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Adilton Pugliese
“No mundo
tereis aflições. Eu, porém, venci o mundo e, comigo, também vencereis.” (João,
16:33)
“Não se turbe o vosso coração, crede em Deus, crede também em mim.” (João,
14:1)
Essas orientações do Mestre, pronunciadas de forma substantiva, têm profundo
significado nos dias atuais. Aliás, em todas as épocas, os discípulos sinceros,
os que elegeram as cruzes de seus desatinos como forma purificadora e
reabilitadora perante as leis de Deus, debruçaram-se sobre essas palavras,
desde os antigos pergaminhos, passando pela maravilha das impressões
tipográficas, até os dias modernos, quando a tecnologia nos possibilita as
gravações eletrônicas, o computador e a Internet.
A partir do momento em que lançou as bases da sua missão, cujas diretrizes viriam
a constituir os Evangelhos, Jesus sabia que as reações mais diversas ocorreriam,
desafiando a Boa Nova.
A Alegre Mensagem, esperada havia séculos, atrairia para ela os corações simples,
os que estavam cansados de sofrer, os adeptos sinceros, que se deixariam imolar
pela sua verdade e propagação. Contudo, o preconceito e o poder da época
levantariam armas contra a palavra libertadora, gerando pânico e temor.
A pregação do Mestre, nos primeiros momentos, ao mesmo tempo que comovia e
atraía seguidores de Sua Causa, que se sensibilizavam com o Seu Verbo amoroso e
esclarecedor, em outros acendia as labaredas da raiva e do despeito, pois não
aceitavam, orgulhosos uns, vaidosos outros, a proposta de mudanças íntimas.
Mas as bases do Cristianismo eram irreversíveis e para ele atrairiam não só os
simples, mas também grandes intelectuais da época, a exemplo do Moço de Tarso,
fariseu e cidadão de Roma, cuja primeira fase na História é caracterizada como
‘perseguidor dos cristãos'. Mas, uma vez interpelado pelo Mestre, no famoso
momento na estrada de Damasco, deixa-se seduzir pela força da personalidade
ímpar de Jesus e, então, passa à segunda fase de sua existência, dedicando-se à
causa da novel Doutrina, tornando-se o Apóstolo dos Gentios. As suas cartas estão
impregnadas de relatos de lances heróicos, de lutas, de ameaças e sofrimentos,
de humilhações e constrangimentos provocados por parte daqueles que se tomaram
adversários cruéis das verdades novas.
São passados vinte séculos e o que vemos nos dias atuais? O Cristianismo consolidando-se
como o maior conjunto de religiões do mundo civilizado, com cerca de 2,1
bilhões de seguidores. Contudo, seus adeptos se afastaram da verdadeira
substância da mensagem primitiva, mantendo-se longe do autêntico sentido dos
ensinamentos de Jesus. A mão do homem deturpou a pureza do Evangelho primitivo,
criando, também, uma estrutura teológica que jamais o Cristo praticou ou sugeriu.
Sabia Ele, porém, que seria assim, e, em sublime momento, nos derradeiros dias
de sua missão, promete que não deixaria a Humanidade órfã, sobretudo os de boa
vontade, os de coração sincero: Ele rogaria ao Pai para, mais tarde, enviar o
Consolador.
Há quase um século e meio, em Paris, este fato aconteceu e, como no tempo dEle,
que não foi reconhecido — até mesmo pelo Precursor de seus passos, que enviou
dois de seus seguidores para interpelá-lo, se Ele era, realmente, o Cristo citado
nas Escrituras, como narram Mateus (11:2-6) e Lucas (7:18-23): “— És tu aquele
que há de vir, ou devemos esperar outro?”
E ouvem, da boca do Mestre, a incontestável confirmação, pela evidência dos fatos
que Ele opera à vista dos discípulos atônitos e maravilhados: “Ide contar a João
o que vistes, e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam
limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, aos pobres é anunciado o
Evangelho. Bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de mim.” — também
Espiritismo ainda não foi percebido como o retorno de Jesus aos caminhos da
Terra, e essa volta triunfal fez sua apresentação, mostrando suas credenciais
no prefácio escrito pelo Espírito de Verdade em O Evangelho segundo o Espiritismo,
em 1864: “Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso
exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por
toda superfície da Terra e, semelhantes estrelas cadentes, vêm iluminar os
caminhos e abrir os olhos aos cegos.” ¹
Antes, em 19 de setembro de 1861, visitando os grupos espíritas lioneses, Allan
Kardec, repetindo Jesus, através de instrutivo discurso, diz o que tem feito o
Espiritismo: “Impediu inúmeros suicídios, restabeleceu a paz e a concórdia em
grande número de famílias, tornou mansos e pacientes homens violentos e
coléricos, deu resignação àqueles em quem faltava, reconduziu a Deus os que o
desconheciam, destruindo-lhes as idéias materialistas, verdadeira chaga social
que aniquila a responsabilidade moral do homem. Eis o que ele tem feito, o que
faz todos os dias, o que fará mais e mais, à proporção que se espalhar.” ²
(Destacamos)
Quando se apresenta como a Terceira Revelação das Leis de Deus, quando diz que
veio restaurar os erros que foram introduzidos nos Evangelhos, e “que todas as
coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as
trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos” ³, o Espiritismo é
anatematizado, é recusado, é combatido pelo fanatismo dos que alimentam
pensamentos preconceituosos, semelhantes àqueles animados pelos escribas e
doutores da lei do tempo do Cristo.
Por isso, destemido, intimorato, o Espiritismo também declara aos seus adeptos:
Não se turbe o vosso coração, repetindo Jesus, em cujo pensamento está a viga
mestra dos seus postulados.
Tanto Jesus como o Espiritismo foram enviados pelo Pai, sendo o segundo um
pedido do Nazareno ao Criador de todas as coisas: “Eu rogarei a meu Pai para
que vos envie o Consolador.”
Os espíritas estamos, desta forma, credenciados por Deus e por Jesus e confirmados
pela obra granítica de Allan Kardec, a quem devemos a nossa designação. E,
assim amparados, AVANCEMOS! Sem temor de espécie alguma.
Referências Bibliográficas:
1 e 3 — ALLAN KARDEC. O Evangelho segundo o Espiritismo. 110. ed. Rio de
Janeiro: FEB.1995. p.23
2 - WANTUIL, Zêus. THIESEN, Francisco. Allan Kardec, volume II. 2. ed. Rio de
Janeiro: FEB — 1982, p. 215.
Fonte: Revista Reformador – julho/2000
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