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Andrey Cechelero
"Os
ciumentos não precisam de causa para o ciúme: têm ciúme, nada mais. O ciúme é
monstro que se gera em si mesmo e de si nasce"
Willian Shakespeare, Otelo
O ciúme é a inquietação mental
causada por suspeita ou receio de rivalidade nos relacionamentos humanos. É uma
distorção, um exagero, um desequilíbrio do sentimento de zelo.
Adentrando na intimidade deste
sentimento, vamos descobrir que ele é "medo", medo de algum dia ser
dispensável à pessoa com a qual se relaciona; é o medo de ser abandonado,
rejeitado ou menosprezado; medo de não mais ser importante; medo de não ser
mais amado, enfim, é, de certa forma, medo da solidão.
O psiquiatra e psicoterapeuta
Eduardo Ferreira Santos, revela que tal sentimento é totalmente voltado para si
mesmo, egocentrado no indivíduo, e por esta afirmação podemos entender o porquê
da frase do personagem "lago", de Shakespeare, dizendo que o ciúme
não precisa de causas exteriores, que se gera em si mesmo.
Suas causas interiores, segundo
Joanna de Ângelis, Espírito, são encontradas principalmente na insegurança
psicológica, na baixa autoestima, no orgulho avassalador que não suporta
rivalidades, e no egoísmo, que ainda nos faz ver aqueles que estão à nossa
volta como posses.
O ser inseguro transfere para o
outro a causa desta insegurança, dizendo-se vítima, quando apenas é escravo de
idéias absurdas, fantasias, ilusões, criadas em sua mente, que ateia
"incêndios em ocorrências imaginárias".
Agravado este sentir leva a
psicoses, a problemas neuropsiquiátricos, como diversos tipos de disritmias
cerebrais, sendo causador de agressões físicas e crimes passionais.
Além disso, não podemos esquecer
que sua existência é sempre uma porta aberta para a obsessão, uma oportunidade
de sermos influenciados por aqueles que desejam nosso mal.
O ciúme é um sinal de alerta
mostrando que algo não vai bem, que algo precisa ser reparado, repensado. Sua
erradicação de nossos viveres somente será realizada com a análise íntima
constante, com o vigiar dos pensamentos, dos atos, lembrando sempre que
"ninguém é de ninguém", que não possuímos as pessoas, e que o
verdadeiro amor LIBERTA e CONFIA.
O ciúme "insegurança"
precisa ser substituído pela CONFIANÇA "certeza", que é sim uma real
prova de amor.
Fonte: Jornal Mundo Espírita – Março/2001
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