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Transtorno Obsessivo-compulsivo:
Componentes físicos, psíquicos e
espirituais
Dr. Iso Jorge Teixeira
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Melancolia - ALBRECHT DÜRER
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"Uma das gravuras mais famosas do pintor ALBRECHT DÜRER, é sem
dúvida a Melancolia, cujo anjo negro
coroado de louros, está de olhos fitos no espaço, entre variados instrumentos e
ferramentas espalhados à sua volta. Tem na mão o compasso, símbolo da medida e
do rigor da ciência. A areia da ampulheta corre inexoravelmente; a balança
vazia, a escada encostada ao edifício (como que sugerindo que a obra está ainda
por acabar), a sineta dos mortos fendida, criam um ambiente suspenso, de
incerteza e dúvida nas realizações do homem e no enigmático mundo. Apesar das
interrogações e das dúvidas, da perturbação íntima, da dúvida acerca do saber
humano, há um clarão de esperança nos céus: o morcego foge da luz
ofuscante."
(HISTÓRIA DA ARTE. Tomo 6, Salvat Edit. do Brasil Ltda., São Paulo, 1979,
p. 306)
DÚVIDA E INCERTEZA
A gravura, acima, apesar do título, Melancolia ,
parece-nos um símbolo do mundo dos obsessivo – compulsivos, que em conflito com
a realidade, apresentam uma incapacidade para transcender os fatos mais
corriqueiros, criando um mundo de incerteza e dúvida.
No dia 12 de abril/2005 o caríssimo confrade,
Coordenador e Webmaster do Portal Terra Espiritual honrou-me com a distinção no seguinte mail:
“Boa
tarde Dr. Iso,
Como
vão as coisas? Tenho recebido seus artigos e agradeço muito. Esta semana
estaremos publicando mais um dos seus artigos.
Recebemos
a pergunta abaixo, que é da área de Psiquiatria e para
poder respondê-la melhor, gostaria de pedir a sua ajuda, pois acho que o
tema merece uma resposta mais abalizada.
‘Gostaria
de saber se o TOC (transtorno obssessivo compulsivo) teria necessariamente de
ser tratado em uma reunião de desobssessão ou só a reforma íntima do indivíduo
e o "orai e vigiai" bastariam para libertação do problema. E se há
componente físico no desenvolvimento dessa doença.
Com um abraço desde já agradeço a atenção.’
Marlene
Um
abraço fraterno”
Edilson.
É com muito prazer que respondo à internauta, Sra.
MARLENE, e o faremos repetindo um de nossos artigos publicado no jornal
espírita, órgão da FEESP,intitulado Transtorno Obsessivo-compulsivo:
seria uma auto-obsessão? (JE, março/2001, Coluna SAÚDE MENTAL, p.
7), com ligeiras adaptações.
Inicialmente, gostaríamos de dizer à
Sra. MARLENE que não caberiam “reuniões de desobsessão” para o tratamento do
Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), nem só a reforma íntima e o “orai e
vigiai” para libertação do problema, porque além de existir um
componente físico na doença (transtorno obsessivo-compulsivo), trata-se
de uma doença de difícil tratamento – o transtorno obsessivo-compulsivo é a
mais grave das neuroses, como veremos a seguir... Os transtornos mentais devem
ser analisados em seus componentes bio-psico-sócio-culturais e ESPIRITUAIS, o
Homem é um todo.
Carta de um
leitor do jornal espírita
De Belo Horizonte, MG, recebemos uma carta extensa de um leitor do JE,
datada de 14 de abril/2000 e trancreveremos as partes principais, e utilizamos
um pseudônimo para preservar a sua privacidade. Inicialmente, o leitor nos
parabeniza pela nossa participação no JE,
acrescentando:
"(...) havendo um
relacionamento de sua parte com o Espiritismo, as suas conclusões ficam mais
ricas, abrangendo uma maior diversidade nas conclusões, permitindo melhor
compreensão e mais profunda dos problemas que afetam o ser humano.
"Apesar
de ter iniciado há pouco com a sua participação a este Jornal, o conhecimento
que já proporcionou é verdadeiramente de grande valia. Espero que sua
participação permaneça indefinidamente, sempre com o maior sucesso."
Agradecemos as palavras elogiosas do Sr. leitor.
Infelizmente, a sua esperança não se
concretizou, pois abandonamos o JE, três anos depois, quando se instalou
uma crise sem precedentes na História da Federação Espírita do Estado de São
Paulo (FEESP)...
A seguir, o Sr. leitor passou a descrever sua
problemática pessoal, detalhadamente. Descreveu a sua infância, os conflitos
entre os pais, que o levaram a diálogos íntimos sobre "Ciência, Filosofia, Religião, Moral, Invenções, etc" .
Em seguida, ele descreve vivências, que reputo importantíssimas do ponto de
vista clínico – psiquiátrico, eis
suas palavras:
"Lembro-me de quando ia ao Colégio, no Rio,
ficava completamente inadaptável ao meio, chegando a
repetir por dois anos o mesmo
ano. Ao caminhar na calçada, cismava em que não poderia pisar nas fendas
entre as divisões do piso em que existisse uma separação. Se por um acaso pisasse, teria de voltar e
reiniciar de onde
havia errado.
Para quem olhava, parecia que eu
estava brincando, mas no meu interior era espécie de obrigação e eu não
conseguia controlar e superar, por fim não sei como cessou." (o
grifo é nosso).
E ele continua na sua descrição:
"Depois, veio-me
o sentimento que tinha tendências homossexuais (o grifo é nosso), este foi
de todos o pior, deixando seqüelas na minha formação da personalidade e, sem
nunca ter tido um contato destes, sendo a minha tendência até hoje
heterossexual".
Em conseqüência, o leitor passou a
temer as pessoas na rua, por isso ficou "enfurnado
dentro de casa, com medo de sair para a rua e ser observado e também ser
surrado pelos amigos", por isso chegou a pensar em suicídio. E o leitor continua na sua missiva:
"(...) Quando na juventude, ao ter um colapso
nervoso, com palpitações, falta de ar e entortamento das mãos com dormência,
passei a tomar alguns remédios receitados pelos médicos. Junto a isto, veio uma
sensação de não poder engolir a comida; a situação ficou tão caótica que eu só
comia por canudinho(...)".
Casou-se com 25 anos e o casamento
"fracassou".
Informa que conseguiu um bom
emprego numa famosa Empresa , mas permaneceu com os sintomas anteriores. Até
que um dia o chefe o teria aconselhado para que pedisse demissão "para não
ser mandado embora por justa –
causa"; então, pediu demissão
"depois de 15 anos de trabalho na empresa". Com o segundo
casamento, também desfeito e com duas filhas; não pôde mais pagar o INSS , diz
o leitor: "com a idade e o meu problema, não consegui outro emprego, me
viro numa feira de artesanato, que consegui vaga na Prefeitura".
O
leitor descreve outro comportamento seu, importante para entendimento do caso:
"O
interessante é que tudo que inicio, começa bem mas sempre acontece algo que faz
com que eu não tenha sucesso, o que os outros conseguem com a maior facilidade,
para mim é dificílimo para ser resolvido e não se resolve."
No tempo em que trabalhava na famosa Empresa, acima
referida, fez tratamento com psicólogo que "dormia durante a
consulta". Mudou de profissional e este teria "lhe convidado para tomar um chopp" e depois de alguns
disse "estar apaixonado"
pelo leitor, "desmoronando a
esperança de uma solução" do
seu caso. E acrescenta que , então, voltou a experimentar "a sensação antiga da homossexualidade". Os familiares
perceberam a sua intranqüilidade na esfera sexual, então, o leitor estava com
50 anos. Ele fez as seguintes perguntas:
Perguntas: Será que isto não terá fim? Já fui a vários Centros Espíritas tentar um
desenvolvimento, mas nada me falam, somente mandam eu esperar. Como gostaria
ainda nesta encarnação de livrar-me desta situação terrível e embaraçosa, sinto
que se não resolver ainda aqui, na próxima reencarnação voltarei igual e eu não
quero sofrer mais. Mas Deus, qual
é a solução? Será cármico? Um problema de vidas passadas? Uma regressão seria uma maneira de resolver? Mas, com quem, seria este um profissional honesto e
competente, que não faria a situação tornar-se pior? Se puder aconselhar-me ficaria imensamente grato com
sua ajuda".
V.A.M.
- Belo Horizonte – MG - 14/04/00
(O
leitor enviou-me um livrinho escrito por ele, "feito com a intenção de
ajudar as pessoas que ainda não conhecem o Espiritismo").
A dramática história do Sr. leitor, cheia de
sofrimentos íntimos, deu-nos a oportunidade para o desenvolvimento de um
assunto de interesse psiquiátrico;
pois, em tese, acreditamos
que ele sofria de uma neurose, que hoje está sendo chamada de Transtorno obsessivo – compulsivo (TOC).
Ele afeta milhões de pessoas no mundo e é incapacitante, como aconteceu no
caso dele, em que foi levado a pedir demissão do seu emprego em função dos
sintomas apresentados... Do ponto de vista espiritual,
embora não exista nada específico na Doutrina
dos Espíritos, formularemos nossa opinião
pessoal em relação ao caso.
Conceito e Sintomatologia do
Transtorno Obsessivo – compulsivo (TOC)
De acordo com a
Classificação dos Transtornos Mentais e de Comportamentro da Organização
Mundial de Saúde (OMS), a CID – 10, há as seguintes diretrizes diagnósticas
para o TOC:
"Os sintomas
obsessivos [ou obsessivo - compulsivos] devem ter as seguintes características:
(a)- eles
devem ser reconhecidos como pensamentos ou impulsos do próprio indivíduo;
(b)- deve
haver pelo menos um pensamento ou ato que é, ainda, resistido, sem sucesso,
ainda que possam estar presentes outros, aos quais o paciente não resiste mais;
(c)- o
pensamento de execução do ato não deve ser, em si mesmo, prazeroso (o simples
alívio de tensão ou ansiedade não é, neste sentido, considerado como prazer);
(d)- os pensamentos,
imagens ou impulsos devem ser desagradavelmente repetitivos."
Bem, definamos obsessão,
do ponto de vista psiquiátrico estrito: consiste em idéias e imagens que
entram na mente do indivíduo repetidamente, de uma forma estereotipada. Quase
sempre são angustiantes (porque são violentas ou obscenas, simplesmente porque
são percebidas como sem sentido) e o paciente reconhece a impropriedade
daqueles pensamentos ou imagens, mas lutam para se livrar deles. Exemplo:
idéias de ser homossexual.
Definamos compulsão:
são atos ou rituais de comportamento repetitivo, que embora o paciente
reconheça que são despropositados, ele é impelido a repeti-los quase
indefinidamente. Exemplos: 1)- lavar as mãos ou objetos centenas de vezes,
mesmo sabendo que as mãos ou os objetos estejam limpos. 2)- o ritual do leitor
V.A.M., de não pisar nas fendas das
divisões da calçada. A propósito, tive uma paciente que chegava a lavar o telefone de sua casa, várias
vezes seguidas, quando algum coleguinha do seu filho adolescente ou visitantes
iam à sua casa, pois julgava que o telefone estivesse contaminado pelo toque
dos visitantes. Reconhecia seus atos como despropositados, mas angustiava-se a
tal ponto, que chegava quase à exaustão psicofísica. No passado, esse temor de
tocar determinados objetos foi chamado, impropriamente, de delírio do tato ou do toque, obviamente, não era um delírio, pois neste a pessoa está
totalmente fora da realidade.
O paciente obsessivo – compulsivo, muitas vezes,
apresenta dúvidas atrozes em realizar os atos mais corriqueiros, embaraça-se
com facilidade e procura sempre se
certificar; por exemplo: se
os bicos de gás estão fechados, as gavetas, portas, etc..., ao sair de casa.
Mas, não se trata de um certificar-se natural, trata-se de um ritual
que, por vezes, dura horas. Por isso, no passado, a doença foi cognominada,
também impropriamente, de loucura da
dúvida (LEGRAND DU SAULLE); obviamente, não se trata de "loucura"
e sim de neurose. São pacientes exageradamente meticulosos
e escrupulosos em excesso.
Outras vezes o paciente com TOC permanece horas em
operações aritméticas estéreis (onomatomania),
por exemplo: contagem do número de carros com placa de número ímpar ou evitação
de determinados números (ímpares, por exemplo).
Hipóteses causais do TOC
Várias hipóteses causais
são levantadas para explicar o TOC. As principais são as psicanalíticas, as organicistas
e a tentativa de compreensão do ponto de
vista analítico – existencial. Sintetizemo-las:
Do ponto de vista psicanalítico, SIGMUND FREUD estabeleceu que haveria uma fixação e regressão da libido à fase anal, na infância. As pulsões agressivas
desta fase seriam reprimidas e
reutilizadas através de mecanismos de
defesa do ego, mais sublimados: deslocamento,
formação reativa, isolamento, negação... A maioria dos sintomas do TOC,
seriam explicados através do uso de tais mecanismos pelo ego do paciente.
Já a tese dos organicistas, defendida mais
recentemente, é de que haveria disfunções na região dos gânglios basais (uma região no centro do cérebro), que levaria à
disfunção da bioquímica cerebral, principalmente da serotonina. Isto foi pesquisado através de imagens cerebrais (em tomografia computadorizada, ressonância
magnética, SPECT, PET, etc...) e através
de estudos em animais de laboratório. Portanto, Sra. internauta MARLENE,
aí está uma das teses de alterações físicas do TOC...
A tese antropológico – existencial,
defendida fundamentalmente por V. E. Fr.
VON GEBSATTEL, analisa o obsessivo – compulsivo e observa que tudo neles
decorre do que denomina "psiquismo
estorvante", núcleo central do comprometimento de tais pacientes. Com
esse "estorvo" a estrutura da
temporalidade perde sua fluidez dinâmica específica e tende a estagnar-se.
Conforme nos ensinava o nosso mestre, prof. A .L. NOBRE DE MELO (PSIQUIATRIA.
Vol. I, Civilização Brasileira / MEC, 1979, Rio de Janeiro, p.196):
"Lembra
VON GEBSATTEL, a esse propósito, 'que toda água estagnada se polui'. O binômio
estagnação–contaminação rege, então, simbolicamente, toda a grande variedade de
manifestações obsessivo – compulsivas(...)".
Enfim, o mundo
do obsessivo – compulsivo é povoado por impureza,
contaminação, poluição; é ameaçador e visto pelo paciente como repugnante, existencialmente.
Para o psiquiatra PIERRE JANET o fundamental na determinação
do que hoje chamamos TOC é a incapacidade
para executar o ato de terminação, como ressalta o próprio VON GEBSATTEL
(V.E. Fr. VON GEBSATTEL. El mundo dos
compulsivos. In EXISTENCIA.
Edit. Gredos S.A ., Madrid, 1967, p. 212 – 231).
Parece-nos que esse aspecto descrito por JANET e VON
GEBSATTEL é uma característica do leitor V.A.M., onde seu "psiquismo
estorvante" e a incapacidade para o "ato de terminação" são
vividos por ele, quando diz: "tudo que inicio (...) é dificílimo para ser
resolvido e não se resolve".
Acreditamos que as hipóteses causais, acima, são
importantes e devem ser analisadas conjuntamente
e, além delas, devemos ter uma visão espiritual
do Homem, o que discutiremos à parte.
A Questão da Vontade no TOC
Qualquer ato
livre da vontade implica
4(quatro) fases sucessivas: 1ª.)-
intenção ou propósito; 2ª.)-
Deliberação; 3ª)- Decisão; 4ª.)- Ação explícita. Ora, o paciente com TOC
não consegue deliberar plenamente e
não decide. Então, ele vai quase diretamente
da 1ª fase (Intenção) à 4ª
fase (Ação explícita) , por isso
seus atos são
impulsões – compulsões e ele é
compelido a repeti-los, pela
incapacidade intrínseca de "terminação do ato", da qual nos
falava JANET. Aquele
ritual descrito pelo
leitor, em não
pisar nas fendas das divisões
da calçada, parece-nos revelador desse "psiquismo estorvante", um
transtorno no "ato de terminação".
Portanto, o livre
– arbítrio do paciente com TOC está comprometido, ele é incapaz de realizar
um ato volitivo (da vontade) pleno.
TOC e Auto – Obsessão
Do ponto de vista espírita, a obsessão
é vista, doutrinariamente, como a ação persistente, maléfica, de um Espírito
sobre o de certas pessoas (cf. §7 º.- Da Obsessão e da possessão – OBRAS
PÓSTUMAS de ALLAN KARDEC. FEB, Rio de Janeiro, 13 ed., 1973, p. 67 –68). No entanto, KARDEC admite a possibilidade de auto–obsessão, quando esclarece:
"Cumpre dizer que
amiúde se atribui aos Espíritos, maldades de que eles são inocentes. Alguns estados doentios e certas aberrações que
se lançam à conta de uma causa oculta, derivam
do Espírito do próprio indivíduo (os grifos são
nossos). As contrariedades que, de
ordinário, cada um concentra em si mesmo, principalmente os desgostos amorosos,
dão lugar com freqüência, a atos
excêntricos, que fora errôneo
considerar-se fruto da obsessão. O homem não raramente é o obsessor de si
mesmo."(os grifos são nossos)- (op. cit. p. 72).
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AUTO-OBSESSÃO
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Auto – obsessão não é uma obsessão
propriamente dita, pois não há dois Espíritos em sintonia
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Ou
seja, a auto – obsessão não é uma obsessão propriamente dita, pois não há
dois Espíritos em sintonia, o "obsessor de si mesmo" é aquele cujos
atos absurdos derivam do Espírito do próprio indivíduo.
Creio que as pessoas com TOC
poderiam ser enquadradas como auto –
obsidiadas. Estudemos o caso do leitor, Sr. V.A.M.:
1)-
A personalidade do leitor parece ser do tipo esquizotímico (ver nosso artigo no JE, – A
Timidez como prova e expiação, Março / 2000, p. 7). O leitor é
excessivamente sensível e, ao mesmo
tempo, excessivamente racionalista e
isto gera conflitos de natureza moral.
2)- A sensibilidade exagerada é um dado
decorrente da estrutura corporal, mas
o pensamento é um dado do Espírito. Por exemplo, o Sr. V.A.M. já
teve provas cabais de sua heterossexualidade:
casou-se por duas vezes, teve filhos, não leva nem nunca levou uma vida
homossexual, etc... Por que desconfiar da própria sexualidade?! Devido à polaridade
sexual que existe em todos nós?... [A propósito leia-se nosso livro Sexualidade
& Afetividade – Editora DPL]. Mesmo que tenha tido uma eventual relação
homossexual no passado, isso não significa uma inclinação homossexual, não
obstante, diz o leitor "nunca ter tido um contato destes".
O
Espírito do leitor está cerceado, com
um "psiquismo estorvante" e aquilo que traria felicidade na
sua vida, ele não o
permite, pois surgem
idéias embaraçosas, infundadas, embora reconhecidas como idéias próprias, mortificando-se com elas. Isso redundou na sua
demissão no trabalho. Portanto, foi o seu próprio Espírito o causador dos seus
infortúnios...
Poder-se-ia
argumentar que, a doença comprometendo o seu livre – arbítrio, não poderia ser de outra forma. Poderia, sim!...
Se ele tivesse encontrado um psiquiatra espírita (e não um psicólogo, sem
ética), que tratasse corretamente do seu transtorno, talvez seu futuro tivesse
sido outro, sem esse autocerceamento; embora saibamos não existirem soluções
mágicas para o TOC...
AÇÃO
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O Homem não é mero joguete do meio, somos nós os agentes do nosso próprio progresso
espiritual
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2)- O leitor, Sr. V.A.M., parece se caracterizar por
uma personalidade cuja nota dominante é a "eterna" insegurança pessoal. Tal insegurança
foi, certamente, influenciada pela relação
dos pais, que viviam em conflito, que afetou o hipersensível leitor e há um
aspecto, certamente, constitucional.
Contudo, é papel do Espírito superar tais dificuldades familiares e
constitucionais; para isso, estamos encarnados. Embora o meio modele a nossa
personalidade, o Homem não é mero joguete do meio, somos nós os agentes
do nosso próprio progresso espiritual, seguimos aquele rifão : "Ajuda-te
que o céu te ajudará!"
Epílogo
Às perguntas do leitor, respondemos:
Os seus sofrimentos terão fim, sim!
Volte a se tratar. A sua experiência psicoterápica foi desastrosa, por culpa do
terapeuta, mas isso não é motivo para desanimar.
O "desenvolvimento" a fazer não é no Centro
Espírita, procure a transformação íntima,
dentro e fora do Centro Espírita. Faça preces
e receba passes, viva a sua vida plenamente. Aqui, está a nossa resposta para uma
das perguntas da internauta, Sra. MARLENE... Sim, a prece é importante e
a transformação íntima, mas “tratamento de desobsessão” não caberia,
pois não admitimos que o TOC seja produzido por obsessores, e sim, ele é
uma AUTO-OBSESSÃO e há terapêutica farmacológica para tais casos...
Certamente, na próxima encarnação o Sr. leitor não
voltará igual. Ainda nesta encarnação poderá se modificar psicofísica e
espiritualmente.
O leitor pergunta qual é a solução e se é cármico ou um problema de vidas passadas
e se a "regressão" não seria uma saída... Prefiro a expressão compromisso reencarnatório, em vez de
"cármico", esta sugere um fatalismo
e naquela está implícita a escolha
de provas (ler
questões 258 – 273 em O Livro dos
Espíritos, de ALLAN KARDEC). Quando reencarnamos, em geral, optamos pelo gênero de vida que devemos
levar para o nosso aprimoramento. A escolha provavelmente é nossa... A
reencarnação não é um castigo divino, como advogam alguns religiosos que
defendem a Doutrina do Pecado Original e a Queda do Paraíso, chegando alguns a
um sincretismo com as teses espíritas. A propósito, leia-se qual é a
finalidade da encarnação (Questão 132
de O Livro dos Espíritos, de ALLAN
KARDEC). Do ponto de
vista espiritual sua evolução
não está tão
ruim assim, o Sr. está buscando ajudar
as pessoas através da divulgação do Espiritismo, contudo, creio que seria
interessante buscar um sentido mais
definido para sua vida.
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OPÇÃO
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Quando reencarnamos, em
geral, optamos pelo gênero de vida que devemos levar para nosso aprimoramento.
A reencarnação não é um castigo divino, como advogam alguns religiosos que
defendem a Doutrina do Pecado Original e a Queda do Paraíso, chegando alguns a
um sincretismo com as teses espíritas |
A insegurança
parece ser um dos núcleos primitivos do seu transtorno. Procure combatê-la com
a ajuda de um psiquiatra. Pense, sempre, que não somos infalíveis e que todos
precisam de todos, não foi à toa que JESUS sintetizou toda a Lei e
os Profetas no Amor a DEUS e ao próximo; enfim, reconhecendo, autenticamente,
os próprios defeitos, sem exagerá-los, procurando corrigi-los naturalmente, sem
sentimentos de culpa ou mortificações
e sem mecanismos patológicos de defesa,
ajudando o seu próximo, vendo o mundo
(não o mundo exterior somente, mas o mundo em geral) como não–ameaçador, como
um concerto e uma sinfonia... O mundo (físico e psíquico) não é tão
ameaçador e cheio de poluição e não estamos à sua mercê, nós temos o nosso livre – arbítrio e, com ele,
participamos desse concerto universal.
Tudo e todos são partícipes da obra da Criação.
JESUS aconselha-nos a perdoar não sete vezes, mas
setenta sete vezes (Mt 18, 22), quantas vezes DEUS perdoará nossos erros?! Tantas vezes quantas forem necessárias para o nosso
aprimoramento espiritual. DEUS não castiga, não somos pecadores originariamente, nossas quedas não são do Paraíso,
e sim, oportunidades de aprendizado e o mundo é quem nos proporciona tal
aprendizado.
HINO À CRIAÇÃO
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"A obra que cada um de nós tem de realizar,
resume-se em três palavras:
saber, crer, querer"
LÉON DENIS
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LÉON DENIS no seu excelente livro O Grande Enigma (Deus e o Universo) nos brinda com um verdadeiro Hino a DEUS e à
Criação; um livro que deve ser lido e praticado
por aqueles que estão sob o império de uma auto-obsessão
(doentia) ou obsessão verdadeira
(fascinação), pois aprenderão aí a integrar-se no mundo e não vê-lo como algo ameaçador. Disse ele em O Grande
Enigma (Deus e o Universo) - (Liv. FEB, 2 ed. corrigida, Rio de Janeiro,
1928):
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1846-1927
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"A obra
que cada um de nós tem de realizar, resume-se em três palavras: saber, crer,
querer; isto é, saber que temos em nós recursos incalculáveis; crer
na eficácia de nossa ação sobre os dois mundos, o da matéria e
o do Espírito; querer o
bem, dirigindo o
nosso pensamento para
o que é belo
e grande, conformando as
nossas ações às
leis eternas do trabalho, da justiça e do
amor."
– grifos nossos - (op. cit. p. 38). E em capítulo ulterior diz LÉON
DENIS:
"Espaços
e mundos! Que maravilhas nos reservais? Imensidades
siderais, profundezas sem limites, dais a impressão da majestade Divina. Em
vós, por toda parte e sempre, está a harmonia, o esplendor, a beleza! Diante de
vós todos os orgulhos caem, todas as vanglórias
se desvanecem." (op. cit. p. 121).
Obrigado ao leitor pelos escritos da sua lavra.
Obrigado aos leitores pela leitura dos meus. Obrigado Sra. MARLENE pela
oportunidade que me deu para tentar esclarecer suas dúvidas, pois, como disse o
grande filósofo alemão KARL JASPERS, com grande sabedoria:
Em
Filosofia, as perguntas são mais essenciais que as respostas, e o
fenomenólogo-existencialista ERWIN STRAUS corroborava: “O Homem é um
ser que interroga”.
* Médico. Psiquiatra. Professor Livre-Docente de
Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
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