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José
Siquara da Rocha*
Significados
distintos pedem raciocínio
Aparentemente uma grande, enorme
preocupação das pessoas, das entidades, dos governos, é Educar. Os candidatos
políticos, no afã de conseguir eleitores e votos, têm como grande meta a
Educação. A imprensa falada, escrita e televisada, falam constantemente em
Educação, e queixas e informes se avolumam sobre verbas para... Educação.
Mas... só que, parece, ninguém se dá conta que o que se visa realmente é a instrução,
e instruir não é educar. O homem instruído, erudito, culto, pode não ser
educado. A instrução pode começar em casa, passa à escola, onde tem o seu trabalho
básico, vai à Universidade, quando vai...
Mas a Educação, como se diz vulgarmente, vem do berço. E até, como hoje é de
conhecimento mais ou menos corrente, começa no ventre materno. A mãe, os pais,
já podem começar a educação do seu filhinho durante a gestação, com ele
conversando, dispensando muito carinho e amor.
Instruir é uma coisa; educar é outra coisa e de muito mais valia e dificuldade,
porque o homem se instrui, ganha conhecimento mais facilmente do que se educa.
A educação, diga-se de logo, é construída de dentro para fora; o homem passa
por um processo de auto-educação. É como a felicidade: vem de dentro; nada de
fora nos torna felizes. O homem verdadeiramente educado é um homem feliz.
A instrução coleciona fatos, conhecimentos; a educação junta valores. Esses valores
valorizam os fatos. A instrução facilita ao homem os meios necessários à sua
vida profissional. A educação desenvolve no homem valores que nele existem potencialmente
e que o transformam em um ser humano harmonioso e bom, em condições de ter paz
interior e poder influenciar para que haja paz em seu redor... e mais além.
O homem evolve verdadeiramente quando tem em si instrução, conhecimento,
educação e valores morais.
A grande missão, o grande trabalho de Jesus foi mostrar ao homem a sua origem
divina (Vós sois deuses...), nele despertando valores, condições morais, o que
era então quase desconhecido, executando-se os ensinamentos de Buda, Sócrates,
Platão etc. etc. E Ele, Jesus, ainda hoje, é muito pouco compreendido.
Já no século XX Einstein dizia que a ciência e a técnica são muito importantes,
mas não podem fornecer ao homem a exata finalidade de sua existência aqui no
planeta. A ciência e a técnica lhe dão condição de descobrir fatos, podem dar conforto, saúde, prolongar a vida,
mas não podem criar valores que influenciam dentro de nós, despertando o divino
que lá está.
No processo educativo é necessário desenvolver em cada um a tolerância, a
compreensão, a afabilidade, a generosidade, a fraternidade, o sentimento de
justiça, o amor. E assim, todo o homem que é potencialmente bom, mostra então a
sua bondade natural.
A presença da maldade é o resultado do não desenvolvimento desses valores. Ela
existe e isso não se discute; mas pode deixar de existir, se houver aquela mudança
interior, aquele tratamento. Tratamento sim, porque a maldade é doença que pode
ser curada. O que existe pode deixar de existir.
Quem se propõe educar precisa, pois, ter conhecimento básico de que é necessário
desenvolver no educando a compreensão de por que aqui estamos, da finalidade de
casa existência, da importância de cada um de nós como co-criadores do cosmo,
da própria responsabilidade em ser feliz e partícipe do bem estar geral.
O mundo será bem melhor na medida em que os homens se instruam e se eduquem. A
Evolução se faz, queiramos ou não, mas é muito lenta.
*O autor é Bacharel em
Ciências e Letras, Médico e professor de Esperanto. Tem livros publicados e
atua no movimento espírita baiano.
Educação**
Parece incrível, entretanto é uma
verdade, mormente nos tempos atuais; quanto maior é a ilustração do indivíduo,
pior ele é, sem sentimentos afetivos, egoísta, orgulhoso, desleal e mau. É que
a falsa educação afasta os homens de Deus, privando-os das instituições
superiores que excitam as paixões nobres.
**Cairbar Schutel em
Vida e Atos dos Apóstolos, de compilação efetuada por Sérgio Lourenço e
constante do livro Conceitos de Cairbar Schutel, de nossa edição.
Fonte: O Clarim – dez/2004
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