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Ismael Ramos das Neves
A Filosofia,
por mais que concebesse teorias e deduzisse ilações acerca da origem e do
futuro do homem, se não houvesse buscado em Deus a resposta para todos os
grandes enigmas do pensamento humano, não passaria de um amontoado de palavras
e concepções vazias, sem racionalidade, como cegos sem a visão do Sol, em plena
luz do dia!...
Enquanto a Ciência investiga, tendo por objeto o
concreto, identificando os mecanismos profundos da natureza física, seja na
litosfera, na hidrosfera, na atmosfera e, além desta, vislumbrando, numa visão
mais ampla, no campo da vida cósmica, sinais da presença de elementos orgânicos
em outros orbes, a Filosofia propõe-se a explicar as causas dos conflitos
humanos e a demonstrar, embora no campo subjetivo, as interrogações da nossa
consciência. O conhecimento dos filósofos e dos
fisiologistas não pode encontrar outra conclusão, senão a de que Deus é a
inteligência suprema do Universo, como responderam os Espíritos Superiores à pergunta no 1, inserida em O Livro dos Espíritos, publicado por
Allan Kardec, como obra fundamental do Espiritismo.
Buscando a Deus, o homem atende à sua própria condição
de filho do Altíssimo. Todos os seres humanos trazem, no coração e no
pensamento, o toque da Paternidade Divina! Mesmo como selvagens, todos nós, na
antropogênese distante, trazíamos como idéia inata a certeza de um Ser
Superior, que a todos nos dirige, embora, em nossa condição de ignorância e
selvageria, não compreendêssemos que, em vez de temer, deveríamos amar a esse
Ser Superior, pois os cultos aos ídolos e as concepções antropomórficas acerca
de Nosso Pai Celeste resultaram da indigência mental em que transitamos durante
milênios, nos evos insondáveis da Pré-História.
A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec e
revelada pelos Espíritos Superiores, em cumprimento à promessa de Jesus Cristo, de que rogaria a
Deus para que nos enviasse o Consolador – conforme se encontra inserido no
Evangelho segundo João –, baseia-se, fundamentalmente, na idéia de Deus e
demonstra, através de fatos inequívocos, que a alma é imortal, preexistindo e
sobreexistindo ao homem físico, além de preconizar a transformação
moral da criatura humana, seguindo os padrões do
Evangelho de Jesus e afirmando que todos nós estamos a caminho da evolução e
nos submetemos, incoercivelmente, à augusta Lei da Reencarnação, no processo
maravilhoso de nossa própria transformação como individualidade que, originária
de Deus, traz em si mesma o germe do progresso. Dessa forma, teremos que construir por nós mesmos os valores
profundos de nossa verdadeira felicidade, atendendo às determinantes da Lei de
Amor, Justiça e Caridade, que nos propicia, com eqüidade, os meios de caminhar
com nossos próprios pés, com a liberdade que o livre-arbítrio proporciona, dentro das limitações
estabelecidas pelo determinismo, para que o discernimento entre o bem e o mal
possa clarear a consciência de cada um, herdeiros que somos todos nós do amor
infinito de Deus!
Fonte:
Revista Reformador - abril/2003
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