|
Vinícius Lousada
”A necessidade da destruição enfraquece entre os
homens à medida que o Espírito se sobrepõe à matéria, e é por isso que vedes o
horror à destruição seguir o desenvolvimento intelectual e moral.” [1]
A Lei de
conservação e a Lei de destruição são duas leis morais da vida
que se constituem em expressões da Lei
Natural, estando ambas didaticamente
organizadas por Allan Kardec nas páginas de “O
Livro dos Espíritos”, sob o aval dos Espíritos Superiores.
A primeira nos esclarece sobre o limite do necessário à
conservação da vida corporal, cujo traço delineador a nossa consciência pode
acusar, se atenta à diferença entre o que é supérfluo e o que deva ser útil. A
seguinte, concede-nos o entendimento da renovação da vida quando surgem
processos de destruição que a ensejam, contudo, apresenta também a realidade do
instinto de destruição que trazemos na alma.
A razão moderna, sob o guante de uma voracidade intelectual
desenfreada, dissecou a Natureza, devassou seus mistérios com o bisturi da
ciência materialista, classificando-a e tornando-a conhecida. Todavia, no
momento em que a racionalidade cedeu à impertinência do egoísmo e à atração
pelas paixões inferiores, passou a produzir necessidades artificiais se
permitindo a condução irracional da destruição da vida em toda parte.
Nesse processo avassalador, com base num sistema social de
acumulação e produção de bens materiais para o consumo a fim de alimentar o
lucro a qualquer preço, a vida deixa de ser um bem em si e os recursos
ambientais, que são patrimônio comum de todos os povos da Terra, são
transformados em cifras, ignorando-se a possibilidade de extinção da vida em
todas as suas formas de manifestação.
Os ventos de destruição espalhados pela ganância deixam suas
vítimas, fazem suas chagas através dos desastres ambientais que temos assistido
acontecerem sem que, aparentemente, pudessem ter sido tomadas medidas de prevenção.
Estes fenômenos de desequilíbrio ecológico, preciso insistir, tem sua causa na
maneira de lidarmos com o Planeta em que transitoriamente vivemos.
Uma das doenças que enfrentamos globalmente é a da
degradação ambiental. Ela tem gerado esses flagelos destruidores que a todo
instante assolam-nos, mas que estão a dizer-nos da urgência com a qual
precisamos refletir em torno das Leis do Criador e sintonizarmos nossos
conceitos, modos de viver e de produzir com os potenciais ecológicos,
aprendendo junto do ambiente os limites estabelecidos pela Providência Divina.
Há uma voz falando-nos: basta! “(...) Se o homem escutasse essa voz que diz basta, evitaria a maior
parte dos males, dos quais acusa a natureza.”[2] É um clamor que vem da Terra, que nasce nas
lágrimas vertidas pelos pobres, que são as maiores vítimas nesses processos de
crise socioambiental. Essa voz reside em nossa consciência e desperta-nos ao
quanto é fundamental orientar nosso jeito de “estar no mundo” em direção à
justiça e à caridade lecionadas por Jesus Cristo.
Recordo, como caminho possível para que superemos a
dominação do instinto de destruição em nós, a vivência do princípio universal
de reverência para com a vida, baseado na idéia de que: “A vida é preciosa. Ela está em toda parte, dentro de nós e em volta de
nós; ela tem muitas formas.”[3]
A vida é dádiva celeste e tem valor inestimável em si mesma.
Reverência à vida é um convite à caridade! É um chamamento
para que amemos todos os seres diante da verdade inquestionável de que somos
filhos do mesmo Pai e que estamos irmanados uns aos outros.
Para tanto, deixemos que o nosso coração se compadeça do
sofrimento imposto à todas as espécies que dividem conosco a biosfera e
passemos a comprometer-nos com a proteção da vida, fazendo o que estiver ao
nosso alcance para que não haja destruição indevida, ou ainda, que não nos
matemos uns aos outros sob justificativa alguma.
Passemos a ter sempre alerta em nossa mente o compromisso
reencarnatório que trouxemos de crescer intelectual e moralmente, procurando
colocar nossas ações sob o governo da
caridade e vindo a libertar-nos dos vícios com os quais rumaríamos ao
suicídio.
Reverenciemos à Natureza evitando poluí-la, encaminhando ao
reaproveitamento devido os recursos sólidos gerados em nosso consumo,
eliminando qualquer forma de desperdício.
Reverenciemos à vida valorizando o verde, cultivando árvores
frutíferas para compartilhar alimento com quem tem fome e preservando as
árvores nativas com vistas a saúde planetária, obedecendo ao ritmo natural da
vida.
Utilizemo-nos do raciocínio lúcido aliado à compreensão do
laço de interdependência entre tudo o que existe para desenvolvermos maneiras
de manejo responsável dos recursos naturais, visando possibilitar às novas
gerações desfrutarem das belezas que ora podemos observar.
Reverenciemos à vida cuidando dos animais, socorrendo-os do
descaso e da crueldade que alguém possa querer lhes impor.
Reverenciemos à vida, protegendo a infância de qualquer tipo
de violência, mediante os meios que nos sejam possíveis, ou convivendo com os
idosos, dando-lhes assistência e permutando carinho com eles.
Reverenciemos à vida combatendo o egoísmo, gerador de tanta
pobreza e miséria no cenário mundial, criando meios alternativos de geração de
trabalho e dignidade
Reverenciemos à vida respirando fundo, sentindo o vento em
nossos cabelos, vendo o painel de estrelas que cercam a noite, caminhando na
beira da praia, passeando nos campos ou parques, sorrindo com os amigos...
Canalizemos os nossos pensamentos, pela prece, para a
promoção da paz e do bem.
Enfim, louvemos a Deus a bênção da vida fazendo-nos
diariamente melhores, cheios de compaixão e dispostos a aliviar o sofrimento do
próximo.
|