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Aglaée de Carvalho
É bastante válida, no
meio espírita, a preocupação com atividades artísticas.
Cada um de nós tem um
potencial criativo (somos centelhas divinas) e cada espécie de atividade
oferece possibilidades criativas. A criação existe em qualquer setor da vida
humana e supõe uma capacidade constante de renovação. Na Arte, entretanto, a
criatividade humana se expressa mais espontaneamente.
Todos somos seres em
evolução, e, a cada novo dia, observamos, percebemos, captamos imagens e
experiências, o que leva à necessidade de senti-las, avaliá-las, incorporá-las
e expressá-las. Nem sempre, porém, as palavras (na linguagem verbal ou gráfica)
exprimem em toda a plenitude a intensidade de uma vivência. Certas realidades
subjetivas exigem que sua expressão e comunicação se façam através da Arte.
Caswel e Foshay
sugerem que a criança pode usar suas faculdades criativas e artísticas,
decorando a sala de aula, arrumando seu próprio quarto, cuidando do jardim da
escola ou tirando uma fotografia. Estas e outras experiências criativas
favorecem o desenvolvimento e o enriquecimento total da personalidade, reunindo
em harmonia a atividade intelectual, a sensibilidade, a habilidade manual e
integrando-as num processo criador. Toda experiência que conduz à criação é
também educativa. Se assim não fora, Emmanuel (considerando o planeta terrestre
numa escola de provação e burilamento) não nos teria esclarecido, na resposta à
pergunta 171, do livro “O Consolador”: “Através de suas vidas numerosas a alma
humana buscará a aquisição desses patrimônios” (os valores artísticos).
As várias modalidades
de expressão artística devem e podem ser estimuladas ou desenvolvidas nos
núcleos espíritas juvenis e infantis. Promovendo a desinibição pessoal,
permitem maior entrosamento de nossas crianças e de nossos jovens, que se confraternizam,
cooperando mutuamente. Contribuem também para o ajustamento social do moço e da
criança espíritas, ao valorizar os recurso individuais no campo da sensibilidade.
Concorrem, ainda, para a participação mais efetiva, desenvolvendo a capacidade
de trabalho em grupo, e também para a incrementação do espírito de serviço e do
potencial construtivo. E, naturalmente, possibilitam o interesse pelo estudo do
Espiritismo, em decorrência do contato com produções doutrinárias, quer no
campo da música, da prosa ou da poesia, etc.
Mas, em se tratando
de Arte aplicada ao campo da evangelização, é preciso todo o cuidado quanto às
apresentações. É imprescindível sejam elas realizadas sob planejamento
antecipado e orientação equilibrada. Lembremos que as atividades artísticas são
consideradas integrantes do processo globalizado da educação, isto é,
conjugam-se às outras atividades, como as do estudo doutrinário ou do trabalho
prático (assistencial, etc). Torna-se, pois, indispensável manter o cunho
espírita dos números artísticos.
Quanto a estes,
convém sejam examinados e selecionados, porque, em seu conteúdo, não devem
ferir a integridade da Doutrina Espírita. Adequados, tendo em vista os objetivos
da reunião, a ocasião e o local em que serão apresentados. Se é uma reunião
comemorativa, por exemplo, organizar o programa de modo a que as apresentações
estejam relacionadas com a data comemorada. Acrescentemos aqui: bom senso e critério,
na determinação de tais datas, nunca são demais...
Seja qual for a
finalidade da reunião espírita (comemorativa, confraternativa, etc) ou da
atividade realizada fora do ambiente físico da instituição onde criança e moço
se evangelizam (por exemplo: visitas a hospitais, asilos, etc., onde,
eventualmente, possam ocorrer apresentações artísticas), mister se faz a
previsão do tempo, evitando uma extensão demasiada do programa e conseqüente
sobrecarga e enfado para os assistentes. E, quanto possível, observar os
horários de início e término.
Como dissemos,
realmente se justifica o cuidado quanto à utilização das artes no meio
espírita, em vista, dos seus aspectos positivos. Mas a preocupação procede,
sobretudo, porque as atividades a que nos referimos são como sementes lançadas
ao santificado campo da evangelização. Orientação doutrinário-evangélica à
infância e juventude corpóreas é significativo ensejo para a renovação
espiritual. Se, transmitindo os ensinamentos da moral cristã, pretende-se a
sublimação de criaturas, recordemos André Luiz: “A arte deve ser o Belo criando
o Bom”.
Fonte:
Reformador - Brasil Espírita
- Abril/1971
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