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Ricardo Di Bernardi*
1 - Princípios
básicos
O
Neo-evolucionismo, uma concepção por nós aqui apresentada, integra os
conhecimentos científicos e filosóficos da palingênese (reencarnação), bem como
a visão neo-espiritualista, ou seja, que se distancia do dogmatismo religioso,
ao conceber a evolução infinda e infinita.
Conforme expusemos em escritos anteriores, os
físicos consideram existir no universo a chamada ENTROPIA crescente, isto é, há
uma tendência à desorganização crescente dos sistemas.
O neo-evolucionismo, que ousamos aqui conceber,
considera basicamente a existência de uma energia cósmica, ou lei maior que
nega a entropia. Esta força cósmica preside e coordena todas as leis naturais.
O surgimento da vida organizada só ocorreu por uma ação contrária à entropia
natural dos sistemas físicos, ou seja, uma ação neguentrópica (que nega a
entropia).
A universalidade ou onipresença desta lei
organizadora em nível micro e macrocósmico é fator determinante do
processo evolutivo. Por isto, evoluir é inexorável a todos os seres.
O
segundo princípio básico que aqui advogamos é a existência de uma energia espiritual
em todos os seres. Seja qual for o ser , temos que admitir a existência de uma
contraparte extrafísica em todas as criaturas da natureza. Todo raciocínio do
neo-evolucionismo, sob a ótica que aqui apresentamos, se alicerça no dinamismo
energético desta força propulsora da evolução. É a "centelha divina
"ou Deus em nós" ou ainda a mônada espiritual.
Desde os primórdios do despertar da consciência que
o homo sapiens sente, pelo sábio mecanismo do instinto, que existe a Lei Maior
do universo. Este sentimento instintivo que possui, é um efeito cuja causa é a
existência da Lei presente no seu próprio componente espiritual, o qual o liga
com a causa primária de todas as coisas: Deus. Não aceitamos, nem nos referimos
aqui, à concepção antropomórfica e medieval de Deus; falamos do absoluto. Suas
manifestações não podem ter princípio nem fim. Não houve portanto um momento da
criação. Ela é constante e eterna, lembrando que o universo possui bilhões de
astros habitáveis. "Ele" não é só um princípio exterior mas um
princípio que atua do nosso interior. É a essência e o porquê das coisas e dos
fenômenos. É a grande força que opera do íntimo das coisas. Disse o maior dos filósofos:
Vós sois deuses; Deus está em vós.
A mônada espiritual presente nos seres sobrevive, ou
continua a existir, independente da destruição dos mesmos, este é o terceiro
ponto ou princípio básico sobre o qual nosso raciocínio se assenta. As provas
de sobrevivência, ou indícios como querem alguns, são dadas pelos inúmeros
fenômenos psíquicos pesquisados com ardor por autores internacionalmente
considerados no meio científico. As constatações de "Out of body
experience - OBE", em que pessoas se sentiram projetadas para fora do
corpo físico, bem como as materializações pesquisadas pelo prêmio Nobel de
Fisiologia, Charles Richet, e o eminente William Crookes, além de dezenas de
outros autores, nos fornecem elementos que permitem utilizar esta hipótese de
trabalho.
No entanto, a concepção palingenésica
(reencarnacionista) nos dá o fecho decisivo para concluirmos nosso raciocínio
neo-evolucionista: a energia espiritual, que sobrevive à morte, retorna,
atraída pela energia vital dos seres vivos recém gerados ou gestados.
Estabelece-se uma interação mútua com a
evolução em níveis material e espiritual. O psiquismo primário vai
adquirindo experiências nas idas e vindas. As influências transmitidas pelas
mensagens de luta e sobrevivência no meio que o corpo enfrenta são estímulos de
desenvolvimento também ao princípio espiritual. As modificações que se operam
neste princípio espiritual voltam a reagir sobre o corpo físico, determinando
estímulos para mudanças evolutivas. O princípio espiritual amplia-se,
absorvendo para seu centro energético ou vórtices, as qualidades que vivem e
experienciam na matéria orgânica. Incorporadas como aptidões, estas qualidades
serão depois transferidas na morfogênese dos descendentes, o que comentaremos
oportunamente.
Os seres vivos vão trazendo sempre, deste modo, os
arquétipos, com suas modificações evolutivas tanto físicas como espirituais. Os
seres vivos, na sua organização e comportamento, vão se expandindo e o milagre
da vida vai se mostrando em evolução dos seres mais simples até o homem...
Pietro Ubaldi a este respeito nos diz: "A verdadeira vida não é um
conjunto de sínteses protéicas, mas o princípio que rege esta síntese "
As descobertas de Darwin e Lamarck estavam corretas.
O Neodarwinismo, que incorporou o conhecimento das mutações genéticas, também
está correto. A concepção neo-espiritualista da evolução nos permite integrar,
por surpreendente que pareça, as descobertas lamarckistas, darwinistas e
outras, como peças de um delicado quebra-cabeças. As experiências e pesquisas
destes luminares na área do evolucionismo se completam harmoniosamente. A
afirmativa, aparentemente errônea, da transmissão hereditária dos caracteres
adquiridos pelo uso e desuso dos órgãos, é explicável com os conhecimentos de
natureza transcendental conforme iremos expor posteriormente.
De posse dos elementos
básicos da nossa equação, procuraremos desenvolvê-la, considerando os
raciocínios anteriormente estabelecidos.
2 - Desenvolvimento
Apesar do determinismo evolucionista, existente em todas as criaturas, as
experiências individuais que cada ser passa lhe são extremamente peculiares, de
tal forma que cada um vivencia momentos que diferem de outro ser da mesma
espécie. Assim, embora em um cardume, bando, enxame ou colônia haja uma
aparente uniformidade ou padrão, que a coletividade parece querer impor aos
seus integrantes, na realidade, além da experiência comum do grupo, há uma
experiência individual de cada elemento, que difere de todas as outras
experiências dos demais integrantes do mesmo grupo.
As lutas pela sobrevivência -- expressas pela fome,
sede, fuga dos predadores e todas as situações que cada indivíduo experimenta
-- fazem-no adquirir um registro ao nível do seu inconsciente que passa a caracterizá-lo
cada vez mais como um ser único, diverso de todos os demais.
As variações dentro de uma espécie são fundamentais
para o mecanismo da evolução. Cada ser em particular (princípio espiritual
reencarnado), vai criando ou escrevendo no livro de sua vida um histórico pessoal,
que não se iguala a nenhum outro ser que convive com ele. Em função disto,
surgem as variações gravadas em nível energético em cada ser. Os
indivíduos grosseiramente assemelhados numa mesma espécie são sempre distintos,
senão geneticamente, no mínimo, pela vivência particular.
Darwin valorizou, muito acertadamente, as variações
no processo evolutivo. Seu gênio de naturalista e emérito pesquisador permitiu
documentar minuciosamente as diversificações dentro das espécies.
Na concepção neo-evolucionista (aqui por nós
proposta) as experiências que cada ser passa, individualmente, não se perdem
porque não existe a morte, exceto do arcabouço biológico ou material externo. O
princípio espiritual, sobrevivendo à destruição do organismo físico, conserva
os registros do que experienciou em núcleos energéticos, vórtices dinâmicos ou
núcleos de potenciação.
A ação deste campo espiritual, ou campo modelador
ou -- como dizem os russos -- corpo bioplasmático, far-se-ia por um eixo
vital intermediário, existente nos seres vivos. Sabemos que toda
matéria possui uma constituição molecular orgânica, onde os átomos de
carbono dariam a forma ideal para receber a "massa do bolo" da
energia vital necessária para fixar o princípio espiritual. Os seres vivos
seriam, então, um conjunto integrado de: matéria orgânica - energia vital -
princípio espiritual.
Nos minerais, embora não observemos vida
propriamente dita, ela dormita, e se ensaia para um despertar posterior. O
princípio unificador, ou essência que preside as formas já coordena as forças
de coesão e repulsão dos átomos minerais. Em termos de planeta Terra, as
condições ambientais no surgimento da vida eram extremamente propícias para a
transformação dos minerais em substâncias orgânicas. Do lado material, muitos
fatores contribuíram para as modificações necessárias. Intensas descargas
elétricas, abundantes na atmosfera primitiva, aliada a
temperatura, pressão, e outros fatores, constituíram o ninho
pré-disponente para o germinar da vida.
O longo caminho a ser desbravado estava sendo aberto
também de forma concomitante pelo lado espiritual. Paralela e simultaneamente,
a presença da energia espiritual, em dimensão superior à tridimensionalidade da
matéria, exercia as influências orientadoras para a intimidade das moléculas e
átomos. A ação do princípio espiritual coordenador faz-se em um campo energético
com um ritmo de vibração cuja dimensão-tempo e dimensão-consciência foge à
nossa atual concepção dimensional, bem como escapa aos registros possíveis de
se aferir pelos recursos técnicos tridimensionais conhecidos.
O princípio espiritual, por estar ou ser de uma
dimensão mais sutil e evoluída, passa a ser automaticamente um princípio
orientador e organizador das formas. Como ele já passou por muitas experiências
anteriores, ou reencarnações, transmite as suas "necessidades"
expressando-as através de um campo energético orientador, veiculado pela energia
vital ( "fluido vital ") .
Os fenômenos da vida não seriam, deste modo,
resultantes de "acasos" mas de "necessidades" do campo
energético orientador (" espírito ") transmitidas ao corpo material.
Simultaneamente, a seleção natural também vai-se
operando. As variações individuais que se apresentarem mais favoráveis à
adaptação ao meio se preservam fisicamente. São menos devoradas pelos predadores,
têm maior número de descendentes, se acasalam mais facilmente, nutrem-se
melhor, enfim, sobrevivem às agressões do meio ambiente.
Tal qual concebeu Darwin, as variações menos
adaptadas passam a ser eliminadas pelos fatores mais diversos e desaparecem
(fisicamente) do planeta. No entanto, suas mônadas espirituais transcendem à
vida física, desprendem-se dos corpos destruídos e após uma rápida passagem
pelo plano extrafísico retornam à vida. RETORNAM, INDELEVELMENTE MARCADAS,
PASSAM A TRAZER, COMO UM ESTÍMULO DEFENSIVO, PROGRAÇÕES DE MUDANÇA,
PROGRAMAÇÕES ESTAS, ACIONADAS PELO GATILHO DA VIDA (vidas )
PASSADA.
3 - Neo-evolucionismo e Reencarnação
Os esforços desenvolvidos por um animal durante a
sua existência são captados pelo seu psiquismo transcendente e, desde que estes
esforços sejam de alguma representatividade para ele, passam aos arquivos do
princípio espiritual integrando o seu patrimônio energético. O uso ou o desuso
de determinados órgãos ou funções ( vide lamarckismo ), SÃO EXPERIÊNCIAS QUE SE
REGISTRAM NO NÍVEL ENERGÉTICO e também se traduzem em programações a serem desenvolvidas
posteriormente. À medida que a experiência é vivenciada e repetida em muitas
encarnações, passa a haver um reforço em relação àquela informação .
O princípio espiritual, no decorrer dos milênios,
vem plasmando o seu próprio veículo de exteriorização: seu corpo material. As
conquistas efetuadas passam a determinar novas exteriorizações físicas. As
aquisições, à medida que são gravadas, servem de impulsos a novas e maiores expansões
evolutivas e tornam-se focos propulsores de outras modificações.
As experiências vivenciadas no plano extrafísico, no
intercurso entre uma encarnação e outra, também sofrem um processo análogo
de registro, passando, igualmente, a ser estímulos novos a influenciar na
modificação progressiva das formas e funções.
Jean Baptiste Lamarck não conseguiu, à sua época,
convencer o meio científico de que caracteres adquiridos pelo uso e desuso dos
órgãos passassem aos descendentes, hereditariamente. Aliás, modificações em
células físicas não-gametas NÃO SÃO MESMO TRANSMISSÍVEIS AOS DESCENDENTES. No
entanto, de posse das informações espirituais e palingenésicas (reencarnacionistas),
associadas ao raciocínio evolutivo e à adaptação das espécies ao meio
ambiente, nós sabemos que o anseio ou o esforço adaptativo dos animais
(vegetais também, por extensão) permanece incrustado na essência
espiritual do ser e será a mola propulsora, nas gerações seguintes, para modificações
evolutivas.
No retorno ao plano físico, a mônada espiritual se
une ao gameta feminino pela energia vital (fluido vital) do mesmo. Através
deste eixo de comunicação passa a haver uma intensa influenciação da essência
espiritual sobre os genes do óvulo ou da oosfera vegetal. Há uma atração irresistível,
mútua, com um progressivo envolvimento molécula a molécula, átomo a
átomo. À medida que o embrião se desenvolve, firma-se o laço. É importante
considerar que a união do "espírito "ao corpo do ser começou antes
mesmo da fecundação. O óvulo, assim envolvido e magnetizado, permanecerá
irradiando ou refletindo as características vibratórias do ser reencarnante.
Pela lei de sintonia, o óvulo, energizado pelos fluidos do "espírito
" vai atrair para ele o espermatozóide que contenha os genes cujas
vibrações estejam de acordo com a necessidade real e evolutiva do ser.
As vibrações irradiadas pelo ser reencarnante serão
em freqüência e comprimento de onda peculiares às experiências que o
"espírito" deste ser viveu e agora traz memorizadas ou gravadas em
sua estrutura psíquica.
Os genes, que são fragmentos de DNA, portanto
moléculas de alta especialização, são as estruturas apropriadas e desenvolvidas
no decorrer dos milênios para o processo de captação e transmissão das energias
espirituais de dimensão superior.
Cada espermatozóide oferece um conjunto de genes
diferente. São milhões que o macho deposita no interior do organismo feminino,
durante o ato sexual. São portanto milhões de opções diferentes, cada uma
representando possibilidades anatômicas e funcionais que constituiriam
variações dentro de uma mesma espécie, razão pela qual não existe um indivíduo
igual a outro.
Inconscientemente (obedecendo ao determinismo
evolutivo da lei maior do universo), o "espírito" reencarnante, seja
vegetal ou animal, que arquivou as impressões das existências passadas em si
próprio, agora, retornando, impregna o óvulo materno com as vibrações de sua
experiência recebendo a colheita obrigatória da evolução transformadora.
O espermatozóide adequado às suas necessidade evolutivas
é rapidamente atraído, por sintonia magnética, para o óvulo, e ocorre a
fecundação.
Não é, pois, o acaso biológico que determina o
espermatozóide fecundar o óvulo, mas a lei de ação e reação ou lei cármica da
colheita obrigatória cuja finalidade é a evolução infinita...
O espermatozóide dito mais apto, portanto, é aquele
que sintoniza pelos seus genes com a necessidade evolutiva do ser reencarnante,
já imantado espiritualmente ao óvulo. O processo de seleção natural, concebido
e estudado pelo gênio Darwin, tem sua expressão importante não só no nível
da natureza do mundo físico, mas é uma lei muito mais ampla, atingindo dimensões
extrafísicas.
A mutação genética, conhecimento que alguns anos
mais tarde a ciência trouxe em apoio à tese evolutiva, é também fator
indispensável na construção de variações novas que propiciam outras opções,
pelo mecanismo de atração e sintonia magnética para o ser que renasce. Renasce
no palco da vida sendo o mesmo ator, mas uma nova personagem no teatro da
vida...
Desde os seres mais simples, que se encontram nos
primeiros degraus da escala evolutiva, são construídos os recursos que se acham
estruturados e definidos nos seres chamados superiores da série evolutiva. O
automatismo fisiológico, observável agora, pelo qual sem dificuldades se fazem
os atos primários da manutenção da vida, preservação e reprodução, foi
adquirido pelas repetições incessantemente feitas no transcurso das eras,
conquistado e estratificado pelas reencarnações seguidas. As atividades
reflexas, ou atos reflexos, foram também desenvolvidas pelo mesmo processo. Os
atos indispensáveis à própria sobrevivência do ser são repetidos incessantemente,
quando mergulhado ele nas vestes densas da matéria, ou, mesmo, quando livre
do invólucro físico no "plano" espiritual, em estações de preparo
para o retorno. Estas repetições vão fixando experiências e transmitindo ao
sistema nervoso (ou equivalente) que registra como atividades reflexas do inconsciente.
Façamos uma analogia: o recém-nascido apresenta o reflexo de sucção e busca da
mama materna, por um automatismo desenvolvido nas inúmeras passagens pelo
planeta como mamífero. Em milhões de reencarnações, adquiriu este reflexo
percorrendo longos degraus da escala evolutiva.
Na abordagem que propomos, temos, portanto, uma
concepção neo-espiritualista ou espiritista da evolução. O conceito
palingenésico (reencarnacionista), a existência de uma estrutura
extrafísica, a sobrevivência e o retorno dela ao mundo físico, são tidos
aqui como essenciais para a transformação dos seres.
(Aos professores de biologia, fazemos um apelo para
mencionar esta tese como mais uma contribuição à ciência e às pesquisas
espirituais sem rótulos)
O Dr. Ricardo Di Bernardi é Presidente da AME e do Instituto de Cultura
Espírita de Florianópolis - SC
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