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ONoções Gerais de Tratamento do TOC

 

Transtorno Obsessivo-compulsivo:

Componentes físicos, psíquicos e espirituais

Dr. Iso Jorge Teixeira

 

Melancolia - ALBRECHT DÜRER

"Uma das gravuras mais famosas do pintor ALBRECHT DÜRER, é sem dúvida a Melancolia, cujo anjo negro coroado de louros, está de olhos fitos no espaço, entre variados instrumentos e ferramentas espalhados à sua volta. Tem na mão o compasso, símbolo da medida e do rigor da ciência. A areia da ampulheta corre inexoravelmente; a balança vazia, a escada encostada ao edifício (como que sugerindo que a obra está ainda por acabar), a sineta dos mortos fendida, criam um ambiente suspenso, de incerteza e dúvida nas realizações do homem e no enigmático mundo. Apesar das interrogações e das dúvidas, da perturbação íntima, da dúvida acerca do saber humano, há um clarão de esperança nos céus: o morcego foge da luz ofuscante."

(HISTÓRIA DA ARTE. Tomo 6, Salvat Edit. do Brasil Ltda., São Paulo, 1979, p. 306)

 

DÚVIDA E INCERTEZA

A gravura, acima, apesar do título, Melancolia , parece-nos um símbolo do mundo dos obsessivo – compulsivos, que em conflito com a realidade, apresentam uma incapacidade para transcender os fatos mais corriqueiros, criando um mundo de incerteza e dúvida.

 

No dia 12 de abril/2005 o caríssimo confrade, Coordenador e Webmaster do Portal Terra Espiritual honrou-me  com a distinção no seguinte mail:

Boa tarde Dr. Iso,

Como vão as coisas? Tenho recebido seus artigos e agradeço muito. Esta semana estaremos publicando mais um dos seus artigos.

Recebemos a pergunta abaixo, que é da área de Psiquiatria e para poder respondê-la melhor, gostaria de pedir a sua ajuda, pois acho que o tema merece uma resposta mais abalizada.

‘Gostaria de saber se o TOC (transtorno obssessivo compulsivo) teria necessariamente de ser tratado em uma reunião de desobssessão ou só a reforma íntima do indivíduo e o "orai e vigiai" bastariam para libertação do problema. E se há componente físico no desenvolvimento dessa doença.

Com um abraço desde já agradeço a atenção.’

Marlene

Um abraço fraterno”

Edilson.

 

É com muito prazer que respondo à internauta, Sra. MARLENE, e o faremos repetindo um de nossos artigos publicado no jornal espírita, órgão da FEESP,intitulado Transtorno Obsessivo-compulsivo: seria uma auto-obsessão? (JE, março/2001, Coluna SAÚDE MENTAL, p. 7), com ligeiras adaptações.

            Inicialmente, gostaríamos de dizer à Sra. MARLENE que não caberiam “reuniões de desobsessão” para o tratamento do Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), nem só a reforma íntima e o “orai e vigiai” para libertação do problema, porque além de existir um componente físico na doença (transtorno obsessivo-compulsivo), trata-se de uma doença de difícil tratamento – o transtorno obsessivo-compulsivo é a mais grave das neuroses, como veremos a seguir... Os transtornos mentais devem ser analisados em seus componentes bio-psico-sócio-culturais e ESPIRITUAIS, o Homem é um todo.

Carta de um leitor do jornal espírita

            De Belo Horizonte, MG, recebemos uma carta extensa de um leitor do JE, datada de 14 de abril/2000 e trancreveremos as partes principais, e utilizamos um pseudônimo para preservar a sua privacidade. Inicialmente, o leitor nos parabeniza pela nossa participação no JE, acrescentando:

            "(...) havendo um relacionamento de sua parte com o Espiritismo, as suas conclusões ficam mais ricas, abrangendo uma maior diversidade nas conclusões, permitindo melhor compreensão e mais profunda dos problemas que afetam o ser humano.

"Apesar de ter iniciado há pouco com a sua participação a este Jornal, o conhecimento que já proporcionou é verdadeiramente de grande valia. Espero que sua participação permaneça indefinidamente, sempre com o maior sucesso."

Agradecemos as palavras elogiosas do Sr. leitor. Infelizmente, a sua esperança  não se concretizou, pois abandonamos o JE, três anos depois, quando se instalou uma crise sem precedentes na História da Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP)... 

A seguir, o Sr. leitor passou a descrever sua problemática pessoal, detalhadamente. Descreveu a sua infância, os conflitos entre os pais, que o levaram a diálogos íntimos sobre "Ciência, Filosofia, Religião, Moral, Invenções, etc" . Em seguida, ele descreve vivências, que reputo importantíssimas do ponto de vista clínico – psiquiátrico, eis suas palavras:

"Lembro-me de quando ia ao Colégio, no Rio, ficava completamente inadaptável ao meio, chegando  a  repetir  por dois anos o mesmo ano.  Ao caminhar na calçada, cismava em que não poderia pisar nas fendas entre as divisões do piso em que existisse uma separação.  Se por um acaso pisasse, teria de voltar e reiniciar  de  onde  havia errado.

Para quem olhava, parecia que eu estava brincando, mas no meu interior era espécie de obrigação e eu não conseguia controlar e superar, por fim não sei como cessou." (o grifo é nosso).

E ele continua na sua descrição:

"Depois, veio-me o sentimento que tinha tendências homossexuais (o grifo é nosso), este foi de todos o pior, deixando seqüelas na minha formação da personalidade e, sem nunca ter tido um contato destes, sendo a minha tendência até hoje heterossexual".

            Em conseqüência, o leitor passou a temer as pessoas na rua, por isso  ficou "enfurnado dentro de casa, com medo de sair para a rua e ser observado e também ser surrado pelos amigos", por isso chegou a pensar em suicídio. E o leitor  continua na sua missiva:

"(...) Quando na juventude, ao ter um colapso nervoso, com palpitações, falta de ar e entortamento das mãos com dormência, passei a tomar alguns remédios receitados pelos médicos. Junto a isto, veio uma sensação de não poder engolir a comida; a situação ficou tão caótica que eu só comia por canudinho(...)".

            Casou-se com 25 anos e o casamento "fracassou".

            Informa que conseguiu um bom emprego numa famosa Empresa , mas permaneceu com os sintomas anteriores. Até que um dia o chefe o teria aconselhado para que pedisse demissão "para não ser mandado embora  por justa – causa"; então, pediu demissão  "depois de 15 anos de trabalho na empresa". Com o segundo casamento, também desfeito e com duas filhas; não pôde mais pagar o INSS , diz o leitor: "com a idade e o meu problema, não consegui outro emprego, me viro numa feira de artesanato, que consegui vaga na Prefeitura".

O leitor descreve outro comportamento seu, importante para entendimento do caso:

"O interessante é que tudo que inicio, começa bem mas sempre acontece algo que faz com que eu não tenha sucesso, o que os outros conseguem com a maior facilidade, para mim é dificílimo para ser resolvido e não se resolve."

No tempo em que trabalhava na famosa Empresa, acima referida, fez tratamento com psicólogo que "dormia durante a consulta". Mudou de profissional e este teria "lhe convidado para tomar um chopp" e depois de alguns disse "estar apaixonado" pelo leitor, "desmoronando a esperança de uma solução"  do seu caso. E acrescenta que , então, voltou a experimentar "a sensação antiga da homossexualidade". Os familiares perceberam a sua intranqüilidade na esfera sexual, então, o leitor estava com 50 anos. Ele fez as seguintes perguntas:

Perguntas: Será que isto não terá fim? Já fui a vários Centros Espíritas tentar um desenvolvimento, mas nada me falam, somente mandam eu esperar. Como gostaria ainda nesta encarnação de livrar-me desta situação terrível e embaraçosa, sinto que se não resolver ainda aqui, na próxima reencarnação voltarei igual e eu não quero sofrer mais. Mas Deus, qual é a solução? Será cármico? Um problema de vidas passadas? Uma regressão seria uma maneira de resolver? Mas, com quem, seria este um profissional honesto e competente, que não faria a situação tornar-se pior? Se puder aconselhar-me ficaria imensamente grato com sua ajuda".

V.A.M. - Belo Horizonte – MG - 14/04/00

(O leitor enviou-me um livrinho escrito por ele, "feito com a intenção de ajudar as pessoas que ainda não conhecem o Espiritismo").

A dramática história do Sr. leitor, cheia de sofrimentos íntimos, deu-nos a oportunidade para o desenvolvimento de um assunto de interesse psiquiátrico; pois, em tese, acreditamos que ele sofria de uma neurose, que hoje está sendo chamada de Transtorno obsessivo – compulsivo (TOC). Ele afeta milhões de pessoas no mundo e é incapacitante, como aconteceu no caso dele, em que foi levado a pedir demissão do seu emprego em função dos sintomas apresentados... Do ponto de vista espiritual, embora não exista  nada específico na  Doutrina dos Espíritos, formularemos nossa opinião pessoal em relação ao caso.

Conceito e Sintomatologia do Transtorno Obsessivo – compulsivo (TOC)

De acordo com a Classificação dos Transtornos Mentais e de Comportamentro da Organização Mundial de Saúde (OMS), a CID – 10, há as seguintes diretrizes diagnósticas para o TOC:

"Os sintomas obsessivos [ou obsessivo - compulsivos] devem ter as seguintes características:

(a)- eles devem ser reconhecidos como pensamentos ou impulsos do próprio indivíduo;

(b)- deve haver pelo menos um pensamento ou ato que é, ainda, resistido, sem sucesso, ainda que possam estar presentes outros, aos quais o paciente não resiste mais;

(c)- o pensamento de execução do ato não deve ser, em si mesmo, prazeroso (o simples alívio de tensão ou ansiedade não é, neste sentido, considerado como prazer);

(d)- os pensamentos, imagens ou impulsos devem ser desagradavelmente repetitivos."

Bem, definamos obsessão, do ponto de vista psiquiátrico estrito: consiste em idéias e imagens que entram na mente do indivíduo repetidamente, de uma forma estereotipada. Quase sempre são angustiantes (porque são violentas ou obscenas, simplesmente porque são percebidas como sem sentido) e o paciente reconhece a impropriedade daqueles pensamentos ou imagens, mas lutam para se livrar deles. Exemplo: idéias de ser homossexual.

Definamos compulsão: são atos ou rituais de comportamento repetitivo, que embora o paciente reconheça que são despropositados, ele é impelido a repeti-los quase indefinidamente. Exemplos: 1)- lavar as mãos ou objetos centenas de vezes, mesmo sabendo que as mãos ou os objetos estejam limpos. 2)- o ritual do leitor V.A.M.,  de não pisar nas fendas das divisões da calçada. A propósito, tive uma paciente que chegava a lavar o telefone de sua casa, várias vezes seguidas, quando algum coleguinha do seu filho adolescente ou visitantes iam à sua casa, pois julgava que o telefone estivesse contaminado pelo toque dos visitantes. Reconhecia seus atos como despropositados, mas angustiava-se a tal ponto, que chegava quase à exaustão psicofísica. No passado, esse temor de tocar determinados objetos foi chamado, impropriamente, de delírio do tato ou do toque, obviamente, não era um delírio, pois neste a pessoa está totalmente fora da realidade.

O paciente obsessivo – compulsivo, muitas vezes, apresenta dúvidas atrozes em realizar os atos mais corriqueiros, embaraça-se com facilidade e procura sempre se certificar; por exemplo: se os bicos de gás estão fechados, as gavetas, portas, etc..., ao sair de casa. Mas, não se trata de um certificar-se natural, trata-se de um ritual que, por vezes, dura horas. Por isso, no passado, a doença foi cognominada, também impropriamente, de loucura da dúvida (LEGRAND DU SAULLE); obviamente, não se trata de "loucura" e sim de neurose.   São pacientes exageradamente  meticulosos e escrupulosos em excesso.

Outras vezes o paciente com TOC permanece horas em operações aritméticas estéreis (onomatomania), por exemplo: contagem do número de carros com placa de número ímpar ou evitação de determinados números (ímpares, por exemplo).

Hipóteses causais do TOC

Várias hipóteses causais são levantadas para explicar o TOC. As principais são as psicanalíticas, as organicistas e a tentativa de compreensão do ponto de vista analítico – existencial. Sintetizemo-las:

Do ponto de vista psicanalítico, SIGMUND FREUD estabeleceu que haveria uma fixação e regressão da libido à fase anal, na infância. As pulsões agressivas desta fase seriam reprimidas e reutilizadas através de mecanismos de defesa do ego, mais sublimados: deslocamento, formação reativa, isolamento, negação... A maioria dos sintomas do TOC, seriam explicados através do uso de tais mecanismos pelo ego do paciente.

           Já a tese dos organicistas,  defendida mais recentemente, é de que haveria disfunções na região dos gânglios basais (uma região no centro do cérebro), que levaria à disfunção da bioquímica cerebral, principalmente da serotonina. Isto foi pesquisado através de imagens cerebrais (em tomografia computadorizada, ressonância magnética, SPECT, PET, etc...) e através  de estudos em animais de laboratório. Portanto, Sra. internauta MARLENE, aí está uma das teses de alterações físicas do TOC...

A tese antropológico – existencial, defendida fundamentalmente por V. E. Fr.  VON GEBSATTEL, analisa o obsessivo – compulsivo e observa que tudo neles decorre do que denomina "psiquismo estorvante", núcleo central do comprometimento de tais pacientes. Com esse "estorvo" a estrutura da temporalidade perde sua fluidez dinâmica específica e tende a estagnar-se. Conforme nos ensinava o nosso mestre, prof. A .L. NOBRE DE MELO (PSIQUIATRIA. Vol. I, Civilização Brasileira / MEC, 1979, Rio de Janeiro, p.196):

"Lembra VON GEBSATTEL, a esse propósito, 'que toda água estagnada se polui'. O binômio estagnação–contaminação rege, então, simbolicamente, toda a grande variedade de manifestações obsessivo – compulsivas(...)".

Enfim, o mundo do obsessivo – compulsivo é povoado por impureza, contaminação, poluição; é ameaçador  e visto pelo paciente como repugnante, existencialmente.

Para o psiquiatra PIERRE JANET o fundamental na determinação do que hoje chamamos TOC é a incapacidade para executar o ato de terminação, como ressalta o próprio VON GEBSATTEL (V.E. Fr. VON GEBSATTEL. El mundo dos compulsivos. In EXISTENCIA. Edit. Gredos S.A ., Madrid, 1967, p. 212 – 231).

Parece-nos que esse aspecto descrito por JANET e VON GEBSATTEL é uma característica do leitor V.A.M., onde seu "psiquismo estorvante" e a incapacidade para o "ato de terminação" são vividos por ele, quando diz: "tudo que inicio (...) é dificílimo para ser resolvido e não se resolve".

Acreditamos que as hipóteses causais, acima, são importantes e devem ser analisadas conjuntamente e, além delas, devemos ter uma visão espiritual do Homem, o que discutiremos à parte.

A Questão da Vontade no TOC

Qualquer ato livre da vontade implica  4(quatro)  fases sucessivas: 1ª.)- intenção ou propósito; 2ª.)- Deliberação; 3ª)- Decisão; 4ª.)- Ação explícita. Ora, o paciente com TOC não consegue deliberar plenamente e não decide. Então, ele vai quase  diretamente  da  1ª fase (Intenção)  à  4ª fase  (Ação explícita) , por  isso  seus  atos  são      impulsões – compulsões e ele é compelido a repeti-los, pela incapacidade intrínseca de "terminação do ato", da qual  nos  falava  JANET.    Aquele   ritual   descrito   pelo   leitor,  em   não   pisar  nas  fendas das divisões da calçada, parece-nos revelador desse "psiquismo estorvante", um transtorno no "ato de terminação".

Portanto, o livre – arbítrio do paciente com TOC está comprometido, ele é incapaz de realizar um ato volitivo (da vontade) pleno.

TOC e Auto – Obsessão

Do ponto de vista espírita, a obsessão é vista, doutrinariamente, como a ação persistente, maléfica, de um Espírito sobre o de certas pessoas (cf. §7 º.- Da Obsessão e da possessão – OBRAS PÓSTUMAS de ALLAN KARDEC. FEB, Rio de Janeiro, 13 ed., 1973, p. 67 –68).  No entanto, KARDEC admite a possibilidade de auto–obsessão, quando esclarece:

"Cumpre dizer que amiúde se atribui aos Espíritos, maldades de que eles são inocentes. Alguns estados doentios e certas aberrações que se lançam à conta de uma causa oculta, derivam do Espírito do próprio indivíduo (os grifos são nossos). As contrariedades que, de ordinário, cada um concentra em si mesmo, principalmente os desgostos amorosos, dão lugar com freqüência, a atos excêntricos, que fora errôneo considerar-se fruto da obsessão. O homem não raramente é o obsessor de si mesmo."(os grifos são nossos)- (op. cit. p. 72).

 

AUTO-OBSESSÃO

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Auto – obsessão não é uma obsessão propriamente dita, pois não há dois Espíritos em sintonia

 

 Ou seja, a auto – obsessão não é uma obsessão propriamente dita, pois não há dois Espíritos em sintonia, o "obsessor de si mesmo" é aquele cujos atos absurdos derivam do Espírito do próprio indivíduo.

           Creio que as pessoas com TOC poderiam ser enquadradas como auto – obsidiadas. Estudemos o caso do leitor, Sr. V.A.M.:

1)- A personalidade do leitor parece ser do tipo esquizotímico (ver nosso artigo no JE,  A Timidez como prova e expiação, Março / 2000, p. 7). O leitor é excessivamente sensível e, ao mesmo tempo, excessivamente racionalista e isto gera conflitos de natureza moral.

2)-  A sensibilidade exagerada é um dado decorrente da estrutura corporal, mas o pensamento é um dado do Espírito. Por exemplo, o Sr. V.A.M. já teve provas cabais de sua heterossexualidade: casou-se por duas vezes, teve filhos, não leva nem nunca levou uma vida homossexual, etc... Por que desconfiar da própria sexualidade?! Devido à polaridade sexual que existe em todos nós?... [A propósito leia-se nosso livro Sexualidade & Afetividade – Editora DPL]. Mesmo que tenha tido uma eventual relação homossexual no passado, isso não significa uma inclinação homossexual, não obstante, diz o leitor "nunca ter tido um contato destes".

O Espírito do leitor está cerceado, com um "psiquismo estorvante" e aquilo que traria felicidade  na  sua  vida, ele  não  o  permite,  pois  surgem  idéias embaraçosas, infundadas, embora reconhecidas como idéias próprias, mortificando-se com elas. Isso redundou na sua demissão no trabalho. Portanto, foi o seu próprio Espírito o causador dos seus infortúnios...

Poder-se-ia argumentar que, a doença comprometendo o seu livre – arbítrio, não poderia ser de outra forma. Poderia, sim!... Se ele tivesse encontrado um psiquiatra espírita (e não um psicólogo, sem ética), que tratasse corretamente do seu transtorno, talvez seu futuro tivesse sido outro, sem esse autocerceamento; embora saibamos não existirem soluções mágicas para o TOC...

 

AÇÃO

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O Homem não é mero joguete do meio, somos nós os agentes do nosso próprio progresso espiritual

2)- O leitor, Sr. V.A.M., parece se caracterizar por uma personalidade cuja nota dominante é a "eterna" insegurança pessoal.  Tal insegurança foi, certamente, influenciada pela relação dos pais, que viviam em conflito, que afetou o hipersensível leitor e há um aspecto, certamente, constitucional. Contudo, é papel do Espírito superar tais dificuldades familiares e constitucionais; para isso, estamos encarnados. Embora o meio modele a nossa personalidade, o Homem não é mero joguete do meio, somos nós os agentes do nosso próprio progresso espiritual, seguimos aquele rifão : "Ajuda-te que o céu te ajudará!"

Epílogo

Às perguntas do leitor, respondemos:

           Os seus sofrimentos terão fim, sim! Volte a se tratar. A sua experiência psicoterápica foi desastrosa, por culpa do terapeuta, mas isso não é motivo para desanimar.

O "desenvolvimento" a fazer não é no Centro Espírita, procure a transformação íntima, dentro e fora do Centro Espírita. Faça preces  e receba passes,  viva a sua vida plenamente. Aqui, está a nossa resposta para uma das perguntas da internauta, Sra. MARLENE... Sim, a prece é importante e a transformação íntima, mas “tratamento de desobsessão” não caberia, pois não admitimos que o TOC seja produzido por obsessores, e sim, ele é uma AUTO-OBSESSÃO e há terapêutica farmacológica para tais casos...

Certamente, na próxima encarnação o Sr. leitor não voltará igual. Ainda nesta encarnação poderá se modificar psicofísica e espiritualmente.

O leitor pergunta qual é a solução e se é cármico ou um problema de vidas passadas e se a "regressão" não seria uma saída... Prefiro a expressão compromisso reencarnatório, em vez de "cármico", esta sugere um fatalismo e naquela está implícita  a  escolha de provas (ler questões 258 – 273 em O Livro dos Espíritos, de ALLAN KARDEC). Quando reencarnamos, em geral, optamos pelo gênero de vida que devemos levar para o nosso aprimoramento. A escolha provavelmente é nossa... A reencarnação não é um castigo divino, como advogam alguns religiosos que defendem a Doutrina do Pecado Original e a Queda do Paraíso, chegando alguns a um sincretismo com as teses espíritas. A propósito, leia-se qual é a finalidade da encarnação (Questão 132 de O Livro dos Espíritos, de ALLAN KARDEC). Do  ponto  de  vista  espiritual  sua  evolução  não  está  tão  ruim assim, o Sr. está buscando ajudar as pessoas através da divulgação do Espiritismo, contudo, creio que seria interessante buscar um sentido mais definido para sua vida.

OPÇÃO

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Quando reencarnamos, em geral, optamos pelo gênero de vida que devemos levar para nosso aprimoramento. A reencarnação não é um castigo divino, como advogam alguns religiosos que defendem a Doutrina do Pecado Original e a Queda do Paraíso, chegando alguns a um sincretismo com as teses espíritas

A insegurança parece ser um dos núcleos primitivos do seu transtorno. Procure combatê-la com a ajuda de um psiquiatra. Pense, sempre, que não somos infalíveis e que todos precisam de todos, não foi à toa que JESUS sintetizou toda a  Lei  e os  Profetas no Amor a DEUS e ao próximo; enfim, reconhecendo, autenticamente, os próprios defeitos, sem exagerá-los, procurando corrigi-los naturalmente, sem sentimentos de culpa ou mortificações e sem mecanismos patológicos de defesa, ajudando o seu próximo, vendo o mundo (não o mundo exterior somente, mas o mundo em geral) como não–ameaçador, como um concerto e uma sinfonia... O mundo (físico e psíquico) não é tão ameaçador e cheio de poluição e não estamos à sua mercê, nós temos o nosso livre – arbítrio e, com ele, participamos  desse concerto universal. Tudo e todos são partícipes da obra da Criação.

JESUS aconselha-nos a perdoar não sete vezes, mas setenta sete vezes (Mt 18, 22), quantas vezes DEUS perdoará nossos erros?! Tantas vezes quantas forem necessárias para o nosso aprimoramento espiritual. DEUS não castiga, não somos pecadores originariamente, nossas quedas não são do Paraíso, e sim, oportunidades de aprendizado e o mundo é quem nos proporciona tal aprendizado.

HINO À CRIAÇÃO

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"A obra que cada um de nós tem de realizar, resume-se em três palavras:

saber, crer, querer"

LÉON DENIS

 

LÉON DENIS no seu excelente livro O Grande Enigma (Deus e o Universo) nos  brinda com um verdadeiro Hino a DEUS e à Criação; um livro que deve ser lido e praticado por aqueles que estão sob o império de uma auto-obsessão (doentia) ou obsessão verdadeira (fascinação), pois aprenderão aí a integrar-se no mundo e não vê-lo como algo ameaçador.  Disse ele em O Grande Enigma (Deus e o Universo) - (Liv. FEB, 2 ed. corrigida, Rio de Janeiro, 1928):

1846-1927

"A obra que cada um de nós tem de realizar, resume-se em três palavras: saber, crer, querer; isto é, saber que temos em nós recursos incalculáveis; crer na eficácia de nossa ação sobre os dois mundos, o da matéria  e  o  do Espírito; querer o bem,  dirigindo  o  nosso  pensamento  para  o  que  é  belo e grande,  conformando  as  nossas  ações  às  leis  eternas do trabalho, da justiça e do amor." – grifos nossos - (op. cit. p. 38).  E em capítulo ulterior diz LÉON DENIS:

"Espaços e mundos! Que maravilhas nos reservais? Imensidades siderais, profundezas sem limites, dais a impressão da majestade Divina. Em vós, por toda parte e sempre, está a harmonia, o esplendor, a beleza! Diante de vós todos os orgulhos caem, todas as vanglórias  se desvanecem." (op. cit. p. 121).

Obrigado ao leitor pelos escritos da sua lavra. Obrigado aos leitores pela leitura dos meus. Obrigado Sra. MARLENE pela oportunidade que me deu para tentar esclarecer suas dúvidas, pois, como disse o grande filósofo alemão KARL JASPERS, com grande sabedoria:

Em Filosofia, as perguntas são mais essenciais que as respostas, e o  fenomenólogo-existencialista ERWIN STRAUS corroborava: “O Homem é um ser que interroga”.

 

* Médico. Psiquiatra. Professor Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da  Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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