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Paulo da Silva Neto
Sobrinho
Freqüentemente encontramos algumas pessoas que, não
suportando um pensamento religioso contrário ao seu, dizem que todos os outros
irão de “cabeça para baixo” para o inferno.
Sem
querer, pegamo-nos pensando sobre isso. Ocorreu-nos o seguinte: e se perguntasse
a elas qual é o caminho para o inferno, será que teriam alguma resposta? Ou
será que estariam mandando alguém para um lugar onde conhecem bem. Já que é
muito comum recomendarmos aos outros aquilo que provamos ser bom, não é mesmo?
E achamos muito interessante que, quando nos mandam
para o inferno sempre dizem: “vá para o meio do inferno”. Imaginamos que a essa
altura o meio do inferno deve estar tão cheio que não cabe mais ninguém, assim
deveriam nos mandar é para sua extremidade que deve estar completamente vazia e
não para o meio onde não cabe nem mais uma sombra.
Não
há como admitir que a Suprema Bondade possa ter um lugar para onde mantenha por
toda a eternidade os que erram. Qual o sentido disso, se não é dada nenhuma
oportunidade aos que erraram de se redimirem de seus erros? Seria a justiça
humana mais perfeita que a Divina, já que pela legislação humana o legislador
teve a preocupação de proporcionar ao indivíduo que cometeu algum crime a
oportunidade de, após pagar pelo seu crime, se reintegrar à sociedade, de onde
foi excluído por um determinado tempo?
Já dissemos, e sentimos que devemos sempre repetir,
que o grande erro dos teólogos do passado, e dos atuais que os seguem sem
refletir sobre isso, foi admitir que um ser infinito possa ser ofendido por um
ser finito e que possa, por isso, manter infinitamente em cativeiro o ofensor.
Vemos que na verdade essa maneira de pensar está sendo providencial para
algumas correntes religiosas, pois é um meio de encabrestar seus adeptos, de
modo a fazer com eles o que bem entendem. Claro fica, quando percebemos que
grande parte delas só se preocupam em receber o dízimo dos fiéis, como se ele
fosse a única maneira de nos livrarmos do inferno, é essa idéia que querem
manter a qualquer custo. Pagando o dízimo estaríamos pois, de posse da chave da
porta do céu.
A maioria delas fala mais em Satanás que no próprio
Deus, dando a esse personagem, criado pela imaginação humana, tanto ou mais
poder que o próprio Criador do Universo. Temos, então, uma criatura sendo tão
poderosa quanto o seu Criador. Isso é um absurdo, não concordamos com esse tipo
de pensamento, já que isso seria rebaixar o Supremo Criador a uma condição de inferioridade.
É chegado o tempo de mudanças, e muitas delas virão
pela própria força do progresso do ser humano, que num futuro, talvez nem muito
distante, não aceitará mais nada sem o necessário questionamento. Quando Jesus
disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, estava
nos dizendo para buscar a verdade. Ora, somente encontraremos a verdade com
muita pesquisa, muito estudo e o questionamento é peça fundamental neste
processo de aprendizado. A verdade sobressairá, não importa se tentam abafá-la
com dogmas, interpretações de conveniência ou falsos raciocínios, pois ela é
como um olho de uma nascente d’água, por mais que tentemos tampá-lo, ele sempre
surge mais à frente.
Timóteo
diz: “Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem a conhecer
perfeitamente a verdade”. Eu pergunto: quem poderá ir contra a vontade de
Deus?
Pense
nisso.
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