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Paulo Roberto Martins
poncy@ig.com.br
O professor
Rivail, já utilizando desde então o codinome “Allan Kardec”, abre o capítulo
primeiro, do livro primeiro da codificação da Doutrina (Ensinamentos) dos
Espíritos, com a pergunta título deste artigo.
Kardec já tomava
por base que para iniciar e ter total empenho nas suas pesquisas espíritas,
nunca seria demais a máxima frieza e o sistemático controle das paixões
evitando descambar-se para a religiosidade muito forte da época, para a
curiosidade pueril, para a sede do sobrenatural ou quaisquer manifestações
deste gênero. Tanta convicção tinha neste comportamento que mais adiante
advertiria os seus seguidores: “O Espiritismo será científico ou não subsistirá”.
Recebeu dos
Espíritos que “assinam” os prolegômenos de “O livro dos Espíritos” a resposta
mais próxima da verdade científica até hoje já concebida: - Deus é a inteligência
suprema, causa primeira de todas as coisas.
A lei básica que
rege o Universo (todas as coisas) é a lei de Causa e Efeito ou Ação e Reação,
como é conhecida no meio científico. Para um efeito inteligente sempre haverá
uma causa inteligente correspondente.
Para que
possamos chegar próximos a entender o que é Deus, devemos fazer um esforço para
idealizarmos mais ou menos o que seria o Universo, começando portanto pela
tomada de consciência do espaço tridimensional (comprimento, largura e altura)
que ocupamos no mesmo, passando daí para a percepção do espaço da nossa
residência, bairro, cidade, estado, país, continente e planeta Terra com seus
40.000 quilômetros de extensão na circunferência.
A Terra faz
parte de um sistema solar que possui apenas 9 planetas com 57 satélites no
total de 68 corpos celestes. A “grosso modo” em relação a outros astros do
sistema solar, a Terra possui um volume 49 vezes maior que o da lua e 1.300.000 vezes menor que o do sol. É
preciso que tenhamos noção de sua pouca importância diante do restante do
Universo.
Nosso sistema
solar faz parte de uma pequena galáxia conhecida por Via Láctea, um aglomerado
de cerca de 100 bilhões de estrelas, com pelo menos cem milhões de planetas e
conforme os astrônomos, no mínimo cem mil com vida inteligente e mil com
civilizações mais evoluídas que a nossa.
As últimas
observações do telescópio Hubble (em órbita), elevaram o número de galáxias
conhecidas para 50 milhões. Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o
observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a
luminosidade correspondente a 1 quatrilhão de sóis.
Diante destes
números pensaríamos haver chegado na idéia do que é o Universo; ledo engano,
pois estas áreas, ou melhor, volumes, representariam apenas 3% do que seria a
totalidade de tudo dentro do tridimensional e espaço / tempo como conhecemos. Os espaços
interplanetários, interestrelares e intergalácticos, obviamente, formariam a
maior parte daquilo que chamamos de Universo.
Os fenômenos de
aporte (transporte de matéria através de outras dimensões) tão conhecidos dos
pesquisadores da paranormalidade e a anti-matéria já produzida em laboratórios
experimentais mais desenvolvidos através do planeta, nos dão a confirmação dos estudos de
pesquisadores da capacidade de um Friedrich Zöllner, que no século passado ,
comprova a existência da quarta dimensão e conseqüentemente outros tantos
Universos, quantas tantas dimensões for possível conhecermos.
A teoria mais
moderna da criação do Universo, nos remete não apenas para o Bigbang (a grande
explosão) início de tudo, mas, para a idéia de vários bigbangs, com Universos
cíclicos através de quatrilhões ou mais de anos.
E aí? Será que
conseguimos chegar perto da idéia da concepção e tamanho da obra de Deus, para
tentar entendê-lo?
Não seria no
mínimo estranho que após esta monumental obra inteligente, Deus colocasse em um
planeta que representa um ínfimo grão de areia em uma cadeia de montanhas como
o Himalaia, sua grande criação, o homem, feito sua imagem e semelhança?
Nosso grande
irmão e amigo Jesus, há 2000 anos, já passava em forma de contos e parábolas
vários conhecimentos intelectuais e morais que possuía devido ao seu grande
estado evolutivo, quando em missão entre nós, confiada pelo Criador afirmou:
“Na casa de meu pai existem muitas moradas”.
Para concluirmos
esta nossa pequena intenção de lançarmos nossos confrades na especulação ao
entendimento do que seria Deus, iremos nos valer da “coleção de livros” chamada
Bíblia, que no entender do grande intelectual e eminente espírita Dr. Carlos
Imbassahy, é um livro como outro qualquer, em que nos seus textos contém tudo
que a gente queira para justificar, a favor ou contra qualquer coisa.
No Antigo Testamento, Livro Gênesis, Capítulo 1 (Criação do
homem), versículo 26 temos: “e (por fim) disse: Façamos o homem à nossa imagem
e semelhança (sic...)”.
Se tomarmos como verdadeira a hipótese de que a Bíblia é a palavra
de Deus, qual seria a imagem correta do nosso Criador? Um homem ou mulher?
Velho, ariano de barbas longas ou de cor negra, e magro como os etíopes
(teoricamente os primeiros hominídeos) ?
Não seria melhor tentarmos entender uma concepção mesmo que não a
conheçamos bem? Como por exemplo: o que sabemos a respeito do que somos
(espírito)? Qual a imagem fiel que temos do mesmo? Ninguém sabe, ou melhor,
conhecemos bem o corpo material, e relativamente o periespiritual, mas não o
espírito.
Conforme Allan Kardec, o espírito é alguma coisa formado por uma substância, mas cuja matéria, que
afeta nossos sentidos, ele não nos pode dar uma idéia. Pode-se compará-lo a uma
chama ou centelha cujo clarão varia de acordo com o grau de sua depuração.
Sendo assim, pois, teríamos o entendimento melhor de nossa imagem de acordo com
a de Deus.
No tocante a semelhança é mais fácil a sua comparação quando
procuramos compreender a eternidade, já que a palavra pressupõe algo que não tem
início nem fim, como Deus; que é infinito, único, perfeito e todo-poderoso. Já
ao passo que nós somos algo como semi-eternos; tivemos um começo criado por Ele
e evoluímos na Sua direção conforme o Seu desejo.
Fonte: Artigo publicado no
Jornal Espírita de Pernambuco- Julho/2000
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