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Rita Foelker
Como você se sentiu
na primeira vez em que esteve na casa espírita: acolhido, deslocado, retraído,
confiante, confuso, esclarecido...?
A Doutrina Espírita,
através dos livros, da Internet, da TV, dos médiuns afamados e de outros meios,
vem sendo cada vez mais popularizada. Os temas da mediunidade, da reencarnação
e da vida espiritual ocasionam um interesse crescente nas mais diferentes
faixas da população. Como os centros espíritas estão se adaptando a esta nova
realidade, considerando que eles são a grande porta de entrada para a
aprendizagem e vivência espíritas?
Fico pensando no
público que procura uma casa pela primeira vez: que tipo de informação recebe?
Qual orientação lhe é dada? Os cursos e atividades para as quais é convidado
preenchem sua verdadeira necessidade?
É fato notório que as
casas espíritas nem sempre são a imagem fiel da visão espírita da vida. Muitas
estão ultrapassadas, tanto nos recursos pedagógicos quanto nas relações humanas.
Pararam no tempo. Qualquer pessoa pode adentrar uma casa destas e sair com uma
impressão completamente errada do Espiritismo.
Existem muitos
centros que parecem existir exclusivamente para si mesmos. Se não mudam, seria
preferível que se denominassem "grupos espíritas" fechados e, não,
entidades de portas abertas. Há escassez de informações; nenhuma reunião
específica para quem está iniciando, exceto um "evangelho e passe"
anacrônico e distante da realidade; pessoas sem treino para o atendimento fraterno
que vai introduzir a criatura na rotina da casa, identificando as atividades
cuja participação mais lhe convenha.
Há também um certo
discurso que prega a "simplicidade" mas que, de fato, despreza todos
os confortos e melhoramentos proporcionados pelo progresso (uma das leis
divinas que a própria doutrina ensina!), que não significam luxo, mas facilidade
e eficiência, desde recursos audiovisuais, salas apropriadas e um bom equipamento
de som, até a metodologia de estudo atualizada, facilidade de comunicação,
diminuição da burocracia em benefício do dinamismo, treinamento para as
relações humanas, um setor ativo de venda e empréstimo de livros e vídeos, etc.
Falando de maneira bastante genérica (pois há exceções incrivelmente boas), a
falta de entendimento da própria função da Doutrina em nossas vidas, decorrente,
em parte, da falta de aprofundamento nos estudos e de uma abordagem mais
prática dos temas, faz com que nos tornemos espíritas e continuemos agindo como
pessoas crédulas, sem reflexão e sem transformação íntima significativa. Por
quê? Porque inexiste mudança de mentalidade. Ir ao centro, receber o passe, fazer
sopa para os pobres e ler obras de André Luiz não fazem de nós, espíritas.
O que diferencia o
espírita é a mudança consciente de atitude, é a renovação interior, e se não
nos renovamos e não nos sentimos renovados, se não estamos vendo a vida e os
acontecimentos de forma diferente, é porque não assumimos as conseqüências da
visão filosófica do Espiritismo em nosso dia-a-dia. É porque ainda pensamos
como o "homem velho".
Entendo que a
formação de uma consciência espírita é responsabilidade de todos que a
compreendem e estão prontos para viver o tipo de vida a que ela nos convida,
também, no que diz respeito à maneira de administrar a casa espírita. A maior
divulgação do Espiritismo é a dos exemplos de vida. E se vivermos aquilo que ensinamos,
estaremos levando a pensar, estaremos favorecendo a conscientização de qualquer
pessoa de nossas relações.
Se você participa de
uma casa espírita e tem idéias para melhorar o trabalho ali realizado, não se
omita. Ofereça sugestões, compartilhe o que sabe. O centro espírita não é uma
estrutura rígida, onde nos conformamos às regras ou saímos. Ao menos em tese,
ele deveria ser um lugar onde as pessoas se querem bem, se respeitam, colaboram
e aprendem sobre si mesmas e sobre as leis da vida.
Fonte: Portal do
Espírito - www.espirito.org.br
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