|
A
mediunidade, embora os menos informados não saibam, é habilidade inerente, em
maior ou menor grau, a todos os seres humanos e consiste na capacidade de interagir
com o plano espiritual e intermediar as relações entre desencarnados e os plano
físico. Todos somos médiuns, todos temos a faculdade de influenciar e sermos
influenciados por espíritos, entretanto, convencionou-se chamar de médiuns
apenas aqueles onde esta faculdade aparece de forma mais ostensiva.
Para
que exista um fenômeno mediúnico é forçosa a existência de um espírito, que por
intermediação do médium, age no mundo material. Esta observação deve-se ao fato
que há pessoas dotadas da capacidade de agir por sua própria vontade, sem ação
externa, sobre a matéria, podendo ser confundidos com médiuns.
Existem
diversos tipos de mediunidade que Kardec, no Livro dos Espíritos, dividiu em
dois grupos:
Manifestações Físicas – Onde se incluem todas aquelas ligadas a ruídos,
sons, movimentação e deslocamento de corpos sólidos;
Manifestações Inteligentes – que são as demais ocorrências mediúnicas, onde
identificamos um ato livre, voluntário, com uma intenção e ligado a uma
inteligência, que no caso é espírito;
Embora
muito mais impressionantes, as manifestações físicas tornam-se cada vez mais
raras devido à própria evolução da humanidade, que hoje necessita muito mais de
ações inteligentes do que de espetáculos.
No
livro Nos Domínios da mediunidade, André Luiz nos diz que a mente está por trás
de todos os fenômenos mediúnicos, mas se é assim, por que nem todos conseguem
manifestar ostensivamente esta mediunidade? Isto se deve ao fato de que nem
todos possuem corpos adaptados à ampla manifestação da mediunidade, o que leva
a diferentes intensidades de manifestação, levando inclusive alguns a pensarem
que não a possuem. Os médiuns possuem seus organismos melhor “desenhados” para
o desempenho desta interação com o plano astral, merecendo destaque: a glândula
Pineal ou Epífise, (que é uma glândula situada acerca de 10 cm para dentro do
cérebro, traçando-se uma linha reta de um ponto imediatamente acima do meio dos
olhos) e que é o centro das interações com o plano espiritual e nos médiuns
esta glândula é mais desenvolvida. A glândula pineal possui papel de tanto
destaque, que foi inclusive considerada por Descartes como o ponto onde a alma
se ligava ao corpo. A verdade a Epífise funciona como uma válvula de recepção e
transmissão, que recebe as ondas-pensamento dos espíritos e as transforma em
ondas-palavras e vice-versa, permitindo assim a comunicação entre encarnados e
desencarnados.
Como
toda habilidade, a mediunidade carece de desenvolvimento adequado. Para isto os
médiuns necessitam de dois alicerces fundamentais: O estudo e a evangelização.
Através do primeiro o médium aprende sobre como utilizar melhor suas
faculdades, permitindo-lhe o controle e a compreensão dos fatos. Já o segundo, é
a bússola que vai dar rumo à mediunidade. Sem evangelização o médium fatalmente
dará campo para a derrocada moral e para o desvio de suas habilidades para
caminhos menos dignos. A mediunidade sem o Evangelho é mero instrumento de
comunicação, sem valores que lhe enobreçam a existência.
Quando falamos em evangelização, em desenvolvimento
moral, estamos nos referido ao esforço contínuo para agir de acordo com o
exemplo do maior de todos os médiuns da Terra que foi Jesus. Estamos falando em
humildade, paciência perseverança, trabalho, fé, disciplina, amor e caridade. Estas
são as ferramentas com quais daremos maiores possibilidades à mediunidade, pois
através delas, além do nosso crescimento pessoal, estaremos permitindo-nos a
sintonia com espíritos superiores, que nos auxiliaram e nos fortaleceram em
todos os momentos. Isto não quer dizer que ao nos moralizarmos somente nos
comunicaremos com espíritos de luz. Não,
os médiuns ostensivos são nas palavras do professor Pastorino: “São
verdadeiros condensadores variáveis, com capacidade para selecionar os espíritos
que chegam. Então recebem e transmitem cada comprimento de onda por sua vez,
dando as comunicações de cada um de per si. Quanto maior a capacidade do médium
de aumentar e diminuir a superfície do campo estabelecido pelas ‘placas’, tanto
maior a capacidade de receber espíritos de sintonia diversa: elevados e sofredores”.Ou seja, o médium tem a capacidade de atuar
em diversos campos de sintonia, entretanto, quanto mais moralizado, mais
elevadas serão as faixas vibratórias que poderá atingir, conseqüentemente
poderá sintonizar com espíritos mais elevados que lhe prestarão concurso
fraterno no uso responsável de sua mediunidade. Voltando a citar André
Luiz: “quando o médium se evidencia no
serviço do bem, pela boa-vontade, e pelo estudo e pela compreensão das responsabilidades
de que se encontra investido, recebe apoio mais imediato de um amigo espiritual
experiente e sábio, que passa a guiar-lhe a peregrinação na Terra,
governando-lhe as forças”.
O
grande desafio para aquele que deseja desenvolver sua mediunidade e romper com
as más tendências do “Homem velho” e renascer para ser um “Novo homem”. No
princípio da humanidade a ignorância era justificativa para o uso da força, da
opressão visando satisfazer os instintos animais do homem em seu início de
jornada na terra, agora caminhamos para uma nova era, onde a ignorância dá
lugar ao conhecimento, a força e a opressão serão substituídas pela fraternidade
e a renovação moral fará com que a iluminação espiritual sobreponha-se aos
instintos. Essa transformação deve ocorrer também dentro de cada um de nós,
alçando-nos a novos estágios evolutivos e ampliando-nos as possibilidades,
sempre pautando nossa conduta pelo excelso exemplo do mestre Jesus.
Fontes:
Kardec,
Allan. O Livro dos Médiuns – tradução por Pires, J. Herculano. (1999) LAKE.
Kardec,
Allan. O Livro dos Espíritos – tradução por Renata B. da Silva e Simone T. N.
B. da Silva. (1999) PETIT.
Curti,
Rino. Espiritismo e Obsessão (1987) LAKE.
Peralva,
Martins. Estudando a Mediunidade - Segundo a obra “Nos Domínios da
Mediunidade”. (1956) FEB.
Luiz, André.
Nos domínios da Mediunidade (Psicografado por Chico Xavier). (2002). FEB.
Luiz,
André. Mecanismos da Mediunidade (Psicografado por Chico Xavier e Waldo
Vieira). (2002). FEB.
Simonetti,
Richard. Mediunidade – Tudo o que você precisa saber. (2003) CEAC.
Pastorino,
C. Torres. Técnicas de Mediunidade. Sem referências.
|