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Um Apelo do Espírito de Verdade

 

Inaldo Lacerda Lima

 

“Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo” (O Evangelho segundo o Espiritismo”, Cap. VI, item 5.)

 

Difícil é o momento que estamos atravessando nas escalada do Tempo. É como se as forças da sombra de repente se arregimentassem em tumultuoso e triste escarcéu contra não sabem o quê.

Não é preciso sair de casa nem perscrutar a vida externa através das janelas de nosso domicílio. Basta ligar o aparelho de TV ou o rádio de nossa viatura, ou dar uma espiada nos jornais do dia...

As informações se sucedem com tonalidades alarmantes em toda a vida social. É um edifício que desaba por causa de estruturação criminosa; é um laboratório respeitável, inopinadamente denunciado ou flagrado em uma produção fraudulenta; são medicamentos falsificados que a polícia retira das prateleiras das farmácias; são toneladas de entorpecentes, criminosamente camuflados, surpreendidos, aqui ou ali, na rota do narcotráfico; são cartões de crédito inexplicavelmente utilizados por trapaceadores, causando choque na alma de seus legítimos proprietários; são crimes hediondos praticados contra a pessoa humana, sem que as autoridades encontrem meios de evitá-los.

Que é que está a ocorrer com a Humanidade?

É a primeira indagação que fazemos a nós mesmos diante da estupefação generalizada, num cenário crucial e de horror.

Parece-nos ouvir, às vezes, uma resposta plausível para todo esse pavoroso espetáculo: o homem esquecido de Deus! Quanto às religiões, julgamos vê-las cada vez mais distanciadas do próprio espírito de religiosidade, não obstante um sem-número de seitas ditas evangélicas, que se multiplicam assustadoramente, algumas até com chistosas exclamações tais como: “O Espiritismo oferece a felicidade depois da morte, nós a oferecemos aqui mesmo, nesta vida!...

Mas tudo isso é normal em face do espírito materialista que vemos crescer e dominar em toda parte. O que nos preocupa é a conduta de determinadas vozes ditas espíritas que, às vezes, até imaginamos fazerem eco com esse estado de coisas, tal a indiferença com que se desligam do verdadeiro objetivo do Consolador para se dedicarem a outros misteres que nada têm com a função fundamental do Espiritismo, no momento atual. É a razão óbvia deste artigo.

Antes de desenvolver este assunto, refletimos várias vezes sobre a mensagem do Espírito de Verdade, da qual extraímos a exortação que encima este trabalho.

São ao todo cinco mensagens nesse capítulo VI de “O Evangelho segundo o Espiritismo” assinadas pelo Espírito de Verdade, que precisam ser bem refletidas. E não nos parece haver tempo para digressões. O Espiritismo não deve nem pode ser tratado como uma doutrina qualquer. Nem foi em vão que no capítulo XX da referida obra, Allan Kardec, na conformidade da seriedade da Doutrina que codificou e apresentou ao mundo, tratasse-nos como trabalhadores da última hora!

Às vezes, chegamos a imaginar que a título de não parecerem fanáticos certos espíritas excusam-se de refletir sobre essas mensagens do Espírito de Verdade. Será que supõem tratar-se de uma mentalização do Codificador? É possível, pois que dúvidas já foram levantadas sobre o livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” e a respeito da existência do Anjo Ismael. Alguém já não se encorajou a falar de Emmanuel, acusando-o de defensor do jesuitismo no Espiritismo? Bezerra de Menezes não foi tachado, e recentemente!, de místico e mariólatra? Que haveria de espantoso nisso?!

Não subestimemos a hora presente. Não há mais tempo para deambulações. O Senhor efetivamente precisa contar conosco, com a nossa fidelidade ao Evangelho e devotamento à Doutrina que nos irmana. Meditemos demoradamente sobre as referidas mensagens. Elas se destinam aos Espíritas - termo que estamos grafando com letra maiúscula como Allan Kardec costumava fazê-lo em seus escritos na Revue Spirite. Os companheiros leitores da Revue já observaram? Já imaginaram o porquê desse modo de agir do Codificador?

O apelo do Espírito de Verdade nós o entendemos em toda a extensão da Codificação do Espiritismo. A propósito: já procuramos refletir na maneira como ele, Espírito de Verdade, se dirigiu ao insigne pedagogo naquela sessão de 12 de junho de 1856, através da médium Srta. Aline (página 281 de “Obras Póstumas”, 13ª edição da FEB)? E já observamos a resposta do professor Rivail? Não é necessário transcrevê-las aqui, pois que o espírita sincero conhece-as de sobejo.

O tempo urge. Atendamos ao apelo do Espírito de Verdade e permaneçamos nele, inteligentemente fraternos e unificados, recordando a voz rediviva de Jesus: “Sede um comigo assim como eu sou um com o Pai que está nos Céus”.

 

Fonte: Revista Reformador - nov/1998

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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