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Francisco Rebouças
Allan Kardec, em sua
incomparável obra de codificação do espiritismo, formulou uma pergunta aos
imortais da vida maior, contida no Livro dos Espíritos, sobre o primeiro e principal direito do ser
humano, e obteve a resposta que abaixo transcrevemos da citada obra.
880. Qual o primeiro de
todos os direitos naturais do homem?
“O de viver. Por isso é
que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o
que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.”
Analisando-se a resposta
dada pelos espíritos superiores sobre o assunto, podemos facilmente verificar
que, o direito à vida é Lei de Deus, e que por isso mesmo, não comporta
qualquer tipo de contestação em sua finalidade primordial que é o respeito ao
direito do semelhante, visto que o ser que está em vias de retornar ao planeta através
da reencarnação, é merecedor de respeito, cuidado, carinho e amor por parte de
todos nós que já tivemos nossa oportunidade de aqui estarmos reencarnados, usufruindo
da benção de termos sido respeitados em nosso direito à vida presente.
Embora muitos homens e
mulheres ainda não tenham esta compreensão de que o ser espiritual já se faz
merecedor de respeito desde o momento da concepção, e que esta não é apenas uma teoria defendida
pela doutrina espírita, visto que essas
evidências, vêm sendo estudadas nos últimos anos por pesquisadores de diversos
países, que em suas pesquisas chegam cada vez mais a conclusões que confirmam a
posição da Doutrina Espírita.
É, ainda no Livro dos
Espíritos, que encontramos outro questionamento proposto pelo codificador aos
instrutores do mais alto que abaixo transcrevemos, para melhor compreensão,
sobre a União da alma e do corpo:
344. Em que momento a
alma se une ao corpo?
“A união começa na
concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da
concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um
laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a
criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta
no número dos vivos e dos servos de Deus.”
Desse modo, o ser que se
desenvolve no ventre materno, a partir da fecundação do óvulo já é um indivíduo,
com todos os direitos de qualquer outra criatura, constituída de corpo e alma,
não sendo mais possível eliminá-lo sem que se cometa um ato contrário à Lei de
Deus; pois só ele como criador de todas as criaturas poderá utilizar esse seu
recurso quando bem o quiser.
Quando de algum modo tentamos
interferir no processo reencarnatório do espírito que está recebendo a benção
da oportunidade de resgatar seus débitos contraídos com a Lei, procedemos sem
respeito ao semelhante e ao nosso Pai Celestial, e por isso nos candidatamos
aos difíceis processos de reparação do mal praticado pela imposição da Lei de
Causa e Efeito.
Em outra excelente inquirição
do insigne codificador do Consolador prometido, representado pela pergunta a
baixo transcrita é que podemos aquilatar melhor a atitude insensata que cometemos
contra a Suprema Lei de amor que rege o universo inteiro.
694. Que se deve pensar
dos usos, cujo efeito consiste em obstar à reprodução, para satisfação da
sensualidade?
“Isso prova a
predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem é material.”
De posse, de tantos
ensinamentos que a doutrina espírita nos fornece, torna-se inadmissível que nós espíritas possamos fazer
parte de uma pequeníssima parcela da população brasileira, constituída por
alguns intelectuais, políticos e profissionais dos meios de comunicação e
embebida de princípios materialistas e relativistas, que defendem a prática
delituosa do aborto, sem levar em consideração o fato de que se ela mesma,
tivesse sofrido esse tipo de crime não estaria aí para defender essa tese
absurda e impensada.
Oremos, portanto, meus
queridos irmãos, para que essa pequena parcela de insensatos corações
endurecidos pelo argumento materialista, não venha a exercer tamanha influência
na legislação brasileira, em oposição à vontade e às concepções da maioria do nosso
povo, e contrariando a própria Carta Magna de 1988. O direito à vida não pode
ser desrespeitado, sob pena de caminharmos para a barbárie e para a quebra de
todos os princípios que têm orientado a nossa cultura cristã.
Apesar das artimanhas
utilizadas por aqueles que querem conduzir a opinião pública de maneira a lhes
dar respaldo para o ato criminoso do aborto legal, contrariando as pretensões e
legitimas aspirações, da sociedade brasileira, que é a conduta cristã,
independente da corrente religiosa que se tenha, seja na religião católica,
protestante, espírita ou outra qualquer, empenham-se todos, na defesa do
respeito à vida, como direito inalienável.
O feto
que se desenvolve desde a concepção no lugar mais sagrado do ser humano, o ventre materno, não é uma máquina, ou
um robô qualquer, que podem ser desligados de acordo com os interesses das
pessoas envolvidas na questão, mas sim, um ser humano, com direito à proteção e
ao amor de seus Pais, responsáveis, e da sociedade inteira.
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