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Adenáuer Novaes
Verdadeiramente amar é nunca ter
que perdoar, pois quem ama não se sente agredido por qualquer atitude do outro
O amor, dessa forma, perdoa sempre, compreendendo o nível de evolução do outro.
As agressões que porventura recebamos
daqueles a quem mais dedicamos amor e que nos ferem a alma, são oportunidades
de testar o nosso sentimento, conhecendo-lhe a natureza.
Perdoar não é esquecer por
esquecer. E compreender e colocar-se no lugar do outro. O amor para existir,
diante da agressão a nós por parte de alguém que amamos, deve, antes de tudo,
compreender, isto é, colocar-se também como alguém que poderia, nas mesmas
circunstâncias, cometer o mesmo equívoco.
Ser perdoado, diante de nossas
faltas para com o próximo, sem que ele nada exija, é oportunidade de aprender
com o outro, como amar e viver em paz consigo mesmo.
A indignação é sentimento que, às
vezes, se torna necessário diante da atitude descabida de alguém. Tal
indignação não deve assumir, porém, o caráter da agressão nem do revide,
devendo portanto ser manifestada para que o outro perceba as conseqüências de
seus atos.
Às vezes, por gostar de alguém de
forma exagerada, perdoamos suas atitudes inadequadas para conosco e com outros,
confundindo os sentimentos e desculpando quando cabia a repreensão necessária.
Perdão não significa conivência com o mal. Atitudes como essas, isto é, perdoar
e desculpar sem limites, incita o outro à prática do mesmo ato reprovável. Isto
não é amor, mas, submissão.
O exercício do perdão leva-nos à
compreensão da qualidade do sentimento que temos para com alguém. Quem perdoa
está a um passo do amor ao outro. Sua constância levará o indivíduo ao caminho
da compreensão dos atos humanos e das relações interpessoais.
Nos processos obsessivos, onde os
sentimentos se encontram desestabilizados, o perdão é instrumento fundamental
para aqueles que ainda não sentiram o amor em seus corações. O perdão da vítima
ao algoz, colocados em condições de compartilharem os sentimentos nobres do
amor fraternal.
Se alguém se interpõe
em nosso caminho exigindo-nos atitudes contra nossa vontade, o melhor a fazer é
seguir adiante, sem sintonizar com imposições descabidas.
O amor nos coloca entre aqueles aos
quais cabe perdoar. O componente da família que conosco se relaciona e com o
qual não temos afinidade ou mesmo que sentimos certa aversão, é sempre alguém a
quem temos que perdoar e amar em nosso próprio beneficio. Sua presença em nossa
vida é oportunidade de aprendizagem do amor e do perdão.
As atitudes de alguém, que nos
merece o perdão, quando não nos sentimos inclinados a dá-lo, se
reinterpretadas, nos ensinarão sobre nossas responsabilidades em suas causas.
Amar é atitude que nos ensina a
perdoar a nós próprios. Não nos culpemos em demasia. Assumamos as
responsabilidades sobre nossos atos, sem receio dos processos educativos que
enfrentaremos. Antes do efeito que sucede à causa, há a misericórdia divina em
favor de todos nós. Ela é o amor de Deus intercedendo em nosso favor.
A compreensão dos atos humanos
requer percepção de nós mesmos. Nada nem ninguém age fora dos limites de Deus.
Ele é amor para sempre. Perdoar setenta vezes sete vezes cada tipo de falta
cometida é exercício para a instalação do amor em definitivo em nós.
Necessitar do perdão divino para
nossas faltas é assumir antecipadamente a culpa. O perdão esperado é alcançado
com o trabalho redentor em favor de si mesmo e da vida, amando sempre e
construindo um mundo melhor.
O Cristo ensinou-nos o perdão ao
compreender a atitude de quem o traiu, amparando-o e auxiliando para seu
soerguimento na Vida Maior.
Amar Sempre
Fonte: Os
mensageiros - www.mail-archive.com/mensageiros@grupos.com.br/msg05824.html
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