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Paulo Henrique de Figueiredo
Allan Kardec fez suas pesquisas com o auxílio de dezenas de médiuns espalhados
por todo o mundo. Entre eles, dois médiuns de Sens (França), homens modestos e
devotados. Simples trabalhadores manuais, de modesta educação. Apesar de
receberem mensagens de nomes importantes e destacadas personalidades, não se
gabavam por isso, mantendo o controle da razão e a humildade diante delas. Suas
personalidades e boas intenções mantinham afastados os Espíritos ignorantes e
brincalhões. Nunca receberam mensagens triviais, enganadoras ou grosseiras, foi
essa impressão declarada de Kardec.
Determinado
dia de 1860, programado para seus experimentos de psicografia, um dos médiuns
escreveu: “Meu Deus! Quanto os vossos desígnios são profundos e quanto os
vossos objetivos são impenetráveis! Os homens procuram, em todos os tempos, a
solução de uma multidão de problemas que ainda não foram resolvidos. Eu também
procurei toda a minha vida, e, não pude resolver aquele que parece o menor de
todos: o mal, o aguilhão do qual vos servis a fim de impelir o homem a fazer o
bem por amor. Conheci, bem jovem ainda, os maus tratos que os humanos se fazem
uns aos outros, sem dissimulação, como se o mal fosse para eles um elemento
natural, e, todavia, não é assim, uma vez que todos tendem para o mesmo
objetivo, que é o bem. Eles se massacram entre si e ao despertarem reconhecem
ter ferido um irmão! Mas tais são os vossos decretos que não nos cabe mudá-los;
não temos senão o mérito, ou o demérito, de termos mais ou menos resistido à
tentação, e por sanção de tudo isso, o castigo ou a recompensa”.
Quem era
esse Espírito que demonstrava sabedoria e facilidade em lidar com as palavras,
preocupado com os aspectos morais e filosóficos. Sua narração mostra que sofreu
maus tratos em sua juventude. Mas em que época e lugar ele viveu? Qual o seu
nome?
A pena
continuou a correr dando novas pistas: “Passei minha juventude nos caniços de
Meles; eu me banhei e me embalei, muito freqüentemente, em suas ondas; por
isso, em minha juventude, me chamavam Mélesigene”.
REVELAÇÃO
Mélesigene.
Esse foi seu nome. Mas os médiuns não faziam idéia de quem teria sido.
Pediram então ao Espírito uma descrição mais precisa de sua identidade. E ele
respondeu: “Minha juventude foi embalada nas ondas; a poesia me deu cabelos
brancos; é a mim que chamais Homero”. A surpresa dos médiuns foi grande: “Não
tínhamos nenhuma idéia desse sobrenome de Homero”, eles afirmaram que depois o
encontraram no dicionário de mitologia.
Então o
maior dos poetas gregos realmente existiu!
Pouco se
sabia sobre a vida de Homero e alguns historiadores acham até que ele nunca
existiu. Ele foi o principal poeta da antiga literatura grega e teve profunda
influência sobre a literatura ocidental. Parece ter vivido por volta de 700 a.
C.. Dizem que era cego e que pode ter cantado para as cortes reais da mesma
forma que os bardos cantam no seu poema Odisséia. Não se sabe o quanto de suas
palavras originais correspondem aos textos de hoje disponíveis, mas parece
claro que a base do poema foi oral. “Através de poemas, muitos fatos chegaram
ao nosso conhecimento. Ilíada[1] e Odisséia, poemas épicos de Homero, relatam
muito bem todos os costumes e preocupações dos governantes da Grécia antiga com
uma riqueza de detalhes jamais conseguida pelos registros oficiais da História”
(História da Poesia Universal).
A visita
espontânea do poeta alegrou os médiuns que perguntaram a que deviam essa
visita; Homero respondeu: “É porque virei às vossas reuniões, como se vai
sempre junto aos irmãos que têm em vista fazer o bem”.
Eles pediram
que o poeta falasse de seus últimos momentos da vida terrestre, e o famoso
grego escreveu: “Oh! meus amigos, faça Deus que não morrais tão infeliz quanto
eu! Meu corpo morreu na última das misérias humanas; a alma bem perturbada
nesse estado; o despertar é o mais difícil, mas também há mais beleza. Oh! como
Deus é grande! Que vos abençoe! Eu o peço do fundo de meu coração”.
Esse
episódio revela as extraordinárias possibilidades da mediunidade bem conduzida
para auxiliar os pesquisadores na reescrita da história do mundo. quantos
mistérios podem ser desvendados? Fatos perdidos no tempo poderão ser
reconstruídos; personagens históricos, interrogados, irão esclarecer pormenores
e corrigir enganos.
Kardec,
narrando os acontecimentos, observou que “o fato mais saliente dessa
comunicação foi a revelação do sobrenome de Homero, e é tanto mais notável
quanto os dois médiuns, que eles mesmos reconhecem e deploram a insuficiência
de sua educação, o que os obriga a viverem do trabalho de suas mãos, disso não
podiam ter nenhuma idéia; e igualmente se pode menos atribuí-la a um reflexo de
pensamento qualquer, porque nesse momento estavam a sós”.
No entanto,
Kardec ressaltou que uma investigação desse tipo precisa respeitar a vontade
dos Espíritos, sendo que “é preciso que se faça isso com comedimento, tão bem
com eles quanto com os homens. As provas de identidade dadas espontaneamente
pelos Espíritos são sempre melhores”.
ALGUMAS PERGUNTAS
AO ESPÍRITO HOMERO
Os poemas da Ilíada e da Odisséia, que
temos, estão bem como compusestes?
Homero: “Não, foram trabalhados”.
Várias cidades disputam a honra de vos ter
dado a luz; poderíeis nos fixar a esse respeito?
Homero: “Procurai qual a cidade da Grécia
possuía o teto do cortesão Cléanax; foi ele quem expulsou a minha mãe do lugar
do meu nascimento, porque ela não queria ser sua amante, e sabereis em que
cidade vim à luz. Sim, elas disputaram essa pretensa honra, e não disputaram a
de me ter dado a hospitalidade. Oh! Eis bem os pobres humanos; sempre fúteis;
bons pensamentos, nunca!”.
O grande poeta grego foi, assim, o filho
não assumido do nobre grego Cléanax com sua amante. Suas dificuldades na
juventude devem ter sido originadas nessas marcantes circunstâncias de seu
nascimento. (Revista Espírita, 1860).
TRÓIA O FILME
O longa-metragem, dirigido por Wolfang
Petersen, relembra a guerra entre gregos e troianos pelo controle de Tróia por
volta de 1.100 a. C.. Como todo épico a superprodução, de quase 200 milhões de
dólares, baseia-se em lições de moral, frases de efeito, heróis inquestionáveis
e o eterno duelo entre o bem e o mal. A história tem batalhas sangrentas, busca
notoriedade e maquinações políticas; mas também paixão, sexo e ciúmes, ou seja,
todos os ingredientes de um filme hollywoodiano.
Muitas críticas vêm sendo feitas à
fidelidade do filme aos 15.600 versos da obra de Homero, a Ilíada. Para se ter
uma idéia do trabalho, o próprio poema já reduz o tema: trata somente dos 50
dias cruciais – a vingança de Aquiles e a tomada de Tróia – de uma guerra que
durou dez anos. Assim, por mais que roteiristas desdobrassem-se, a retratação
fiel do poema grego ficou muito debilitada. Principalmente em dois pontos: no
filme, Agamêmnon, como todo bandido, morre no final (assassinado por uma
escrava). Na mitologia, porém, ele volta para Micenas e é assassinado por sua
mulher, Clitemnestra. Além disso, a ausência dos deuses como parte da trama é
uma diferença fundamental. Na Ilíada os deuses são os personagens centrais,
interferindo na trama e combatendo ao lado dos heróis. “Nós nos inspiramos na
obra, não a adaptamos”, disse o diretor do filme. Segundo Peterson, a parte
divina da Ilíada não foi usada, porque não seria conveniente para o tom
realista que se queria dar a narrativa.
Tróia é a segunda produção recente do
gênero, mas não a última. A vida de Alexandre o Grande, entre outros filmes,
será lançada em breve. “Hollywood tem uma natureza cíclica”, disse Brad Pitt,
que interpreta o grego Aquiles. “Não acho que as pessoas se copiem, troquem
anotações para fazer igual, creio que haja um reflexo dos tempos”. (redação)
FICHA TÉCNICA
Título Original: TROY
Gênero: AVENTURA
Tempo de Duração: 162 MINUTOS
Lançamento: (EUA) 2004
Site Oficial: http://troymovie.warnerbros.com
Estúdio: WARNER BROS/VILLAGE ROADSHOW
PICTURES/PLAN B FILMS/RADIANT PRODUCTIONS.
[1] “Canta-me a Cólera – ó deusa! – funesta de Aquiles Pelida, causa que foi de
os Aquivos sofreram trabalhos sem conta e de baixarem para Hades as almas de
heróis numerosos e esclarecidos, ficando eles próprios aos cães atirados e como
pasto das aves. Cumpriu-se de Zeus o desígnio desde o princípio em que os dois,
em discórdia, ficaram cindidos, o Atreu filho, senhor dos guerreiros e Aquiles
divino. Qual dentre os deuses eternos foi causa de que eles brigassem?”
(CANTO I – ILÍADA)
Publicado
na revista Universo Espírita – julho de 2004 – nº 11 – páginas 44 a 47 e
transcrito por Julia Adalgisa
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