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Inaldo Lacerda Lima
Não se trata de um dualismo. Trata-se de um
esclarecimento a nossos leitores, em geral, sobre o que é o corpo, o que é o
Espírito, o porquê do corpo e sua função a serviço do Espírito. Claro que não
temos a presunção de escrever para espíritas estudiosos, mas a conduzir a
profundas reflexões aqueles de nossos leitores que não se familiarizaram ainda
com a Ciência Espírita, mas já adquiriram o bom hábito de ler Reformador.
Já há bastante tempo que o homem alcançou condições para
entender o porquê de, sendo ele
Espírito, ser levado a aprisionar-se num corpo e nele habitar.
Houve uma época em que, por imaturidade evolutiva,
esteve o homem planetário sem condição de compreender ou sequer cogitar a
propósito de seu corpo e de si mesmo como Espírito, não obstante o aparecimento
de alguns iluminados que conseguiram vislumbrar tal realidade, à feição de um
Sócrates, de um Aristóteles... E ainda assim, há aqueles que até de Deus
duvidam, mesmo depois de Ele ter-se revelado, há cerca de quatro milênios,
através da mediunidade de Moisés, como Criador incriado do Universo. E não
somente se revelar, mas muito mais ainda: dar conhecimento de Sua vontade, poder e determinações.
O homem planetário, todavia, preso às algemas da dúvida,
e negando a Ciência, ainda hoje, indaga se há outros mundos habitados além de
nossa pequenina Terra a gravitar em torno de uma pequena estrela de 5a
grandeza, não obstante a ciência astronômica já tratar da existência de cerca
de cem biliões de galáxias no espaço universal (Space Facts, por Caroline Stott e Clint Twist, publicado por DK
Publishing Book, Ltd., London, 1995, edição americana em nosso poder, página
12): “There are about 100 billion
galaxies in the universe; each contains more than 100 billion stars (há
cerca de 100 biliões de galáxias no Universo; e cada uma delas contém mais ou
menos 100 biliões de estrelas).
Entretanto, muitas dessas criaturas continuam a
considerar, com expressões vaidosas de cientistas,
ser difícil que haja vida em outros pontos do Universo!... Deus, porém, continua
a se manifestar à Humanidade através do mesmo princípio com que se manifestou a
Moisés no longínquo passado: a Mediunidade.
Em 18 de abril de 1857, explodiu nas livrarias de Paris
a presença de um livro estranho, mas
vindo do mundo espiritual, naquele instante com apenas 501 questões, cuja
edição se esgotou rapidamente. Mas, em 1860, ressurge numa segunda edição com
1.019 questões, tratando, filosoficamente, das revelações
de Deus e da Verdade para todos os homens da Terra.
Intitula-se essa obra O Livro dos
Espíritos, porque da autoria deles, cumprindo a promessa que o Cristo fez
de mandar aos homens outro Consolador (Evangelho
segundo o evangelista
João, capítulos 14, 15 e 16). Por ser de autoria dos
Espíritos e não sua, o missionário da Terceira Revelação de Deus à Humanidade,
assinou-lhe Allan Kardec (um pseudônimo), nome que ele tivera em uma de suas
encarnações anteriores, na condição de sacerdote druida.
Com convicção afirmamos: tal obra não veio apenas para
nós espíritas (que já nos conscientizamos ser Espíritos encarnados), veio para
todos os seres humanos. Mas, os homens – como sempre rebeldes às verdades
eternas – continuam descrentes das manifestações espirituais, a cogitar,
entretanto, de coisas que não entendem, em nome da Ciência de que estão em
verdade tão distanciados!... Desse modo, cogitam de descobertas cujos sentidos
confundem, vaidosamente, como se fossem crianças a brincar irresponsavelmente
com as manifestações da
suprema Inteligência Universal.
Sequer refletem, por ignorância, a respeito dos milênios
que Deus consome na criação do Espírito, fazendo-o percorrer séculos e séculos,
como essência espiritual, dormindo na pedra, aprendendo a respirar na vida
vegetal, e preparando-se para a conquista da razão nos planos da
irracionalidade, onde desenvolve o instinto, até o momento de cessar esse
peregrinar multimilenar com o seu nascimento espiritual, tornando-se um ser à
semelhança de Deus, Espírito,
enfim!...
Mas Deus o quer também à Sua imagem, isto é perfeito. E leva-o a evoluir, dotando-o
de um corpo, que o possa
individualizar como ser; de razão,
com a qual desenvolve a inteligência; de livre-arbítrio,
para que tenha a responsabilidade de seus atos, na busca da perfeição; e,
finalmente, de consciência, para que
possa discernir com segurança entre o bem e o mal.
Ah! Mas, afinal, que queremos com estas lucubrações?
Quase nada! Apenas advertir: Homens do mundo, cuidado! Atentai na simbologia da
Torre de Babel (Gênesis, 11:9).
Atentai bem no juízo que fazeis de Deus, julgando-O tão
mau quanto vós mesmos, que por ódio ou paixão vos destruís uns aos outros em
guerras de extermínio... Vós, que um dia, confundindo-vos, erguestes fogueiras
colossais para incinerar corpos vivos, desrespeitando o 5o Mandamento da Lei!
Lembrai-vos de Sócrates – o melhor dos homens, segundo Platão – obrigado a
ingerir uma taça de cicuta!... Lembrai-vos de Jesus, o Cristo embaixador de
Deus, crucificado no madeiro da infâmia para satisfação de sacerdotes
infiéis!...
Chega, homens sonâmbulos do mundo! Despertai para a compreensão
de que não existe nenhum outro Lúcifer, senão vós mesmos, ou todos nós, quando
esquecemos a paternidade divina e, traindo a condição de irmãos, tripudiamos
sobre a bandeira da Fraternidade!
Só há por enquanto um inferno, que é este nosso mundo,
cujos demônios somos nós mesmos, quando dilapidamos os talentos divinos do Amor
e da Paz. Mas nunca um inferno de penas eternas, pois Deus é Pai! E mesmo do
inferno terreno
nos retira pelas reencarnações sucessivas.
Aí tendes, pois, em ordem: o Espírito, o corpo físico e
a sua função.
Eis que uma certa experiência que alguém praticou, em
nome da Ciência, utilizando-se de uma inocente ovelha, já parece colocar muitos
de vós, ó homens pequeninos, na condição obstinada e ridícula de desafiadores da Divindade! Mais uma vez,
cuidado! E quanto a nós outros, espíritas, tenhamos também, por nossa vez,
muito cuidado, para não surfarmos nessas
ondas violentas do oceano do materialismo!...
Recordemos que nos foi colocada nos ombros uma tarefa
bastante séria e sobremodo importante: a de unir esforços na condição abençoada
de trabalhadores da última hora,
conforme nos assinala, em seu capítulo vigésimo, O Evangelho segundo o Espiritismo. Eles não sabem, mas nós sabemos
que estamos adentrando a fase mais séria do processo regenerador deste nosso
planeta.
Que brinquem,
que zombem, que recalcitrem na obstinação do mal: é o livre-arbítrio deles. Quanto
a nós, mantenhamo-nos fiéis, como os discípulos de ontem, à missão do Cristo
deste orbe, engajados no trabalho de sua regeneração, possivelmente ainda neste
milênio, e atentos sempre à função do corpo (prisão carnal) e à função do
Espírito, nele aprisionado, a fim de purificar-nos, para a gloriosa caminhada
na direção de Deus, nosso Pai!
Fonte: Revista Reformador - nov/2003
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