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Márcio S.
“Os que não acreditam em outra vida já estão mortos mesmo
nesta”
Goethe
A Páscoa em hebraico chama-se “Pessach”, isto é, passagem. Significa
passagem do povo judeu da escravidão no Egito à liberdade da Terra prometida (O
Paraíso terreno), a passagem de Deus em frente às casas dos judeus marcadas com
o sinal do sangue do cordeiro imolado – parece coisa de candomblé, mas é judaísmo
antigo - que liberavam-nos da ira celeste contra os egípcios, passagem do Mar
Vermelho sob a liderança de Moisés. Simbolizam também a passagem da morte à
Vida, das trevas da tristeza à alegria lucífera. A tradição também entendia a
páscoa como “Pé-sach” - a “boca conta”. Quando o chefe da família contava sobre
a história da libertação dos judeus (ver o livro de Êxodo no Antigo Testamento)
durante a refeição familiar do Seder (semelhante a Eucaristia ou a “última
ceia” pascal de Jesus).
No antigo ritualismo judeu sacrificava-se nesse dia um animal macho, de
um ano, sem defeito, sendo um cordeiro (ou um cabrito).É justamente aqui que
encontramos e entendemos o significado de Jesus como o “Cordeiro de Deus”, isto
é, como o símbolo do sacrifício libertador universal (na cruz/ressurreição), o
Redentor das almas da Terra, e não somente dos judeus. Jesus é o Grande Rei
Planetário.
Hoje, a matzá – hóstia feita de pão ázimo – substitui no culto cristão o
antigo cordeiro sacrificado pelos judeus na páscoa, lembrando aos fiéis esse
evento marcante (“Pé-sach” - a “boca conta”).
A Páscoa cristã é o momento de proclamar que Jesus está vivo! Nós, que
somos espíritas e acreditamos na vida pós-morte, precisamos dar ênfase -
especialmente na chamada “semana santa” - na “ressurreição” de Jesus Nazareno e
não na morte d´Ele. É preciso deixar claro que a cruz está vazia porque Ele
está vivo. “Deus não é deus de mortos; Deus é Deus de vivos”, afirmou Marcos, o
Evangelista (Mc 12,27).
A ressurreição de Cristo – que nada mais é que o reaparecer depois da
morte, “materializado” como dizemos - nos enche de esperança e de certeza na
vitória do Bem, do Belo, da Luz e da Vida sobre toda a opressão maligna. Canta
um antigo hino evangélico, cheio de alegria e em ritmo contagiante:
“Ressuscitou,
ressuscitou,
E hoje vive para sempre
Vamos celebrar, hei!
Ressuscitou o meu Senhor!”
Sem
ressurreição não haveria Cristianismo, porque os Apóstolos estavam perdidos,
fragmentados e desanimados diante da aparente derrota do Divino Mestre na cruz
infame. A maioria sentia que o projeto do “Reino de Deus” morreu na cruz, foi
derrotado por Roma em conluio com setores atrasados do judaísmo daquela época.
Foi a reaparição de Jesus vivo que encheu aqueles homens e mulheres de coragem
para pregar a Boa Nova (= Evangelho), espalhando assim a fé cristã por todos os
cantos do planeta Terra, sacrificando até mesmo suas vidas nas carnificinas
romanas do século I e II. Que fé poderosa é esta se não estivesse assentada na
inabalável ressurreição? Na fé que a vida continua depois da morte?
Preparemo-nos
também para a nossa páscoa, o dia da nossa “ressurreição” (= vida depois da
morte), porque a morte não existe, é apenas um boato, como diz o irmão Paiva
Neto (LBV). Quando voltarmos a Pátria da Verdade (o mundo dos Espíritos), que
nós tenhamos a consciência tranqüila do dever cumprido, encontrando lá o amparo
dos Amigos celestes.
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