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Elaine Curti Ramazzini
“O lar, no dizer de Néio
Lúcio, é a escola das almas”. A vida em família é extremamente importante para
forjar a personalidade e o caráter do ser e ajudá-lo a desenvolver-se num
sentido biológico, psicológico, social e espiritual.
É no lar que se vive as idiossincrasias, as características, os valores e os
ideais de cada nação, facilitando um estado permanente de mudanças e
aprimoramento.
Segundo Maurizio Andolfi, estudioso das relações familiares, “o sistema
familiar é uma realidade tridimensional, na qual relações familiares passadas
manifestam-se no presente a fim de desenvolver-se no futuro”.
A Doutrina Espírita nos tem orientado a respeito dos sete primeiros anos na formação
do caráter e da personalidade da criança. Assim, a influência que o lar exerce
sobre o espírito reencarnante é extraordinariamente grande: a partir da concepção,
durante a gravidez, a criança já está sofrendo a influência do lar pelas
vibrações do ambiente, pelo tipo de vida cultivado pelos pais.
Os psicólogos falam dos determinantes do comportamento gregário vitais para o
desenvolvimento da criança, isto é, do conjunto de relações entre seus membros,
do conjunto de papéis socialmente definidos e de uma liderança responsável pela
implantação dessas normas e pela fiscalização no sentido de fazê-las cumprir.
Assim, os objetivos das funções familiares são: (a) interno, de proteção
psicossocial de seus membros, e (b) externo, de acomodação a uma cultura e
transmissão dessa cultura.
Para o Espiritismo, contudo, a família é mais do que combinações genéticas: é a
soma de lutas e tarefas cruciais de dores e aflições, bem como a concretização
de aspirações e conquistas maiores do espírito recém-ingresso na vida corpórea.
Acrescente-se que as criaturas reúnem-se sob um mesmo teto para, numa experiência
comum e limitada, resgatar faltas passadas, mas, sobretudo, para aprendizagem e
crescimento como seres eternos.
A constelação familiar é o laboratório abençoado em que se forja a matriz da
identidade ideológica, sexual e profissional, mas, principalmente, o locus do
aprimoramento da individualidade, do eu profundo, do espírito.
As tarefas de desenvolvimento no lar iniciam-se bem antes do nascimento da criança,
através do tipo de vida cultivado pelos pais, e essa influência vai se fazer
sentir de maneira mais direta no processo de reencarnação do espírito.
Quando do nascimento da criança, surgem novas funções que modificam a unidade
conjugal para satisfazer os requisitos da maternidade e da paternidade. Emmanuel
assevera que receber encargos desse teor – quais sejam os da maternidade e da
paternidade – constituem oportunidades benditas que Deus concede às criaturas
para que elas também resgatem suas faltas e se aprimorem.
Na criação dos filhos, aparecem as oportunidades de crescimento individual e de
fortalecimento do sistema familiar, ao mesmo tempo em que se travam batalhas
muitas vezes difíceis de vencer. Os conflitos, na maioria das vezes, espocam na
educação infantil porque os pais não conseguem separar as funções parentais das
conjugais. Tais conflitos, contudo, constituem o “cadinho purificador das
almas”, como quer Néio Lúcio.
No contato com o outro, o indivíduo vai forjando as próprias características,
configurando sua percepção de mundo, bem de acordo com o seu repertório
particular de experiências e conhecimentos angariados nesta e em outras vidas.
Ortega y Gasset asseverou certa vez: “Eu sou eu e minhas circunstâncias e, se
eu não as preservo, não posso preservar a mim”. Preservar a vida em família
significaria para nós, espíritas, contribuir emocionalmente para o
aprimoramento do sentimento, através dos estímulos ambientais – uma vida
equilibrada, em todos os aspectos, desde o consumo de bens, de hábitos
alimentares e de higiene, de pensamentos e exemplos elevados. Visar ao
comportamento dos membros da família, auxiliando-os para que todos obtenham
satisfação íntima em realizar, pelo próprio esforço, aquilo em que cada um está
interessado auxiliará, principalmente os pequeninos, a apreciar as realizações
alheias sem inveja ou despeito.
A Doutrina dos Espíritos do Senhor nos alerta para o desenvolvimento do
respeito
e da responsabilidade em nossas vidas enquanto aqui na Terra,
e o cultivo do Evangelho de Jesus no coração dos seres constitui um bem inestimável
e impostergável em nossas vidas.
Isso tudo deverá fazer parte do nosso modus vivendi enquanto estivermos caminhando
os passos necessários com aqueles que compartilham conosco desta existência.
Fontes:
Folha
Espírita - www.folhaespirita.com.br
ALLAN
KARDEC, O Livro dos Espíritos; F. C. XAVIER, Espírito Emmanuel, Fonte Viva; F.
C. XAVIER, Espírito Néio Lúcio, Jesus no Lar; MAURIZIO ANDOLFI, Formações em
Terapia Familiar.
*Elaine Curti Ramazzini é psicóloga.
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