Terra Espiritual
 

'Discutindo a espiritualidade!'

Home

Espiritismo

Religiões

Sociedades Secretas

Links

Webmasters

 

www.terraespiritual.org

 

Menu

 

Aconteceu

Arte Espírita

Artigos

Biografias

Centro Espírita em Destaque

Centros Espíritas do Ceará

Chat Espírita

Doutrina

Enquete do mês

Entrevista do mês

Espiritismo e ciência

Espiritismo e filosofia

Espiritismo e religião

Eventos

Filmes espiritualistas

Liga dos Historiadores e Pesquisadores Espíritas (LIHPE)

Livro do mês

Mensagens

Obras básicas - Download

O Evangelho no Lar

Parapsicologia e espiritismo

Perguntas e Respostas

Sala Filosofia Espírita

Sobre a Divulgação Espírita

Transcomunicação

Vocabulário Espírita

 

 

 

 

 

 

 

O Medo e a Serenidade

 

João Luiz Romão*

 

  “E, tendo medo, escondi na terra o teu talento...” (Mateus, 25:25)

 

1. Conceituação: a posição da Filosofia e das Ciências

O que vem a ser o medo? Por que sentimos medo? Como superar o medo? Em geral, o medo é causado pelo desconhecido, pela ignorância. E são inúmeros: medo da dor, de envelhecer, de morrer, da solidão, de multidões, de altura, de ser assaltado, etc., etc. Assim, diversos estudiosos, em geral, têm buscado uma explicação para este fenômeno tão comum ao ser humano.

Para Aristóteles[1][1], “o medo é uma dor ou agitação produzida pela perspectiva de um mal futuro que seja capaz de produzir morte ou dor”. Observa Aristóteles, que não se temem todos os males, mas só os que podem trazer grandes dores e destruições, e mesmos estes só no caso de não serem demasiadamente longínquos, mas parecerem próximos e iminentes. Assim, os homens não temem as coisas muito afastadas: todos sabem que devem morrer mas, enquanto a morte não se avizinha, não se preocupam com ela.

Já Santo Agostinho[1][2], frisa o caráter ativo (a vontade), como responsável pelas emoções: “O que é o medo senão a vontade que rejeita coisas não desejadas?”

Em Descartes[1][3], encontramos que o medo “é o contrário da ousadia; um frio na alma que paralisa o corpo. Perturbação e espanto da alma que lhe subtrai o poder de resistir aos males que ela pensa estarem próximos”.

Encontramos em Espinosa[1][4], a seguinte linha de raciocínio:

“A esperança (spes) é uma alegria instável nascida da idéia de uma coisa futura ou passada de cujo desenlace duvidamos em certa medida. O medo (metus) é uma tristeza instável nascida da idéia de uma coisa futura ou passada de cujo desenlace duvidamos em certa medida.
Segue-se dessas definições que não há esperança sem medo, nem medo sem esperança. Quem está suspenso na esperança tem medo de vê-la frustrada. Aquele que é vítima do medo, alegra-se na esperança de que a coisa temida não ocorrerá”.

Scheler[1][5], faz a distinção entre estados emotivos e funções emotivas. Estados emotivos são modificações de natureza passiva e funções emotivas; ao contrário, atividades, reações aos estados emotivos. Um homem pode ser feliz e no entanto padecer de grande sofrimento físico; para um mártir da fé este padecer se tornaria um feliz padecer. Ou seja, pode-se enfrentar uma situação que normalmente levaria a um estado de medo, e ter-se uma reação que adquiriria uma função emotiva caracterizada pela serenidade íntima.

Já para Freud[1][6], uma emoção como o medo, por exemplo, é uma preparação para enfrentar o perigo. É um estado biologicamente útil já que sem ele a pessoa se acharia exposta a conseqüências graves. Dele derivariam a fuga e a defesa ativa. O desmaio, por exemplo, devido ao medo, seria uma fuga diante de uma perspectiva desfavorável; a procura de um refúgio ilusório para alguém que se sente menos capaz de enfrentar determinada situação. Trata-se de uma reação que denuncia a recusa de enfrentar certos acontecimentos. Quando, porém, o desenvolvimento de certos estados vai além de determinados limites, passa a contrariar o objetivo biológico e dá lugar às formas patológicas.
Quando o indivíduo acumula vários tipos de medo e passa a ter medo de quase tudo, daí derivam estados como mania de isolamento, mania de perseguição, mania de limpeza, higiene corporal, etc., que deságuam nas imemoráveis fobias.

2. Considerações evangélicas: temor e amor a Deus

A odisséia desse velho sentimento chamado medo, não passou incólume na epopéia bíblica. Desde o Velho ao Novo Testamento vamos encontrar diversas situações em que o medo foi vivido, ensinado e  finalmente substituído por um sentimento mais plenificador: o amor.

Encontraremos no primeiro livro do Pentateuco mosaico, o momento em que após a queda de Adão e Eva[1][7], os quais provaram o fruto da árvore do conhecimento, o seguinte diálogo: “Deus chamou o homem: – Onde estás? – Ouvi teu passo no jardim, respondeu o homem. Tive medo porque estava nu e me escondi.”

A vergonha da criatura perante o seu Criador, porque se encontrava “despido” do sentimento de obediência diante da orientação segura do Pai. Este sentimento de infidelidade e de desobediência deveria ser cerceado por outro mais apropriado ao sentimento de um povo que se caracterizava pela rudeza no trato com seu semelhante: o temor. Vejamos: “Terás temor de Jeová, teu Deus...”(Dt, 10:20) “O princípio da sabedoria é temer a Deus.” (Sl, 111:10).

Para os dias modernos (e lá se vão 2.000 anos), Jesus veio substituir o Deus do Temor (ou dos exércitos) pelo Deus de Amor (o Pai Nosso), conforme suas palavras: “Amarás o senhor teu Deus, de todo coração, de toda tua alma. (Mt, 12:13). Igualmente encontramos: “Não há temor no amor: ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor.” (1Jo, 4:18). Ou seja, não há mais necessidade de temer a um Deus que pune, mas amar e buscar um Pai que ama, orienta e educa seus filhos.

3. A abordagem espírita: aspectos psicofisiológicos

Como método preventivo, a Doutrina Espírita oferece inúmeros elementos para análise e tratamento no processo de cura dos desequilíbrios emocionais, em especial o medo. Allan Kardec, na Revista Espírita[1][8], narra interessante acontecimento (extraído de um jornal à época), em que um médico (Doutor F...) após realizar algumas visitas aos seus clientes, notou que havia esquecido na viatura que o trouxera de volta à sua casa, uma garrafa de excelente rum que ganhara.

Procurando o chefe da estação lhe disse, porém, que esquecera em uma de suas viaturas uma garrafa de um veneno muito violento e exortou que os cocheiros não fizessem uso desse líquido mortal. Mal acabara de retornar ao seu apartamento, quando vieram solicitar o seu concurso em auxílio a três cocheiros da estação visitada, que sofriam de horríveis dores estomacais, após ingerirem o conteúdo da garrafa.

Intrigado com o caso, Allan Kardec questiona ao Espírito São Luís sobre uma explicação fisiológica na possível transformação das propriedades de uma substância inofensiva em um veneno. Ao que o sábio mentor espiritual respondeu:

“(...) Os espíritos malignos que levaram esses homens a cometerem esse ato de indelicadeza, fizeram passar no sangue, na matéria, um calafrio de MEDO que poderíeis chamar magnético, o qual estende os nervos e causa um frio em certas regiões do corpo. Ora, sabeis que todo frio nas regiões abdominais pode produzir cólicas. É, pois, um meio de punição que, ao mesmo tempo, leva os espíritos que fizeram cometer o furto, a rirem às custas daqueles que fizeram pecar. Mas, em todos os casos, não se segue a morte: não há senão uma lição para os culpados e prazer para os espíritos levianos. (...) Podemos evitar isso (falo por vós), em nos elevando por pensamentos menos materiais do que aqueles que ocupam o espírito desses homens. Os espíritos levianos gostam de rir; mantei-vos em guarda (...)”

André Luiz, Espírito, por sua vez narra, nas palavras da enfermeira Narcisa, quando da realização do culto evangélico no Ministério da Regeneração junto ao Governador da cidade espiritual Nosso Lar, que se via às portas da Segunda Guerra Mundial. Narcisa informa que o objetivo geral daquele encontro era a organização dos elementos para o serviço hospitalar urgente com vistas ao conflito bélico, “bem como exercícios adequados contra o medo.” Ante a admiração de André Luiz, acrescenta a enfermeira[1][9]:

“Talvez estranhe, como acontece a muita gente, a elevada porcentagem de existências humanas estranguladas simplesmente pelas vibrações destrutivas do terror, que é tão contagioso como qualquer moléstia de perigosa propagação. Classificamos o MEDO como dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças mais profundas. A Governadoria, nas atuais emergências, coloca o treinamento contra o MEDO muito acima das próprias lições de enfermagem. A CALMA é a garantia do êxito.” (grifo nosso)

A calma e a serenidade são essenciais para enfrentarmos as situações-desafios que se nos apresentam. Evitam que “alimentemos” nossa imaginação, criando “fantasmas” assustadores que por sua vez passam a nos perturbar a existência, conforme esclarece o Espírito Pedro Rosa[1][10]:

“Amigo, desiste de viver em contínuo sobressalto, a temer perigos intangíveis a cada instante, deste ou desse mundo. (...) O fantasma do MEDO prenuncia enfermidade e, quase sempre denota ausência de confiança nas Origens da Vida. (...) Se temes a vida não conseguirás viver normalmente. (...) Não te amedrontes. Guarda a esperança firme, edificando o futuro. (...) Ajustemo-nos no íntimo e dissiparás todas as sombras que porventura te envolvam em derredor”.

 “Conquanto inquietudes te assaltem, não te situes à distância da SERENIDADE para atingir o êxito que te propões”  – Joanna de Ângelis (“Florações Evangélicas”, pág. 73). 

[1][1] Retórica. II, 5, págs. 1320 e segs. Filósofo grego (384-322 a.C.). Discípulo de Platão e preceptor de Alexandre, o Grande. Dono de saber enciclopédico, escreveu sobre quase todos os assuntos: Lógica, Filosofia, Física, Metafísica, Ética, Poética, Retórica, Política, Botânica, Zoologia, etc., além de examinar as teorias das diversas escolas filosóficas que o precederam na Grécia, em especial os pré-socráticos.

[1][2] A Cidade de Deus. XIV, 9. Filósofo cristão (354-430 a.C.). Bispo de Hipona, no norte da África, foi detentor de profunda cultura humanista, sendo um dos principais responsáveis pela síntese entre o pensamento clássico (em especial Platão) e o Cristianismo, intentando conciliar Razão e Fé.

[1][3] ABBAGNANO, N., citado por. Dicionário de Filosofia. Renê Descartes (1596-1650). Filósofo francês é considerado o Pai da Filosofia Moderna.Toda a obra de Descartes visa mostrar que o conhecimento para ser válido precisa de um fundamento metafísico. Assim a metafísica é a fundadora de todo conhecimento verdadeiro.

[1][4] Ethica. Livro III, dedicado à origem e natureza dos afetos. Baruch Espinosa (1632-1677). Filósofo holandês de família judia. Foi profundo estudioso da língua hebraica, do Talmude e da Bíblia, propondo a interpretação histórica dos textos bíblicos.

[1][5] O Formalismo na ética e a ética material dos valores. Pág. 262. Max Scheler (1875-1928). Filósofo alemão que adaptou a fenomenologia de Husserl às questões éticas (teoria dos valores), e na qual declara que uma ética formal (em oposição a Kant) deve ser superada por uma apreensão vivida dos valores éticos. Sua obra valoriza os sentimentos em oposição ao intelecto puro.

[1][6] ABBAGNANO, N., citado por. Dicionário de Filosofia. Sigmund Freud (1856-1939). Nascido na Áustria de família judia. Foi o fundador da Psicanálise, tendo formulado os conceitos de inconsciente, libido, o método da livre associação no tratamento psicanalítico, etc., cujos fundamentos teóricos colaboraram para a compreensão do psiquismo humano.

[1][7]Gênesis 11:12. Ver também em O Livro dos Espíritos – questões de 50 a 59, comentário dos Espíritos Superiores e de Allan Kardec relativo ao tema raça adâmica.

[1][8] KARDEC, Allan. Revista Espírita (outubro de 1858) – São Paulo – IDE, 1993, p. 280.

[1][9] LUIZ, André. Nosso Lar. Psicografia de F. C. Xavier – Rio de Janeiro – FEB, 1984, cap. 42, pp. 213 a 232.

[1][10] ROSA, Pedro. Seareiros de Volta. Psicografia de F. C. Xavier e W. Vieira – Rio de Janeiro – FEB, 1987, pp. 177/178 – “Fantasmas”.

*O autor é Professor de Filosofia e integrante do movimento espírita do Rio de Janeiro-RJ.

Fonte: Revista Internacional de Espiritismo – nov/2004

  

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

 Home   l   Espiritismo   l   Religiões   l   Sociedades Secretas   l   Links   l   Webmasters

Copyright 2003 Terra Espiritual. All Rights Reserved.

Nedstat Basic - Free web site statistics