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Adolpho Marreiro Júnior
Inspirado no capítulo primeiro do livro A Caminho
da Luz, do Espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier,
ed. FEB, cujo título é: “A Gênese Planetária – A Comunidade dos Espíritos
Puros”
“Rezam as tradições do mundo espiritual que na
direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos
Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as
rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.
Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da
qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se
reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da
organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios
conhecidos.
A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se
desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço,
as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródomos da vida na matéria em
ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da
Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e
redenção.” (Destaques nossos.)
NEM IMPROVISAÇÕES NEM ACASOS
Pela importância que representou a vinda do Messias
na evolução espiritual da Humanidade, descarta-se, em absoluto, a hipótese de
improvisações ou acasos, nos acontecimentos que envolveram a sua vida, do
nascimento à crucificação, tudo ocorreu, exatamente, conforme o plano
arquitetado pela augusta Assembléia de Espíritos, citada por Emmanuel.
Dentro do grande plano foram convocados, inicialmente,
os Espíritos que, com antecipação de séculos e milênios, como precursores,
desceram ao seio de vários povos, a fim de preparar os futuros caminhos do
Messias.
É com razão que Emmanuel afirma no seu livro A
Caminho da Luz, na página 39, o seguinte: “Eis por que as epopéias do
Evangelho foram previstas e cantadas alguns milênios antes da vinda do Sublime
Emissário.”
A REGRA ÁUREA
Embora pareça mera coincidência, a verdade é que
esses precursores, inspirados por Jesus, ensinaram a vários povos a famosa
Regra Áurea, mais tarde confirmada pelo Mestre, como sendo o segundo maior
mandamento da Lei Divina, de cujo cumprimento depende nossa redenção
espiritual. Importante recordá-la:
Diziam os gregos: “Não façais ao próximo o que não
desejais receber dele.”
Afirmavam os persas: “Fazei como quereis que se vos
faça.”
Recomendavam os egípcios: “Deixai passar aquele que
fez aos outros o que desejava para si.”
Doutrinavam os hebreus: “O que não quiserdes para vós
não desejeis ao próximo.”
Insistiam os romanos: “A lei gravada nos corações é
amar os membros da sociedade como a si mesmos.”
E Jesus, o maior exemplificador da Regra Áurea,
confirmou:
“Não façais aos outros o que não quereis que se vos
faça, e fazei aos outros tudo aquilo que queríeis que eles vos fizessem.”
Concluído o grande plano e previsto o aparato sideral
que o envolveria, o Divino Mestre buscou inspiração em Deus, a fim de conhecer
a Sua Vontade, sobre qual virtude deveria ser eleita e colocada como “pedra
angular” do Seu Evangelho, e que ficasse como marca indelével de Sua missão à
Humanidade de todos os tempos. Deveria ser a virtude que representasse a mais
alta e difícil conquista dos homens, única capaz de vencer o seu feroz egoísmo
e seu dileto filho, o orgulho, e demais defeitos que lhes são correlatos. Foi
então que Jesus, com inspiração de Deus e aprovação da Excelsa Assembléia,
elegeu a Humildade para pedestal do Seu Evangelho.
Eis por que a celeste virtude foi exaltada pelo
Sublime Enviado de Deus, desde a Manjedoura até o martírio na cruz.
Portanto, não foi por acaso que escolheu para
progenitores o modesto carpinteiro José e a simples e virtuosa Maria, evitando
nascer em algum lar da aristocracia judaica.
Não foi por acaso que elegeu a pobre e obscura Belém
para local do Seu nascimento, e não alguma importante cidade da Palestina.
Não foi por acaso que chamou para Seus discípulos, em
sua maioria, pobres e simples pescadores galileus, e não proeminentes varões de
Israel.
Não foi por acaso que preferiu a Galiléia dos gentios
para palco predileto das epopéias do Seu Evangelho, e não a Atenas dos
enfatuados filósofos e pensadores, e muito menos a Roma dos conquistadores
sanguinários.
Não foi por acaso que não teve um berço para nascer e
nem um leito para morrer.
E, finalmente, não foi por acaso que reservou para os
dias finais do Seu Divino Mandato a exemplificação extrema da Celeste
Virtude, na cena do Lava-Pés, ensinando:
“Ora se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós
deveis também lavar os pés uns aos outros” (João, 13:14).
Presumimos que, custe o que custar, leve o tempo que
levar, sem a conquista da Peregrina Virtude, fica difícil, para todos nós,
alcançar a tão almejada Redenção espiritual.
Jesus, coroando a Sua missão, de braços abertos na
cruz, exclamou: “(...) Está consumado (...)” (João, 19:30). Acabara de entregar
à Humanidade o modelo da mais alta e perfeita iniciação espiritual, jamais
vista na Terra.
A NOVA PÁTRIA DO EVANGELHO
Em 9 de março de 1920, portanto, 18 anos antes do
livro profético de Humberto de Campos (Espírito), intitulado Brasil, Coração
do Mundo, Pátria do Evangelho, o Espírito de Verdade transmitiu a Ismael,
que por sua vez ditou ao médium Albino Teixeira, então Secretário da Federação
Espírita Brasileira, a seguinte mensagem: “A Árvore do Evangelho, plantada há
dois mil anos na Palestina, eu a transplantei para o rincão de Santa Cruz, onde
o meu olhar se fixa, nutrindo o meu espírito a esperança de que breve ela
florescerá estendendo a sua fronde por toda a parte e dando frutos sazonados de
amor e perdão.” (Ver Reformador de abril de 2000, p. 121.)
Assim como na velha Palestina, a “Nova Pátria do
Evangelho” também teria na virtude da Humildade a sua pedra angular. O Brasil
seria o campo propício para o desenvolvimento do Consolador Prometido por Jesus
e foco principal de sua irradiação para o mundo. Portanto, deveria ser também o
maior celeiro da literatura espírita, subsidiária da Codificação Kardequiana no
Planeta.
A gigantesca obra refletiria, em plenitude, tudo o
que Jesus já havia ensinado e também outras verdades que, no dizer do próprio
Mestre, seriam extemporâneas há dois mil anos (João, 16:12).
A obra, pela sua magnitude, não teria origem entre os
homens, mas na Pátria Espiritual. Sua dimensão seria cósmica, portanto, não
endereçada a um único povo, mas ao Espírito Imortal, cujos anseios de sabedoria
e ventura são inatos e pairam acima dos valores transitórios dos interesses
materiais que separam pessoas e nações.
Embora o “Divino Pedagogo” não transitasse ao vivo
por esta “Nova Palestina”, Suas mensagens continuariam a ser transmitidas, na
íntegra, a toda a Humanidade, através de uma plêiade de Espíritos, semelhante
àquela que assistiu a Allan Kardec nos dias gloriosos da Codificação. O Brasil,
com a inauguração da imensa literatura, se tornaria, pouco a pouco, o manancial
do Espiritismo Evangélico.
O CANAL MEDIÚNICO
Escolhida a Celeste Virtude para pedestal do
“monumento literário”, que tipo de receptor mediúnico estaria à altura de tão
elevado, complexo e extenso empreendimento espiritual? O escolhido deveria possuir
muitas virtudes, com absoluta predominância da Humildade que, como pedra
angular da “Nova Pátria do Evangelho”, deveria ser exemplificada do início ao
término da obra. O médium escolhido por antecipação no Plano Espiritual deveria
estar disposto ao extremo sacrifício de entregar a sua própria vida no serviço
com Jesus em benefício da coletividade. A sua única fonte de ventura neste
mundo seria Servir, Servir e Servir, construindo com o seu trabalho uma
autêntica Aliança com os Arautos de Jesus, recebendo deles as alegrias que excedem
ao entendimento comum, compensando-lhe, com vantagem, os prazeres da vida
material, que não fariam parte de sua tarefa.
Teria a obrigação de exemplificar os sublimes
ensinamentos que, através de sua mediunidade, jorrassem para a Terra.
Além da Humildade que deveria ser a marca
inconfundível de toda a sua vida, muitos outros requisitos eram necessários
para garantir o êxito da sua missão, tais como:
Obediência incondicional ao comando dos mentores
espirituais;
Aceitar a disciplina, quase militar, pelo tempo que
durasse a construção da extensa literatura;
Contentar-se em dormir pouco, com resistência aos
sonhos de usufruir férias ou repousos prolongados;
Superar cansaços, enfermidades, críticas, calúnias,
perseguições da imprensa e de religiões tradicionais;
Desenvolver mais e mais a consciência de que a
família dos grandes servos do Senhor é a Humanidade.
Quando a meritória obra entrasse na fase do seu
reconhecimento por grande parte do povo, veículos de comunicações, a dimensão
da sua humildade seria testada diante dos elogios sem conta, romarias,
manchetes de revistas e jornais, títulos de cidadania e participações em
programas de televisão. Não lhe faltariam as insinuações melífluas de que
poderia elevar o seu padrão de vida. De todos esses testes de “iniciação
espiritual”, a Humildade deveria sair vencedora. Esse deveria ser o
perfil do médium eleito por Jesus para servir de canal de ligação entre os Seus
Mensageiros e a “Nova Pátria do Seu Evangelho”.
Portanto, não foi por acaso que, entre tantas cidades
importantes deste imenso país, a pequena e modesta Pedro Leopoldo foi a
escolhida para a inauguração da excepcional obra literária.
Não foi por acaso que, com tantas personalidades
eruditas neste país, o médium eleito por Jesus foi um adolescente de 17 anos,
nascido na singela Pedro Leopoldo; curso primário incompleto; quase paupérrimo;
vida sacrificial desde os cinco anos de idade, quando ficou órfão de mãe: seu
nome – Francisco Cândido Xavier. Esse jovem, por certo comprometido com a
grande obra, antes de nascer, além da Humildade, como ornamento principal de
seu espírito, possuía as demais virtudes necessárias ao êxito do mandato
recebido.
Que assustadora jornada! Durante mais de sete
décadas, o seu ininterrupto labor mediúnico permitiu que os Arautos do
Consolador construíssem no Brasil a literatura que, sem dúvida, e sem
desmerecer a produção de outros médiuns, desenvolveu a Codificação Kardequiana.
O número de livros psicografados pelo Chico é de pouco mais de 400 títulos,
cujas reedições, segundo algumas fontes, chegam à casa dos trinta milhões.
Também não foi por acaso que os Arautos do Mestre
colocaram como ponto de partida da inédita obra Parnaso de Além-Túmulo, cuja
elaboração contou com o trabalho primoroso de 56 poetas desencarnados, de
renome nas literaturas brasileira e portuguesa.
Era o “carimbo” da Pátria Espiritual, autenticando a
obra que se iniciava, pois, sendo esse tipo de literatura considerado o mais
difícil, obviamente, não poderia ter como autor o jovem semiletrado de Pedro
Leopoldo, e sim, os Espíritos. O Chico cumpriu a maior parte de sua missão em
Uberaba, onde fixou residência, a partir de 1959.
Porventura haveria muitos médiuns à altura dessa
tarefa? Não nos esquecendo de que ele sempre colocou à frente de seu trabalho a
bandeira de Ismael: Deus, Cristo e Caridade.
Encerrando nossas reflexões, concluímos o seguinte:
Na velha Palestina, a vida do Messias foi, toda ela,
um hino de exaltação à Humildade, porque assim se cumprira o que fora planejado
na “Segunda Assembléia de Anjos”, citada por Emmanuel.
Escolhendo o Brasil para o local de transplante da
árvore do Seu Evangelho, determinou que o mesmo hino de exaltação à Humildade
se repetisse pela vida de um dos Seus humílimos servos.
Fonte: Revista reformador –
junho/2002
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