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Provas Positivas da Reencarnação

Tema foi estudado por grandes pensadores

 

 

 

Caírbar Schutel

                   

           A doutrina das vidas sucessivas tem ocupado a atenção dos maiores filósofos de todos os tempos. Espíritos mais eminentes da antiguidade, alguns de modo velado, outros claramente, confessavam a sua crença na pluralidade das existências, teoria em que baseavam os seus argumentos filosóficos.

           Pitágoras que introduziu na Grécia a doutrina das vidas sucessivas, diz que em suas viagens ao Egito e à Pérsia se inteirou de que era esta a doutrina dominante de todos os pensadores.

           Platão adotava a idéia pitagórica da Palingenesia (1), porque ela explica perfeitamente a reminiscência de vidas anteriores.

           Orígenes, no seu livro - Dos Princípios - 1?, passa em revista os numerosos argumentos que vêm em apoio da preexistência e da sobrevivência das almas em outros corpos para explicarem a desigualdade das condições humanas, e pergunta a si mesmo, qual é o total das etapas alcançadas por sua alma alcançada em outras peregrinações através do infinito, quais são os progressos realizados em cada uma das estações, as circunstâncias dessa grande viagem e a natureza particular de suas residências.

           Jamblico sintetiza assim referida doutrina: "A Justiça de Deus não é a justiça dos homens. O homem define a justiça com relação a sua vida atual e seu presente. Deus a define relativamente às nossas existências sucessivas e à universalidade de nossas vidas".

           Cícero, Virgílio e outros não são alheios a esta doutrina. São Clemente de Alexandria se pronuncia a favor da transmigração das almas, assim como São Jerônimo. São Gregório de Nisa diz que há necessidade que a alma imortal seja curada e purificada, e que se não o foi durante a vida terrestre, a cura operar-se-á em vidas futuras subseqüentes.

           Enfim, não só na antiguidade, como também nas eras judaica, cristã, na idade média e nos nossos tempos, a doutrina reencarnacionista tem sido objeto de meditação para os grandes pensadores. Leibnitz, um dos mais eminentes filósofos do século XVII, como Dupont de Nemours, do século XVIII, e Charles Bonnet acham que as almas voltam à Terra para aperfeiçoar e adquirir moralidade no mais alto grau.

           Lessing escreve: "O que impede que cada homem tenha existido várias vezes no mundo? Esta hipótese é ridícula por ser a mais antiga? Por que não terei eu dado no mundo todos os meus passos sucessivos para o meu aperfeiçoamento?"

           Ballanche, Schegel, Saint Martin estão acordes com Dupont de Nemours.

           Enfim, a idéia de Palingenética tem embalada os maiores gênios do nosso planeta. Sob o ponto de vista histórico, só a têm repudiado os que fundaram a sua crença nos dogmas do inferno e paraíso. Mas não é esse o nosso tema.

           A reencarnação embora abraçada pelos grandes pensadores não se funda em concepções pessoais, mas sim em provas positivas que os fatos nos oferecem.
           Uma das provas predominantes da doutrina da pluralidade das existências é a lembrança do passado, ou seja, a reminiscência das vidas anteriores, verificada com certos indivíduos.

           Estudado cientificamente, este fenômeno nos induz a crer que a memória integral não é propriedade da substância cerebral, mas que ao contrário ela se acha localizada na parte indestrutível do nosso eu que Allan Kardec denominou perispírito. As aparições dos vivos demonstram claramente que existe em cada um de nós um segundo corpo, identicamente semelhante ao primeiro, que pode se exteriorizar e até agir à distância. A existência deste corpo é que explica a preexistência e a sobrevivência individual e o estado dinâmico que preside a organização, a entretém, e a reparação do corpo carnal. O perispírito é, pois, o regularizador das funções, o arquiteto que vela e mantém o corpo físico, durante essas mutações contínuas da matéria que o constituem. Além disso, a existência do perispírito, como um instrumento de precisão, esclarece com absoluta fidelidade as menores variações da personalidade; todas as volições do pensamento, todos os atos da inteligência têm nele sua repercussão. Alguns escritores chegaram a compará-lo a um cinematógrafo vivo sobre o qual fixam sucessivamente nossas aquisições e recordações.

           Admitindo, portanto, este princípio espiritual, sem o qual tudo se torna obscuro, o estudo sobre as vidas sucessivas se esclarece de um modo bem patente, alicerçado sobre fatos positivos, que se manifestam espontaneamente ou provocados. Neste caso há necessidade de apelar para o magnetismo, para que o espírito exteriorizando-se possa dar ao seu organismo psíquico uma vibração de acordo às suas modalidades anteriores que auxiliam a passagem das reminiscências guardadas no inconsciente para o consciente.

           O Conde De Rochas, antigo diretor da Escola Politécnica ocupo-se muito desse gênero de experiências, chegando até a escrever uma obra que se acha traduzida em várias línguas, com o título - "As vidas Sucessivas". Essa obra contém importantes relatos de sessões realizadas por ele com diversos indivíduos. É assim que o ilustre sábio se pronuncia sobre o assunto: "É certo que por meio de operações magnéticas pode-se, progressivamente, levar a maior parte dos sensitivos a épocas anteriores à sua vida atual, com as particularidades intelectuais e filosóficas, características dessas épocas, e isso até o momento do seu nascimento. Não são lembranças que se acordam, são estados sucessivos da personalidade que são evocados; essas evocações se produzem sempre na mesma ordem e através de uma sucessão de letargias e estados sonambúlicos. É certo que continuando essas operações magnéticas, além do nascimento, e sem haver necessidade de recorrer-se às sugestões, faz-se passar o sujet por estados análogos correspondentes às encarnações precedentes e aos intervalos que separam essas encarnações".  

"As experiências de De Rochas com a Srta. Mayo são muito conhecidas dos estudiosos e demonstram muito bem a doutrina das vidas múltiplas. Mas não é só este caso que o ilustre sábio cita: no capítulo "Regressão da memória e previsão" apresenta nada menos de dezenove sujets, com quem fez experiências comprobatórias.

           Outros sábios também de valor, e que não são espíritas, narram casos semelhantes aos verificados por De Rochas, fatos esses que demonstram a existência de uma lei de correlação, digna de estudo e observação.

           As provas, porém, ainda mais convincentes, a ponto de tornarem a teoria reencarnacionista temida pelos seus mais impiedosos adversários, são as de previsão, ou sejam - os anúncios antecipados de reencarnação, nos quais os espíritos, identificados, designam a época do seu renascimento na Terra, o sexo, e ministram indicações sobre suas aparências físicas e disposições morais, que permitem reconhecê-los em seu regresso a este mundo, chegando eles a predizer particularidades de sua próxima existência, fatos esses que têm se podido verificar.

           Não nos deteremos na transcrição desses fatos, pois confiamos que o leitor estudioso procure seus relatos nas obras de psiquismo que já formam uma grande biblioteca digna de atenção.

           O problema do destino humano está intimamente ligado à lei dos renascimentos, que além de dar aos homens a idéia de um Ser justo e bom, exalta a solidariedade com uma condição essencial do progresso social, e satisfaz as nossas mais altas aspirações, facultando, a cada um, um futuro de felicidade de acordo com os méritos conquistados pelo trabalho, pelo estudo e pela prática das virtudes ativas.

(1) Palingenesia, do grego: Palin, de novo, gênesis, nascimento.

Artigo extraido da RIE de junho de 1927 e publicado na RIE - ano LXXIX - número 05 - junho 2004
e transcrito por Mara Fialho

 

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

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