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Ismael Ramos das Neves
Na investigação científica, há critérios que devem
nortear os passos do investigador. Entre a hipótese e a tese, há longa
distância a percorrer; e, às vezes, nesse percurso, o pesquisador é
surpreendido por fatos novos, que não foram observados à primeira vista. Por
isso mesmo, quando nos decidimos a comprovar os fenômenos mediúnicos, devemos
levar em consideração valores judiciosos, recomendados pela razão, pela análise
percuciente.
Recordemos, a propósito, o exemplo do Codificador do
Espiritismo, Allan Kardec, considerado como “bom senso encarnado”, o qual soube
pautar a sua conduta de investigador dentro de parâmetros objetivos, embora sem
esquecer a condição subjetiva que a filosofia poderia estabelecer com relação
aos fenômenos observados, porque, na realidade, a Ciência e a Filosofia andam
juntas à procura do conhecimento e, por extensão, em busca da verdade relativa
que o pensamento humano pode alcançar e entender, e tendo por coroamento, no ápice,
a Religião, como antena de luz a captar a manifestação inequívoca do amor de
Deus.
Nos últimos anos, com a dinâmica da comunicação em
massa tomamos conhecimento de pesquisas e entrevistas - algumas das quais pela
televisão -, que abordavam a fenomenologia mediúnica. Regozijamo-nos com o
propósito dos pesquisadores e entrevistadores no sentido de levarem ao grande
público a abordagem de fenômenos transcendentes, ou seja, de fatos e episódios
que transcendem o comum da Humanidade. É sempre louvável o esforço que colima a
comprovação da imortalidade da alma e, conseqüentemente, estende a consolação e
a esperança a milhões de pessoas que se encontram na dúvida ante o esplendor da
vida eterna. Contudo, é de bom alvitre que não nos esqueçamos de trazer conosco
a recomendação de Paulo de Tarso: “Lede tudo, retende o que for bom”.
Dessa forma, saibamos aplaudir a dedicação dos
investigadores e dos divulgadores interessados em oferecer ao público
informações da maior valia com relação aos fatos espíritas, mas procuremos
escoimar de tais notícias os lances de sensacionalismo, alguns dos quais
deturpam a interpretação dos fenômenos observados. Além disso, sabemos que no
campo de manifestação do Espiritismo, o fenômeno desperta a curiosidade e o interesse pela
investigação, mas só a Doutrina esclarece e consola.
Agradeçamos a Deus por nos haver concedido a bênção
da mediunidade!
Que o investigador e cientista continue analisando a
fenomenologia espírita, até mesmo identificando as manifestações no campo da transcomunicação.
E que saibamos aproveitar os subsídios da investigação científica, porque o
Senhor Jesus prometeu, consoante está exarado na profecia de Joel (Atos dos
Apóstolos, 2:17-18): “Nos últimos tempos, diz o Senhor, derramarei do Meu
espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos
mancebos terão visões, vossos velhos sonharão sonhos”.
Procuremos nos integrar em nossas tarefas
doutrinárias e assistenciais, porque “muito será pedido a quem muito foi dado”.
Bendita a investigação que comprova o fenômeno!
Bendito o trabalho de divulgação e assistência, que
estende ao aflito a consolação e a esperança, e demonstra, com argumentos
plausíveis e lógicos, a razão de ser de nosso sofrimento.
Fonte: Revista Reformador – dez/1998
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