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José Henrique Baldin
"E chegando-se a ele os discípulos
lhe disseram: Por que razão lhes fala tu por parábolas? Ele, respondendo, lhes
disse: Porque a vós outro vos é dado saber os mistérios do Reino dos Céus, mas
a eles não lhes é concedido. Porque ao que tem, se lhe dará, e terá em
abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso é que
eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem,
nem entendem. De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Vós
ouvireis com os ouvidos, e não entendereis: e vereis com os olhos, e não
vereis. Porque o coração deste povo se fez pesado, e os seus ouvidos se fizeram
tardos, e eles fecharam os seus olhos; para não suceder que vejam com os olhos
e ouçam com os ouvidos, e entendam no coração, e se convertam e eu os
sare." (Mateus, XIII:10-15)
Através das afirmações acima, Jesus nos
ensina, que não devemos convencer a ninguém a mudar os conceitos de religião ou
qualquer outro assunto. Pois cada um, se encontra em um nível de inteligência e
moralidade. Mesmo que a verdade se encontre claramente a sua frente, estas
pessoas não conseguirão enxergar, porque ainda não possuem a maturidade moral e
intelectual para compreender. Precisarão ainda progredir mais para chegar a
compreensão. Mesmo nós que hoje conhecemos a Doutrina de Jesus, e a aceitamos
naturalmente, em existências anteriores, com certeza a repudiamos, e quem sabe
até não a combatemos!
Há um outro detalhe também, para aquela
pessoa que acredita numa filosofia, nenhuma palavra, fato ou explicação é
necessário, mas para aquele que não acredita, nem todas explicações e fatos são
necessários para o convencer. Exatamente como disse Jesus: "Muitos tem
olhos, mas não verão, muitos tem ouvidos, mas não ouvirão".
Jesus ensinou a moral, humildade e a
bondade, claramente, através dos seus exemplos e do seu amor ao próximo.
Somente os seus ensinos abstratos, que tentava passar ao povo, eram através de
parábolas. Por isso Jesus falava por parábolas, pois assim não sofreria
alterações do seu conteúdo, e quando as pessoas estivessem mais preparadas
poderiam compreender o real sentido das frases.
Mesmo entre nós, espíritas, encontramos
aqueles que tem olhos, mas não vêem. Interpretam a filosofia espírita e
implantam métodos "modernos" na doutrina, de acordo com seus pontos
de vista, de outra pessoa ou através de comunicações mediúnicas, que na maioria
das vezes são "os mentores da Casa". Aceitam estas novas idéias sem
questionamentos, porque na maioria dos casos, não estudam e nem conhecem a
doutrina que professam. Vão aderindo novas práticas, dizendo: "É pela
caridade."
A maioria dos equívocos que percebemos no
Movimento Espírita, se dá pelo fato de muitos centros espíritas estarem
orientando seus trabalhadores a estudarem as obras acessórias, as chamadas
obras mediúnicas, onde nestes livros, nem sempre temos uma fiel coerência
doutrinária. Quando na verdade, deveriam estudar os livros da Codificação. Só
assim, teremos uma orientação segura para o trabalhador da Casa Espírita.
Imaginem que há pessoas que acham que Kardec está superado, só porque seus
livros tem mais de 140 anos. Até hoje a ciência só está ratificando o conteúdo
das obras básicas. E se a obra filosófica foi transmitida pelo Espírito da Verdade,
obviamente não pode conter erros.
Entre os adeptos do Espiritismo, temos
também diferentes níveis de evolução. Temos os "Espíritas" que se
preocupam somente com a parte fenomênica da doutrina e não percebem o seu
alcance moral. Não compreendem que a força do Espiritismo se encontra na sua
filosofia, no seu ensino moral. Essas pessoas que assim pensam eram chamados
por Kardec de espíritas experimentadores.
Há também, aqueles que compreendem o alcance
moral da Doutrina, mas não a praticam em suas vidas. Estes eram chamados por
Kardec de espíritas imperfeitos. Só aqueles que compreendem o alcance da moral
e a praticam, eram considerados como Espíritas perfeitos ou Espíritas cristãos.
"Reconhece-se o verdadeiro Espírita,
pelos esforços que faz em domar as suas más inclinações" dizia Kardec. Por
isso que devemos dedicar a nossa vida atual e as próximas, para o nosso
progresso intelectual e moral, pois ainda há coisas que ainda vemos e ouvimos,
mas não compreendamos. E se quisermos alcançar a perfeição do nosso Espírito,
não há outro caminho. Temos o dever de nos reformarmos moral e
intelectualmente.
Fonte: O
Espiritismo – José Henrique Baldin - www.jhbaldin.com/espirita.htm
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