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Vera Meire Bestene
Ao lado dos acontecimentos que se nos
parecem uma gigantesca crise em nosso planeta, inúmeros outros se
nos caracterizam o oposto, ou seja, o nascimento de um novo mundo. A
transformação lenta e gradual que a terra vem sofrendo, de mundo de expiações e
provas à mundo de regeneração, conforme preconiza a Doutrina Espírita, tem
deixado muitas pessoas em estado de pânico e alerta, muitos achando que a terra
sumirá da composição Universal, explodirá ou sei lá mais o que, um verdadeiro
estado patológico que faz previsões de uma gigantesca crise em nosso planeta. A
transformação de que se fala e realmente está acontecendo, e não é de hoje, é
muito mais uma transformação no íntimo das pessoas, revoluções de sentimentos,
análises profundas da id e do ego. É lógico que estas transformações refletem
essas revoluções mas nada é causa para pânico.
Cabe o estudo da Gênese, livro que compõe as
obras básicas de Kardec, capítulo XVIII, em seu item 9 : Sim, decerto, a
Humanidade se transforma, como já se transformou noutras épocas, e cada
transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero humano, o que são
para os indivíduos, a crise do
crescimento. Aquelas se tornam, muitas vezes, penosas, dolorosas, e arrebatam
consigo as gerações e as instituições, mas, são sempre seguidas de uma fase de
progresso material e moral. ...
Estamos neste período de crescimento. Um
período que não iniciou hoje, agora. Estamos já há praticamente ou mais de um
século neste tempo de transformação. Neste período de crescimento, que estamos
passando, o espiritismo florescerá e seus frutos serão visíveis. As
transformações das sociedades poderão até ser penosas, dolorosas, que
refletirão, também, no mundo dos espíritos pois, reencarnáveis que são, estão
diretamente ligados com as comoções que passamos, entretanto serão passageiras
como nos esclarece a Gênese.
O Universo, como um todo, nos projeta que as
perturbações que sentimos e que percebemos, são apenas projeções parciais,
isoladas, que se nos afiguram grandiosas, entretanto, se olhadas no conjunto,
podemos perceber que tais comoções são apenas aparentes e que se
harmonizam como o todo.
O progresso da humanidade, é inconteste. Os
resultados que os homens vem chegando sob o ponto de vista das ciências e
artes, são evidentes. Resta-nos realizar ainda um imenso progresso que é o de
realizar, promover a harmonia entre si, a fraternidade e o amor ao próximo, a
caridade efetiva, a solidariedade desinteressada , estando assim se revestindo
das características necessárias ao progresso e bem estar moral.
O espiritismo não cria a renovação social. O
amadurecimento da humanidade é que fará esta renovação. Ë o Espiritismo,
entretanto, o mais apto a secundar o movimento de regeneração porque tem um
grande poder moralizador, e suas tendências progressistas. Surgiu ele na hora
em que teria utilidade e também no tempo certo da compreensão dele.
Para que na Terra sejam felizes os homens,
necessário se faz que a povoem espíritos bons, sejam eles encarnados ou desencarnados.
Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica e os que continuem
praticando o mal pelo mal, verificada a transformação da terra, serão
excluídos, para que não ocasionem mais outras e novas comoções. Irão expiar o
endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças
terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, às quais
levariam os conhecimentos adquiridos com o objetivo de fazê-las avançar.
Tudo se processará exteriormente com a
capital diferença de que um aparte dos Espíritos que estavam encarnados na
Terra, não mais reencarnarão neste planeta. Cada criança que nascer, em vez de
um espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela reencarnaria, virá um
espírito mais adiantado e propenso ao bem.
A regeneração da humanidade, portanto, não
exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos, basta a modificação de
suas disposições morais.
Opera-se, neste instante, um desses
movimentos destinados a fazer a remodelação da humanidade. A multiplicidade das
causas de destruição são um sinal característico de que os tempos são chegados.
São as folhas novas da primavera que ressurgem e fazem desabrochar um NOVO
MUNDO.
Fonte: Publicado no Boletim GEAE Nº 345 – maio/1999
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