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Noções Gerais de Tratamento de TDAH Criança Impulsiva e Agressiva

 

Disfunção Cerebral Mínima e Progressão dos Espíritos

Dr. Iso Jorge Teixeira

isojorge@Globo.com

  

LEONARDO DA VINCI. A Virgem das rochas –

Museu do Louvre- 1483-1486

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A determinação, a ternura e o  amor de muitas mães são admiráveis, especialmente nas provas mais cáusticas

(Iso Jorge Teixeira)

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No dia 15 de abril/2005 recebemos o seguinte mail:

“Olá Sr. Iso, tudo bem??

(...) quero primeiramente parabenizá-lo pelo excelente artigo sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) que foi publicado no site do TERRA ESPIRITUAL.

Sr. Iso, tenho dois filhos, um menino de 6 anos e uma menina de 4. São crianças saudáveis, têm um padrão social em que possa ter acesso à escola particular, plano de saúde, e o que é mais importante, freqüentam a evangelização infantil no Centro Espírita, além é claro, de sermos uma família que considero equilibrada, com respeito ao outro e limites de convivência.

Porém, o meu filho de 6 anos manifesta-se com bastante agressividade em momentos em que são impostos limites, em casa a situação é menos grave, pois a noção de respeito que ele tem pelos pais é algo bem definido para ele. Entretanto na escola as coisas são bem piores e quando ele tenta quebrar as regras da escola e é impedido de fazer o que ele pensa que pode fazer, ele parte para a agressão física, joga cadeiras na professora, chuta a diretora e por aí vai. As professoras ficam assustadas porque ele fica completamente fora de si, não é simplesmente uma birra de menino mimado que não aceita limites como tantas que acontecem nas escolas.

Quando cessam estas crises ele entra em um processo de arrependimento e aí fica muito deprimido, volta atrás, pede desculpas.

Ele é uma criança extremamente carinhosa e que tem uma necessidade muito grande de expressar isto, fala constantemente que ama as pessoas do seu convívio, beija muito. Além de tentar demonstrar o tempo todo que é forte, a ponto de querer vencer tudo na luta física. Tenta impor sua liderança nas brincadeiras e quando isto não acontece ele perde o interesse pelo fato.

Ele já está fazendo terapia, a psicóloga é espírita também, e como ainda está no começo não deu para colher os resultados.

Gostaria da sua opinião para tentar uma forma melhor de lidar com esta questão, já que tenho lido seus artigos e percebo o quanto é bem fundamentado e coerente com os princípios espíritas.

Desde já agradeço sua atenção.”

Após solicitarmos a Cidade e Estado e um pseudônimo para preservar a privacidade da Sra. leitora e a nossa pretensão de escrever um artigo, em tese,  sobre o caso, no dia 18 de abril disse ela:

“Sr Iso, Mais uma vez lhe agradeço pela atenção e agora me sinto ainda melhor, pois deste e- mail surgirá um artigo que poderá ajudar muitos pais a lidarem com esta situação. Quanto ao pseudônimo, sugiro (...) CRISTINA.

Gostaria que quando o artigo estivesse pronto o Sr me mandasse por e-mail ou me informasse em qual site poderia encontrá-lo.

            Acrescento a informação de que já procurei uma neurologista que não detectou nenhum problema orgânico, e gostaria de ressaltar que quando ele se encontra em situações normais, ou seja, em que as regras não o impedem de realizar o que quer, ele se mostra uma criança extremamente dócil e amável.

Me encontro a disposição de qualquer esclarecimento. 

Um forte abraço.”

Cristina - Contagem - região Metropolitana de BH - MG.

É com imenso prazer que respondemos à internauta, nossa leitora do TERRA ESPIRITUAL e o fizemos preliminarmente dizendo que em tese o menino deveria ser submetido a um eletroencefalograma (EEG). Como vimos, a “organicidade” do caso teria sido afastada, embora, nem sempre um EEG normal afaste a possibilidade de transtorno físico...

A nossa suspeição de problemática orgânica, física, é em função do ambiente familiar ser equilibrado, além da extrema agressividade da criança, que não seria “mimada” e por ele ficar “completamente fora de si” e quando cessam estas “crises” ele se arrepende e pede desculpas, o que afastaria um início de um transtorno de personalidade – até porque esta ainda não está formada em tão tenra idade... Outra eventualidade seria a ação esporádica de um obsessor, mas nada sugere isso na história contada pela Sra. CRISTINA.

Obviamente, seria uma aventura firmarmos um diagnóstico do caso, sem o exame do paciente, não obstante, em tese, a nossa opinião é praticamente a mesma de 5 anos atrás, quando respondemos a uma leitora do jornal espírita (órgão da FEESP), a quem também solicitamos pseudônimo, cuja carta de 02/02/2000 assim dizia:

"Prezado Dr. Iso Teixeira,

          Tive a oportunidade de ler o seu muito bem escrito artigo sobre Saúde Mental no JE de janeiro passado. Sou espírita e ocupo o cargo de Vice-pres. de um Centro Espírita no Estado de São Paulo. Faço parte do grupo de médiuns desta Casa, trabalhando em psicofonia há 8 anos. Sou formada em letras port / francês pela PUC - Rio e dou aulas de francês desde então.

Seria tão bom se o Sr. pudesse escrever sobre a "disfunção mínima", suas implicações físicas, psicológicas e sociais. Estas pessoas um pouquinho diferentes sofrem preconceito constante. Meu filho Cristóvão é assim. (...)”.

A seguir, a nossa leitora fez um breve histórico do caso do seu filho. E ela conclui:

“Gostaria muito de ler literatura específica sobre o seu problema. Já procurei nas bibliotecas locais, encontrei pouca coisa.

          Neste sentido, se não for incômodo, aproveito para solicitar-lhe títulos de obras do assunto pertinente.

          Agradeço desde já e coloco-me a seu dispor para futuros entendimentos.

          Atenciosamente”

Zilá Abreu - Lorena SP

Assim, teremos oportunidade de responder à sra. CRISTINA utilizando muito do que dissemos em nosso artigo publicado no jornal espírita (JE, maio/00, Coluna SAÚDE MENTAL, p. 7), intitulado DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA E PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS...

Prezada Sra. CRISTINA, a harmonia familiar descrita pela confreira e a agressividade da criança em tão tenra idade, fazem-nos supor uma patologia ORGÂNICA e o EEG normal não invalida nossa hipótese. Parece-nos que seu filho é sujeito a CRISES IMPULSIVAS, reveladoras de uma disfunção cerebral, não-epiléptica, embora a Sra. não tenha descrito uma eventual inquietude, uma hipercinesia, psicomotora...

Obviamente, falamos em tese, pois não examinamos seu filho, nem temos os detalhes do caso. Também foi assim no caso relatado pela profa. ZILÁ ABREU, e nos posicionamos da seguinte forma:

Prevalência de Disfunção Cerebral Mínima e a atual ignorância das causas

O tema solicitado é extremamente importante, tanto do ponto de vista médico quanto do ponto de vista social e espiritual...  Segundo INGERSOLL e GOLDSTEN (1993), as estimativas conservadoras sugerem a ocorrência da "disfunção cerebral mínima" em 3% a 5% de todas as crianças em idade escolar e SAFER e KRAGER (1998) afirmam que o distúrbio está sendo diagnosticado mais freqüentemente hoje em dia do que há uma década atrás (citados por JAMES E. GILLIAN. Teste de distúrbio de Déficit de atenção com hiperatividade (DDAH) – Um método para identificar indivíduos com DDAH. In site da Internet sobre hiperatividade- responsável pelo site: PRISCILLA SIOMARA GONÇALVES).

Além da freqüência relativamente alta, o tema envolve algumas polêmicas médicas, principalmente quanto à etiologia, isto é, a(s) causa(s) e, há quase 4(quatro) décadas, um autor chegou a dizer, satiricamente, que a disfunção cerebral mínima constituía a "confusão neurológica máxima" (GOMES, A .R. Minimal cerebral dysfunction (maximal neurological confusion) – (Clin. Ped. 6:589, 1967).  Hoje, parafraseando este autor, diremos nós: a disfunção cerebral mínima é a ignorância neurológica máxima; porque, como veremos, os detalhes da fisiopatologia são ignorados e desconhecem-se as causas.

Em conseqüência, várias denominações foram propostas para o distúrbio e hoje a expressão disfunção cerebral mínima não é mais usada, mantivemo-la no título porque foi a expressão aproximada utilizada pela Sra. leitora JE e por considerá-la, ainda hoje, próxima da realidade.

Disfunção cerebral mínima? Lesão cerebral mínima?

Transtorno de déficit de atenção /  hiperatividade (TDAH) ou Transtorno hipercinético (TH)?

           A expressão "disfunção cerebral mínima"  foi oficializada num simpósio  em  Oxford,  em 1966, em contraposição à expressão "lesão cerebral mínima", pois esta não se sustentava por falta de suporte anatômico e clínico (cf. LEFÈVRE, ANTONIO B. e col. Disfunção cerebral mínima . In Neurologia infantil, p. 485, ed. SARVIER S/A, São Paulo,1980).       

           Com o melhor conhecimento da bioquímica cerebral dos portadores do distúrbio, surgiram medicamentos para o tratamento. Então, um grupo de estudos organizado pela NINBD e pela National Society for Crippled Children and Adults chegou à seguinte definição em 1968:

            "As categorias diagnóstica e descritiva incluídas no termo síndrome de disfunção cerebral referem-se a crianças com inteligência próxima da média ou superior à média, com problemas de aprendizado e/ou certos distúrbios do comportamento de grau leve a severo, associados a discretos desvios do funcionamento do sistema nervoso central. Esses podem ser caracterizados por variáveis combinações de déficits na percepção, conceituação, linguagem, memória e controle da atenção, dos impulsos ou da função motora" – o grifo é nosso (cf. PAINE, R. S. in Neurologia Infantil, op. cit, p. 486).

             Posteriormente, passou-se a privilegiar o distúrbio da atenção  e a hiperatividade e o Manual de diagnóstico e estatística (DSM) da Associação Psiquiátrica Americana (APA), em sua 4ª edição, o DSM-IV de 1994, denominou o transtorno como distúrbio de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH). A Classificação Internacional de Doenças e do Comportamento, da Organização Mundial de Saúde, na sua 10ª. Edição, a CID – 10, classificou-o como transtorno hipercinético (TH) .  

Quadro clínico do TDAH ou TC

   O DSM-IV assim  caracteriza o Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade, em dois grupos:

            (1) Inatenção: Pelo menos seis  sintomas  de  inatenção devem persistir pelo  menos  por 6   meses em grau desadaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento;

              (2)- Hiperatividade – impulsividade: Pelo menos seis  sintomas de hiperatividade e impulsividade devem persistir por pelo menos 6 meses, em grau desadaptativo ou inconsistente com o nível de desenvolvimento da criança. Os sintomas devem estar presentes antes dos 7 anos de idade.

  Enfim, são crianças extremamente inquietas, com atenção dispersa e  impulsivas  e  o  diagnóstico se baseia, a nosso ver, no exagero do componente psicomotor e por isso, concordamos com a CID-10, quando denomina o distúrbio como transtorno hipercinético (TH). Além disso, o paciente com transtorno hipercinético apresenta, freqüentemente, alterações no eletroencefalograma (EEG), embora não seja a regra. Para complicar ainda mais o problema ,muitas vezes, o TH se associa com deficiência mental, epilepsia e até com autismo infantil - o caso do filho da Sra. CRISTINA não parece apresentar associação com outros distúrbios...

ESQUEMA DO ENCÉFALO

em corte transversal (sagital) mediano

A FORMAÇÃO RETICULAR é a área pontilhada nesta secção transversal do encéfalo. Um órgão sensorial (embaixo, à direita) conecta-se com uma área sensorial do cérebro (ao alto, à esquerda) por um caminho que percorre a medula espinhal. Esse percurso se ramifica para a formação reticular. Quando um estímulo percorre o caminho, a formação reticular pode "despertar" todo o cérebro (flechas em preto).[ In p. 250. PSICOBIOLOGIA – Textos do Scientific American EDUSP – Edit. Polígono. São Paulo, 1970.]

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É provável que na DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA (TH), a formação reticular esteja anormalmente excitada, por mecanismos pouco conhecidos, daí a hipercinesia, a desatenção e a turbulência desses pacientes, a insônia muitas vezes, o eletroencefalograma anormal e a IMPULSIVIDADE, pela falta de mecanismos frenadores do córtex cerebral

(Iso Jorge Teixeira)

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Aspectos físicos do Transtorno hipercinético  (TH)

           O TH caracteriza-se, a nossa ver, fundamentalmente, por uma alteração funcional do cérebro como um todo, provavelmente há uma excitação da formação reticular, uma região do cérebro responsável pelo despertar, pela vigília (ver ESQUEMA DO ENCÉFALO). Isso pode ser comprovado por alterações eletroencefalográficas freqüentes nestes pacientes; muitos, além da disfunção, são epilépticos, isto é, apresentam alterações eletroencefalográficas específicas, enquanto que o TH revela alterações inespecíficas, freqüentemente ondas sharp, que são ondas reveladoras de sofrimento cerebral. Segundo LEFÈVRE e col. (op. cit.) de 100 pacientes, 48% apresentam  eletroencefalograma (EEG) anormal. Este é um percentual bem significativo, pois  técnicas recentes de estudo de "potenciais evocados" revelam onda N2 dos potenciais evocados retardados e menos ampla", enquanto um grupo que tendeu para a delinqüência teria um EEG e os PE normais (cf. B.GUEGUEN; J.P. OLIÉ';F.RAFFAITIN. Trouble de l'attention. In Electroencéphalographie et psychiatrie. Encycl. Méd. chirurg., Paris, 37170-A10-4-1990.p.3).  Enfim,  não    dúvida de que o TH é um quadro predominantemente orgânico, físico...

Estudos recentes sugerem que no Transtorno hipercinético (TH) haja uma transmissão genética da doença, embora não se saiba precisamente como. Um estudo realizado na Colômbia  (cf. MAURICIO ARCOS – BURGOS.  Discriminación  de  factores  geneticos en el déficit de atención (DDA)", in site da Internet, 29/01/00, op. cit.) concluiu que "existe um gen maior que explica mais de 99,9% da variância do genótipo DDA" e que este gen é de "características dominantes e co-dominantes e tem uma penetrância de 30%.(...) a freqüência do gen na população é de 3%.(...) quer dizer, uma estimativa próxima de 6% da população geral."

Aspectos psicológicos do Transtorno hipercinético –

Tratamento farmacológico

          O destaque do quadro clínico–psicológico do Transtorno hipercinético (TH) refere-se à hiperatividade, isto é, à hipercinesia e à impulsividade e, a nosso ver, o déficit de atenção é secundário à hiperatividade e à impulsividade..

          Ora, sabemos que uma pessoa impulsiva tem dificuldade e, ás vezes, impossibilidade de controlar seus impulsos, gerando atos imprevisíveis, que incomodam os coleguinhas da escola (no caso de crianças) ou os colegas de trabalho (no caso de adultos), como também a hiperatividade torna o mundo do paciente um caos, nas suas relações com os outros. Em conseqüência, muitas vezes o paciente é excluído do grupo, gerando insatisfação e até "complexos", como dissera a Sra. ZILÁ.

          Por isso, achamos importante controlar tais sintomas através de medicamentos e tem sido usado, com muito sucesso, o metilfenidato, uma substância paradoxalmente excitante da região cortical do cérebro, com isso inibindo a excitação sub-cortical, núcleo primário do distúrbio (não entraremos em detalhes, pois isto envolve aspectos fisiopatológicos difíceis de explicar num trabalho pequeno como este que estamos apresentando ao público). Alguns fenotiazínicos também dão bons resultados. Também os  tricíclicos e a clonidina em particular têm sido usados com sucesso.

Soubemos do relativo benefício medicamentoso no caso do filho da Sra. ZILÁ, como informado por ela posteriormente ao nosso artigo no JE.

             A hipercinesia tem levado alguns autores a pensarem numa correlação entre transtorno hipercinético e fase maníaca do transtorno afetivo bipolar, da qual discordamos -  a nosso ver, são patologias bem distintas. Situações que poderiam fazer pensar num transtorno hipercinético, seriam os quadros de ansiedade, entretanto, é preciso distinguir inquietude de ansiedade. Uma pessoa ansiosa é, em geral, inquieta; mas, nem todo inquieto é ansioso. No transtorno hipercinético não há ansiedade do paciente...

             O diagnóstico de TH estaria correto? Há patologia associada (co-morbidade) ? Falta-nos elementos para explicar este informe da leitora...

Aspectos sociais do Transtorno hipercinético

             O paciente com TH sofre, com certeza, diversos preconceitos, pois a Sociedade, em geral, tende a excluir uma pessoa com transtornos de comportamento, por não entendê-los, e passa a estigmatizar o paciente como "mal educado" (na infância) ou "mau caráter" (quando adulto). E quando o TH se associa com outros distúrbios, aí então o preconceito é bem maior, por exemplo, na associação com deficiência mental, epilepsia ou autismo infantil...

             A propósito, embora não tenhamos experiência prática com pacientes autistas infantis que chegaram à vida adulta, deduzo que estes pacientes vivem muito isolados das pessoas, daí a importância do apoio da família para o tratamento deles. Quando os pais estão em desajustes conjugais, então, o problema se agrava, posto que só um deles em geral cuida do caso...

Não poderíamos deixar de citar o caso relatado pela Sra. SIOMARA num site da Internet, em que a paciência e sensibilidade levaram-na a estudar e até utilizar o computador – ela é Analista de Sistemas – como fator terapêutico e socializante nos casos de autismo com TH (cf. “Utilizando o computador como ferramenta de auxílio á interação social do autista”, op. cit.)...

             Os casos citados pelas Sras. leitoras também são bem ilustrativos de como o ajustamento familiar é importante para lidar com pessoas que sofrem de TH. Os pais de pessoas com tais transtornos que conseguirem vencer o bom combate, certamente, ao desencarnarem, observarão a grande evolução espiritual atingida. Mas aqueles pais que, por preconceito, negarem inconscientemente a doença de um filho, julgando-o uma nódoa na família, ou mesmo um filho mal-criado e por isso espancarem-no, também serão atingidos pela “lei de causa e efeito”, e aqui retornarão, com certeza, para pagar seus débitos, ter]ao de reassumir seus compromissos reencarnatórios...

Aspectos espirituais do transtorno hipercinético

             Como vimos, o TH é uma disfunção cerebral, física, que compromete o indivíduo levando-o à hiperatividade, isto é, à hipercinesia e à impulsividade. Ora, o livre-arbítrio dessa pessoa estará comprometido pela doença, portanto, o corpo não será dócil ao seu pensar, querer e sentir...Disseram os Espíritos Superiores em resposta à questão 122 de O Livro dos Espíritos, na sua parte inicial: "O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo...."

             Como o comprometimento encefálico no TH é quase imperceptível, inclusive nos exames tomográficos, acreditamos que este distúrbio é uma oportunidade importante para a progressão espiritual, tanto do paciente quanto da família... Dizem os Espíritos Superiores na resposta à questão 779 de O Livro dos Espíritos: "O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma maneira; é então que os mais adiantados ajudam os outros a progredir, pelo contato social." (o grifo é nosso). Ou seja, é obrigação dos pais ajudar seus filhos e, principalmente, um filho com uma prova de difícil cumprimento, posto que o Espírito terá de agir num cérebro excitado.

             Parece-me que a leitora ZILÁ realizou, junto com seu marido, uma tarefa árdua, mas com muita proficiência; quando desencarnarem, ao chegarem na erraticidade e "perguntarem" pelo bem que praticaram, poderão dizer: ¾ Fiz tudo que estava ao meu alcance, na Terra, para educá-lo... Preocupei-me até com a sexualidade dele e quis até que ele namorasse, embora um psiquiatra - este que lhes fala, leitores! - me tenha dito no JE, que a timidez sexual no caso de meu filho é até um sucesso, imagine-se se ele, em função de uma disfunção cerebral, ao dirigir um carro atropelasse várias pessoas! A Sociedade o execraria!...

             Prezada Sra. ABREU, há alguns anos funcionei num processo no Rio de Janeiro sobre  um caso, muito divulgado pela imprensa na época, do "atropelador de Copacabana". Aquele Sr. tinha uma séria lesão na região frontal do cérebro e atropelou várias pessoas, matando algumas. Ele foi encaminhado à Casa de custódia e Tratamento, por periculosidade, graças a um laudo nosso e à brilhante Defesa do ilustre advogado Dr. CLÓVIS SAHIONE. Embora este não tenha sido um caso de TH, a Sra. ZILÁ e Sra. CRISTINA não se consideram vitoriosas?! Pois eu considero, e lhes dou meus parabéns! A Providência Divina sabe o que faz!

            Assim, Sra. CRISTINA, de Contagem, o futuro do seu filho também poderá ser alvissareiro  e, parece-me, que as crises de IMPULSIVIDADE dele devam ser controladas por medicamentos.

Mas, caberia a pergunta: e se for obsessão espiritual?...

EPÍLOGO

O caso não é sugestivo de obsessão, a nosso ver, por isso sugiro à Sra. CRISTINA que leve seu filho a um psiquiatra, para ajuda do controle da impulsividade dele e que continue educando seus filhos dentro da Pedagogia Espírita...

Quanto à bibliografia, encaminhei por carta à leitora ZILÁ e devo ressaltar aqui uma bela fonte bibliográfica à disposição dos internautas, refiro-me às páginas na Internet da Sra. PRISCILLA SIOMARA GONÇALVES [embora, há muito não são atualizadas], aliás, graças a ela, gostaria de fazer uma homenagem às mães de pacientes não só com "disfunção cerebral mínima", mas também de todos aqueles chamados, genericamente, "crianças-problema"... A minha homenagem será através de uma prece, provavelmente de inspiração céltica – e todo espírita conhece o pensamento de LÉON DENIS e de KARDEC a respeito dos celtas – , trata-se da "Prece Irlandesa", contida numa página da Internet organizada pela Sra. SIOMARA, que inserimos neste nosso estudo...

             Enfim, a minha intuição  diz que todos nós encarnados na Terra temos compromissos a saldar e que a pessoa que  apresenta a chamada "disfunção cerebral mínima" é um Espírito que sofre o constrangimento da carne, não pode agir e reagir plenamente, em função de uma excitação cerebral. Por isso, ela é testada para controlar os IMPULSOS e, estes sintomas estão bem claros no caso do filho da Srs. CRISTINA... Embora corporalmente esteja predisposta a agir atabalhoadamente e com déficit de atenção, a experiência na carne serve para desenvolver o seu livre-arbítrio. E' uma experiência semelhante àquela pessoa nas primeiras encarnações, onde o Espírito está muito próximo da simplicidade e ignorância das quais nos fala a Espiritualidade Maior na resposta à questão 133 de O Livro dos Espíritos... Enfim, o paciente progride e os pais progridem, cumprindo aquele comentário de KARDEC à questão 132 de O Livro dos Espíritos: "(...) tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza".
 
PRECE IRLANDESA

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"Que a estrada se abra à sua frente,

Que o vento sopre levemente às suas costas,

Que o sol brilhe morno e suave em sua face,

Que a chuva caia de mansinho em seus campos...

E, até que nos encontremos de novo,

Que Deus lhe guarde na palma de suas mãos."

(Extraída de site da Internet com autorização da autora do site: PRISCILLA SIOMARA GONÇALVES)

 

DEUS conduz essas pessoas relevando muitas falhas do Espírito, pois, conforme  disse JESUS num trecho da  Parábola dos talentos: "(...) Pois aquele que tem lhe será dado e lhe será dado em abundância, mas ao que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado." (Mt 25,29). Aqueles, como as Sras. leitoras, que estão abertos para a verdade, DEUS dará em abundância...    Essa é a nossa opinião pessoal.

A determinação, a ternura e o  amor de muitas mães são admiráveis, especialmente nas provas mais cáusticas. Pessoas como a Sra. CRISTINA, ZILÁ ABREU e PRISCILLA SIOMARA, merecem todo o nosso apreço e aplauso e são pessoas como elas que abrem grandes veredas para a Nova Era, quando predominará o Bem  na Terra – a tão sonhada Era de Regeneração...

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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