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Significados
das Duplicatas das Chagas de Jesus Dr. Iso Jorge Teixeira
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Gemma Galgani (1878-1903)
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São Francisco recebe os
estigmas – EL GRECO
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Neste
mês de março, por ocasião da “Semana
Santa”, assinala-se a Paixão de
JESUS, o CRISTO; por isso, julgamos
oportuno escrever sobre o assunto. Tentaremos trazer alguns subsídios para o
entendimento “científico” e “doutrinário espírita” dos chamados
ESTIGMAS, isto é, das chagas de JESUS, que têm aparecido em diversas pessoas...
Assim,
no dia 23/07/02, nosso leitor do JORNAL ESPÍRITA enviou-nos o seguinte mail:
"Prezado
Irmão! Eu queria saber sobre a estigmatização, "As chagas de Cristo".
Como se processa? Quais são as causas?
Muito
obrigado por uma breve resposta!!!!"
RHADAMÉS DA SILVA
MESQUITA - Imperatriz - MA
Respondemos preliminarmente, assim como respondemos a
outras perguntas instigantes e inteligentes do mesmo leitor, que foram
publicadas naquele mensário da FEESP...
QUE SÃO ESTIGMAS ?
“Estigma” quer dizer MARCA, CICATRIZ, SINAL. Também tem o significado de “sinal infamante, ferrete”. Mas o
significado que nos interessa para responder ao leitor, seria: são as "cinco marcas de Cristo"... Enfim, podemos definir os ESTIGMAS como feridas que surgem nas mãos e pés e, às vezes, nos flancos e cabeça,
como duplicação dos ferimentos sofridos na cruz por JESUS, o CRISTO.
COMO EXPLICAR OS ESTIGMAS?
O
assunto é bem interessante e polêmico...
Uns
acreditam que os estigmas são verdadeiros “milagres”:
esta é a opinião dos místicos, incluídos aqui muitos CATÓLICOS, como o Padre
passionista TITO PAOLO ZECCA, por exemplo.
Outros
advogam que, em quase todos os casos, haveria “embuste, fraude”; essa é
a tese defendida pelos cépticos, como
ROBERT TODD CARROL, por exemplo.
A
maioria dos estudiosos - incluídos alguns católicos - argumenta com base científica, através de pesquisas, que os
estigmas apareceriam em pessoas “histéricas”, isto é, seriam pessoas com
uma neurose, que hoje vem sendo denominada “transtorno
conversivo”, na qual os elementos “sugestão
e mimetismo (imitação)” atuariam de maneira
importante para a produção dos estigmas. Uma variante desse ponto de vista é
dado por aqueles que explicam o fenômeno como “transtorno psicossomático”. Embora haja diferenças entre “transtorno conversivo” e “transtorno psicossomático”, eles serão
tratados aqui como sinônimos para os nossos objetivos neste artigo; isto é, são
transtornos provocados “psicogenicamente”
(causados por conflitos psíquicos, não-orgânicos).
OS ESTIGMAS NA VISÃO CATÓLICA – FRAGMENTOS DE UMA ENTREVISTA
A
maioria dos católicos acredita em que os “estigmas”
seriam um sinal do que CRISTO sofreu durante a Paixão e o aparecimento das
marcas, das feridas, na pessoa seria a reprodução desses estigmas, isto é,
haveria uma configuração e “imitação de
JESUS”, e isso ocorreria por intercessão da "Graça Divina", da
qual os que exibem estigmas sentem-se indignos...
Na realidade, a visão católica admite o fenômeno como “milagroso” e os estigmatizados foram, em
sua esmagadora maioria, considerados "santos", sendo canonizados.
Assim, os estigmas são interpretados como uma "missão particular" que
os "santos" e "bem-aventurados" teriam para o
desenvolvimento da Igreja; é essa a opinião do Padre passionista TITO PAOLO
ZECCA, professor de Teologia pastoral e espiritualidade na Universidade de
Latrão e Ateneu Pontifício Antoniano de Roma, considerado uma autoridade no
assunto...
Em
entrevista de 13/04/01, concedida à Agência ZENIT, publicada na Internet pelo
site Catholic New World, ao ser
perguntado pelo significado histórico do
estigma, disse o Padre ZECCA:
"É um fenômeno particular de
espiritualidade e misticismo ocidental. Desde São Francisco, tivemos um número
significativo de santos e bem-aventurados que viveram a experiência
desconcertante de reproduzir os estigmas de Cristo em seus corpos.(...) Até
hoje, a pesquisa tem enfatizado o caráter da configuração e imitação de Jesus,
que se origina da intensa relação que essas pessoas tiveram com Ele. Entretanto, tem sido feita uma
análise muito pequena do papel que estes santos e bem-aventurados tiveram na
Igreja (...)”.
A
Agência ZENIT pede, então, que cite um caso concreto e ele responde:
"Por exemplo, São Francisco de Assis recebeu os
estigmas quando todos os seus planos santos - fundação da ordem, aprovação da
regra primitiva, viagem à Palestina - falharam. Ele estava só e abandonado. Foi
consolado por ter sido identificado com o Crucificado, e ainda,
simultaneamente, o sofrimento dos estigmas se tornou um bem para a ordem e uma
mensagem para toda a Igreja.
O sucessor de São Francisco, Frei Elias,
compreendeu o significado dos estigmas, e enfatizou isto em sua carta a todos
os fiéis."
Enfim,
segundo o Padre ZECCA - conhecedor do assunto -, os “estigmas” não devem ser vistos, meramente, como uma curiosidade ou
como caráter de "imitação de Cristo" somente; mas, sim, com o
significado mais geral de inspiração espiritual e propagação social do bem e do
significado da crucificação de JESUS, isto é, do seu caráter “salvacionista”...
Prosseguindo
em sua resposta à pergunta anterior, ele procura fundamentá-la:
"(...) Esta mesma mensagem e
missão dos estigmas pode ser vista em Santa Margarida, Maria de Pazzi e Santa
Catarina de Sena. No século que terminou, esta missão foi claramente vista em
pessoas como Santa Gemma Galgani [falecida em 1903], Bem-aventurado Padre Pio
de Pietrelcina [1887-1968] e Marta Robin [mística francesa, falecida em 1981],
cujos escritos estão sendo estudados antes do início do seu processo de
beatificação".
E
diz, ainda, em sua resposta:
"(...) Marta Robin ficou acamada
por 40 anos. Assim como Gemma Galgani e Padre Pio, ela inspirou muitos grupos
de espiritualidade e oração ao redor do mundo".
A
conclusão final do Padre ZECCA é:
"De certa forma, todos nós temos
os estigmas, porque no batismo somos submersos na vida de Cristo, que nos
permite participar no mistério pascal de sua morte e ressurreição. (...) Em uma palavra, os estigmas representam
a ação consciente da cruz, vivida espiritualmente".
Como
podemos deduzir das palavras do Padre ZECCA, para admitirmos o significado que
ele empresta aos ESTIGMAS seria necessário aceitar uma série de dogmas, católicos:
1- a salvação pela fé, através do batismo na Igreja, em
função do pecado original;
2- JESUS seria DEUS e homem, simultaneamente;
3- morte e ressurreição de JESUS no mistério pascal.
Ou seja, teríamos de ser partidários da “religião católica”... Como não admitimos “dogmas” e não somos católicos, as palavras do Padre ZECCA em
relação aos estigmas não nos
acrescenta coisa alguma, são somente elucubrações teológicas, que distam um
pouco da realidade dos fatos, a nosso ver. Entretanto, uma minoria de católicos,
tem uma visão menos sectária, mais abrangente, como veremos um exemplo mais
adiante.
OS ESTIGMAS ESPONTÂNEOS OCORREM RARAMENTE
O
número de casos de pessoas que tiveram a experiência da formação “espontânea” dos estigmas podem ser contados em todo o mundo a partir do século
XIII; curiosamente, eles começam a ser observados a partir de FRANCISCO DE
ASSIS e, até abril de 2001 havia "250 casos de santos e bem-aventurados
que tiveram os estigmas", segundo a Agência ZENIT (católica); e, mais
recentemente, segundo o Padre MICHAEL FREZE, "na História da Igreja houve
321 casos de estigmatizados, em que 62 foram canonizados".
Não há dúvida, entre as autoridades sobre o assunto, de
que o fenômeno dos estigmas, espontâneos,
é de ocorrência rara, raríssima. A explicação para essa raridade seria o
caráter milagroso deles, a ocorrência nos "eleitos" de DEUS, mas não
é a única; pois, a fraude e predisposição a transtornos histéricos (ou conversivos) seriam outras
explicações não menos convincentes... Fato pouco discutido é que os fenômenos
dos estigmas “repetem-se” na mesma
pessoa, demonstrando que a sua ocorrência não seria tão rara assim, como foi o
caso da jovem MYRNA NAZZOUR, de Soufanieh (lugarejo de Damasco, Síria),
católica ortodoxa, que recebeu os estigmas pela primeira vez, no dia 25 de
Novembro de 1983, uma sexta-feira, e ainda mais três vezes nos anos de 1984,
1987 e 1990, COINCIDINDO SEMPRE COM A SIMULTANEIDADE DA “SEMANA SANTA” DAS
IGREJAS CATÓLICA E ORTODOXA...
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Gladys
Herminia Quiroga de Motta
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Mãos e punhos de Gladys Herminia
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Outro
caso, relativamente recente, é o da vidente argentina GLADYS HERMINIA QUIROGA
DE MOTTA, que todas as quintas e sextas-feiras, por ocasião do “Advento” (termo utilizado pela Igreja
Católica para designar as quatro semanas que antecedem o dia 25 de dezembro,
utilizadas para a preparação do Natal, a festa do nascimento de Jesus), assim
como durante a QUARESMA, todos os anos,
experimentou os terríveis sofrimentos da Paixão,
desde 1984...
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MYRNA
NAZZOUR
Estigmas na face, membros
superiores e inferiores de Myrna
Nazzour
Exsudado de óleo perfumado (com propriedades
curativas)
que surgiria milagrosamente nas mãos de MYRNA
Canonizada em 1940 |
ESTIGMAS – HIPNOSE E HISTERIA
Em
excelente estudo de JOSÉ LORENZATTO (publicado na Revista de Parapsicologia,
número 22, do CLAP - Centro Latino-Americano de Parapsicologia), veiculado na
Internet, são descritas várias comprovações científicas dos “estigmas”.
Assim,
vários pesquisadores, utilizando a “hipnose”,
conseguiram provocar os estigmas em
pessoas sabidamente “histéricas”...
Conta-se que uma jovem austríaca, de nome ELISABETH,
luterana, cliente do Dr. ADALF LECHLER, era histérica, inclusive fora internada
mais de uma dezena de vezes em clínicas psiquiátricas; então, o psiquiatra, Dr.
LECHLER, resolveu estudar o caso e para isso recebeu-a em sua casa, como empregada
doméstica.
Ele,
então, ao hipnotizá-la, sugeriu-lhe - estando ela em transe -, que, como JESUS,
tinha as mãos e os pés perfurados com cravos; e o resultado da experiência
teria sido positivo, em que ele teria documentado com fotografias, onde
apareceriam claramente as feridas nas mãos e nos pés.
Teria
conseguido, por “sugestão”, até “lágrimas de sangue”, que fluíam livremente
de seus olhos.
As conclusões das pesquisas do Padre THURSTON S.J. são
semelhantes às do Dr. LECHLER, eis o que afirma o jesuíta:
"Não encontrei
até o presente momento, um simples caso de estigmatização num indivíduo que
tenha estado isento de sintomas neuróticos".
Consta também que o psiquiatra, Dr.
MADEYSKI, foi enviado pela "Sagrada Congregação dos Ritos" para
estudar cientificamente os fatos que ocorriam com TERESA NEUMANN (1898-1962),
de Bavária, e também outros médicos a visitaram, em 27 de fevereiro de 1920, e
a conclusão foi:
"Histeria muito grave, com
cegueira e paralisia parcial".
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Teresa
Neumann (1898-1962)
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Mão de Teresa Neumann
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COMPLEXO DE CRUCIFICAÇÃO
Segundo o estudo do CLAP, acima referido, haveria uma
espécie de "complexo de crucificação"; diz LORENZATTO:
"(...)
É surpreendente que até o início do século XIII não se falava de estigmatizados,
não consta nenhum caso. Com a divulgação dos extraordinários fenômenos que
caracterizam os últimos dias de São Francisco, começou a ocorrer em pessoas
muito simples, casos indiscutíveis de estigmas e, desde então, verificou-se uma
sucessão interminável de casos".
Concluindo, diz o parapsicólogo:
"O
exemplo de São Francisco criou um ´complexo de crucificação´(...) Este complexo
de crucificação é real e muito conforme à sugestionabilidade do indivíduo e se
conforma plenamente com o protótipo imaginado."
Corroborando a SUGESTIONABILIDADE na produção dos estigmas, diz o autor acima:
"Quando
GEMMA GALGANI mostrou as chagas dos açoites, que sangravam profusamente, as
feridas correspondiam, perfeitamente, em tamanho e posição às chagas pintadas
num grande crucifixo, perante o qual esta costumava orar.(...).
E acrescenta: "Quando
Ana C. Emmerich foi marcada pela primeira vez com uma cruz em seu peito, esta
possuía a forma de Y, reproduzindo a forma de um crucifixo de Coesfeld
que tinha em grande veneração desde sua infância. Tudo isso indica um efeito de
auto-sugestão."
Em síntese, a conclusão de uma
comissão composta por BUICHBERGER, bispo de Ratisbone; KIEL, bispo sufragâneo e
pelos professores KILLERMANN, HILGENREINER, STOKL e pelo professor MARTINI,
diretor de Clínica Médica da Universidade de Bonn, que visitaram TERESA
NEUMANN, em 1920: "Estado histérico
grave, com todos os fenômenos inerentes à doença e com toda a parte habitual da
simulação.".
Enfim, o grande e conceituado
professor JEAN LHERMITE, da Academia, concluía:
"Assim
termina a história de Teresa Neumann. Grande histérica com a parte da
simulação, que comporta a grande neurose."
É preciso que se ressalte que “histeria” e “simulação” estão muito
próximas, mas não são iguais.
Os pesquisadores do CLAP acentuam em
suas conclusões, que todo o achado de pesquisa "(...) não implica em que as pessoas não foram piedosas ou santas,
trata-se, simplesmente de uma questão de condições patológicas."
OS ESTIGMAS NA VISÃO DOS
CÉPTICOS
No Dicionário Céptico, disse ROBERT TODD CARROLL na sua tese sobre os
“estigmas”:
"A
probabilidade de que as feridas sejam PSICOSSOMÁTICAS, manifestações de almas
torturadas, parece menor que a de FRAUDE, na maioria dos casos. Existem duas
principais razões para se acreditar que os estigmas sejam “auto-infligidos”, em vez de “psicossomáticos”. Em
primeiro lugar, nenhum estigmático nunca manifesta esses ferimentos do
princípio ao fim na presença de outros. Só começam a sangrar quando não estão
sendo observados. E em segundo lugar, a regra de Hume em ´Sobre os Milagres´ é
que, quando um suposto milagre ocorrer, perguntemos a nós mesmos o que seria
mais milagroso, o suposto milagre ou que nós estejamos sendo enganados?".
E conclui :
"(...)
Para sermos razoáveis, devemos escolher o menor dos dois milagres, o menos
improvável e concluir que não estamos testemunhando milagres, mas “fraudes” piedosas."
Não concordamos com a tese dos cépticos, embora não
tenhamos assistido, de visu, a nenhum
caso de estigmatização; pois, a quase unanimidade das autoridades no assunto
afirma que o fenômeno é “autêntico”; inclusive,
os amigos de FRANCISCO DE ASSIS, que a princípio discordavam que ele quisesse
se comparar a JESUS, tiveram de se curvar ante à evidência fenomênica dos
fatos; além disso, inúmeros estudos científicos, controlados, foram realizados,
como os acima citados...
VISÃO
PSIQUIÁTRICO-ESPÍRITA - EPÍLOGO
Há uma série de evidências de que a “sugestão” é capaz de produzir os estigmas, seja naturalmente em paciente histéricos, isto é, com transtornos conversivos; seja artificialmente, através da hipnose. Trabalhos de parapsicólogos
confirmam isso: seria a IDEOPLASTIA, em que o ECTOPLASMA (substância ainda
desconhecida, imprescindível nos chamados “fenômenos
físicos” de natureza espiritual) atuaria como o elemento fundamental na
formação de tais feridas - ocorreria o que na Doutrina Espírita chamamos ANIMISMO, isto é, os estigmas seriam causados pelo próprio
Espírito da pessoa, e não, um fenômeno de obsessão....
Outro aspecto a destacar-se é que em
quase todos os casos de estigmas, a
pessoa apresenta fenômeno de ÊXTASE,
ou seja, uma situação particular em que o perispírito adquire o seu maior grau de liberdade (como
temos destacado), quando encarnado; e nessa situação, quase todos os “estigmatas” são capazes de manifestações
de clarividência e os “conteúdos” são
estimulados de acordo com as vivências de cada um, onde a religião da pessoa
desempenha um importante papel (a propósito, as respostas das questões 443 e
444 de O Livro dos Espíritos de ALLAN
KARDEC são bem ilustrativas).
Os estigmas só começaram a se repetir depois do caso de FRANCISCO DE
ASSIS, como frisado, o que confirmaria o “mimetismo,
a imitação”; fenômeno esse que, ao
lado da “sugestão”, constituem, as
principais características da histeria...
O fenômeno da estigmatização
é raríssimo, em mais de 30 anos de experiência psiquiátrica nunca vimos um só
caso, entretanto, os pacientes com
“transtornos conversivos” são passíveis de imitar “qualquer sintoma orgânico”, tal é a sua “teatralidade” e a
“plasticidade” de sua personalidade (por isso, a histeria já foi
cognominada de "doença camaleão"); mas, repetimos: que não se
confunda histeria com simulação!...
Embora não tenhamos visto nenhum caso de estigmas, já vimos inúmeros casos de
pessoas com transtornos conversivos e
psicossomáticos - convulsões, alergias, paralisias muito semelhantes às
encontradas em doenças neurológicas, cegueira, afonia e, inclusive, lepra,
sem base
orgânica real, obviamente -
e nada impede,
tanto psiquiátrica quanto
espiritualmente,
que uma pessoa com grande mimetismo
psicológico (capacidade de imitação) e
sugestionável, possa produzir, inconscientemente, em si mesma uma série de feridas; pois, como se costuma dizer, o corpo fala e o psicanalista WILLIAM
STECKEL já afirmava que existe uma "linguagem dos órgãos", simbólica...
No entanto, isso não se aplica a todos os casos descritos até hoje.
Enfim, caríssimo leitor, Sr. RHADAMÉS, a nossa
opinião é que deve haver vários casos de
simulação da estigmatização, divulgados para aumentar o "rebanho" de
fiéis; como há também casos de transtornos conversivos, nos
quais a sugestionabilidade e o fanatismo
exercem importante papel na produção e manutenção da estigmatização, em que a pessoa neurótica “converte” suas inquietações psíquicas em sintomas físicos - os estigmas.
Julgamos que o maior mérito de FRANCISCO DE ASSIS foi
o seu desprendimento dos bens materiais e sua fé superlativa em JESUS e,
provavelmente, isso tenha facilitado a eclosão dos estigmas nele, pois se sabe que vivia afastado de todos, isolado e,
com a tradição assinalando o “Advento”,
não se alimentava convenientemente e isso teria facilitado o aparecimento dos estigmas nas zonas com circulação
sangüínea precária e “instável”, de
acordo com a tese freudiana do “locus
minor resistentiae”...
A localização ESPECÍFICA das chagas pode ser explicada pela ideoplastia, por ANIMISMO e, neste,
está a prova da realidade da EXISTÊNCIA DO ESPÍRITO e da sua INDIVIDUALIDADE e do que ele é capaz de provocar em nosso
próprio organismo e dos outros, desde que haja sintonia. Daí a importância da
prática do Bem e do sentido dos estigmas, isto é, um alerta da Espiritualidade
Maior, ferindo os nossos sentidos com “fenômenos
físicos” provocados pelo próprio Espírito, para que a partir deles possamos
ser mais caridosos com os outros, neste sentido tem razão o Padre passionista
ZECCA, mas não no sentido do milagre,
que nada acrescenta para o crescimento espiritual das pessoas...
Quando
FRANCISCO DE ASSIS solitário, no vale do Rieti, em êxtase, solicitou duas
"graças" a DEUS: sofrer o que JESUS sofreu na Paixão, e o desmedido
Amor de JESUS pela humanidade em seu coração; a Providência Divina atendeu aos
dois pedidos dele, porém, qual foi o mais importante: o AMOR SUPERLATIVO ou os
ESTIGMAS de FRANCISCO DE ASSIS ?...
(O artigo, acima, foi publicado originariamente no JORNAL ESPÍRITA
(Órgão da FEESP) – JE – abril/2003, ESPECIAL, ÚLTIMA PÁGINA, copiado o texto
pelo Portal ESPÍRITA LEMA e, com ligeiras modificações realizadas pelo autor,
apresentado aqui neste Portal).
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