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"Fé inabalável só é a que
pode encarar de
frente a razão,
em todas as épocas da humanidade” ·
Allan Kardec
Palavra
de uso tão comum, mas de significado tão pouco compreendido, a fé vem sendo
tema de muitas polêmicas devido as diferentes interpretações que algumas
correntes do pensamento religioso realizam, confundindo e distorcendo a visão
das pessoas.
Cabe-nos
então, perguntar: O que é fé? Para responder a esta pergunta vamos buscar a
origem etimológica da palavra. Fé tem duas origens, a primeira deriva do termo
grego pistia, que quer dizer
acreditar. Este é o significado mais usual, entretanto ainda incompleto, pois
não basta crer, é necessário também compreender a razão pela qual se crê. Esta
é a chamada fé raciocinada. Antes de ser uma contradição, como podem pensar
alguns, o uso da razão solidifica a fé, pois ao analisarmos o objeto de nossa
fé, compreendo-o e aceitando-o, estamos criando alicerces que tornarão nossa fé
inquebrantável, fortalecendo-nos frente aos desafios mais árduos. Por outro
lado, a fé sem a razão é frágil, está sujeita a ser desfeita e pode, frente ao
menor abalo, desmoronar. Ou ainda pior, esta fé irracional pode nos conduzir ao
fanatismo, a negação de tudo que seja contra o nosso ponto de vista. Com esta
postura, nos arriscamos a cometer grandes desatinos, visto que, com nossos
olhos fechado à razão, poderemos esta defendendo grandes mentiras, e negando grande
e redentoras verdades.
A
outra origem da palavra fé vem do latim, fides,
que também possui o sentido de acreditar, mas agrega a este, o conceito de
fidelidade, ou seja, é necessário que sejamos fieis ao objeto de nossa fé,
falando em fé religiosa, estamos falando em Deus, portanto é preciso que
sejamos fieis a Deus e isto só é possível seguindo os seus preceitos: “Amar a
Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos.” Tomando por
base esta compreensão percebemos que não basta ficarmos recolhidos, rezando,
estudando os textos sagrados ou contemplando os céus. Praticando uma fé
passiva. Lembrando as palavras do apóstolo Tiago: “Que proveito há, meus irmãos
se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode
salvá-lo? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma.” (Tiago,
2:14 a 17). Quem acredita que apenas crer em Deus é suficiente para alçá-lo aos
planos superiores, junto aos anjos do Senhor, vai ter uma grande decepção. É
fundamental para nossa fé que pratiquemos a caridade, que trabalhemos em favor
do nosso próximo, que tornemos a nossa fé numa fé ativa. Entretanto a mesma
atividade que dedicamos ao próximo podemos dedicar a nós mesmos, assim como
devemos confiar em Deus, devemos confiar nos dons que Ele nos deu e que através
desses dons podemos conquistar muitos dos nossos objetivos. Chega de ficar em
casa esperando que o céu nos envie tudo que precisamos. Vamos pedir ao Alto que
nos auxilie e ilumine, mas vamos também fazer a nossa parte na construção da
vida melhor e mais feliz que desejamos.
Finalmente,
lembremos das palavras do mestre Jesus: “Em verdade vos digo que, se tiverdes
fé do tamanho de um grão de mostarda direis a esta montanha: move-te daqui para
ali, e ela se moveria; e nada vos seria impossível.” (Mateus, 17:20). Portanto,
vamos confiar, compreender e trabalhar, certos de que através da nossa fé
consciente seremos capazes de superar todos os obstáculos do caminho,
acreditando que temos força para vencer os desafios e seguros de que se esta
força, em algum momento nos faltar, nosso Pai que está nos céus nos sustentará
e nos guiará “mansamente a águas tranqüilas.” (Salmos 23:2).
Fontes:
Kardec,
Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. (2001). LAKE.
Autores
Diversos. O Espírito da Verdade. (1999). FEB
Denis,
Leon. Depois da Morte.(1890) FEB.
Campos, Ana
Cristina. O Poder da Fé, in Revista o Reformador nº 40. (1998)
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