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Paulo Roberto Martins
Partindo da máxima que diz:
"Em Espiritismo não é preciso acreditar, em Espiritismo é necessário
saber", desenvolvemos o raciocínio deste artigo para aqueles confrades que
estudam a Doutrina (ensinamentos) dos Espíritos com a mente aberta, e não, para
os nossos irmãos que teimam na admissibilidade de transformá-la em mais uma
Seita Cristã, tendo o Codificador por um Santo.
Nunca é demais lembrar que indagações no sentido evolutivo moral e intelectual
que suscitem debates com respostas esclarecedoras deverão sempre prevalecer
sobre qualquer desculpa em nome de unanimidade ou dogma. Portanto vamos à
controvérsia da seguinte declaração título, dada por Allan Kardec, no capítulo
XV do Evangelho Segundo o Espiritismo: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
Se admitirmos que a tradução dos escritos originais franceses para o português
foi feita com perfeita fidelidade, discordamos então do segundo substantivo
aplicado à frase, já que a negação do mesmo não se coaduna com a primeira parte
da sentença e nem com os preceitos e idéias compilados e comentados pelo
próprio professor Rivail.
Caridade é o amor de Deus e do próximo, é benevolência e compaixão sendo portanto
a essência dos ensinamentos (doutrina) de Jesus de Nazaré e do Príncipe
Siddharta Gautma. Nas palavras do Cristo: "Amarás o Senhor, teu Deus, de
todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Amarás o
teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22. 34-40), e do Buda: "Sede vós
próprios o exemplo, fazei só o bem sem nunca causar danos a outrem"
(Provérbio budista).
Salvação é o efeito de remir, resgatar, redimir, livrar das penas do inferno,
Libertar de um ônus pagando a sua importância e outras tantas definições
observáveis nos dicionários. Salvação, no sentido que ora vemos, é um tabu
imposto pela igreja em tentativa de manter seu poder e autoridade, na qual os
seres humanos teriam que viver no planeta em função dela. A própria Igreja
Católica vendeu e/ou trocou por bens materiais durante séculos essa idéia de
que "Fora da Igreja não há salvação", da qual Kardec resolveu
contrapor-se e lançar a sua própria interpretação.
O homem não precisa se preocupar com esse tipo de salvação, pois, sua evolução
se dará naturalmente pelo conhecimento da verdade e aprendizagem nos seus
erros, transformando-os em ações corretas na direção do progresso contínuo.
Segundo Jesus, temos: "...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"
(Jo 8.32).
O Espiritismo não é doutrina salvacionista, e sim, evolucionista.
Não encontrará salvação o ser humano que se preocupa com ela sem buscar os
conhecimentos para o progresso interior, pois a mesma está em nós e nas nossas
atitudes através do desenvolvimento da consciência.
Mesmo que Kardec tivesse em mente a salvação com o sentido de evolução, esta,
na humanidade, se dá de uma maneira profundamente diferente das outras espécies
da natureza. Não é a forma que evolui, e sim, a consciência, significando que o
progresso humano é um fenômeno essencialmente interior e psicológico, tendo
efeitos também no exterior, no campo social, moral, cultural e espiritual, como
projeção objetiva da maturidade subjetiva alcançada. E daí então,
apresentar-se-ia como conseqüência lógica o verdadeiro sentido para a frase em
debate: SEM EVOLUÇÃO NÃO HÁ CARIDADE. O sentido essencial da vida é a evolução
individual do ser, que influenciará e promoverá a evolução coletiva da
humanidade, prioritariamente pela caridade.
No último parágrafo da obra: "Caridade" - ditado pelo Espírito
Thereza (Araras, SP: IDE 1978) vemos uma outra palavra dando, também, um
sentido mais apropriado para a frase: "Fora de Deus não há vida e fora da
caridade, que é o Divino Amor, não há redenção."
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Pensamentos |
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O
mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino
de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.
Emmanuel/Chico
Xavier
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Na
companhia sublime
Do
amigo Excelso e Imortal,
Nós
somos semeadores
Da
terra espiritual.
Casimiro
Cunha/Chico Xavier
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