|
Questão
que sempre gerou confusão ente os médiuns, principalmente os iniciantes, o
animismo sempre foi visto como uma ocorrência negativa, uma falha do médium.
Cabe-nos, portanto lançar um olhar mais profundo sobre o tema visando
esclarecer o assunto.
Desde
dos primeiros passos do estudo psico-espiritual que este tema vem sendo analisado.
No século passado o sábio russo Alexander Aksakof fez uma das primeiras
classificações dos fenômenos mediúnicos, dividindo-os em três categorias:
1.
“Fenômenos
explicáveis unicamente pelas funções clássicas da subconsciência (pré-consciência)
e que, portanto, se situam nos domínios da psicologia - personismo (Aksakof),
fenômenos subliminais (Myers), automatismo psicológico (Janet).”
2.
Fenômenos
explicáveis pelo que hoje denominamos funções Psi ou, como diziam os
metapsiquistas: ”as faculdades supranormais da subconsciência”.
3.
“Fenômenos de
personismo e de animismo na aparência, porém reconhecem uma causa
extra-mediúnica, supraterrestre, isto é, fora da esfera de nossa existência”.
O
animismo, segundo a classificação de Aksakof, estaria enquadrada no segundo
item, caracterizando-se como manifestação do campo da parapsicologia. No
primeiro item estariam as manifestações psicológicas e no último os fenômenos
mediúnicos propriamente ditos.
Dentro
do conceito espírita, podemos definir animismo sobre dois prismas. O primeiro,
segundo a definição de Martins Peralva: “Animismo é o fenômeno pelo qual a
pessoa arroja ao passado os próprios sentimentos, <de onde recolhe as impressões
de que se vê possuída>”, o segundo, na definição de Richard Simonetti: “é
algo da alma do próprio médium interferindo no intercâmbio”. Ambas as
definições estão corretas, diferindo apenas no grau de interferência do
espírito do médium. E também em ambos os casos, é importante lembrar que quando
nos referimos à interferência, falamos de ação não voluntária, portanto não
devemos confundir com mistificação onde há a intenção de enganar. Esta interferência
muitas vezes é tão sutil que se torna complexo o trabalho de distinguir a
origem da comunicação. Isto se deve ao fato de que tanto encarnados quanto desencarnados
“respiram” em semelhante ambiente evolutivo, pois se assim não fosse o
intercâmbio entre os dois planos seria impossível.
Para
facilitar nossa exposição e atendendo a questões didáticas, vamos distinguir
dois grupos de comunicações espirituais:
·
Fator Anímico –É aquele em que o médium, involuntariamente, transmite comunicações da
própria alma;
·
Fator Espíritico – são os mediúnicos, propriamente ditos, onde o médium recebe comunicações
de espíritos desencarnados;
Lembremos
que, embora no animismo não exista comunicação externa, ainda assim não deixa
de ser um espírito que se comunica, e este está necessitando de auxílio,
portanto cabe ao dirigente da reunião mediúnica usar de todo carinho fraterno
para ajudar aquele espírito. Conforme nos relata André Luiz, na obra Nos domínios da Mediunidade: “Sem dúvida
em tais momentos, é alguém que volta do pretérito a comunicar-se com o
presente, porque, ao influxo das recordações penosas de que se vê assaltada,
centraliza todos os seus recursos mnemônicos tão somente no ponto nevrálgico em
que viciou o pensamento. ... para nós, é uma enferma espiritual, uma
consciência torturada, exigindo amparo moral
e cultural para a renovação íntima, única base sólida que lhe assegurará o
reajustamento definitivo.” Também é preciso cuidado do doutrinador na hora de
classificar uma comunicação de anímica, para está análise recorremos a Kardec
no Livro dos Médiuns, capítulo XIX, questão 223 § 3 : "Como distinguir se o Espírito que responde é o do médium ou se é
outro Espírito?
- Pela natureza das comunicações. Estuda as circunstâncias e a linguagem e distinguirás".
Normalmente
o fator causador do animismo é a fixação mental, ou seja, pessoas, fatos,
objetos ou situações nos quais fixamos nosso pensamento, devotando-lhes grande
atenção, isto faz com que guardemos vínculos que podem perdurar durante longo
tempo e gerar desequilíbrios que precisam ser sanados e fazem com que o espírito
do médium - assim como qualquer outro espírito em desarmonia - precise de ajuda
e recorra aos grupos mediúnicos quando tem a oportunidade.
No
caso do animismo em médiuns principiantes, este fenômeno é natural e esperado,
em face da pouca experiência dos mesmos, o estudo aliado à continuidade do
trabalho no grupo fará com que o iniciante adquira mais segurança e controle de
sua mediunidade, solucionando este obstáculo.
Como
pudemos verificar, não há razão para o preconceito quanto ao animismo, ele é uma
manifestação espiritual autêntica e deve ser tratado como tal, cabendo,
entretanto aos médiuns, superar o estágio do animismo, através do devotamento
ao estudo, juntamente com o incessante esforço de disciplina moral, pois nenhum
médium conseguirá realizar adequadamente o mandato mediúnico se perseverar na
ignorância, na mistificação, no animismo e se olvidar o esforço próprio
dirigido à sua ascensão espiritual.
Fontes:
Aksakof,
Alexander. Animismo e Espiritismo. (1985) FEB.
Luiz,
André. Nos Domínios da Mediunidade. (2002) FEB.
Luiz,
André. Mecanismos da Mediunidade. (2002) FEB.
Kardec,
Allan. O Livro dos Médiuns. (1999). LAKE.
Peralva,
Martins. Estudando a Mediunidade. (1987) FEB.
Simonetti,
Richard. Mediunidade – Tudo o que você precisa saber. (2003). CEAC.
|