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Vitor
Ronaldo Costa
vitorrc@brturbo.com
1. O ser humano na visão espírita
De acordo com a visão
espiritista, o nosso universo material nada mais é do que o mundo dos efeitos,
já que, em dimensões espaciais superiores, inacessíveis aos nossos sentidos
físicos, encontra-se o campo livre da energia do espírito, o verdadeiro mundo
das causas.
Allan Kardec, o respeitável
sistematizador do Espiritismo, no discurso introdutório de “O Livro dos Espíritos”, acena com a
realidade multi-dimensional do ser encarnado ao afirmar que o mesmo está
constituído por três partes essenciais: o espírito, o perispírito
e o corpo físico a se
influenciarem mutuamente, muito embora, cada qual a vibrar na dimensão espacial
que lhe é própria.
Portanto, o homem nada mais
é do que um espírito
encarnado (alma),
precedente ao berço e sobrevivente ao túmulo, verdadeiro viajor cósmico a
estagiar momentaneamente no Planeta Terra. Por ser um continuum espaço-temporal, o
homem-espírito alberga em seu psiquismo de profundidade a memória
extra-cerebral, repositório perene de tudo aquilo que vivenciou em forma de
experiências positivas e negativas no decorrer de toda a sua trajetória
evolutiva.
2. As Leis que embasam a evolução
Ao lado deste raciocínio,
pode-se aditar, ainda, outros fatores necessários à compreensão das distonias
espirituais, como por exemplo as leis da Palingenesia
ou Reencarnação e da Ação e Reação
ou Causa e Efeito.
A Reencarnação regula os
nascimentos sucessivos de um mesmo espírito, verdadeira lei maior, a qual todos
se encontram subordinados em seus anseios evolutivos. Já a lei da Causa e
Efeito bem administra os valores morais incorporados ao nosso patrimônio
espiritual, permitindo àquele que se encontra em dissonância com a harmonia
universal, pelo mau uso do livre arbítrio, retornar ao seu equilíbrio inicial,
mesmo que às custas de sofridas experiências tidas na conta de vivências
expiatórias.
Este é o chamado paradigma
espírita, e graças a ele, ampliamos a nossa compreensão das enfermidades ao
examiná-las à luz da realidade transcendental dos seres.
3. As causas espirituais das enfermidades
Assim sendo pode-se dizer
que a maioria das doenças experimentadas pelos homens é de gênese espiritual.
Quando elas emergem da intimidade da própria alma são denominadas de patologias
anímicas, caso contrário, são reconhecidas como obsessivas, desde que decorram
de influenciações espirituais externas.
Allan Kardec, examinando as
intrincadas questões da alma, propôs uma classificação dos distúrbios
espirituais, considerando as seguintes possibilidades: obsessão simples, fascinação, subjugação e
auto-obsessão. A respeito desta última firmou o seguinte juízo
em “Obras Póstumas”,
item 58:
“As contrariedades, que mais comumente cada um
concentra em si mesmo, sobretudo os desgostos amorosos, fazem cometer muitos
atos excêntricos que se estaria errado em levar à conta da obsessão.
Freqüentemente, pode-se ser obsessor de si próprio.”
4. Conceito de auto-obsessão
Na auto-obsessão, é a
própria mente em torvelinho que gera um verdadeiro estado de desequilíbrio
patológico, de inadequação aos desafios cotidianos ou de comportamento imaturo
a expressar o lamentável estado de penúria espiritual em que o estagiário
terreno ainda se encontra.
5. Causas mais freqüentes das auto-obsessões.
O homem, ante as
solicitações costumeiras e os mais variados desafios existenciais, nem sempre
se conduz com a dignidade e o equilíbrio desejáveis. Inebriado com os ouropéis
da vida e, profundamente arraigado às viciações milenares que embrutecem o
espírito, ora se deixa influenciar por impulsos primários, como a inveja, o egoísmo, a luxúria e o ciúme,
ora se entrega a injustificáveis explosões coléricas, motivadas pelo cultivo prolongado da irritabilidade e da impaciência.
Na qualidade de autêntico
enfermo da Alma, facilmente descontrola-se e comete atos de agressividade no
trabalho, no trânsito e, infelizmente, na intimidade do próprio lar. Ofende aos
seus entes queridos de maneira desnecessária, cria situações de constrangimento
e tristeza e, às vezes, até de revolta entre os familiares, contribuindo, por
fim, para a implantação da desarmonia doméstica por períodos bastante
prolongados.
6. Causas complexas das auto-obsessões.
Mais adiante identificamos
aquelas criaturas dotadas de uma personalidade menos estruturada e fragilizada
em suas bases psicológicas. Revelam-se indecisas e sem vontade firmada.
Habitualmente, diante da lida rotineira, se deixam enredar nas malhas de
múltiplos desajustes por alimentarem insistentemente a terrível sensação de medo e insegurança, de uma forma
obsessiva, chegando, mesmo em alguns casos, a desenvolverem complicada distonia
mental, conhecida como Síndrome do
Pânico, nem sempre bem equacionada pelos métodos terapêuticos
tradicionalmente utilizados. São situações chocantes e bem caracterizadas, nas
quais despontam os angustiados de todos os matizes, infelizes e sofredores por
antecipação.
Tal contingente de
auto-obssidiados faz da preocupação exagerada a sua rotina de vida e, em meio
ao desgastante comportamento neurótico, alimentam o temor de doenças imaginárias, o receio infundado com o bem-estar dos filhos,
ou a idéia de que a qualquer momento, perderão
os seus bens materiais. Formam o imenso exército de neuróticos
crônicos, muito embora, por se acomodarem à situação vivenciada, pouco se
esforcem para suplantar os maus pensamentos, as idéias hipocondríacas e as
atitudes obsessivo-compulsivas, preferindo estagnarem na inércia moral a que
habitualmente se entregam.
7. Ciúme – o câncer da Alma
Identificamos ainda
significativa quantidade de criaturas excessivamente desconfiadas e portadoras
de uma das mais graves formas de patologia anímica conhecida: - o ciúme.
O ciumento é aquele indivíduo
que, por estreiteza de visão, imagina insistentemente a possibilidade de estar
sendo traído pelo cônjuge a quem tanto ama. E apesar do amor que
verdadeiramente alimenta, falta-lhe a maturidade emocional para a convivência a
dois. O ciumento não sabe expressar os seus sentimentos mais enobrecidos,
graças à insegurança que o tortura interiormente, a ponto de agredir a quem diz
amar sem nenhuma razão plausível, não medindo as conseqüências funestas de suas
atitudes infelizes.
8. Educação evangélica como recurso terapêutico
Como vimos, múltiplas são
as manifestações puramente anímicas de natureza auto-obsessiva. Quase sempre,
encontram-se relacionadas às deficiências educativas no contexto evolutivo do
espírito. Constituem-se inegavelmente, tais atitudes imaturas, verdadeiras
portas de entrada para as obsessões
secundárias, induzidas pelos espíritos vingativos ou
aproveitadores, com o fito de intensificar as más tendências individuais.
Daí o cuidado que se deve
ter no comportamento habitual exercitado no decorrer da vida de relação.
Impõe-se, por parte do ser inteligente,
a necessidade de melhor gerenciar as emoções, identificar as propensões
negativas e represar os impulsos inferiores, tentando substituí-los
progressivamente pela vivência de sentimentos mais enobrecidos, tudo com a
finalidade de aperfeiçoar a experiência terrena.
Por isso, as condutas
aberrantes devem ser notificadas uma a uma, mediante análise conscienciosa da
própria maneira de pensar e agir. Uma vez identificados os próprios defeitos, empenhar-se
o indivíduo no esforço de reforma íntima, pois só a vivência evangélica, - considerada pelos psicólogos de vanguarda a maneira
mais adequada de comportamento inteligente -, permitirá a
substituição das atitudes menos felizes, típicas das auto-obsessões, por padrões salutares
e equilibrados de inter-relacionamento social.
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