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O Silêncio

 

Angel Alberto Napoli

 

                          “Imediatamente a boca se lhe abriu, e a língua se lhe soltou; louvando a Deus.” (Lc 1: 64)

 

Muitos se perguntam, ao derredor de sua existência, sobre os mistérios do silêncio e seus eventuais benefícios para o espírito.

Anselm Grün, em seu festejado opúsculo “As Exigências do Silêncio”, lançado no Brasil pela Editora Vozes, sumaria a importância do silenciar, como forma de luta contra o pecado e o vício – do ponto de vista espírita, contra as más tendências humanas, herdadas do orgulho e do egoísmo, por vezes de infelizes experiências pretéritas.

O perigo do falar envolve constante provação de nosso espírito, já que através da língua nossas tendências mais inatas e inconscientes se manifestam, as quais devem ser combatidas, através do domínio do instinto pela razão. Ou nas felizes palavras extraídas da epístola de Tiago: “Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã” (1:26). “Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniqüidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno. (...) ”  (3:5-6). 

Revivendo o Deus que está dentro de nós, através do silêncio somos capazes de, por esforço e vigilância, alcançar estados mais puros d’alma, desapegando-nos daquilo que nos é prejudicial, sobretudo dos excessos, mortificando-nos a conceitos limitadores do crescimento do espírito, peregrinando freqüentemente ao mais recôndito do nosso “eu”, onde o silêncio se revela como mais pleno passaporte à liberdade e serenidade.

O silêncio é, de fato, abertura para Deus, tanto como escuta, quanto como plenitude da oração. Não é à toa ser comum enxergar nas casas espíritas os dizeres: “O Silêncio é uma Prece.” Ou seja, o silêncio deve ser encarado como constante sintonia mental com a luz divina, da melhor forma possível, para que ela sempre continue a nos cobrir de forças todos os dias.

O silêncio é manancial valioso de boas obras e profundas reflexões, bem como catalisador da necessária reparação dos nossos equívocos. O ideal, diante da nossa pequenez humana, sempre é ouvir muito e falar pouco.

Muita vez é preciso saber calar para que o Senhor da Vida possa manifestar-se. É uma arte de viver. E como toda arte, deve ser burilada, repisada e direcionada a um fim, dentro de nós, para que se possa alcançar sua essência.

O escopo do homem é a felicidade. Nossos irmãos maiores, como Chico Xavier, Bezerra de Menezes, Joanna de Angelis, Emmanuel, Madre Teresa, Irmã Dulce, venceram a si próprios, seguiram pela porta estreita, muitas vezes inclusive silenciando quanto a ofensas a eles dirigidas. Basta investigar as biografias deixadas, através de riquíssimas obras, que, ao tempo que lemos, nos mostram o quanto ainda somos pequenos e insignificantes.

De fato, não compreendemos ainda o verdadeiro significado dos máximos ensinamentos do Cristo. Ainda não nos dispusemos, como deveríamos, a passar pela porta estreita. Procurar ser virtuoso deve ser, ao menos, o primeiro passo. Ou como diz o escritor José Reis Chaves, autor do livro “A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência”: “A categoria dos virtuosos constitui-se dos espiritualistas que procuram pôr em prática os princípios do bem e da moral. Porém, praticam-nos com dificuldades, sacrificando a sua própria vontade. É a essa categoria que pertence a maioria de todos nós, que queremos passar pela Porta Estreita, mas só conseguimos, por enquanto, a passagem pela Porta Larga.” (Portal do Espírito - http://www.espirito.org.br/portal/artigos/jose-chaves/a-porta-estreita.html – acesso em 06.01.2004)

Que o espírito solte a língua apenas para louvar ao Pai, por tudo dando graças a Ele. “Porque está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus.”  (Rm 14: 11)

  

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

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Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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