossa quota de exemplificação, no que se
refere à integração e promoção sociais:
estudar, junto à Prefeitura local, possibilidade de
reservar vaga de automóvel para deficiente no estacionamento público (o da
rua). Porém, se o Centro tem estacionamento próprio, destinar uma ou mais vagas
para deficientes; preferencialmente próximas às portas de acesso;
eliminar os desníveis do meio fio, através do
rebaixamento das guias, respeitando-se a inclinação de 8% (aproximadamente 5
graus; uma rampa bem suave, portanto);
criar rampas - suprimindo degraus _ a partir de 2m
para dentro do alinhamento predial, incluindo-se as portas de acesso externas e
as internas (é proibido fazê-lo no passeio público, pois, com isso,
estaríamos gerando outros degraus transversais para quem por ele transitasse).
Essas rampas não devem ter inclinação superior a 8%, ou seja, para cada metro
horizontal, subir 8cm na vertical;
alargar as portas internas, permitindo-se, por
exemplo, que por elas passe cadeira de rodas, além dos braços daquele que a
movimenta;
prever espaço em auditórios e salas de trabalho para
posicionamento de cadeira de rodas ou similares. Percebam que isso também pode
servir para carrinhos de bebês;
facilitar deslocamento interno _ largura de
corredores e tipo de piso adequados e seguros para tráfego de pessoas com
limitações físicas;
instalar duchas higiênicas e barras de apoio nos
banheiros. Há muitos produtos no mercado.
Há Legislação específica que trata dos direitos, além dos parâmetros
construtivos para deficiências físicas. Vamos cogitar, por nossa vez, sobre
alguns destes pontos.
Enfim, reunamos os colaboradores e os usuários do nosso Grupo, a fim de
estudar, em conjunto, soluções práticas e exeqüíveis para, de toda maneira,
estimular a participação, a integração e valorizar essas potencialidades que
jazem tolhidas, muitas vezes até, pela impossibilidade de participarem das
atividades do Centro Espírita.
E, voltando à questão inicial, podemos dizer que a deficiência,
realmente, está em nós mesmos, nas imperfeições das nossas edificações,
na insuficiência de equipamentos e recursos das instituições, que não atendem a
estas questões de significativa importância.
É hora de começarmos a perceber que podemos contribuir ainda mais do que
já o fazemos, começando por melhorar estes pequenos aspectos, transformando o
nosso ambiente de labor espírita em lugar acessível, de fato, a todos quantos o
procuram para, ali, receber e dar devida atenção e apoio.
Fonte: Jornal Mundo Espírita – Agosto/2000
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