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Ismael Ramos das Neves
Segundo o texto bíblico, João Batista enviou dois
emissários a Jesus, indagando se o Nazareno era o Messias Prometido. O Divino
Mestre respondeu: “Ide e anunciai a João que os cegos vêem, os paralíticos
andam e aos pobres é anunciado o Evangelho.”(Lucas, 7:18-22)
Por outro lado, após o regresso vitorioso de Jesus ao
Plano Espiritual, o apóstolo Pedro, certo dia, encontrava-se meditativo e
acabrunhado, quando, num lance esplêndido, vê que, ao longo do caminho, Jesus
se aproximava. Pedro recobrou as energias, com um júbilo indescritível, pois,
certamente, o Mestre vinha ao seu encontro. Ficou expectante. Contudo, o
Celeste Amigo, silencioso, demonstrou que não se dirigia a Pedro: ia transitando.
O apóstolo, atônito, exclamou: “Senhor”. Foi quando
Jesus lhe disse: “Pedro, eu vou à Casa do Caminho”. Num átimo, o apóstolo
compreendeu: o imperativo da hora era o serviço desinteressado aos semelhantes.
Pedro, de imediato, acompanhou o Mestre, compreendendo a grandeza do
ensinamento.
Nós, os espíritas, que tivemos a graça de conhecer a
Codificação de Allan Kardec – a qual interpreta, em Espírito e Verdade, a
Mensagem augusta de Nosso Senhor Jesus-Cristo –, devemos preocupar-nos, na hora que
passa, com as tarefas que nos são próprias e para cujo desempenho temos a
confiança dos nossos Mentores espirituais, sem perdermos tempo em discutir
idéias divergentes acerca de mensagens mediúnicas ou de livros fantásticos, que
falam de outros mundos, ou de cogitar que entidades espirituais elevadíssimas
que transitaram pela Terra tenham sido a reencarnação de personagens ancestrais
na retrovisão (às vezes obumbrada) dos subsídios que determinados pesquisadores
nos ofereceram em suas publicações.
Na Terra, embora a evidência de uma civilização repleta
de avanços tecnológicos e indiscutível desenvolvimento científico, a fome
dizima milhões de irmãos nossos, que o egoísmo humano sitiou em bolsões de
miséria e prostituição, renteando com antros de criminalidade e desespero. Por
essa razão, na medida de nossas possibilidades, devemos socorrer os famintos e
acender a chama da fé nos corações angustiados, honrando, assim, as luminosas
tarefas que nos identificam como servidores de Jesus, registrando em nossos tímpanos
espirituais espirituais a resposta do Celeste Amigo ao apóstolo: “Pedro, eu vou
à Casa do Caminho”.
Sabemos que é necessário pesquisar, indagar, refletir,
em síntese, analisar as mensagens e estabelecer, entre nós, a conversa franca
sobre nossas dúvidas, identificando os possíveis enganos e omissões em que, por
vezes, temos permanecido.
Mas guardemos a certeza de que, ao longo do tempo, ante
o sol da verdade, que a evidência dos fatos vai desdobrando, a nossa visão
perceberá que a névoa da ignorância se dissolverá ante o fulgor da Luz Divina,
à medida que os nossos merecimentos – mesmo conquistados com suor e lágrimas –,
se desenvolverem.
Não nos compete emitir julgamentos apressados ou tirar
conclusões de fatos ainda inabordáveis à nossa percepção espiritual, uma vez
que estamos transitando da sombra para a luz e, pelos ensinamentos recebidos na
imensa bibliografia espírita, os homens estão longe de alcançar a explicação de
determinados aspectos da vida extrafísica mais próxima da Terra.
Vamos, pois, com entusiasmo e fé, à execução de nossas
tarefas, recordando as palavras de Emmanuel, através do médium Francisco
Cândido Xavier: “O nome de Jesus está empenhado em nossas mãos.”
Fonte:
Revista Reformador - set/2004
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