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Raphael Rios
O
mal subsiste em nós e entre nós, a despeito das luzes que, do Alto, se derramam
incessantemente sobre a Humanidade desde os seus primórdios.
A
condição humana ainda abriga reações animais, em que os instintos ancestrais de
defesa do espaço, da fêmea, da prole, do alimento, da vida emergem das camadas
profundas do nosso inconsciente. Instintos que vimos transformando desde que
passamos da fase animal para a fase racional, do início da nossa consciência, ha
milhões de anos, através do aprendizado das reencarnações. O que, hoje, ainda
subsiste na raça humana desses instintos é terrivelmente prejudicial à convivência
humana pelos dolorosos conflitos que gera.
As
predisposições para o bem ou para o mal, isto é, a disposição de agirmos num ou
noutro sentido vem do nosso Espírito, representando o conteúdo da nossa evolução.
Esse
conteúdo alberga vestígios instintivos que afloram na consciência sob formas
refinadas entre muitas outras, do egoísmo, do orgulho e da vaidade - exaltações
geradas pelo nosso ego inferior - os quais são verdadeiros cânceres arrasadores
da paz e deles procede a grande maioria das imperfeições nefastas que
infelicitam cada vez mais os homens, os povos do nosso tempo.
Essas
predisposições desorganizam nossas emoções, provocam perturbações no nosso
plano mental e povoam a nossa alma de pensamentos negativos contra o próximo,
veneno mortal para a nossa saúde física e psíquica, além de atraírem, por
sintonia, a presença de entidades malévolas que incentivam esses estados de
ânimo negativo e deles se nutrem estimuladas ainda pela atmosfera astral do nosso
planeta saturado de miasmas perniciosos que hoje ameaçam a convivência pacífica
fraterna e harmoniosa em todos os lugares.
Com
o advento do Consolador prometido pelo Mestre, que é a Doutrina Espírita,
derradeira bênção derramada pela Providência Divina, luminosa, desvendadora dos
mistérios e aflições que atormentavam a alma humana, foram relançadas, revividas,
pela Codificação Kardequiana, sob o amparo de Jesus, as bases fundamentais do
Evangelho Redentor para a renovação das almas através da sua Lei do Amor
aplicada na Reforma Íntima, permanente, incansável, de cada ser humano, na
realização do objetivo máximo de tornarmonos merecedores, pelo nosso próprio
esforço e mérito, de habitar o prometido mundo de regeneração e paz, onde,
conforme afirmação do Cristo, os brandos herdarão a Terra.
A
Reforma Íntima é um processo voluntário de transformação de nossa alma. Essa
transformação, que o ser humano se propõe a si mesmo, é uma transformação
moral. Trata-se de promover mudanças éticas no caráter, na conduta, nos pensamentos,
palavras e obras.
De
acordo com o que a nossa Doutrina nos ensina, revivescência que é do Cristianismo
primitivo, o paradigma, o símbolo real, o Mestre em quem devemos nos refletir
no labor incessante da nossa mudança é o doce rabi da Galiléia, Jesus de
Nazaré. O Evangelho de Jesus é não só a pedra angular do Consolador Prometido,
da Doutrina dos Espíritos, mas a régua de medida, o referencial universal com
que aferiremos o nosso proceder, o nosso avanço ou o nosso recuo no processo de
espiritualização que nos propusermos: a visão real do que somos no íntimo de
nossa consciência e quão perto ou distante estejamos do amado Mestre Jesus que
nos exorta a nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou.
Jesus
buscou na sua vida de abnegação e sacrifícios ilimitados ensinarnos o caminho
da nossa redenção, da nossa salvação pessoal: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a
Vida”. Ele viveu sempre os ensinos e conceitos salvadores que deixou como
legado redentor para a Humanidade. Embora fosse um Espírito Excelso, viveu
junto aos homens, lutando na vida humana com as mesmas armas, sem privilégios
especiais e sem recorrer a interferências extraterrenas para eximir-se das
angústias e das dores, inerentes à sua tarefa messiânica. Seu programa na Terra
estava e está destinado a salvar tanto o sábio quanto o rico, tanto o iletrado
quanto o pobre, por isso enfrentou as mesmas reações que eram comuns a todos os
homens, suportando as tendências instintivas e os impulsos atávicos, próprios
da condição humana.
O
Evangelho - manual da lei do amor de Deus - não é simplesmente um repositório
de máximas e advertências morais. Em verdade, o Evangelho, relatando a experiência
vivida integralmente por Jesus, em 33 anos de sua vida física, é para
demonstrar a todos o “caminho” da evolução indicado pelo Criador à criatura, um
tratado para orientar em qualquer época, qualquer tipo humano em qualquer latitude
terrestre.
A
vida de Jesus, tão sublime e vivida sob a força do seu imenso amor por nós,
Governador que é deste Orbe, teve por norma fundamental viver e expor a Lei de
Deus. O Evangelho é a síntese de todos os ensinamentos que, respeitando o
livre-arbítrio individual, apresenta, para todas as épocas, normas de evoluir
ao alcance de todos os homens, independentemente de grau de inteligência, raça
ou condição social. É um processo doutrinário de moral que disciplina e orienta
qualquer ser humano. E está consubstanciado nos ensinos: Amar a Deus sobre
todas as coisas e ao próximo como a si mesmo; só fazer ao próximo o que
queremos para nós mesmos; jamais fazer ao próximo o que não queremos para nós
mesmos.
Precisamos,
enfim, da aplicação dos preceitos cristãos às nossas vidas, pensamentos,
palavras e obras, usando o nosso discernimento iluminado pelos princípios da
Doutrina Espírita e pela prece sincera e pura; direcionando o nosso
livre-arbítrio no caminho do bem e do amor ao próximo, expulsando de nossa alma
o orgulho, a vaidade, o egoísmo que armam o gatilho das derrotas morais.
Sigamos
o Cristo e seremos vencedores.
Fonte: Revista Reformador - nov/1998
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