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Rodolfo Calligaris
Indubitavelmente, a felicidade é a aspiração
primeira do ser humano. Ninguém jamais deixou de procurá-la, sonhando tê-la
como nume tutelar de sua existência.
Alguns esperam consegui-la cedendo à
inclinação que os impele para a dignidade sacerdotal ou religiosa, mantendo-se,
castamente, no celibato. Mas são poucos. Constituem a exceção.
A esmagadora maioria espera encontrá-la
mesmo é no casamento. Natural que seja assim, pois é propósito da sabedoria
divina que o homem e a mulher, sendo um, complemento do outro, se unam
intimamente para alcançarem a plenitude da vida.
Tal o sentido das Escrituras, quando
preceituam: “Deixará o homem o seu pai e a sua mãe, unir-se-á à sua mulher, e
serão ambos uma só carne.” (Gen., 2:24).
Conquanto seja unânime a expectativa da
felicidade no casamento, várias são as razões que levam as criaturas a
contraí-lo. Por isso, enquanto uns colhem, na vida conjugal, farta messe de
alegrias, prazeres e bem-estar, outros, ao contrário, só encontram nela
angústias, frustrações e sofrimentos.
É que para formar um lar tranqüilo e feliz
não basta que os cônjuges se tenham unido por necessidade de amor e
companheirismo, pelo anseio de dar-se inteiramente a alguém ou pelo desejo de
possuir um lar e filhos, razões estas que oferecem as maiores probabilidades de
sucesso nas relações do casal. O casamento é algo muito complexo e seu êxito
depende de uma série de fatores, alguns dos quais serão focalizados mais
adiante.
Em seu entusiasmo fácil, muitos jovens o
encaram com exagerado otimismo, acreditando-se aptos para superar todo e
qualquer obstáculo que ameace a concretização de suas fagueiras esperanças.
Não se dão conta de que a união de dois
seres, criados e educados, quase sempre, em famílias, escolas, níveis sociais e
lugares diferentes, requererá de ambos uma reformulação permanente de costumes,
interesses, opiniões e sentimentos, sem o que acabará, como tantas, em
desencanto e fracasso.
Que dizer-se, então, dos que se casam por
conveniência ou vanglória? Por pressão dos familiares, que desejam vê-los
assentes na vida? Para não precisarem comer em restaurantes e terem alguém que
lhes cuide das roupas, vendo no casamento apenas o melhor jeito de resolverem
tais problemas domésticos?
Ou, o que é mais freqüente no lado feminino,
apenas para fugirem ao estigma de solteironas? Por dificuldades de
relacionamento com os pais ou irmãos?
Para não lhe serem “pesadas”,
economicamente?
Para se livrarem de empregos ou trabalhos
espinhosos?
O casamento forçado, ou seja, aquele em que
o homem é compelido a desposar uma moça por havê-la engravidado, conta,
igualmente, com escassas possibilidades de alcançar resultado satisfatório.
Quando duas pessoas são obrigadas a se
unirem apenas por não terem podido resistir a uma violenta impulsão biológica,
não raro vêm a separar-se logo em seguida e, se continuam juntas, mal se
suportam, nutrindo, ambas, um amargo ressentimento e a sensação de terem sido
logradas.
No homem, principalmente, este ressentimento
costuma ser acompanhado de franca hostilidade àquela que o acorrentou ao seu
destino, criando-se, assim, um péssimo ambiente para o filho, cujo futuro será
bastante comprometido.
Sabendo-se, como se sabe, que a felicidade
conjugal depende de que marido e mulher fusionem harmoniosamente suas
personalidades, tornando-se como que uma só pessoa, parece evidente que,
naquelas uniões em que o coração não intervenha será bem mais difícil possam
eles estabelecer uma base estável e sadia que lhes permita enfrentarem, juntos,
as vicissitudes da existência sem conflitos.
Desde, porém, que ambos estejam dispostos a
envidar todos os esforços necessários à colimação desse objetivo, será possível
que o consigam.
Não se tem visto tantos casais, sinceramente
enamorados um do outro, que começaram a união conjugal às mil maravilhas e
depois vieram a separar-se por insanável desentendimento?
Em contraposição, não se conhece, também,
inúmeros matrimônios inconseqüentes que, malgrado os prognósticos
desfavoráveis, acabaram dando certo, sendo muito bem sucedidos?
A razão é que cada casamento será, sempre,
qual os esposos o façam.
“A natureza deu ao homem a necessidade de
amar e de ser amado.” (Allan Kardec, “O Livros dos Espíritos”, q. 938)
“O casamento constitui um dos primeiros atos
de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna
e se encontra entre todos os povos, se bem que em condições diversas. Abolir o
casamento seria regredir à infância da Humanidade e colocar o homem abaixo
mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes.” (Allan
Kardec, “O Livro dos Espíritos”, q. 696).
“Não te esqueças de que casar-se é tarefa
para todos os dias, porquanto somente da comunhão espiritual gradativa e
profunda é que surgirá a integração dos cônjuges na vida permutada, de coração
para coração, na qual o casamento se lança sempre para o Mais Alto, em
plenitude de amor eterno.” (Francisco Cândido Xavier, Emmanuel, “Na Era do
Espírito”, cap. 11).
Fonte: Livro “A Vida em Família”
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