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Raphael Rios
Há
algum tempo, tivemos o anúncio histórico da conclusão do seqüenciamento do
genoma humano, isto é, o mapeamento virtualmente completo do código genético
humano, bombasticamente comemorado pela ciência bio-genética.
Colossal
será ainda o trabalho subseqüente de identificação dos 80.000 genes existentes,
do conhecimento das funções de cada gene e da estrutura de cada proteína que
eles codificam, estimando-se entre cinco anos e um século a realização
progressiva e integral de cada um desses objetivos.
Inegavelmente,
trará benefícios revolucionários na terapia das enfermidades humanas e em
muitos outros campos da natureza, embora o entusiasmo resultante venha sendo
naturalmente, ora magnificado por fantasias tecnológicas, ora enegrecido por
presságios de manipulação e de discriminação potenciais assustadoras.
Como
sensatamente nos disse Kardec, referindo-se à evolução da nossa Doutrina
Redentora, que "o Espiritismo seria aquilo que os homens dele
fizessem", vale igualmente dizer-se que as novas descobertas da ciência
serão o que os homens delas fizerem, se bombas atômicas devastadoras ou energia
nuclear segura e construtiva, apenas para exemplificar.
Surpreendente
ainda mais, embora esperada, a persistência do enfoque materialista, agora
ultra-exacerbado, das pesquisas dos fenômenos vitais, atribuídos à exclusiva
ação mecânica da hereditariedade genética, no comando da montagem dos três
bilhões de nucleotídeos que constituem os degraus do DNA humano.
A
ciência insiste em pensar a vida como uma complexa reação química, e nada mais
do que isso, prestes a ser descoberta e viabilizada pelo homem, assim como até
hoje crê ser o pensamento mera excreção do cérebro e que todas as funções
psíquicas morrem com o corpo físico.
Não
há ainda lugar para o espírito na ciência pesquisacional acadêmica, empírico-indutiva,
a qual, por isso, continua tomando como causa o que é efeito, fazendo das leis
da hereditariedade genética as únicas presentes ao ato da vida, juízas
exclusivas e inconscientes do futuro patrimônio apolíneo e saudável ou disforme
e enfermiço do ser humano, apenas concedendo algumas influências aos efeitos
ambientais e ao psicossomatismo, ainda que cerebral, calcadas nas predisposições
genéticas.
A
evolução de cada ser individualizado, criatura de Deus, não pode ficar à mercê
da casualidade das combinações aleatórias entre as constituintes da matéria.
Os aportes da física probabilística quântica relativos aos comportamentos na
intimidade da micro-matéria poderão, quem sabe, um dia, explicar como a Lei de
Causa e Efeito utiliza a probabilidade quântica para concretizar a causalidade
contributiva do espírito encarnante.
Só
o reconhecimento, que um dia chegará, da primazia do espírito sobre a matérian
-- associada esta primazia ao princípio reencarnacionista, isto é, a integração
comandatária, pelo espírito, via perispírito, da herança espiritual à
hereditariedade genética, regida esta integração pela Lei de Causa e Efeito --,
permitirá que se identifiquem no espírito imortal as causas verdadeiras dos
desequilíbrios que eclodem no corpo físico, mata-borrão e fio-terra que ele é,
sob o nome de doenças, incluindo-se os distúrbios da psique humana.
E,
muito mais, porque o espírito, em evolução ao infinito, é a fonte única e inesgotável
não só da saúde físico-psíquica, mas de todas as potencialidades da inteligência,
da razão, da intuição, do comportamento, da moral, da beleza e do bem
universais, partícula que ele é da essência de Deus-Pai, Criador da Vida e das
leis que regem o Universo e os seres.
A
propósito, queremos retransmitir, em palavras nossas, as elucidações que um
bondoso mentor espiritual do centro espírita que freqüentamos nos trouxe sobre
o tema da herança espiritual e da hereditariedade genética, num esclarecimento
marcado por sábia singeleza e convincente racionalidade:
Estamos
submetidos pela misericordiosa Lei de Causa e Efeito a essas duas ordens de
heranças, que acompanham providencial e amorosamente a nossa trajetória
educativa reencarnacional, roteiro esse gerado por nós mesmos no exercício do
livre-arbítrio aplicado nas livres escolhas que fazemos diante dos eventos e
circunstâncias vivenciados por nós, tendo-se como régua de medida a Lei Suprema
do Amor, revelada e praticada até as últimas conseqüências pelo Amado Mestre
Jesus.
A
herança espiritual, súmula do nosso passado multimilenar, está gravada indelevelmente
no nosso espírito, que tem, como seu instrumento de ação na matéria, o
perispírito. Normalmente, sob a orientação dos Instrutores Espirituais e aquiescência
do espírito encarnante, há um prévio programa de aprimoramento espiritual
ajustado às suas necessidades de depuração. Assim, buscam-se os genitores que
apresentem nos seus patrimônios genéticos características compatíveis com o
programa acordado.
Os
patrimônios espirituais de genitores e familiares são também levados em alta
conta, mesmo porque, embora não transmissíveis por via hereditária, o serão
pela via da educação, dos exemplos e do ambiente familiar a serem recebidos
pelo encarnante.
E,
então, a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, sob o comando da
Lei, o espírito encarnante imprime, através da ação do seu perispírito, a
integração da sua própria herança espiritual com a herança genética dos
genitores, conduzido pelas sagradas leis das hereditariedades, provindas do
Criador, na formação do respectivo DNA individualizado, composto de genes
dominantes e recessivos que conformarão o novo corpo físico daquele particular
espírito imortal, que "renascerá" conforme aquele programa acertado,
subordinado inicialmente e voluntariamente a predeterminados fatores como
família, raça, etnia, nacionalidade, predisposições para determinados estados
de saúde ou doença física ou espiritual, e inúmeras outras particularidades
individuais.
Aí,
então, surgirá uma nova criaturinha, com o dom divino da vida que, neste mundo
de expiações e provas, onde ainda merecemos estar, a iniciará com um choro
estridente ansiosamente esperado.
Abre-se
para o espírito uma nova romagem onde, no devido tempo, a razão e o
livre-arbítrio comparecerão para moldar o seu novo viver em vontade e responsabilidade
face os compromissos assumidos e os desafios oportunos e indispensáveis com que
o mundo o defrontará, nunca superiores às próprias forças, sempre sob a
proteção complacente da misericórdia divina.
Fonte:
Revista Internacional de Espiritismo – dez/2000
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