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Jorge Leite de Oliveira
Vivemos como se, em uma única vida, fôssemos eternos, ou quase
isso. Quando o tempo passa, porém, e com ele surge a velhice, constatamos
ter-nos enganado sobre a extensão de nossas existências.
Principalmente na juventude, a possibilidade de tudo acabar de uma hora para
outra nem passa pela nossa cabeça. O jovem gosta da vida e a curte tão
intensamente que, às vezes, é surpreendido pela desencarnação. É quando surge a
constatação: a vida humana é breve, muito breve.
Quanto mais novos, mais arraigado parece
ser, nos seres vivos, o instinto de sobrevivência. Certamente, esse instinto de
preservação é muito útil a todos nós, qualquer que seja a nossa idade. Sem ele,
o número de suicídios no mundo seria enorme. Por outro lado, se buscarmos desfrutar
proveitosamente nossos dias na Terra, certamente o peso das lutas da vida não
nos atormentará tanto quanto se não o fizermos.
Mas quando sabemos que um simples
vegetal pode viver até cinqüenta vezes mais do que o ser humano mais longevo,
podemos refletir melhor sobre a brevidade de nossa passagem terrestre. Segundo reportagem
da revista Veja, de 30 de abril de 2003, existe na Califórnia um
pinheiro com 4.600 anos de existência. De acordo com as informações científicas,
é a árvore mais antiga do mundo, embora também haja muitas outras com milhares
de anos.
Tal constatação, se, por um lado, nos
faz refletir no quanto é curta nossa existência física, por outro nivela as
pessoas de todas as idades. Se uma simples árvore pode viver tanto, de que vale
o orgulho e a vaidade humana na juventude e a arrogância ou o desencanto na
idade madura? Afinal, por maior que seja a diferença de idade entre duas
pessoas, isso nada é em relação à existência milenar de um simples vegetal. Por
isso, devemos sempre nos tratar com o respeito e o amor exigidos de alguém
consciente da brevidade de sua vida terrena.
Muitas pessoas ainda acreditam que só
temos uma única vida na Terra. Se assim fosse, Deus teria em muito mais valor a
existência de uma árvore do que a de um ser humano. Isso sem nos referirmos a
determinados animais, que, em certas circunstâncias, podem sobreviver durante
séculos. Determinadas espécies animais, como certas espécies de tartarugas,
vivem muito mais tempo do que os seres humanos.
Os jovens devem respeitar os mais
velhos, que possuem toda uma experiência de vida que aqueles ainda não
adquiriram. E as pessoas maduras devem praticar a empatia com os jovens, em
virtude de também já terem passado por esse período de entusiasmo, nem sempre prudente e
refletido. É importante aconselhar, sem entretanto impor coisa alguma. Se algum
imprevisto não lhes encurtar a existência, a experiência a todos mostrará se a
decisão a respeito de qualquer conduta em suas vidas foi a mais acertada.
Embora a juventude faça ouvidos moucos
aos sermões de seus pais, parentes ou pessoas mais experientes, sábio é aquele
que procura escutar os bons conselhos. A este, o apelo de Salomão, embora de
alguns milhares de anos, ainda é atual, como o pinheiro da Califórnia: “Filho
meu, não te esqueças da minha lei, e o teu coração guarde os meus mandamentos. Porque
eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz. (...)
Bem-aventurado o homem que acha sabedoria e o homem que adquire conhecimento.” (Provérbios,
3:1-2 e 13.) Até porque, entre os dias de nossa juventude e os da idade madura,
bem como entre estes e os da ancianidade, pouco tempo existe, na relatividade da
vida física. É, pois, sábio buscar conquistar, desde cedo, os bens maiores
desta vida: a sabedoria e o amor.
Léon Denis, em O Problema do Ser, do
Destino e da Dor, edição da FEB, cap. XIX, p. 304, sobre “A lei dos
destinos” esclarece “As vidas impuras, a luxúria, a embriaguez e a devassidão
conduzem-nos a corpos débeis, sem vigor, sem saúde, sem beleza. O ser humano
que abusa de suas forças vitais, por si mesmo se condena a um futuro miserável, a
enfermidades mais ou menos cruéis.”
Como vemos, a beleza física, nem sempre
está relacionada à idade. Há jovens de aspecto físico até mesmo repugnante, e
idosos belos, simpáticos, agradáveis, que pautam sempre suas vidas pelo equilíbrio,
pelo respeito ao seu e aos corpos físico e espiritual alheios.
A Doutrina Espírita, como Consolador
prometido por Jesus, segundo o Evangelho de João (14:16-17), se bem
compreendida e aplicada, não somente nos dará a perfeita noção sobre a brevidade da vida,
mas também sobre a sua importância
na conquista da própria felicidade.
Quanto mais nos conscientizarmos de que nossa existência não se resume nos
breves oitenta, cem anos de uma única vida, porém que esse tempo é precioso
minuto para o Espírito imortal, melhor será a qualidade de nossos anos na
Terra.
Por isso, o lembrete do Espírito de
Verdade, emissário maior do Cristo, que já o anunciara há dois mil anos, deve
ser meditado e aplicado a cada dia de nossas vidas, não somente com os
companheiros de fé, mas com todos os irmãos de jornada: amai-vos e instruí-vos.
Até porque, em seguida, ele nos esclarece: “(...) No Cristianismo encontram-se
todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis
que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: ‘Irmãos! nada
perece. Jesus-Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade’.” (In:
Kardec, Allan.O Evangelho segundo o Espiritismo. 117 ed., Rio de
Janeiro: FEB, 2001, cap. VI, item 5, p. 130.)
Fonte: O
Reformador – fev/2004
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