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Disfunção
Cerebral Mínima e Progressão
dos Espíritos
Dr. Iso Jorge Teixeira
isojorge@Globo.com
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LEONARDO
DA VINCI. A Virgem das rochas –
Museu do
Louvre- 1483-1486
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A
determinação, a ternura e o amor de
muitas mães são admiráveis, especialmente nas provas mais cáusticas
(Iso Jorge
Teixeira)
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No
dia 15 de abril/2005 recebemos o seguinte mail:
“Olá
Sr. Iso, tudo bem??
(...) quero primeiramente
parabenizá-lo pelo excelente artigo sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo
(TOC) que foi publicado no site do TERRA ESPIRITUAL.
Sr. Iso, tenho dois filhos, um
menino de 6 anos e uma menina de 4. São crianças saudáveis, têm um padrão
social em que possa ter acesso à escola particular, plano de saúde, e o que é
mais importante, freqüentam a evangelização infantil no Centro Espírita, além é
claro, de sermos uma família que considero equilibrada, com respeito ao outro e
limites de convivência.
Porém,
o meu filho de 6 anos manifesta-se com bastante agressividade em momentos em
que são impostos limites, em casa a situação é menos grave, pois a noção de
respeito que ele tem pelos pais é algo bem definido para ele. Entretanto na
escola as coisas são bem piores e quando ele tenta quebrar as regras da escola
e é impedido de fazer o que ele pensa que pode fazer, ele parte para a agressão
física, joga cadeiras na professora, chuta a diretora e por aí vai. As professoras ficam assustadas porque ele fica
completamente fora de si, não é simplesmente uma birra de menino mimado que não
aceita limites como tantas que acontecem nas escolas.
Quando
cessam estas crises ele entra em um processo de arrependimento e aí fica muito
deprimido, volta atrás, pede desculpas.
Ele
é uma criança extremamente carinhosa e que tem uma necessidade muito grande de
expressar isto, fala constantemente que ama as pessoas do seu convívio, beija
muito. Além de tentar demonstrar o tempo todo que é forte, a ponto de querer
vencer tudo na luta física. Tenta impor sua liderança nas brincadeiras e quando
isto não acontece ele perde o interesse pelo fato.
Ele
já está fazendo terapia, a psicóloga é espírita também, e como ainda está no
começo não deu para colher os resultados.
Gostaria
da sua opinião para tentar uma forma melhor de lidar com esta questão, já que
tenho lido seus artigos e percebo o quanto é bem fundamentado e coerente com os
princípios espíritas.
Desde
já agradeço sua atenção.”
Após
solicitarmos a Cidade e Estado e um pseudônimo para preservar a privacidade da
Sra. leitora e a nossa pretensão de escrever um artigo, em tese, sobre o caso, no dia 18 de abril disse ela:
“Sr
Iso,
Mais uma vez lhe agradeço pela
atenção e agora me sinto ainda melhor, pois deste e- mail surgirá um artigo que
poderá ajudar muitos pais a lidarem com esta situação. Quanto ao pseudônimo,
sugiro (...) CRISTINA.
Gostaria
que quando o artigo estivesse pronto o Sr me mandasse por e-mail ou me
informasse em qual site poderia encontrá-lo.
Acrescento a informação de que já
procurei uma neurologista que não detectou nenhum problema orgânico, e gostaria
de ressaltar que quando ele se encontra em situações normais, ou seja, em que
as regras não o impedem de realizar o que quer, ele se mostra uma criança
extremamente dócil e amável.
Me encontro a disposição
de qualquer esclarecimento.
Um forte abraço.”
Cristina - Contagem - região Metropolitana de
BH - MG.
É
com imenso prazer que respondemos à internauta, nossa leitora do TERRA
ESPIRITUAL e o fizemos preliminarmente dizendo que em tese o menino deveria ser
submetido a um eletroencefalograma (EEG). Como vimos, a “organicidade” do caso
teria sido afastada, embora, nem sempre um EEG normal afaste a possibilidade de
transtorno físico...
A
nossa suspeição de problemática orgânica, física, é em função do ambiente
familiar ser equilibrado, além da extrema agressividade da criança, que não seria
“mimada” e por ele ficar “completamente fora de si” e quando cessam estas
“crises” ele se arrepende e pede desculpas, o que afastaria um início de um
transtorno de personalidade – até porque esta ainda não está formada em tão
tenra idade... Outra eventualidade seria a ação esporádica de um obsessor, mas
nada sugere isso na história contada pela Sra. CRISTINA.
Obviamente,
seria uma aventura firmarmos um diagnóstico do caso, sem o exame do paciente,
não obstante, em tese, a nossa opinião é praticamente a mesma de 5 anos atrás,
quando respondemos a uma leitora do jornal espírita (órgão da FEESP), a
quem também solicitamos pseudônimo, cuja carta de 02/02/2000 assim dizia:
"Prezado
Dr. Iso Teixeira,
Tive a oportunidade de ler o seu
muito bem escrito artigo sobre Saúde Mental no JE de janeiro passado.
Sou espírita e ocupo o cargo de Vice-pres. de um Centro Espírita no Estado de
São Paulo. Faço parte do grupo de médiuns desta Casa, trabalhando em psicofonia
há 8 anos. Sou formada em letras port / francês pela PUC - Rio e dou aulas de
francês desde então.
Seria
tão bom se o Sr. pudesse escrever sobre a "disfunção
mínima", suas implicações físicas, psicológicas e sociais. Estas
pessoas um pouquinho diferentes sofrem preconceito constante. Meu filho Cristóvão
é assim. (...)”.
A
seguir, a nossa leitora fez um breve histórico do caso do seu filho. E ela
conclui:
“Gostaria
muito de ler literatura específica sobre o seu problema. Já procurei nas
bibliotecas locais, encontrei pouca coisa.
Neste sentido, se não for incômodo,
aproveito para solicitar-lhe títulos de obras do assunto pertinente.
Agradeço desde já e coloco-me a seu
dispor para futuros entendimentos.
Atenciosamente”
Zilá Abreu - Lorena –
SP
Assim,
teremos oportunidade de responder à sra. CRISTINA utilizando muito do que
dissemos em nosso artigo publicado no jornal espírita (JE, maio/00, Coluna
SAÚDE MENTAL, p. 7), intitulado DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA E PROGRESSÃO DOS
ESPÍRITOS...
Prezada Sra. CRISTINA, a harmonia
familiar descrita pela confreira e a agressividade da criança em tão tenra
idade, fazem-nos supor uma patologia ORGÂNICA e o EEG normal não invalida nossa
hipótese. Parece-nos que seu filho é sujeito a CRISES IMPULSIVAS, reveladoras
de uma disfunção cerebral, não-epiléptica, embora a Sra. não tenha
descrito uma eventual inquietude, uma hipercinesia, psicomotora...
Obviamente, falamos em tese, pois
não examinamos seu filho, nem temos os detalhes do caso. Também foi assim no
caso relatado pela profa. ZILÁ ABREU, e nos posicionamos da seguinte forma:
Prevalência de Disfunção
Cerebral Mínima e a atual ignorância das causas
O
tema solicitado é extremamente importante, tanto do ponto de vista médico quanto do ponto de vista social e espiritual... Segundo
INGERSOLL e GOLDSTEN (1993), as estimativas conservadoras sugerem a ocorrência
da "disfunção cerebral mínima" em 3% a 5% de todas as crianças em
idade escolar e SAFER e KRAGER (1998) afirmam que o distúrbio está sendo
diagnosticado mais freqüentemente hoje em dia do que há uma década atrás
(citados por JAMES E. GILLIAN. Teste de
distúrbio de Déficit de atenção com hiperatividade (DDAH) – Um método para
identificar indivíduos com DDAH. In site da Internet sobre hiperatividade- responsável pelo site:
PRISCILLA SIOMARA GONÇALVES).
Além
da freqüência relativamente alta, o tema envolve algumas polêmicas médicas,
principalmente quanto à etiologia,
isto é, a(s) causa(s) e, há quase 4(quatro) décadas, um autor chegou a dizer,
satiricamente, que a disfunção cerebral
mínima constituía a "confusão
neurológica máxima" (GOMES, A .R. Minimal
cerebral dysfunction (maximal neurological confusion) – (Clin. Ped. 6:589,
1967). Hoje, parafraseando este
autor, diremos nós: a disfunção cerebral mínima é a ignorância
neurológica máxima; porque, como veremos, os detalhes da fisiopatologia são
ignorados e desconhecem-se as causas.
Em
conseqüência, várias denominações foram propostas para o distúrbio e hoje a
expressão disfunção cerebral mínima
não é mais usada, mantivemo-la no título porque foi a expressão aproximada
utilizada pela Sra. leitora JE e por considerá-la, ainda hoje, próxima
da realidade.
Disfunção cerebral mínima? Lesão
cerebral mínima?
Transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH) ou Transtorno
hipercinético (TH)?
A expressão "disfunção cerebral
mínima" foi oficializada num simpósio em
Oxford, em 1966, em contraposição
à expressão "lesão cerebral mínima", pois esta não se sustentava por
falta de suporte anatômico e clínico (cf. LEFÈVRE, ANTONIO B. e col. Disfunção cerebral mínima . In
Neurologia infantil, p. 485, ed. SARVIER S/A, São Paulo,1980).
Com o melhor conhecimento da
bioquímica cerebral dos portadores do distúrbio, surgiram medicamentos para o
tratamento. Então, um grupo de estudos organizado pela NINBD e pela National
Society for Crippled Children and Adults chegou à seguinte definição em 1968:
"As categorias diagnóstica e descritiva incluídas no termo síndrome de disfunção cerebral referem-se
a crianças com inteligência próxima da média ou superior à média, com problemas
de aprendizado e/ou certos distúrbios do comportamento de grau leve a severo,
associados a discretos desvios do funcionamento do sistema nervoso central.
Esses podem ser caracterizados por variáveis combinações de déficits na
percepção, conceituação, linguagem, memória e controle da atenção, dos impulsos
ou da função motora" – o
grifo é nosso (cf. PAINE, R.
S. in Neurologia Infantil, op. cit,
p. 486).
Posteriormente, passou-se a
privilegiar o distúrbio da atenção e a hiperatividade
e o Manual de diagnóstico e estatística (DSM) da Associação Psiquiátrica
Americana (APA), em sua 4ª edição, o DSM-IV de 1994, denominou o transtorno como distúrbio de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH). A
Classificação Internacional de Doenças e do Comportamento, da Organização
Mundial de Saúde, na sua 10ª. Edição, a CID – 10, classificou-o como transtorno
hipercinético (TH) .
Quadro clínico do TDAH ou TC
O DSM-IV assim caracteriza o Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade, em dois grupos:
(1)
Inatenção: Pelo menos seis sintomas
de inatenção devem persistir
pelo menos por 6
meses em grau desadaptativo e inconsistente com o nível de
desenvolvimento;
(2)- Hiperatividade – impulsividade: Pelo menos seis
sintomas de hiperatividade e impulsividade devem persistir por pelo
menos 6 meses, em grau desadaptativo ou inconsistente com o nível de
desenvolvimento da criança. Os sintomas devem estar presentes antes dos 7 anos
de idade.
Enfim, são crianças extremamente inquietas,
com atenção dispersa e impulsivas e
o diagnóstico se baseia, a nosso
ver, no exagero do componente
psicomotor e por isso, concordamos com a CID-10, quando denomina o distúrbio
como transtorno hipercinético (TH). Além disso, o paciente com
transtorno hipercinético apresenta, freqüentemente, alterações no
eletroencefalograma (EEG), embora não seja a regra. Para complicar ainda mais o
problema ,muitas vezes, o TH se associa com deficiência
mental, epilepsia e até com autismo infantil - o caso do filho da Sra. CRISTINA não
parece apresentar associação com outros distúrbios...
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ESQUEMA DO ENCÉFALO
em corte
transversal (sagital) mediano
A FORMAÇÃO RETICULAR é a área
pontilhada nesta secção transversal do encéfalo. Um órgão sensorial (embaixo, à
direita) conecta-se com uma área sensorial do cérebro (ao alto, à esquerda) por
um caminho que percorre a medula espinhal. Esse percurso se ramifica para a
formação reticular. Quando um estímulo percorre o caminho, a formação reticular
pode "despertar" todo o cérebro (flechas em preto).[ In p. 250. PSICOBIOLOGIA – Textos do Scientific
American EDUSP – Edit. Polígono. São Paulo, 1970.]
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É provável
que na DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA (TH), a formação
reticular esteja anormalmente excitada, por mecanismos pouco conhecidos,
daí a hipercinesia, a desatenção e a turbulência desses pacientes, a insônia muitas
vezes, o eletroencefalograma anormal e a IMPULSIVIDADE, pela falta de
mecanismos frenadores do córtex cerebral
(Iso Jorge
Teixeira)
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Aspectos físicos do Transtorno
hipercinético (TH)
O TH caracteriza-se, a nossa ver,
fundamentalmente, por uma alteração funcional do cérebro como um todo,
provavelmente há uma excitação da formação reticular, uma região do
cérebro responsável pelo despertar, pela vigília
(ver ESQUEMA DO ENCÉFALO). Isso pode ser comprovado por alterações eletroencefalográficas
freqüentes nestes pacientes; muitos, além da disfunção, são epilépticos, isto é, apresentam
alterações eletroencefalográficas específicas,
enquanto que o TH revela alterações inespecíficas,
freqüentemente ondas sharp, que são
ondas reveladoras de sofrimento
cerebral. Segundo LEFÈVRE e col.
(op. cit.) de 100 pacientes, 48% apresentam
eletroencefalograma (EEG) anormal. Este é um percentual bem
significativo, pois técnicas recentes de
estudo de "potenciais evocados" revelam onda N2 dos potenciais
evocados retardados e menos ampla", enquanto um grupo que tendeu para a
delinqüência teria um EEG e os PE normais (cf. B.GUEGUEN; J.P.
OLIÉ';F.RAFFAITIN. Trouble de l'attention.
In Electroencéphalographie et psychiatrie.
Encycl. Méd. chirurg., Paris, 37170-A10-4-1990.p.3). Enfim, não
há dúvida de que o TH é um quadro
predominantemente orgânico, físico...
Estudos
recentes sugerem que no Transtorno hipercinético (TH) haja uma transmissão genética da doença, embora não se
saiba precisamente como. Um estudo realizado na Colômbia (cf. MAURICIO ARCOS – BURGOS. Discriminación de
factores geneticos en el déficit
de atención (DDA)", in site da Internet, 29/01/00, op. cit.) concluiu
que "existe um gen maior que explica
mais de 99,9% da variância do genótipo DDA" e que este gen é de
"características dominantes e co-dominantes e tem uma penetrância de
30%.(...) a freqüência do gen na população é de 3%.(...) quer dizer, uma
estimativa próxima de 6% da população geral."
Aspectos psicológicos do Transtorno
hipercinético –
Tratamento farmacológico
O destaque do quadro clínico–psicológico do
Transtorno hipercinético (TH) refere-se à hiperatividade,
isto é, à hipercinesia e à impulsividade e, a nosso ver, o déficit de atenção é secundário à
hiperatividade e à impulsividade..
Ora, sabemos que uma pessoa impulsiva tem dificuldade e, ás vezes, impossibilidade
de controlar seus impulsos, gerando atos imprevisíveis, que incomodam os
coleguinhas da escola (no caso de crianças) ou os colegas de trabalho (no caso
de adultos), como também a hiperatividade
torna o mundo do paciente um caos, nas suas relações com os outros. Em
conseqüência, muitas vezes o paciente é excluído do grupo, gerando insatisfação
e até "complexos", como dissera a Sra. ZILÁ.
Por isso, achamos importante
controlar tais sintomas através de medicamentos e tem sido usado, com muito
sucesso, o metilfenidato, uma
substância paradoxalmente excitante da região cortical do cérebro, com isso
inibindo a excitação sub-cortical,
núcleo primário do distúrbio (não entraremos em detalhes, pois isto envolve
aspectos fisiopatológicos difíceis de explicar num trabalho pequeno como este
que estamos apresentando ao público). Alguns fenotiazínicos também dão bons resultados. Também os tricíclicos
e a clonidina em particular têm sido
usados com sucesso.
Soubemos
do relativo benefício medicamentoso no caso do filho da Sra. ZILÁ, como
informado por ela posteriormente ao nosso artigo no JE.
A hipercinesia
tem levado alguns autores a pensarem numa correlação entre transtorno
hipercinético e fase maníaca do transtorno
afetivo bipolar, da qual discordamos - a nosso ver, são patologias bem distintas.
Situações que poderiam fazer pensar num transtorno hipercinético, seriam os
quadros de ansiedade, entretanto, é
preciso distinguir inquietude de ansiedade. Uma pessoa ansiosa é, em
geral, inquieta; mas, nem todo inquieto é ansioso. No transtorno hipercinético
não há ansiedade do paciente...
O diagnóstico de TH estaria correto? Há patologia associada (co-morbidade) ? Falta-nos elementos para explicar este informe da
leitora...
Aspectos sociais do Transtorno
hipercinético
O paciente com TH sofre, com certeza, diversos preconceitos, pois a Sociedade, em
geral, tende a excluir uma pessoa com transtornos de comportamento, por não
entendê-los, e passa a estigmatizar o paciente como "mal educado" (na
infância) ou "mau caráter" (quando adulto). E quando o TH se associa
com outros distúrbios, aí então o preconceito é bem maior, por exemplo, na
associação com deficiência mental, epilepsia ou autismo infantil...
A propósito, embora não tenhamos
experiência prática com pacientes autistas infantis que chegaram à vida adulta,
deduzo que estes pacientes vivem muito isolados das pessoas, daí a importância
do apoio da família para o tratamento deles. Quando os pais estão em desajustes
conjugais, então, o problema se agrava, posto que só um deles em geral cuida do
caso...
Não
poderíamos deixar de citar o caso relatado pela Sra. SIOMARA num site da
Internet, em que a paciência e sensibilidade levaram-na a estudar e até utilizar
o computador – ela é Analista de Sistemas – como fator terapêutico e socializante nos casos de autismo com TH
(cf. “Utilizando o computador como
ferramenta de auxílio á interação social do autista”, op. cit.)...
Os casos citados pelas Sras.
leitoras também são bem ilustrativos de como o ajustamento familiar é
importante para lidar com pessoas que sofrem de TH. Os pais de pessoas com tais
transtornos que conseguirem vencer o bom combate, certamente, ao desencarnarem,
observarão a grande evolução espiritual atingida. Mas aqueles pais que, por
preconceito, negarem inconscientemente a doença de um filho, julgando-o uma
nódoa na família, ou mesmo um filho mal-criado e por isso espancarem-no, também
serão atingidos pela “lei de causa e
efeito”, e aqui retornarão, com certeza, para pagar seus débitos, ter]ao de
reassumir seus compromissos reencarnatórios...
Aspectos espirituais do transtorno
hipercinético
Como vimos, o TH é uma disfunção
cerebral, física, que compromete o indivíduo levando-o à hiperatividade, isto é, à hipercinesia e à impulsividade. Ora, o livre-arbítrio
dessa pessoa estará comprometido pela doença, portanto, o corpo não será dócil ao seu pensar, querer e sentir...Disseram os
Espíritos Superiores em resposta à questão 122 de O Livro dos Espíritos, na sua parte inicial: "O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire
consciência de si mesmo...."
Como o
comprometimento encefálico no TH é quase imperceptível, inclusive nos exames
tomográficos, acreditamos que este distúrbio é uma oportunidade importante para
a progressão
espiritual, tanto do paciente quanto da família... Dizem os Espíritos
Superiores na resposta à questão 779 de O
Livro dos Espíritos: "O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente,
mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma maneira; é então que os mais adiantados ajudam os outros a
progredir, pelo contato social." (o grifo é nosso). Ou seja, é
obrigação dos pais ajudar seus filhos e, principalmente, um filho com uma prova de difícil cumprimento, posto que
o Espírito terá de agir num cérebro excitado.
Parece-me que a leitora ZILÁ
realizou, junto com seu marido, uma tarefa árdua, mas com muita proficiência;
quando desencarnarem, ao chegarem na erraticidade e "perguntarem"
pelo bem que praticaram, poderão dizer: ¾ Fiz tudo que estava ao meu alcance, na Terra, para educá-lo...
Preocupei-me até com a sexualidade
dele e quis até que ele namorasse, embora um psiquiatra - este que lhes fala,
leitores! - me tenha dito no JE, que
a timidez sexual no caso de meu filho é até um sucesso, imagine-se se ele, em
função de uma disfunção cerebral, ao dirigir um carro atropelasse várias
pessoas! A Sociedade o execraria!...
Prezada Sra. ABREU, há alguns anos
funcionei num processo no Rio de Janeiro sobre
um caso, muito divulgado pela imprensa na época, do "atropelador de
Copacabana". Aquele Sr. tinha uma séria lesão na região frontal do cérebro e atropelou várias pessoas,
matando algumas. Ele foi encaminhado à Casa de custódia e Tratamento, por periculosidade, graças a um laudo nosso
e à brilhante Defesa do ilustre advogado Dr. CLÓVIS SAHIONE. Embora este não
tenha sido um caso de TH, a Sra. ZILÁ e Sra. CRISTINA não se consideram
vitoriosas?! Pois eu considero, e
lhes dou meus parabéns! A Providência Divina sabe o que faz!
Assim, Sra. CRISTINA, de Contagem, o
futuro do seu filho também poderá ser alvissareiro e, parece-me, que as crises de IMPULSIVIDADE
dele devam ser controladas por medicamentos.
Mas,
caberia a pergunta: e se for obsessão espiritual?...
EPÍLOGO
O
caso não é sugestivo de obsessão, a nosso ver, por isso sugiro à Sra. CRISTINA
que leve seu filho a um psiquiatra, para ajuda do controle da impulsividade dele
e que continue educando seus filhos dentro da Pedagogia Espírita...
Quanto
à bibliografia, encaminhei por carta à leitora ZILÁ e devo ressaltar aqui uma
bela fonte bibliográfica à disposição dos internautas, refiro-me às páginas na
Internet da Sra. PRISCILLA SIOMARA GONÇALVES [embora, há muito não são
atualizadas], aliás, graças a ela, gostaria de fazer uma homenagem às mães de
pacientes não só com "disfunção cerebral mínima", mas também de todos
aqueles chamados, genericamente, "crianças-problema"... A minha homenagem
será através de uma prece,
provavelmente de inspiração céltica – e todo espírita conhece o pensamento de
LÉON DENIS e de KARDEC a respeito dos celtas – , trata-se da "Prece
Irlandesa", contida numa página da Internet organizada pela Sra. SIOMARA,
que inserimos neste nosso estudo...
Enfim, a minha intuição
diz que todos nós encarnados na Terra temos compromissos a saldar e que a
pessoa que apresenta a chamada
"disfunção cerebral mínima" é um Espírito que sofre o constrangimento
da carne, não pode agir e reagir plenamente, em função de uma excitação cerebral. Por isso, ela é
testada para controlar os IMPULSOS e, estes sintomas estão bem claros no caso
do filho da Srs. CRISTINA... Embora corporalmente esteja predisposta a agir
atabalhoadamente e com déficit de atenção, a experiência na carne serve para
desenvolver o seu livre-arbítrio. E'
uma experiência semelhante àquela
pessoa nas primeiras encarnações,
onde o Espírito está muito próximo da simplicidade
e ignorância das quais nos fala a
Espiritualidade Maior na resposta à questão 133 de O Livro dos Espíritos... Enfim, o paciente progride e os pais
progridem, cumprindo aquele comentário de KARDEC à questão 132 de O Livro dos Espíritos: "(...) tudo se
encadeia, tudo é solidário na Natureza".
PRECE IRLANDESA
† † † † † † † † † † † † † † † † † † † † † † †† † † † † † † † † † † † †
"Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente às suas costas,
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo,
Que Deus lhe guarde na palma de suas
mãos."
(Extraída de site da Internet com autorização da autora do site:
PRISCILLA SIOMARA GONÇALVES)
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DEUS
conduz essas pessoas relevando muitas falhas do Espírito, pois, conforme disse JESUS num trecho da Parábola
dos talentos: "(...) Pois aquele
que tem lhe será dado e lhe será dado em abundância, mas ao que não tem, mesmo
o que tem lhe será tirado." (Mt 25,29). Aqueles, como as Sras.
leitoras, que estão abertos para a verdade, DEUS dará em abundância... Essa é a nossa opinião pessoal.
A
determinação, a ternura e o amor de
muitas mães são admiráveis, especialmente nas provas mais cáusticas. Pessoas
como a Sra. CRISTINA, ZILÁ ABREU e PRISCILLA SIOMARA, merecem todo o nosso
apreço e aplauso e são pessoas como elas que abrem grandes veredas para a Nova
Era, quando predominará o Bem na Terra –
a tão sonhada Era de Regeneração...
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