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José Argemiro da
Silveira
“E ela deu à luz o
seu filho, o primogênito, e o enfaixou e deitou numa estrebaria, porque não
havia lugar para eles no alojamento” (Lucas, 2-7)
O dicionário nos diz que Pedagogia é a
teoria da educação. Conjunto de doutrinas e princípios que visam a um programa
de ação; estudo dos ideais da Educação, segundo uma determinada concepção de
vida, e dos meios (processos e técnicas) mais eficientes para realizá-los.
Existe uma Pedagogia de Jesus? O que revela a existência de um pensamento
pedagógico na orientação educacional dada por um mestre não são os seus
títulos. São as coordenadas e a estrutura do seu ensino. Toda Pedagogia se
funda numa filosofia, isto é, na maneira de entender a vida. No caso de Jesus,
a filosofia básica é a do Evangelho. Jesus não foi um educador no sentido comum
da palavra, mas foi e é o Mestre por excelência. Clemente de Alexandria chama
Jesus de Pedagogo da humanidade. Aliás, este foi o único título que Jesus
aceitou: “Vós me chamais de mestre e senhor, e dizeis bem porque eu o sou”.
Muitos historiadores da Educação e da Pedagogia reconhecem a existência de uma
Pedagogia de Jesus. Vejamos os seus fundamentos.
O Deus do Novo Testamento é completamente
diferente do Deus do Velho Testamento. No Evangelho, Deus é Pai. E a
paternidade universal determina a fraternidade universal. O Deus do Evangelho
não é vingativo, nem irado, não comanda exércitos, mas ama a todos os seus
filhos. Paulo afirma que “o tempo da lei e da força fora substituído pelo tempo
da graça e do amor”. Os pobres, os doentes, os sofredores, os escravos deixam
de ser os condenados dos deuses e passam a categoria de bem-aventurados, isto
é, felizes. Felizes porque o sofrimento não é castigo, não é punição. É lição,
recurso educativo de que se utiliza o Pai para o aprendizado, o desenvolvimento
dos filhos que Ele ama. Humilhar-se é melhor do que vangloriar-se. O Fariseu
que ora com orgulho, se considerando bom, cumpridor da lei, está em pior
situação do que o publicano, que ora com humildade, reconhecendo suas faltas, e
pedindo perdão a Deus. O ideal é responder ao mal com o bem, porque quem faz o
mal é responsável por ele, vai experimentar-lhe as conseqüências; e fazer o bem
é libertar, construir um futuro melhor.
O culto a Deus, no Evangelho, é totalmente
diferente do Velho Testamento. Nada mais de sacrifícios materiais, de bodes
expiatórios, de rituais simbólicos, de privilégios sacerdotais. Deus é Espírito
e devemos adorá-Lo em Espírito, conforme ensinou à mulher samaritana. Os sacrifícios
que devemos realizar são os das más paixões, do orgulho, da arrogância. O
objetivo da vida humana não é mais a conquista do céu pela violência, mas a
implantação do Reino de Deus na Terra. O Reino de Deus está em nós, isto é, as
qualidades boas do saber e das virtudes já estão em nós. Devemos desenvolvê-las
pelo estudo e pelo trabalho, transformando-nos, aperfeiçoando-nos. E ao mesmo
tempo trabalhar pela melhoria do meio, das pessoas com quem vivemos,
transformando a Terra num mundo melhor, de mais tolerância, cooperação e
entendimento. As riquezas e o poder não são coisas desejáveis e invejáveis. Se
não forem bem utilizadas podem constituir-se em verdadeiras fascinações que
podem levar a criatura humana à perdição.
A salvação, no sentido de aperfeiçoamento
espiritual, não é conseguida pela simples obediência à Lei e pelo cumprimento
de rituais, de formalidades do culto, mas pelo aperfeiçoamento do Espírito,
pela purificação do coração, pela educação integral da criatura. “Conhecereis a
verdade e ela os libertará”. Vamos conhecendo a verdade, a medida que vamos
evoluindo. Verdade que nada mais é do que a compreensão da Lei e a vivência
harmoniosa com ela. Logo a verdade é relativa. A medida que evoluímos
compreendemos melhor, conseqüentemente mudamos o modo de ver as coisas, de
compreender a vida. Quando isso ocorre, acontece a libertação do sofrimento,
isto é, do medo, da angústia, da insegurança, de tudo que nos faz sofrer. Tudo
isso não ocorre com imposição, de fora para dentro. A criatura precisa querer,
estar preparada, desejar, empenhar nesse sentido. O educador facilita o
trabalho do aprendiz, ajudando-o no seu despertamento através dos estímulos da
palavra e do exemplo.
Cada criatura é para Jesus um educando,
matriculado na escola da Terra. O seu ensino é adaptado aos ouvintes,
utilizando imagens, comparações, estórias. Utiliza freqüentemente a arte de
interrogar, levando o interlocutor a perceber que não sabe, ou que pensa que
sabe, mas na verdade não sabe. E assim excita-lhe o interesse. Semeia e espera
que as sementes germinem e frutifiquem. Não cobra resultados, não reclama,
espera o amadurecimento das idéias.
O Livro dos Espíritos, questão 625, nos diz
que Jesus é o Ser mais perfeito que Deus enviou à Terra, para servir-nos de
guia e modelo. E a doutrina que Ele nos ensinou é a mais pura expressão da Lei
de Deus.
É bom lembrar o nascimento do Mestre entre
nós, mas é urgente estudar, refletir, meditar sobre Seus ensinos,
experimentando-os na vida diária. Tais ensinos constituem roteiro seguro para
nossa educação moral, nossa evolução espiritual, e caminho certo da tão
desejada felicidade.
Fonte: Jornal Verdade e Luz Nº 191 – dez/2001
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