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Leda de Almeida Rezende
Ebner
O Espiritismo nos ensina que para podermos
fazer nosso desenvolvimento espiritual (intelectual e moral) precisamos
conhecer a nós próprios.
Como trabalhar conosco, com nossos
sentimentos, emoções, pensamentos, com nossa inteligência, razão, sem esse
conhecimento de quem realmente somos, do que sentimos enfim, da nossa
individualidade, do nosso eu interior.
Geralmente, julgamo-nos melhores do que
somos, porque nos baseamos em nossas intenções. Todavia, não somos intenções e
objetivos, quase sempre ficamos muito aquém deles: há uma distância imensa
entre desejar, aspirar a ser e ser.
Para que nossa existência atual seja
produtiva em nosso desenvolvimento interior, necessário conhecermo-nos,
internamente, o mais e melhor possível, conseguirmos a consciência de quem
somos.
Segundo o dicionário Caldas Aulete,
consciência é “sentimento do que em nós se passa”; “o testemunho ou julgamento
secreto da alma, que aprova as ações boas ou rejeita as más”.
Consciência é pois, algo que existe em nós,
que nos leva a reconhecermo-nos, a perceber com clareza, o que e como sentimos,
pensamos, agimos e reagimos, em nosso viver cotidiano.
Quando Allan Kardec perguntou aos Espíritos:
“Onde está escrita a lei de Deus?”, eles não responderam: “Na Bíblia” e sim “Na
consciência” 1 Por isso, todos os seres humanos, quando tomam
consciência da sua individualidade, fazem as mesmas perguntas e encontram as
respostas que seu desenvolvimento intelectual e moral indicam: “Quem somos?”,
“De onde viemos?” e “Para onde vamos?”
Essa consciência, inerente ao Espírito, vai
se desenvolvendo no conhecimento das leis naturais, na medida do
desenvolvimento espiritual de cada um.
Quanto mais se desenvolve o homem,
intelectual e moralmente, quanto mais ele se educa no conhecimento e na
vivência das leis de Deus, mais essa consciência se amplia e mais ele percebe
quem é, como é, o que pode ser e, quanto mais claramente, ele ouve a voz da sua
consciência, mais percebe os outros, tornando-se melhor pessoa. Possui mais e
melhores condições de viver melhor, de ajudar mais e melhor seu próximo e de
colaborar, com mais eficiência, na melhoria da comunidade onde vive.
No reino animal, o princípio inteligente,
até então, alma - grupo na expressão de Jorge Andréa 2, torna-se um
indivíduo, um ser particular só que ele não sabe disso, sua consciência
continua “em germe”, em potencial.
É no reino hominal, como Espírito, que
inicia a consciência de si mesmo, como um indivíduo semelhante a outros.
Adquire a consciência de que é alguém, de que existe e vive.
Esse despertar da consciência, leva o homem
a satisfazer suas necessidades físicas, desenvolvendo então, o egocentrismo,
tão necessário à sua sobrevivência e manutenção, onde ele e suas necessidades
são o centro: “primeiro eu, depois o outro”.
Infelizmente, esta idéia ainda persiste
hoje, entre pessoas que não perceberam que atualmente, a necessidade maior é a
da solidariedade, em favor de “nós” e não do “eu”.
Todavia, a progressão espiritual se faz
também, através das lutas materiais e, chega um momento, na vida de cada
Espírito, na qual ele percebe, adquire a consciência da sua realidade
espiritual e das suas “novas” necessidades.
Geralmente, cansado de repetir experiências
reencarnatórias, guiado pelo orgulho e egoísmo, percebe a luz do amor de Deus e
o quanto dela se distanciou.
Vem, então, o arrependimento, a vontade de
mudar tudo, de transformar-se, de recomeçar de novo, por que tem dentro de si,
gravado na sua consciência, a lei da reencarnação, que leva à evolução.
É então, que ele se dispõe a esse trabalho
de regeneração, que lhe parece gigantesco, e ele o é, quando outras lutas
surgem, muitas vezes mais difíceis das vividas antes, lutas internas, consigo
próprio, procurando ouvir a voz de sua consciência. Todas as tarefas que
empreende, a partir de então, lhe parecem plenas de dificuldades, tanto maiores
quanto mais egoísmo e orgulho carrega dentro de si.
Todavia, graças ao amor e à misericórdia de
Deus, que nos criou para a perfeição e felicidade, a mesma vontade que ele
(o homem) usou para satisfazer seus instintos e sensações primitivos e
grosseiros, é a mesma que ele agora pode e deve usar na edificação da sua
regeneração, do seu autoburilamento.
Por isso, Joanna de Ângelis escreveu:
“Quando alguém se volta para o Evangelho, tentando a sua auto-iluminação, sofre
as constritoras amarras dos hábitos até então mantidos, assim como a injunção
vigorosa que a proposta libertadora estabelece. A luta íntima que trava, faz-se
mais rude, porquanto todo um sistema de acomodação deve ser mudado, gerando
novos condicionamentos” 3
Difícil não é conhecer e aprender coisas
novas, difícil é desaprender hábitos arraigados!
Quando a vontade de modificar-se está no
homem, esta disposição propicia à consciência, condições de melhor análise de
si mesmo, tornando-se cada vez mais severa à medida que suas determinações vão
sendo seguidas.
Vamos dar um exemplo. Em qualquer
relacionamento difícil, entre duas pessoas, geralmente, o alvo ideal a ser
conquistado é a tolerância. Quando, porém, já se conseguiu esta virtude em
muitas situações, estando o relacionamento mais fácil, eis que a consciência,
mais desenvolvida por esse esforço lhe diz: “Tolerar só não basta. A lei de
Deus é a harmonização, que leva o homem a amar o próximo”.
E “nova” luta começa, processando-se assim,
lentamente e sempre o autodesenvolvimento; cada vez que se atinge determinado
alvo, que antes parecia quase inatingível, outro aparece, a fim de levar o
filho e herdeiro de Deus à redenção.
Mas assim, vamos lutar sempre?
Sim, viver é lutar, crescer, desenvolver-se,
vencendo os desafios internos e externos, Fomos feitos para mudanças,
transformações. Os bibelôs, as estátuas são feitos para ficarem estáticos, a
fim de serem admirados. O homem não. Vive, progride sempre, sendo, em qualquer
idade, desafiado por dificuldades e obstáculos.
Por isso, a vida é sempre bonita! Tanto no
viver da criança, do jovem, como no adulto, do velho, do Espírito desencarnado,
a vida é sempre dinâmica, desafiadora, compensatória e pode ser prazerosa!
E a renovação interior é um “empreendimento
de alto e nobre porte, que não deve ser postergado” 3
Bibliografia:
1.
O
Livro dos Espíritos - Allan Kardec - q. 621
2.
Impulsos
Criativos da Evolução - Jorge Andréa - cap. 11, pág. 128
3.
Fonte
de Luz - Joanna de Ângelis: “Consciência e Testemunhas”
Fonte:
Jornal Verdade e Luz Nº 187 – Agosto/2001
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