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Edilson Botto
Um dos conceitos mais arraigados na
nossa cultura cristã é a idéia do pecado. Desde a mais tenra idade nos ensinam
que somos todos pecadores, que tudo de errado que fazemos é pecado e que por
isto devemos ser punidos, ou como é mais comum dizermos, castigados. Fazendo-se uma análise, à luz da razão, desta
relação entre pecado e castigo, vamos verificar que este é um processo que apenas
gera medo e temor, levando-nos a conter nossos atos, não pela educação, mas pela
ameaça do respectivo castigo. Mas será esta a maneira adequada de levar as
pessoas à obediência do Evangelho? Será este o meio adequado de implantar o
amor entre os homens? Antes de nos concentrarmos na busca de uma alternativa,
seria interessante que fôssemos procurar a origem desta visão punitiva.
Quando Moisés retirou seu povo do Egito,
os Hebreus estavam completamente influenciados pela cultura egípcia, a idéia de
um Deus único era estranha e não havia qualquer disciplina entre eles, era um
povo rebelde e acostumado à prática do roubo, do adultério e da adoração a
vários deuses. Era ainda um povo primitivo, incapaz de espontaneamente
modificar sua conduta. Não existia outra maneira de levá-los a abandonar os
velhos hábitos a não ser a adoção da imagem de um Deus punitivo, um Deus que se
irava e que castigava implacavelmente aqueles que não obedecessem a “sua Lei”,
era o tempo do “olho por olho, dente por dente”.
Quando Jesus veio à terra, seu discurso
falava de um Deus tão amoroso que ele o chamava de Pai, sua mensagem não era
mais o antigo conceito do Deus vingativo, mas do Deus que perdoava e que nos queria
vivendo como irmãos, perdoando e oferecendo a outra face.
Com o advento da Idade Média, a Igreja
resgatou o conceito mosaico do pecado, e a idéia de que os pecadores precisavam
ser castigados como forma de remir suas faltas, além disso, foi fortalecida a idéia
da ação do demônio na vida dos homens e de que se não “pagássemos” pelas nossas
faltas estaríamos irremediavelmente condenados ao fogo do inferno. Essa
concepção foi transmitida através das gerações e chegou até os nossos dias,
onde continuamos temendo os castigos de Deus.
O Espiritismo, através de uma visão
amadurecida, observa sob uma nova ótica a questão do pecado, lançando a luz do
entendimento sobre o assunto e trazendo conforto e esperança aos homens, que
doravante apagam a noção de pecadores e passam a assumir o papel de seres em
evolução, ainda imperfeitos é verdade, mas rumando inexoravelmente para uma
condição superior onde não mais cometerão os erros atuais. Alguns podem julgar esta posição absurda, mas
então vamos parar um minuto e perguntar a nós mesmos: Quantos de nós, que somos
humanos, ao invés de darmos nova oportunidade a nossos filhos, quando estes
fazem algo que julgamos errado, os expulsamos de casa e os condenamos a viver eternamente
com sua culpa? Então por que Deus que é o infinito amor agiria de uma forma
pior do que a nossa? Afinal não foi Jesus quem disse: “Se vós, pois, sendo maus,
sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos
céus” (Mateus 7:11).
Apaguemos de nossas mentes a idéia da
culpa. Na Doutrina Espírita nós não somos culpados; somos responsáveis pelos
nossos atos e devemos responder pelas nossas ações, não através do famigerado
castigo, mas através de mecanismos que nos levam à conscientização de nossas
atitudes equivocadas e da reparação dos mesmos, pois o equívoco faz parte do
processo de aprendizado e como seres em evolução precisamos vivenciar as mais
diversas experiências para alcançar o progresso espiritual, e nessa jornada de
luz é natural que nos enganemos, mas, é imprescindível que nos esforcemos para
crescer. O objetivo da lei divina não é punir, mas, educar, fazendo com que
cada indivíduo evite repetir seus erros pela compreensão de que sua atitude
passada foi inadequada e que é necessário uma mudança de conduta.
As fases deste processo de mudança são:
o Arrependimento, momento em que
reconhecemos a nossa falha de conduta, a Expiação,
que é quando vamos refletir sobre o que fizemos e finalmente a Reparação, que é o ápice deste
processo, pois é quando alteramos nossos passos ou corrigimos o ato falho. Observem
a lógica desta proposta, nela todos saem enriquecidos; nós, pelo
amadurecimento, e o outro (a quem porventura prejudicamos), por ser valorizado
ao consertarmos os nossos enganos.
A vida é uma dádiva de Deus, que no-la
concedeu, para que alcancemos a felicidade, e não para vivermos com medo, vamos
todos então trabalhar para alcançarmos a comunhão com Ele, certos de que: “Todo
homem podendo corrigir as suas imperfeições pela sua própria vontade, pode
poupar-se os males que delas decorrem e assegurar a sua felicidade futura” (o
Céu e o Inferno, Cap VII).
Fontes:
O Evangelho Segundo o
Espiritismo - Allan Kardec
O Céu e o Inferno – Allan Kardec
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
O Perdão e o Autoperdão – Divaldo Franco
Roteiro I do Estudo Sistematizado da Doutrina
Espírita
A Bíblia Sagrada
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