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Rosely Carmona e Leda Maria
Flaborea
Em Lucas, 6:46.,
encontramos a grande pergunta que Jesus nos faz: “E por que me chamais Senhor,
Senhor, e não fazeis o que vos digo?”
Nos parece, diante da pergunta, que não basta crer nas
palavras de Jesus para vivermos em paz, em harmonia. É necessário colocar em
prática seu ensinamento maior: o de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao
próximo como a si mesmo.” Aguardamos todos, certamente, e sempre, a ocasião
propícia para isso. Esperamos tantas vezes para sermos envolvidos por sons ou
visões celestiais para darmos início ao trabalho de amor que nos compete
executar.
E, se Jesus nos assegurou que a fé remove montanhas, também
nos orientou que a fé sem obras é morta. Assim, quantas vezes, responsáveis por
trabalhos que na nossa estreita visão consideramos insignificantes seja em
nosso lar, na nossa labuta para o sustento ou ainda em alguma tarefa
assistencial, aguardamos que algo aconteça e que venham nos tirar da mesmice em
que colocamos nossa existência para nos dizerem que não merecemos aquele
trabalho, pois fomos feitos para tarefas maiores, com maiores
responsabilidades. Nossos pensamentos passeiam assim entre a preguiça e a
vaidade e acabamos por abandonar a tarefa ou, quando não, a realizá-la mal.
É preciso que acordemos para os ensinamentos evangélicos e
que aprendamos de vez que, não importa a função que estejamos exercendo naquele
momento no plano geral das tarefas humanas, pois em qualquer lugar e em
qualquer posto, seja ele de comando ou de subalternidade, sempre podemos
praticar os ensinamentos que o Evangelho nos transmite. Cada palavra que Jesus
plasmou na atmosfera terrena dirige-se a todos nós, ontem , hoje e sempre
independente de onde possamos estar ou do que estejamos fazendo.
E, se cremos em Deus como Pai de Infinito Amor e de
Infinitas Bondade e Misericórdia, e se aceitamos a condição de Seus filhos,
portanto, dotados de essência divina, só poderemos nos realizar se estivermos
edificando esse amor em nós e em torno de nós.
Todos desejamos ser felizes. É como uma intuição que
trazemos do nosso destino, ou seja, o de estarmos destinados à felicidade plena
e que já podemos vislumbrar quando sentimos a justa alegria de poder contribuir
na construção de um mundo melhor, ou de já sermos capazes de pequenos gestos de
compreensão no nosso dia-a-dia, espalhando o bálsamo da esperança, do conforto
moral. Isto, longe de qualquer dúvida, é sementeira de Amor; é a aplicação
total do mandamento evangélico de nos amarmos uns aos outros como filhos do
mesmo Pai Criador.
Aquele, pois, que observa as palavras do Mestre se
assemelha, como nos ensina a parábola, ao homem que construiu sua casa sobre a
rocha e que nada conseguirá destruir. É construção em base sólida que vamos
vivenciando, experimentando através dos ensinamentos amorosos de Jesus. Nessa
prática, vamos tecendo amizades preciosas, resgatando vínculos afetivos que a
sabedoria popular tão bem define: “Quem tem amigos, tem tudo!”
Os valores espirituais são eternos e indestrutíveis e quando
baseamos nossa vida nesses valores, não importa que dificuldades surjam, vamos
superá-las com segurança e equilíbrio. Quantos de nós têm se beneficiado desses
momentos difíceis que, quando enfrentados com coragem, com bom ânimo e
confiança, inspirados pela fé em Deus, nos levam a um progresso inimaginável.
As adversidades na vida são inevitáveis e são simbolizadas na “parábola dos
dois fundamentos”, pelas tempestades descritas por Jesus, tempestades
essas que sabemos serem passageiras, como também o são as adversidades.
Entretanto, os que alicerçam a própria vida em valores transitórios como a
conquista exclusiva de bens materiais ou de poderes temporais, quando chegam os
momentos adversos se sentem aniquilados porque não possuem sólida estrutura
íntima.
Ouvir as palavras de Jesus, todos podemos ouvir, da mesma
maneira que todos podemos ter projetos para o futuro, da mesma forma que todos
podemos abrigar no coração os ideais de uma vida superior; mas, se não os realizarmos,
na prática, não nos beneficiaremos deles porque não farão nenhuma diferença em
nossas vidas. Assim também é em relação aos ensinamentos de Jesus: se não
passarem de teoria em nossas vidas, não poderão nos beneficiar.
Assim, é preciso mais! A oração clamando Senhor, Senhor! é
importante porque através dela nos fortalecemos. A vigilância de nossos
sentimentos é importante porque através dela nos protegemos. Mas, é na prática
do “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” que nos
elevamos a Ele.
E é a prática desse Amor ao qual Jesus nos conclama, que
traduzido pela caridade, nos fala sobretudo em humildade no exercício do
perdão, em indulgência no exercício do não julgar, da paciência , da
tolerância para com os erros do outro e da fraternidade para com todos.
Somos Espíritos imortais e assim sendo, sempre é tempo de
recomeçar. Cada momento de nossa existência é oportunidade bendita de construir
uma nova vida, recordando que nossa sementeira de hoje nos dará, inevitavelmente,
a colheita de amanhã.
Fonte: Boletim GEAE nº 399 – set/2000
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