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Ricardo Di Bernardi
Em diversas oportunidades,
quando fizemos palestra sobre reencarnação e aborto, fomos questionados
posteriormente sobre a dolorosa e delicada circunstância do estupro.
Principalmente, ao se propiciar perguntas nos serem dirigidas por escrito
viabilizava-se este questionamento. Embora o tema seja potencialmente polêmico
e desagradável, não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação planetária.
A grande discussão que se levanta é a legitimidade, ou não, do aborto, quando a
gravidez é conseqüente a um ato de violência física. Mais uma vez, nos posicionamos
em relação ao aspecto legal da questão nos abstendo de maiores comentários no
campo jurídico pois leis e constituições os povos já tiveram inúmeras e tantas
outras terão. Nossa abordagem será pelo ângulo transcendental e reencarnacionista
considerando que são três (3) espíritos, no mínimo, envolvidos na tragédia em
questão. Igualmente, quanto ao aspecto da ética médica, a qual estamos submetidos
por força da profissão que nesta reencarnação exercemos, lembramos ser esta
ética diferente em cada país do planeta. Numa escala de zero a 10, teremos
todas as notas, conforme a nação e o continente que nos reportarmos. Inicialmente,
cumpre-nos esclarecer que o livre arbítrio é o maior patrimônio que nós,
espíritos humanos, temos alcançado ao atingirmos a faixa evolutiva pensante.
Livre arbítrio que não legitima atitudes, mas oportuniza às criaturas decidir e
se responsabilizar pelas conseqüências de seus atos posteriores.
Outra premissa que deveremos estabelecer é aquela da maior ou menor repercussão
dos atos perante a Lei Universal, em função do nível de esclarecimento que
possuímos. Importante também salientar que não há atos perversos que tenham sido
planejados pela espiritualidade superior. Seria de uma miopia intelectual sem
limites, a idéia de que alguém deve reencarnar a fim de ser estuprado.
A concepção do Deus punitivo e vingativo já não cabe mais no dicionário dos esclarecidos
sobre a vida espiritual. Deus é a fonte inesgotável de amor. É a Lei maior que
a tudo preside, uma lei de amor que coordena as leis da natureza.
Como conceber a violência física? como enquadrar a onipresença divina em situações
e sofrimentos que observamos? Deus estaria ausente nestas circunstâncias? Ou
estaria presente? Para muitos indivíduos se estivesse presente já seria motivo
para não crer na sua existência ou na sua infinita bondade e onisciência. Outra
questão importante: Quem é a "vítima"? Cada um de nós ao reencarnar
trouxe todo o seu passado impresso indelevelmente em si mesmo, são os núcleos
energéticos que trazemos em nosso inconsciente construídos no passado. Espíritos
que somos e pelas inúmeras viagens que percorremos, representadas pelas inúmeras
vidas, possuímos no nosso "passaporte" inúmeros "carimbos"
das pousadas onde estagiamos em vidas anteriores. Hoje, a somatória destas
experiências se traduzem em manancial energético que irradia constantemente do
nosso interior para a superfície desta vida. Assim, é também a "vítima. A
jovem que hoje se apresenta de forma diferente, traz em seu passado profunda
marcas de atitudes prejudiciais a irmãos seus. Atitudes de desequilíbrio que
são gravadas em si mesma. Algumas delas participaram intelectualmente de
verdadeiras emboscadas visando atingir de maneira dolorosa a intimidade sexual
de criaturas; outras foram executoras diretas, pela autoridade que eram
investidas, de crimes nesta área. enfim, são múltiplas as situações geradoras
da desarmonia energética que agora pulsa constantemente nos arquivos
vibratórios da nossa personagem neste drama. Pela Lei Universal, a sintonia de
vibrações, poderá ocorrer em um dado momento dependendo da facilitação criada
por atitudes mentais da personagem apresentou como surpresa desagradável para a
agredida.
Como orientar a vítima? Identificados dois dos protagonistas (mãe e filho)
falemos acerca da entidade reencarnante Em certas ocasiões, o ser que mergulha
na carne nesta dolorosa circunstância é alguém que vibra na mesma faixa de desequilíbrio.
Um espírito que pelo ódio se imantava magneticamente à aura da jovem como que
pedindo-lhe contas pelos sofrimentos causados por ela, se vê preso às malhas
energéticas do organismo biológico que se forma. O processo obsessivo que vinha
se desenvolvendo já o fixara perifericamente à trama perispiritual materna e
agora passa a aderir definitivamente naquele organismo feminino. Apesar do
momento cruel, a Lei maior pode aproveitar para retirar o perseguidor desta
situação adormecendo-o. Acordará, talvez, embalado pelos braços de sua antiga
algoz que aprenderá a perdoar e até amar em função do sábio esquecimento do
passado. Lembramos, novamente, não foi em hipótese alguma programado o estupro,
nem ele em qualquer circunstância teria justificativa. No entanto o crime
existindo, a espiritualidade sempre fará o máximo para do "mal" poder
resultar algum bem.
Mas, muitas vezes, a gestante pressionada pelos vínculos
familiares opta por interromper a gravidez indesejada. Somos contrários a
teatralidade daqueles que exibem recursos chocantes de fragmentos
ensangüentados de bebês em formação, jogados nos baldes frio da indiferença
humana. A falta de argumento e conhecimento espírita do processo que se
desencadeia, é que faz lançar mão destes métodos agressivos de exposição.
A visão espiritual da situação dispensa estes recursos dos quais podem se
servir outras correntes religiosas que desconhecem a preexistência da alma o
mecanismo da reencarnação, etc.
O espírito submetido à violência do aborto sofre intensamente no processo, conforme
o seu grau de maturidade espiritual. Perante a Lei divina sabemos que o
espírito reencarnado não deve receber a agressão arbitrária em face da
violência cometida por outro. Violência que gera violência, um ciclo triste que
necessita ser rompido com um ato de amor a um entezinho que muitas vezes aspira
por uma oportunidade de evolução em nova vida.
O aborto provocado gera muitas vezes profundos traumas em todos os envolvidos
exacerbando a dolorosa situação cármica da constelação familiar. Ninguém é mãe
ou filho de outrem por casualidade. Há, sempre, um mecanismo sábio da lei que
visa corrigir ou atenuar sofrimentos.
Há, também, espíritos afins e benfeitores que, visando amparar a futura mãe, optam
pelo reencarne na situação surgida. A vítima do estupro, poderá ter ao seu lado
toda luz de alguém que poderá vir a ser o seu arrimo e consolo na velhice.
Irmãos cheios de ternura em seu coração, com projetos de dedicação e amparo,
aproveitam o momento criado pelo crime para auxiliar, diretamente, na vida material,
dando todo seu trabalho afetivo para aquela que amam. Renascem como seu filho.
A eliminação da gravidez, através do aborto provocado, nestes casos, irá anular
este laborioso auxílio que o espírito protetor lamentará ter perdido.
Pelo exposto, a interrupção da gestação mesmo decorrente de violência, é sempre
uma atitude arbitrária que só ampliará o sofrimento dos familiares.
Se a jovem for emocionalmente incapaz de atender os requisitos da maternidade,
a adoção, preferencialmente por pessoas de vínculos próximos, deverá ser o remédio
por nós indicado. Se não houver possibilidades psiquicamente aceitáveis de
recepção por parte de familiares, encaminhe-se os trâmites da adoção para quem
receberá aquela criatura com o amor necessário ao seu processo redentor e educativo.
O tempo se encarregará de cicatrizar os ferimentos da alma
Dr. Ricardo Di Bernardi é Presidente do Instituto de Cultura
Espírita de Florianópolis . SC.
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