|
Adésio Alves Machado
O homem
navega desde muito tempo na era Psi, a letra grega designadora dos fenômenos
parapsicológicos que se vêm tornando constantes no campo psicológico da vida
humana.
Joseph Banks Rhine forneceu, com suas pesquisas, as armas
ou os elementos aos que combatiam, e quiçá ainda hoje continuem a combater, os
fenômenos espíritas. Não era, em verdade, uma negação da existência dos
fenômenos, pois que se constituíam em fatos difíceis de não serem aceitos,
porém, a negação do modelo de explicações espíritas quanto aos seus fenômenos,
os quais eram tidos como fora do natural...
J. B. Rhine continuou os seus esforços de pesquisador e,
por fim, chegou à evidência de que “há
no homem um conteúdo extrafísico e que a mente sobrevive à morte do corpo, a
percepção extrasensorial era uma realidade”.
Não obstante todas as negativas que tentavam
obstaculizar o avanço do Espiritismo, foram um sucesso as experiências de
voz-direta levadas a efeito em Londres e as explicações sobre as assombrações,
muito comuns em palácios e residências da capital inglesa, que nada mais seriam
do que manifestações dos chamados mortos, ou dos Espíritos. Abriam-se os
caminhos, era indubitável.
Nessa época, o Clero mostrou-se ainda mais preocupado,
sofreu forte abalo, tendo em vista que homens sérios, de ciência, seus grandes
e ferrenhos adversários, tivessem passado a estudar com freqüência os fenômenos
estranhos, com isso chegando cada vez mais perto das afirmações
fenomenológicas espiritistas.
O corpo bioplásmico surgiu na Rússia, na Universidade de
Kirov, justamente numa terra em que há até hoje, menos agora do que
antigamente, um certo predomínio das idéias marxistas materialistas, ou, no
mínimo, uma reminiscência do materialismo científico. A prova científica da sobrevivência
da alma desenhava-se a olhos vistos. O corpo espiritual decantado pelo Apóstolo
Paulo mostrava-se às vistas atônitas dos homens de ciência da Rússia, causando
perplexidade, claro, dando cabal razão às realidades anunciadas pelo ousado
Espiritismo. Segundo Herculano Pires, houve verdadeiro alvoroço nas hostes dos “mágicos de picadeiro, jejunos em ciências,
trânsfugas da razão, intoxicados de incoerência cantando de galo nas rinhas da
ignorância”. Referia-se ele aos cientistas intransigentes e aos clérigos
obstinados.
A mediunidade, que outra coisa não é senão o intercâmbio
de idéias realizado pelas mentes dos Espíritos encarnados e desencarnados,
fez-se visível; facilmente verificáveis se tornaram seus fenômenos quando, nas
experimentações, havia a ausência do preconceito, da má-vontade, ou seja,
quando eram eles observados por pessoas experimentadas na prática da
mediunidade, e não pelos que nada sabiam, e que se limitavam a negar o
incompreendido.
Chegou-se, como explicação, a aventar a idéia de que a
materialização de Espírito, realizada com a participação da médium russa
Stanislava, era um desdobramento de sua metade, ou seja, ela se dividia em duas
personalidades, o que contrariava, frontalmente, o que ocorria, tendo em vista
que eram duas personalidades a se mostrarem psicológica e fisicamente
distintas.
Os recursos utilizados pelos misoneístas de todos os
tempos são, foram e serão sempre os mesmos, pois que se baseiam em não quererem acreditar. Para eles é o
que basta, mesmo que as provas os agridam afrontosamente.
Arthur Colan Doyle, famoso escritor inglês, autor das
histórias de Sherlock Holmes, que chamou Léon Denis de o Druida de Lorena, e
que mais tarde escreveu a História do
Espiritismo, numa de suas conferências, realizada em Paris, em 1920,
ressaltou palavras deste apóstolo de Allan Kardec, segundo o qual estava mais
do que claro que o século XX veria a vitória do Espiritismo. Léon Denis não se
enganou, porque, exatamente, é isto que mais se comprova com o passar dos anos.
Nesse século, então, presenciou-se não os adeptos
espíritas empenhados em comprovar suas afirmações fenomênicas mediúnicas, mas
os cientistas bafejados pelas luzes da Espiritualidade aceitando como fatos os
fenômenos espíritas.
Chega a era de Freud no campo psicológico, a qual
inaugura os tempos da Psicanálise, que atingiu o seu auge com Jung revelando os
seus arquétipos, os quais somente tiveram realidade, devidamente comprovável,
porque vicejaram na dimensão dos Espíritos. O espiritual seria, como está
sendo, bem conhecido de todos, numa aceitação crescente, sem o enfrentamento de
maiores barreiras.
A era Psi prossegue com as luzes cada vez mais
brilhantes e difundidas pelas terras do Brasil e de além-mar, malgrado os
ventos bravios da ignorância humana, cuja predisposição atávica é pelo
comodismo, pelo mais fácil, não se empenhando pelo estudo que leva à aceitação das verdades espíritas,
tendo por meta conduzir a todos, que a ele se filiarem, à perfeição espiritual,
desde que abracem de forma destemida e com amor os ensinos crísticos como norma
de conduta.
Saibamos, e nunca é demais salientar, que não basta
abraçar o Espiritismo. É necessário, imprescindível mesmo, sermos por ele
abraçados, o que significa vivermos os seus postulados doutrinários.
Os fenômenos que envolvem o psiquismo são os mesmos de
antes, comandados pela mediunidade, só que menos freqüentes, tendo em vista que
a fase de despertamento através da necessidade de impressionar impressionar os
sentidos arrefeceu, trocou de lugar com o uso da razão, da lógica e do bom
senso, qualidades características do nobre Codificador do Espiritismo, Allan
Kardec, que soube assentar toda a sua inteligência no princípio científico
de que “todo efeito tem sua causa, e que se o efeito é inteligente a causa há
de ser também inteligente”. Assim ele chegou aos Espíritos e aos fenômenos
provocados por eles. Rapidamente compreendeu que tudo quanto acontecia de estranho no
lado espiritual da vida podia ser estudado e que havia uma finalidade
preponderante: a de acordar a mente humana para a nossa imortalidade, para a
vida além da sepultura e que Jesus era e é o Guia e Modelo da Humanidade.
Não cessarão jamais os fenômenos e o crescente número
dos que adotam o Espiritismo como a Ciência, a Filosofia e a Religião a serem
estudadas pelo ser humano. Ali ele certamente encontrará recursos inteligentes
para uma transformação intelecto-moral, a qual viabilizará o seu ingresso na
falange de fiéis trabalhadores de Jesus.
Os Espíritos desencarnados estão associados aos
encarnados, numa tarefa santificante, como diz o Espírito Lacordaire, em
mensagem encontrada em O Evangelho
segundo o Espiritismo (capítulo XVI, item 14), para, juntos, conseguirem a
regeneração do homem, usando estas palavras: “(...) Nós nos devemos uns aos outros;
somente pela união sincera e fraternal entre os Espíritos e os encarnados será
possível a regeneração.” Depois demonstra que os bens terrenos são um dos
maiores óbices para o nosso adiantamento moral e espiritual. Desapeguemo-nos
deles, antes que deles sejamos prisioneiros, escravos.
Fonte:
Revista Reformador - março/2003
|