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Jornal Universo Espírita
Não obstante a
inegável pressão exercida pelas influências do meio, o homem é soberano e livre
em sua intimidade. Ele é idéia, e sob o influxo da mesma é que se modifica.
Sem a força do ideal
que tanto maior se faz quanto mais amplo o entendimento do sentido da
existência, a criatura se torna joguete das circunstâncias vulgares, num
repetir de hábitos quase sempre incorporados sem participação da consciência.
Naturalmente que os
hábitos que visam o estabelecimento de automatismos mantenedores da vida animal
dispensam o envolvimento consciente do ser, mas tal não acontece com as
aquisições do Espírito em sua marcha ascensional sob a luz da razão.
O ideal, desta forma,
é a força da alma, e sua presença demonstra o conhecimento que o Espírito
possui, bem como a compreensão do destino que lhe é inerente.
Quem rejeite tais
considerações; quem não tenha parado alguma vez para refletir sobre si mesmo,
suas motivações, papel ou destinação, estará alheio à sua condição de animal
racional, dotado de livre-arbítrio, construtor da própria evolução.
Sócrates recomendava
o auto-conhecimento como indispensável ao crescimento e construção da
felicidade. Jesus exortou para que buscássemos a Verdade e fizéssemos brilhar
nossa luz diante dos homens. Kardec registrou do Espírito Verdade a informação
de que o progresso intelectual precede o moral, por dar ensejo ao discernimento
do bem e do mal.
O homem há que se
conscientizar da necessidade de progredir, ativando, pelo denodo, as potências
internas. Preciso não se submeta a sugestões, comportamentos, idéias, apenas
por hábito, sem confrontá-los com o seu atual entendimento da Vida.
Dentro deste
contexto, naturalmente coisas existem que até mesmo pelo princípio da lei de
causas e efeitos se tornam situações imodificáveis. Porém, o cenário interior,
a posição diante da circunstância depende, para modificá-la, unicamente da
vontade. Quando se diz que todo instante é propício para a renovação do ‘destino’,
refere-se tal afirmação à transformação moral do homem, não da ocorrência
externa. Aliás, é a reeducação que, em última análise, promove a mudança das
coisas.
Entendendo-nos como
espíritas assumidos, necessário se torna nos analisemos constantemente. Apenas
assim detectaremos em nossa ‘casa mental’ as teias-de-aranha dos preconceitos,
o pó do fazer porque todo mundo faz, o mofo do fazer assim porque assim sempre
foi feito, mazelas que absorvemos e reproduzimos por imaturidade ou por
indiferença. Mas, descobertos estes empecilhos embolorados no âmago, tenhamos a
coragem de arejá-los com o clarão dos conhecimentos que hoje nos felicitam o
entendimento, movimentando a disposição de mudar, com humildade no
reconhecimento de nossas limitações.
Indispensável
estejamos mais atentos sobre o que estamos fazendo com o tesouro das horas no
palco da Vida. Estaremos vivendo a condição de idéia, capaz de construir, de
modificar o mundo a partir de nós mesmos, ou nos estamos deixando levar ao
sabor dos fatos, com o ânimo adormecido, acomodado pela descrença ou pela
indiferença? Somos ou não criaturas situadas na faixa da evolução consciente?
Será que ainda acreditamos na ascensão pela graça que dispensa o esforço?
Pensemos nisto e
operemos a felicidade que almejamos sob o generoso e permanente amparo de Deus.
Fonte: Site Jornal
Universo Espírita - www.universoespírita.net
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